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Nome Artístico
Otávio Dutra
Nome verdadeiro
Otávio Dutra
Data de nascimento
3/12/1884
Local de nascimento
Porto Alegre, RS
Data de morte
9/6/1937
Local de morte
Porto Alegre, RS
Dados biográficos

Compositor. Professor.

Filho do advogado Miguel Antônio Dutra Filho e de Leopoldina Dutra. Ingressou na Escola de Belas-Artes, onde teve como mestre o professor Murilo Furtado. Iniciou seus estudos musicais em 1910, ingressando no Conservatório de Música de Porto Alegre, onde cursou harmonia e contraponto. Casou-se com Diamantina, com quem iria ter duas filhas, e a quem dedicou valsa do mesmo nome.

Dados artísticos

Aos 15 anos de idade faz sua primeira obra, a valsa  intitulada “Valsa nº1”. Entre os anos de 1900 e 1904, compõe a “Valsa nº2”, a valsa “Sonâmbula”, a  “Valsa nº3”, a “Valsa nº4”, a valsa “Mocinha” e a “Polca B”. Acredita-se que, durante esses anos, tenha composto marchas-ranchos para os blocos carnavalescos de Porto Alegre.  De 1910 a 1937, organizou cursos de canto e música, lecionando teoria musical, harmonia e canto. É considerado o pioneiro na introdução do bandolim e do violão na sociedade gaúcha.
Foi ensaiador dos primeiros blocos de Porto Alegre, como os “Tigres”, “Os batutas”, chegando a fazer, para eles, diversas orquestrações. Em 1913, teve gravadas na Odeon pela Banda do 10º R. I. do Exército as polcas “Pinhão…quente” e “Bela porto-alegrense”, o xote “Céu aberto” e o tango “Choro dos becos”. No mesmo ano, também na Odeon o Grupo Terror dos Facões gravou os xotes “Coração de ouro” e “Sempre teu”, a polca “Mágoas do violão” e a valsa “Republicana”. Outra de suas composiçõpes gravadas, sem data precisa, foi o xote “Alda”, pelo Grupo do Canhoto.
Em 1914 organizou em Porto Alegre o grupo “Terror dos facões”, integrado por flauta, cavaquinho e violão. O “Terror dos facões” ( em gíria de músico, facão significa o mau instrumentista) tinha seu repertório formado principalmente de composições de sua autoria,  chegando a lançar no ano de sua formação diversos discos para a gravadora Odeon. No início de 1915, o compositor causou espanto no Rio de Janeiro ao registrar, de uma só vez, na seção de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional, trinta composições, visando preservar seus direitos, cedidos a Fred Figner, proprietário da Casa Edison e diretor-geral da Odeon brasileira. Deixou inúmeras  composições, tendo cultivado  todos os gêneros musicais populares, com  especial atenção para a valsa.
Um episódio marcante de sua carreira deu-se em 1921, quando o compositor contava 36 anos, durante um desfile de carnaval em Porto Alegre. Segundo Ary Vasconcelos, “os blocos rivaisTigre e Batutas encontraram-se em plena Praça Garibaldi, em Porto Alegre. Os primeiros cantavam um samba do maestro Pena, ironizando os blocos rivais: “Vai botá isso lá”. Otávio Dutra improvisou, na hora, uma resposta, que superou a música dos Tigres, o samba “Bota fora esse negócio”. Logo em seguida, por iniciativa de Dante Santoro, que se achava presente na ocasião, foi executada a valsa “Palmira”, de Dutra, com Santoro fazendo o solo de flauta. O compositor foi carregado em triunfo pelo povo”.
Em 1934, o flautista Dante Santoro gravou na Victor suas valsas “Beatriz” e “Saudades do Jango”. No mesmo ano, teve as valsas “Rosa” e “Catita” gravadas pela Orquestra Típica Victor dirigida pelo maestro Radamés Gnattali na gravadora Victor. Em 1949, o mesmo flautista Dante Santoro gravou na Odeon seu choro “Teimoso”. Em 1950, Dante Santoro gravou seu choro “Sempre nós” com acompanhamento do grupo vocal Trigêmeos Vocalistas.

Obras
Alda
Alice
Altina
Amar em segredo
Amor e medo
Amor secreto
Aos poucos
Aurora de amor
Beatriz
Bela madrugada
Bela porto-alegrense
Bota fora esse negócio
Carinhos de mãe
Carolina
Catita
Celeste
Celina
Chora, violão!
Choro dos becos
Colar de lágrimas
Coração de ouro
Coração que fala
Céu aberto
Diamantina
Diálogo das flores
Dorvalina
E aí... .
Espanhola
Fantasmagórica
Florinda
Gratidão
Iaiá
Linda
Mania de ópera
Mocinha
Mulher divina
Mágoas do violão
Noemi
Não te esqueço
Olha o poste!
Orvalho de lágrimas
Palmira
Pierrô
Pinhão... quente
Pisando corações
Republicana
Rosa
Saudade de Darci
Saudade de Maneca
Saudades do Jango
Sempre nós
Sempre teu
Separação
Sonâmbula
Sorrisos d'alma
Teimoso
Teu
Valsa nº1
Valsa nº2
Valsa nº3
Valsa nº4
Valsa nº5
Vesga
Bibliografia Crítica

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

VASCONCELOS, Ary. A nova música da República velha. Rio de Janeiro : EditÇÃO Do autor, 1985.