
Instrumentista (acordeonista). Compositora.
Descendente de italianos, recebeu o apelido de Zezinha ainda em criança. Começou a estudar acordeão aos nove anos de idade e teve como professor Ângelo Reale, que a ensinou a tocar de ouvido. Em 1953, formou-se em Música Clássica no Conservatório Aidir Meirelles.
Sua carreira musical teve início em 1946, quando, aos 18 anos, foi convidada por Zulmiro, do Trio Mineiro, a ligar-se à música sertaneja. Depois de meses de ensaio, assinou contrato com a Rádio Tupi, onde chamou a atenção por sua beleza e por ser uma das raras mulheres a tocar acordeom naquela época. Ficou trabalhando com o Trio Mineiro durante um ano. Em 1947, foi convidada por Tonico e Tinoco para excursionar com eles, o que fez durante oito meses. Em 1951, gravou pela Todamérica seu primeiro disco solo interpretando ao acordeom a valsa “Brejeira” e a mazurca “Alegria”, parcerias com Luizinho. Em seguida, gravou o balanceio “Baldrana macia”, clássico sertanejo de Anacleto Rosas Jr e Arlindo Pinto, e a polca “Só pena que voa”, de sua autoria. No ano seguinte, gravou os baiões “Sabiá graúna”, parceria com Luizinho, “O casamento”, de Palmeira e Luizinho e “Paraná do Norte”, de Palmeira. Em 1953, gravou mais três parcerias com Luizinho, a polca “Faísca”, o choro “Teimoso” e a rancheira “Imperatriz”. Em 1954, gravou o baião “Meu bem”, de Mário Vieira e o tango “Pirilampos ao luar”, de sua autoria e Luzinho. No mesmo ano, gravou o rasqueado “Índia Porã”, de sua autoria e Luizinho, e a rancheira “Lágrimas de mulher”, de Pereirinha. Em 1955, gravou a valsa “Eliana” de Mário Vieira e o arrasta-pé “Oito baixos”, parceria sua com Messias Garcia.
Em 1956 ingressou na RCA Victor onde estreou interpretando a tarantela “Baixa Itália”, de Luzinho, Vicente Lia e Neno Silva e a polca “Na porta do circo”, de Moacir Braga. Em 1957, gravou o dobrado “Dois corações”, de Pedro Salgado e o maxixe “A cigana te enganou”, de J. M. Alves.
Em 1958, a dupla Luizinho e Limeira dissolveu-se e Luizinho decidiu formar com o seu irmão, que assumiu o nome de Limeira, o trio Luizinho, Limeira e Zezinha. O primeiro disco que gravou com os novos companheiros trazia o samba- canção “Remorso”, de Luzinho e Zé Fortuna, e o tango “Recordar é viver”, de Luizinho e Régis Falcão. O trio Luizinho, Limeira e Zezinha foi o mais famoso da música sertaneja e recebeu o título de Trio Orgulho do Brasil. Não tinham cachê fixo e costumavam ganhar 50% da bilheteria dos locais onde iam-se apresentar, geralmente circos e circos-teatros.
Em 1959, voltou a gravar solo, registrando na Odeon os maxixes “Serafina”, de Messias Garcia e “É da banda de lá”, de Irvando Luiz e Peteleco. Em 24 de setembro de 1960, sofreu um atentado que entrou para a história do grupo, rendendo-lhes um dos maiores sucessos. O trio apresentava-se no Circo-Teatro Estrela Dalva, em Itanhaém, e ela, como de costume, abriu o show cantando sozinha e tocando acordeom. Apresentava a primeira música, quando foi atacada à faca pelo sergipano Edmundo Freire que a feriu na perna. Ele era seu fã e pretendia dar uma facada no coração da artista. Dizia que, se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém. Foi ferida na mão, na perna e no pé, e teve o fole de seu acordeom furado por 11 facadas. Ficou mais de 50 dias afastada dos palcos em recuperação. Baseado neste episódio, escreveu com Limeira, a música “O crime do circo”, que se transformou também numa peça.
Em 1960, dando prosseguimento à carreira solo, lançou o LP “A Imperatriz da harmônica”, pela Orion. O maior sucesso do trio foi “O menino da porteira”, de Teddy Vieira e Luisinho. Gravaram com muito sucesso várias outras músicas, entre as quais “Mil e quinhentas cabeças”, de Anacleto Rosas Jr., “Pretinho sábio”, de Palmeira e Teddy Vieira, “O sino de três lagos (Pretinho aleijado)”, de Teddy Vieira e Laureano, e “Lenço preto”, de Teddy Vieira e Laureano.
O trio apresentou-se em diversos programas de rádio, cantando sempre ao vivo. Em 1961, gravou na Chantecler as valsas “Saudades de Bragança” e “Recordações de Atibaia”, ambas de Pachequinho. No mesmo ano, gravou o bolero “Faz-me rir”, de Yoni e Arias e o calipso-rock “Alguém é bobo de alguém”, de Greenfield e J. Keller. Também no mesmo ano, lançou pela Chantecler o LP “Dance com Zezinha”.
Com o fim dos programas de auditório, tornaram-se difíceis as viagens e o trio se desfez. Retirou-se da cena artística e foi viver em Perdizes. Recebeu o título de Imperatriz da Harmônica.
AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
Acordeom, Robertinho do. Eu e a música sertaneja. São Paulo: Editora Santo Agostinho, 1982.
MUGNAINI Jr. Ayrton. Enciclopédia das músicas sertanejas. São Paulo: Letras e Letras, 2001.
NEPOMUCENO, Rosa. Música Caipira – Da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.