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Nome Artístico
Viúva Guerreiro
Nome verdadeiro
Seraphina Augusta Mourão do Valle
Data de nascimento
9/9/1858
Local de nascimento
Rio Bonito, RJ
Data de morte
11/8/1936
Local de morte
Rio de Janeiro, RJ
Dados biográficos

Pianista. Compositora.

Filha do fazendeiro Lino Machado do Valle e de Guilhermina Roza Alves Mourão do Valle, sendo criada na Fazenda do Barreado, a maior de Rio Bonito.

Começou a estudar piano aos 10 anos de idade.

Por volta de 1880 conheceu o português João de Souza de Oliveira Barreto, comerciante e afinador de pianos. Após o casamento, em 3 de dezembro de 1882, o casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio de instrumentos e partituras e mudam-se para o Rio de Janeiro. A partir de 1884 transferiram a loja para a Travessa São Francisco de Paula, 8, hoje Rua Ramalho Ortigão, que a partir de 1896, ficou conhecida como Ao Piano de Crystal, quando compôs a valsa “O piano de Crystal”.

Em fins de 1895 o casal viajou para a Europa e, chegando a Nice em pleno carnaval, conheceu o confete prateado e o dourado, que encomendou e lançando a novidade no Rio de Janeiro, no carnaval de 1896, com enorme sucesso. Os confetes eram distribuídos em saquinhos vendidos a dois e três vinténs.

Dirigiu ao lado do marido a casa Ao Piano de Crystal, loja de pianos, músicas e águas minerais Vichy. Com a morte do marido, em março de 1900, assumiu a direção do estabelecimento.

Apresentada por seu irmão Cândido ao magistrado Joaquim Augusto Guerreiro Lima, casaram-se em 1902 e passou a assinar Seraphina Augusta do Valle Guerreiro Lima.

Em 1910 o seu segundo marido foi a óbito, e assim, tornou-se conhecida por “Viúva Guerreiro”, nome que deu ao seu estabelecimento comercial, por esta época, situado na Rua Sete de Setembro, 169, no Centro do Rio de Janeiro.

A Casa Viúva Guerreiro tornou-se ponto de encontro de famosos pianistas e compositores populares como Aristides Borges, Sinhô, Gastão Lamounier, Osvaldo Cardoso de Menezes, Pedro Sá Pereira, entre outros.

Em meados da década de 1930 passou a residir em Santa Teresa, bairro no Centro do Rio de Janeiro, onde veio a falecer.

A Casa Viúva Guerreiro continuou sob a direção de seu sobrinho Fileto Moura, até o fechamento definitivo em setembro de 1962.

Segundo a pesquisadora Glaucia Virginia Costa, com Mestrado em andamento no “PPGM” (Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ) na área de Musicologia, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Alice Volpe, no ano de 2026:

“Até 1916, a Viúva Guerreiro continuou administrando sozinha o seu estabelecimento, que passou a denominar-se Casa Viúva Guerreiro. A partir desse ano, admitiu como sócio José Deocleciano Gomes Júnior, antigo gerente da casa.”

E acrescenta Glaucia Virginia Costa:

“Até o momento, conseguimos catalogar 69 composições da Viúva Guerreiro, sendo a mais antiga, com partitura localizada, datada de 1911. Contudo, (…) sua trajetória artística se inicia bem antes, pois já foram identificadas 18 composições editadas e comercializadas entre os anos de 1893 e 1900, ainda sob o nome de Seraphina do Valle Oliveira Barreto.”

Ainda no ano de 2026 a pesquisadora, Glaucia Virginia Costa, apresentou um artigo acadêmico no “XXII Colóquio de Pesquisas da UFRJ” intitulado “A Construção de uma Compositora: Seraphina Oliveira Barreto no Cenário Musical Carioca (1893-1900).”

Dados artísticos

Os primeiros registros conhecidos de suas composições datam de 1893, que são valsas, polcas, xotes e mazurcas. Na loja Ao Piano de Crystal, executava ao piano suas composições e as novidades da época, editadas por Oliveira Barreto & C.

Em 1915, escreveu aquela que se tornaria sua mais célebre composição, a valsa “Quando penso em ti”. Dedicou a Rui Barbosa a valsa “Supremo Mestre”, enviando-lhe 100 exemplares em papel acetinado. Rui Barbosa enviou-lhe um telegrama, agradecendo a homenagem, indo visitá-la pessoalmente alguns dias depois.

No ano de 1944 teve a valsa “Supremo Mestre” gravada ao piano por Mário de Azevedo na gravadora Continental. Dois anos depois, em 1946, sua valsa “Quando penso em ti” seria gravada pelo mesmo pianista e na mesma gravadora.

Em 2002, a mazurca “Minha queridinha” foi gravada pelo grupo de choro Mulheres do Choro, e lançada pela Acari Records.

Segundo Ary Vasconcelos:

“Essa é a composição mais antiga de Seraphina da qual se conhece a partitura, datada de 1911.”

Obras
Alma diplomata
Amor tudo vence
Bacurau
Boas festas
Cismando
Coração magoado
Deem asas ao Brasil
Entre flores
Era uma vez uma menina
Fúlgidas esperanças
Gage d'amour
Meu coração é teu
Minha queridinha
Não te esqueças de mim
Olhar de Maria
Quando penso em ti
Quatro de outubro
Reino dos Encantos
Rodolfo Valentino
Secret du Coeur
Sinhá
Sonho das flores
Supremo Mestre
Vertigem da paixão
Visão divina
Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1978.

VASCONCELOS, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque. Rio de Janeiro: Livraria Sant’Anna, 1977.