
Pianista. Compositora.
Filha do fazendeiro Lino Machado do Valle e de Guilhermina Roza Alves Mourão do Valle, sendo criada na Fazenda do Barreado, a maior de Rio Bonito.
Começou a estudar piano aos 10 anos de idade.
Por volta de 1880 conheceu o português João de Souza de Oliveira Barreto, comerciante e afinador de pianos. Após o casamento, em 3 de dezembro de 1882, o casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio de instrumentos e partituras e mudam-se para o Rio de Janeiro. A partir de 1884 transferiram a loja para a Travessa São Francisco de Paula, 8, hoje Rua Ramalho Ortigão, que a partir de 1896, ficou conhecida como Ao Piano de Crystal, quando compôs a valsa “O piano de Crystal”.
Em fins de 1895 o casal viajou para a Europa e, chegando a Nice em pleno carnaval, conheceu o confete prateado e o dourado, que encomendou e lançando a novidade no Rio de Janeiro, no carnaval de 1896, com enorme sucesso. Os confetes eram distribuídos em saquinhos vendidos a dois e três vinténs.
Dirigiu ao lado do marido a casa Ao Piano de Crystal, loja de pianos, músicas e águas minerais Vichy. Com a morte do marido, em março de 1900, assumiu a direção do estabelecimento.
Apresentada por seu irmão Cândido ao magistrado Joaquim Augusto Guerreiro Lima, casaram-se em 1902 e passou a assinar Seraphina Augusta do Valle Guerreiro Lima.
Em 1910 o seu segundo marido foi a óbito, e assim, tornou-se conhecida por “Viúva Guerreiro”, nome que deu ao seu estabelecimento comercial, por esta época, situado na Rua Sete de Setembro, 169, no Centro do Rio de Janeiro.
A Casa Viúva Guerreiro tornou-se ponto de encontro de famosos pianistas e compositores populares como Aristides Borges, Sinhô, Gastão Lamounier, Osvaldo Cardoso de Menezes, Pedro Sá Pereira, entre outros.
Em meados da década de 1930 passou a residir em Santa Teresa, bairro no Centro do Rio de Janeiro, onde veio a falecer.
A Casa Viúva Guerreiro continuou sob a direção de seu sobrinho Fileto Moura, até o fechamento definitivo em setembro de 1962.
Segundo a pesquisadora Glaucia Virginia Costa, com Mestrado em andamento no “PPGM” (Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ) na área de Musicologia, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Alice Volpe, no ano de 2026:
“Até 1916, a Viúva Guerreiro continuou administrando sozinha o seu estabelecimento, que passou a denominar-se Casa Viúva Guerreiro. A partir desse ano, admitiu como sócio José Deocleciano Gomes Júnior, antigo gerente da casa.”
E acrescenta Glaucia Virginia Costa:
“Até o momento, conseguimos catalogar 69 composições da Viúva Guerreiro, sendo a mais antiga, com partitura localizada, datada de 1911. Contudo, (…) sua trajetória artística se inicia bem antes, pois já foram identificadas 18 composições editadas e comercializadas entre os anos de 1893 e 1900, ainda sob o nome de Seraphina do Valle Oliveira Barreto.”
Ainda no ano de 2026 a pesquisadora, Glaucia Virginia Costa, apresentou um artigo acadêmico no “XXII Colóquio de Pesquisas da UFRJ” intitulado “A Construção de uma Compositora: Seraphina Oliveira Barreto no Cenário Musical Carioca (1893-1900).”
Os primeiros registros conhecidos de suas composições datam de 1893, que são valsas, polcas, xotes e mazurcas. Na loja Ao Piano de Crystal, executava ao piano suas composições e as novidades da época, editadas por Oliveira Barreto & C.
Em 1915, escreveu aquela que se tornaria sua mais célebre composição, a valsa “Quando penso em ti”. Dedicou a Rui Barbosa a valsa “Supremo Mestre”, enviando-lhe 100 exemplares em papel acetinado. Rui Barbosa enviou-lhe um telegrama, agradecendo a homenagem, indo visitá-la pessoalmente alguns dias depois.
No ano de 1944 teve a valsa “Supremo Mestre” gravada ao piano por Mário de Azevedo na gravadora Continental. Dois anos depois, em 1946, sua valsa “Quando penso em ti” seria gravada pelo mesmo pianista e na mesma gravadora.
Em 2002, a mazurca “Minha queridinha” foi gravada pelo grupo de choro Mulheres do Choro, e lançada pela Acari Records.
Segundo Ary Vasconcelos:
“Essa é a composição mais antiga de Seraphina da qual se conhece a partitura, datada de 1911.”
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1978.
VASCONCELOS, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque. Rio de Janeiro: Livraria Sant’Anna, 1977.