
Maestro. Compositor. Jornalista. Foi líder espírita, homeopata e vegetariano. Filho de uma negra alforriada, e neto de escrava, seu pai era português. Escreveu artigos combatendo o racismo e a intolerância religiosa. Foi abolicionista e ficou conhecido como “Maestro Abolicionista”. Também recebeu a alcunha de “O Semeador de Orquestras” devido às várias orquestras que fundou.
Na juventude integrou o grupo Recreio Cachoeirano e participou do Coro de Santa Cecília tocando clarineta. Foi depois convidado a integrar a Banda Marcial de São Benedito. Em 1870, foi criada a Euterpe Ceciliana e ele foi escolhido para ser professor e regente da nova entidade. Ao longo da vida criou a Lyra Ceciliana, em Cachoeira, a Victória Feirense, em Feira de Santana, a Lyra Sangonçalense, em São Gonçalo dos Campos, e a Harpa Sanfelixta, em São Félix. Entre suas obras estão “Navio negreiro” e o “Hino abolicionista”. Em 1888, dirigiu a filarmônica Euterpe Ceciliana em festivo desfile comemorativo do fim da escravidão no Brasil. Em 1909, começou a dar aulas na cidade de São Gonçalo dos Campos e um ano depois fundou a Lyra Sangonçalense. Em 1922, compôs o “Hino da Cachoeira”, que recebeu letra do poeta Sabino de Campos. Escreveu métodos e livros teóricos, tais como “Carta de ABC musical ou Compêndio de Leitura Musical”, “Método para Afinar com Arte uma Banda Musical”, “Contraponto e Fuga”, e “Philosofia da Harmonia e Composição”. Em 2011, o jornalista Jorge Ramos publicou pela Solisluna Editora o livro “O semador de orquestras – História de um maestro abolicionista” contando a vida e obra do maestro. Junto ao livro foi gravado um CD com a Sociedade Cultural Orpheica Lyra Cecilina que interpretou as seguintes obras do maestro: “Hino da Cachoeira”, “Airosa passeata”, “Navio negreiro”, “Hino abolicionista”, “Passo dobrado”, “Serenata”, “A dor”, “Alma de Dios” e “Ária da Estrela DAlva”. Deixou mais de 700 obras entre marchas festivas, valsas, contradanças, polcas, polacas, fantasias, missas, marchas fúnebres, dobrados e outras. Segundo o etnomusicólogo e mestrando em composição musical pela UFBA Fred Dantas, citado no livro, “Tranquilino Bastos, para mim, não tem como fugir da idéia de genialidade. Foi o único gênio das músicas de filarmônicas. O conjunto de sua obra – as composições sacras e as de câmara, que estão sempre sendo estudadas por outros especialistas – apenas reforça esse aspecto singular. O talento, o brilhantismo e a musicalidade estavam a serviço de uma personalidade à frente de seu tempo”.