Compositor. Cantor. Violonista.
Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Cândida Caymmi, conhecida por Dona Sinhá. O pai era funcionário público e tocava violão, bandolim e piano. Sua mãe cantava muito bem. Teve três irmãos: Deraldo, Diná e Dinair. Aos seis anos de idade, começou a freqüentar a Escola de Belas Artes, no Colégio de Dona Adalgisa. Estudou depois no Colégio Batista e, em 1926, concluiu o curso primário no Colégio Olímpio Cruz. No ano seguinte, matriculou-se no curso ginasial no referido colégio, mas o abandonou no mesmo ano para trabalhar. Empregou-se no escritório do jornal “O Imparcial”, da capital baiana, onde fazia diferentes serviços. Na mesma época, começou a fazer as primeiras pinturas, desenhando tabuletas para lojas comerciais. Em 1929, o jornal fechou e teve que se dedicar a outros serviços. Foi vendedor de cordões para embrulho e de bebidas nacionais. Perdeu o emprego quando, junto com alguns amigos, resolveu experimentar as amostras de bebidas. Nessa época, 1933, começou a compor marchinhas e toadas, como “No sertão”, sua primeira composição. No ano seguinte, começou a tomar aulas de violão com seu pai e com seu tio Cici.
Em 1935, passou num concurso para escrivão da coletora estadual, cargo para o qual nunca foi nomeado. No mesmo ano, começou a cantar por acaso, quando foi visitar a Rádio Clube da Bahia, na companhia do amigo Zezinho. Perguntados por um funcionário da Rádio sobre o que faziam, Zezinho respondeu que cantavam. O funcionário tanto insistiu que Caymmi acabou cantando para surpresa de Zezinho que ficou encantado com sua voz ao microfone. Ainda em 1935, prestou serviço militar no Tiro de Guerra nº 284.
Em 1937, mudou-se para o Rio de Janeiro, viajando num Ita, um pequeno navio de passageiros, com a intenção de estudar jornalismo e trabalhar com desenho. Conseguiu, através de um parente, publicar alguns desenhos na revista “O Cruzeiro”. Recebeu conselhos para seguir a carreira de cantor. Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, Teófilo de Barros Filho, que se agradou de sua voz e o contratou por 30 mil réis. Em 1939, conheceu num programa de calouros na Rádio Nacional a sua futura esposa, a cantora Stella Maris, quando ela cantava “Último desejo”, de Noel Rosa.
Em 1940, casou-se com Adelaide Tostes, nome verdadeiro da cantora Stella Maris. O casal teve três filhos: Dinair (Nana, 1941), Dorival (Dori, 1943) e Danilo Cândido (1948), que se tornariam também grandes nomes da música popular brasileira. Em 1943, perdeu sua mãe. Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso de desenho na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1953, inaugurou a Praça Dorival Caymmi em Itapoã. Dois anos mais tarde, mudou-se com a família para São Paulo, lá vivendo por cerca de um ano. Caymmi tem seis netos, Stella Teresa, Denise Maria e João Gilberto (filhos de Nana), João Vítor (filho de Dori) e Juliana e Gabriel (filhos de Danilo).
Em 1968, ganhou do Governo da Bahia uma casa na Praia de Ondina, em reconhecimento a sua importância para a cultura brasileira. Em 1972, foi agraciado no Palácio do Itamaraty (Brasília) com a comenda da Ordem do Rio Branco, em Grau de Oficial. Foi também agraciado com a comenda da Ordem do Mérito da Bahia.
Em 1984, recebeu, em comemoração ao 70º aniversário, inúmeras homenagens, tais como: a edição de um CD duplo e de um álbum de desenhos patrocinado pela Funarte (Rio de Janeiro); a outorga da comenda da “Ordre des arts et des lettres de France”; a outorga da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho (Brasília) e a outorga do título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (Salvador). Em 1985, inaugurou a Avenida Dorival Caymmi na capital baiana. Em 2001, esbanjando jovialidade em seus quase 90 anos, voltou às paradas de sucesso compondo para a televisão. Lutando contra um câncer renal desde 1999, faleceu de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em sua casa no bairro carioca de Copacabana onde estava em internação domiciliar desde dezembro de 2007. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro com a presença de parentes e amigos, entre os quais inúmeros músicos. Sobre ele assim falou o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva: “Ele é um dos fundadores da música popular brasileira, patriarca de uma linhagem de músicos de talento. Suas canções praieiras e seus sambas-canção são patrimônio da cultura nacional. Brilhou e inovou como compositor, músico e cantor. Sua música é uma completa tradução da Bahia.”
Em 2024 foi lançado o longa-metragem, dirigido por Daniela Broitman, “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos”, com depoimentos e cenas com os principais artistas da MPB, entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Tom Jobim. O filme estreou em várias salas de cinema por todo o país, entre as quais Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Palmas, Niterói, São Luís, Caxias do Sul, Brasília, João Pessoa e Florianópolis.
Em 1935, começou a participar de alguns programas na Rádio Clube da Bahia. No mesmo ano, o radialista Gilberto Martins, que tinha ido a Salvador com o cantor Leo Vilar, iniciou nova fase no rádio baiano que até então só irradiava discos. Gilberto assumiu a direção da Rádio Clube, lançando o compositor com o programa “Caymmi e suas canções praieiras”. No ano seguinte, venceu o concurso de músicas para o carnaval baiano, com o samba “A Bahia também dá”.
Em 1938, estreou na Rádio Tupi, interpretando de sua autoria, o samba “O que é que a baiana tem?”, cuja composição foi iniciada ainda em Salvador e concluída já no Rio de Janeiro. Nessa mesma época, teve o samba “O que é que a baiana tem?”, incluído na trilha sonora do filme “Banana da terra”, de Wallace Downey, interpretado por Carmem Miranda, que recebeu instruções suas para dançar a música. Foi apresentado por Almirante ao diretor Wallace Downey, seguindo indicação dos amigos Alberto Ribeiro e Assis Valente. Rodadas as cenas iniciais, preparavam-se para filmar duas importantes seqüências em que Carmem Miranda cantaria “Boneca de piche” e “Na baixa do sapateiro”, ambas as composições de Ary Barroso. Por desentendimentos financeiros entre Ary e a produção do filme, seu samba “O que é que a baiana tem?” foi utilizado em substituição às canções de Ary Barroso, por sugestão do compositor Alberto Ribeiro. No mesmo ano, foi convidado por Newton Teixeira para gravar na Odeon. Ficou apenas três meses na Rádio Tupi, sendo contratado com exclusividade pela Rádio Transmissora com um salário de 400 mil réis, mais 200 mil extras aos domingos.
Em 1939, gravou em dueto com Carmem Miranda pela Odeon, seu primeiro disco com o samba “O que é que a baiana tem?”, que parecia ter sido feita sob encomenda para Carmem Miranda, tornando-se um enorme sucesso, e, a cena típica “A preta do acarajé”, ambas de sua autoria. No mesmo ano, fez os arranjos para a cantiga de roda “Roda pião”, de domínio público, a qual gravou em dueto com Carmem Miranda. Logo em seguida, gravou de sua autoria a cantiga “Rainha do mar” e a canção “Promessa de pescador”. Ainda no mesmo ano, estreou na Rádio Nacional convidado por Almirante. Ainda em 1939, a canção “O mar” foi aproveitada na peça teatral “Joujoux e balangandãs”, de Henrique Pongetti, espetáculo de cunho beneficente, patrocinado pela então primeira dama Darcy Vargas. Também no mesmo ano, apareceu no filme do show “Joujoux e balangandãs”. Ficou apenas três meses na Rádio Nacional, sendo contratado em seguida pela Rádio Mayrink Veiga.
Em 1940, gravou o samba-jongo “Navio negreiro”, de J. Piedade, Sá Róris e Alcyr Pires Vermelho, e a canção “Noite de temporal”, de sua autoria. No mesmo ano, gravou na Columbia a canção “O mar”, em duas partes. Ainda em 1940, destacou-se com “O samba da minha terra” composição inspirada nos sambas de roda da Bahia, em que cunhou uma frase muito conhecida, numa ode ao samba: ” Quem não gosta de samba/Bom sujeito não é/É ruim da cabeça/Ou doente do pé….”. Este samba foi gravado pelo Bando da Lua, aliás o último fonograma do grupo realizado no Brasil. Em 1941, voltou para a Rádio Tupi, onde atuou por mais nove anos. No mesmo ano, gravou na Columbia o jongo “Essa nêga fulô”, música de Osvaldo Santiago, sobre versos do poeta Jorge de Lima e o samba “Balaio grande”, de sua parceria com o mesmo Osvaldo Santiago. Gravou em seguida a toada “É doce morrer no mar”, música sua para versos do escritor Jorge Amado, do romance “Mar morto” e a canção “A jangada voltou só”, de sua autoria. Também no mesmo ano, o conjunto vocal Anjos do Inferno gravou seus sambas “Você já foi à Bahia?” e “Requebre que eu dou um doce”. Também em 1941, fez sua primeira excursão artística atuando em Fortaleza.
Em 1942, os Anjos do Inferno gravaram seus sambas “Vatapá” e “Rosa morena”. No mesmo ano, deu continuidade à excursão artística iniciada no ano anterior, apresentando-se nas cidades de Recife, Maceió e Salvador, sendo esta sua primeira visita à Bahia após o sucesso. Por essa época, pintou seu primeiro quadro a óleo. Em 1943, a Continental relançou seus discos gravados na Columbia. No mesmo ano, percorreu vários estados, integrando o elenco do “Show da vitória”. No ano seguinte, fez o show “Jangadeiros” no Grill Room do Copacabana Palace.
Em 1945, retornou à Odeon, após quatro anos sem gravar e lançou o samba autobiográfico “Peguei um ita no norte” e o samba-canção “Dora”, que fora composto quatro anos antes, música que pode ser considerada uma homenagem ao Recife, com a citação de aspectos locais como a passista, o frevo e o maracatu. Em 1946, gravou, também na Odeon, de sua autoria, os sambas “A vizinha do lado” e “Trezentas e sessenta e cinco igrejas”, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto regional. Em 1947, foi para a RCA Victor e gravou os sambas “Marina” e “Lá vem a baiana”, de sua autoria. “Marina”, com versos que se tornaram clássicos como “Marina, você faça tudo/Mas faça um favor:/Não pinte este rosto que eu gosto/E que é só meu/Marina, você já bonita/Com o que Deus lhe deu”, foi gravada no mesmo ano por Nelson Gonçalves, Dick Farney e Francisco Alves, abolindo um tabu que até então caracterizava o procedimento das gravadoras na época, que não admitiam o lançamento de uma composição por mais de um intérprete.
Em 1948, gravou de sua autoria, as canções “A lenda do Abaeté”; “Cantiga”; “Sodade matadera” e o samba “Saudade de Itapoã”; com o qual destacou-se naquele ano, samba no qual cantou a praia distante, um dos mais belos cartões-postais de sua terra. Na gravação, contrariando sua vontade, foi acompanhado por dois violonistas, quando preferiria ter realizado ele próprio o acompanhamento. Em 1949, Zaccarias e sua orquestra regravou a toada “Peguei um ita no norte”. No mesmo ano, gravou a canção “O vento” e a cena baiana, conforme o selo do disco, “Festa de rua”, de sua autoria. Nesse período, passou a dedicar-se mais à pintura, para desespero de amigos como Jorge Amado, que achavam que poderia estar deixando a música de lado. Ainda em 1949, atuou no filme “Estrela da manhã”, baseado em argumento de Jorge Amado.
Em 1950, retornou para a Rádio Nacional, na qual permaneceu até meados do ano seguinte. Nesse período, participou das gravações do filme “Estrela da manhã”. Em 1951, voltou para a rádio Tupi, onde permaneceu por três anos. Passou outros três anos longe das gravações, retornando em 1952, pela Odeon, com os sambas-canções “Não tem solução”, parceria com Carlos Guinle, e “Nem eu”, que se tornou um clássico do repertório da música romântica. No mesmo ano, teve o samba “E eu sem Maria”, uma parceria com Alcyr Pires Vermelho, gravado por Alcides Gerardi na Odeon. No ano seguinte gravou os sambas-canção “Tão só”, outra parceria com Carlos Guinle, e “João Valentão”, de sua autoria, com a qual conheceu novo sucesso, composição que retrata a figura de um homem rude, brigão, mas que tem momentos de amor e ternura.
Em 1954, gravou a toada “Quem vem pra beira do mar” e as canções “Pescaria (Canoeiro)”, “A jangada voltou só” e “É doce morrer no mar” (c/ Jorge Amado). No mesmo, ingressou na Rádio Record de São Paulo e lançou pela Odeon, seu primeiro LP, intitulado “Canções praieiras”, no qual regravou sucessos como “O mar”, “É doce morrer no mar” (c/ Jorge Amado) e “A jangada voltou só”, além da inédita “O bem do mar”. Morou o ano de 1955 em São Paulo, tendo feito diversos shows em boates da capital paulista como a “Michel”, onde se apresentou com Paulinho Nogueira. No mesmo ano, lançou o LP “Sambas”, pela Odeon, com gravações já lançadas em discos de 78 rpm. Em 1956, gravou outro samba-canção que virou clássico, “Só louco”, de sua autoria. No mesmo ano, voltou ao Rio de Janeiro e passou a atuar na boate “36”, onde lançou com sucesso a toada “Fiz uma viagem” e o samba “Maracangalha”, que falava de um lugarejo onde havia uma usina de açúcar, em que seu amigo Zezinho fazia negócios. A música foi gravada na Odeon com enorme sucesso, que se estendeu ao carnaval do ano seguinte, onde foi muito cantada. No mesmo ano, foi escolhido pela revista “Radiolândia”, em votação que reuniu toda a equipe de redatores e repórteres, como o “melhor compositor do ano”. Em 1957, gravou o samba “Saudade da Bahia”, de sua autoria, música que havia sido composta há dez anos. A gravação aconteceu por sugestão de Aloísio de Oliveira, então diretor artístico da Odeon. “Saudades da Bahia” bateu recordes de vendagem, o que lhe proporcionou um prêmio especial de uma cadeia de lojas de São Paulo. No mesmo ano, viajou para a Europa, em missão do governo brasileiro, percorrendo Espanha, França, Itália e Portugal. Também no mesmo ano, participou da Exposição dos Artistas do Rádio de artes plásticas, evento organizado por Henrique Ponjetti. Gravou ainda, no mesmo período, o samba “2 de fevereiro” e a canção “Saudades de Itapoã”, de sua autoria. Também em 1957, lançou pela Odeon o LP “Caymmi e o mar”, no qual foram interpretadas a suíte “História de pescadores”, que incluiu as canções “Canção da partida”, “Adeus da esposa”, “Temporal”, “Cantiga de noiva”, “Velório Val” e “Na manhã seguinte”, e ainda as canções “Promessa de pescador”, “Dois de Fevereiro”, “O vento”, “Saudades de Itapoã”, “Noite de temporal”, “Festa de rua”, e “O mar”, todas de sua autoria. Esse disco contou com as participações especiais das cantoras Silvinha Telles, Lenita Bruno, Odaléa Sodré e Consuelo Sierra, na suíte “História dos pescadores” na qual Silvinha Telles interpretou “A noiva” e as demais interpretaram “As esposas”. Na contra-capa do disco, o jornalista e compositor Fernando Lobo assim escreveu: “A vida musical de Caymmi é toda ela presa ao mar. Nascido no litoral baiano, ele é o menino de todas as areias, de todas as espumas que as ondas trouxeram como chamados, seduções e fugas. Cumpriu o destino que o mar o impôs e seguiu rumos a terras, sem deixar nem se esconder de ser mar amigo. E isto ele confessa quando diz: “Andei por andar andei e todo caminho deu no mar”. Foi galopando nas ondas que este artista raro, ganhou ritmo e inspiração para as suas músicas, todas elas impregnadas de sargaço, queimadas de sol e com sotaque e o cheiro da Bahia. Caymmi é um pescador que conta histórias do mar”. Em 1958, gravou com Ary Barroso o LP “Ary Caymmi – Dorival Barroso”, no qual um interpreta músicas do outro. Gravou entre outras músicas de Ary Barroso, “Risque”, “Maria” e “Na Baixa do Sapateiro”, enquanto Ary Barroso gravou suas “Lá vem a baiana”, “Nem eu” e “Marina”, entre outras. Em 1959, lançou pela Livraria Martins, a 3º edição de seu livro “Cancioneiro da Bahia” e lançou o LP “Caymmi e seu violão”. Em 1960, gravou as canções “Eu não tenho onde morar” e “São Salvador” e o samba “Rosa morena”, todas de sua autoria. No mesmo ano, gravou com a filha Nana Caymmi um “Acalanto”, de sua autoria. Ainda em 1960, teve um samba de sua autoria incluído no repertório de músicas de vários países interpretadas pela atriz e cantora norte americana Jane Russell em seu programa de estréia na TV brasileira.
Em 1961, o cantor João Gilberto regravou o “Samba da minha terra”, acompanhado pelo conjunto de Valter Wanderley. Em 1964, João Gilberto tornou a regravar “Samba da minha terra”, em registro ao vivo realizado em show no Carnegie Hall, nos Estados Unidos. No mesmo ano, lançou o LP “Caymmi visita Tom”, que contou com as participações especiais da mulher Stella e da filha Nana, que interpretaram com ele e Tom Jobim “Vai de vez”, de Lula Freire e Roberto Menescal. Em dueto com Tom Jobim interpretou “Saudade da Bahia”, de sua autoria. Ainda em 1964, apresentou-se com Vinicius de Moraes e Quarteto em CY na Boate Zum-zum do Rio de Janeiro, lançando o samba “Adalgisa” e a valsa “Das rosas”. Em 1965, excursionou aos Estados Unidos com Ray Gilbert, autor da letra em inglês de “Das rosas”, que fazia grande sucesso com a gravação do cantor norte-americano Andy Williams, em cujo show de TV se apresentou. Permaneceu em Los Angeles por quatro meses, tendo gravado um LP na Warner Brothers Reprise. Atuou ainda em um curta-metragem feito pela Columbia para ser apresentado em televisão. Ainda no mesmo ano, lançou o LP “Caymmi”, no qual cantou “Das rosas…”, de sua autoria, “Praia da Amaralina”, de Castilho e De Assis, e “Morrer de amor”, de Luvercy Fiorini e Oscar Castro Neves, entre outras de sua autoria.
Em 1966, apresentou-se no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, e em 1967, em Salvador, acompanhado pelo conjunto MPB-4, em show realizado no Teatro Castro Alves. No mesmo ano, foi lançado pela Elenco o LP “Vinicius e Caymmi no Zum Zum”, com participação do Quarteto em Cy, no qual estão presentes, entre outras composições, as suas “Saudades da Bahia”, “Histórias de pescadores” e “Adalgiza”. Em 1968, presidiu o júri, junto com Jorge Amado, do Festival de Sambas da Bahia, evento realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador, para celebrar a reinauguração desse teatro, que convidou personalidades do Rio para integrar o júri, como Sérgio Porto, Oscar Castro Neves, Quarteto em Cy e Ricardo Cravo Albin. Em fins de 1968, excursionou pela Argentina, tendo participado do encerramento de uma temporada de recitais promovidos pelo Instituto Brasileiro do Café em Buenos Aires, ocasião em que se apresentou ao lado de diversos artistas, sob a direção de Aloysio de Oliveira. Ainda em 1968, foi homenageado pela Revista da Sbacem, sociedade arrecadadora de direitos autorais, com um pequeno perfil biográfico para o qual o escritor Rubem Braga escreveu a crônica “Abat-jour de cetim” na qual diz: “Fora disso só há a dizer que o “Doriva” é um boêmio conformado em ser bom chefe de família, que ama seus tragos, e que, por ocasião de seu “emplacamento” como nome de uma praça pública em Itapoan, todos os cronistas presentes disseram que “aliás Dorival sempre foi boa praça”, e todos disseram isso com sinceridade e com ternura. Porque ternura, amizade e Bahia, tudo são coisas da competência muito especial do bom homem Dorival Caymmi”.
Em 1972, lançou o LP “Caymmi”, pela Odeon, no qual incluiu “Oração da Mãe Menininha”, homenagem à ialorixá Menininha do Gantois nos seus 50 anos de Mãe-de-Santo, além de “Eu cheguei lá” e “Vou ver Juliana”, compostas para um projeto de filmagem do romance “Capitães da areia”, de Jorge Amado. No ano seguinte, em 1973, gravou o LP “Caynmmi também é do rancho”, que trazia composições como “Acalanto”; “Marina” e “Canoeiro”.
Em 1975, compôs “Modinha para Gabriela”, para a trilha sonora da novela “Gabriela” (TV Globo), baseada no romance “Gabriela cravo e canela” de Jorge Amado. A canção tornou-se sucesso nacional interpretada por Gal Costa. Nesse mesmo ano, apresentou-se no Festival Abertura, promovido pela TV Globo, interpretando sua composição “Sargaço mar”. Em 1976, Gal Costa gravou o LP “Gal canta Caymmi”, no qual interpretou dez músicas do compositor, entre as quais, “Festa de rua”, “Vatapá”, “Nem eu” e “Só louco”.
Em 1980, participou de uma temporada em Angola ao lado de vários artistas. Excursionou também à Martinica.
Em 1983, participou de uma série de espetáculos intitulado “Bahia de todos os santos” em Roma, e recebeu o “Prêmio Shell da MPB”, em espetáculo realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Em 1984, a FUNARTE/MEC, lançou o LP “Setenta anos”, em homenagem aos seus 70 anos de idade. O disco foi dividido em sete blocos, representando temáticas constantes em sua obra: “Postais da Bahia”, “Das mulheres”, “Cenas da Bahia: Praias de festas”, “Histórias e lendas de pescadores”, “O amor pelo mar”, “Canções de amor” e “Caymmi pede a benção”. Em 1985, a Sargaço Produções lançou “Caymmi som, imagem, magia”, com um apanhado de sua obra, em dois discos, trazendo no primeiro, uma entrevista com Jorge Amado e no segundo, a suíte “Caymmiana”, de Radamés Gnattali sobre temas de suas composições. Em 1986, Nana, Dori e Danilo gravaram o LP “Caymmis grandes amigos” lançado pela EMI-Odeon. No carnaval desse ano, foi homenageado pela Escola de Samba Mangueira que se sagrou campeã do desfile, com um enredo baseado em sua obra. No ano seguinte, a família Caymmi fez temporada no Teatro Scala (RJ), tendo sido lançado pouco depois o LP “Dori, Nana, Danilo e Dorival Caymmi”, pela Odeon.
Em 1991, apresentou-se ao lado dos filhos no Festival de Montreux, em um show lançado em disco de nome “Família Caymmi em Montreux” pela PolyGram. Em 1993, o compositor e antropólogo Antônio Risério lançou pela Editora Perspectiva o livro “Caymmi, uma utopia de lugar”, em que analisa a obra do mestre em forma de ensaio. No mesmo ano, o samba “João Valentão”, foi gravado pelo cantor Fagner no LP “Demais” da BMG Ariola. Em 1994, em comemoração a seus 80 anos, foi lançado pela Editora Lumiar o Songbook em dois volumes com um total de 98 canções, e caixa de quatro CDs com oitenta e duas canções. Nesse mesmo ano, a Sony Music lançou a antologia “Dorival” e o compositor participou do disco “Antônio Brasileiro”, cantando “Maricotinha”, composição cuja confecção foi elaborada ao longo de muitos anos. No ano seguinte, apresentou-se mais uma vez ao lado dos filhos, em Salvador, na Bahia, em espetáculo comemorativo dos 50 anos da construtora Odebrecht.
Em 1996, participou do Heineken Concerts, apresentando-se no Rio de Janeiro e São Paulo, ao lado de Dori Caymmi e Gal Costa. Em 1997, foi lançado o álbum duplo “Caymmi inédito”, contando com 23 faixas, gravado em 1985 para a Odebrecht. No disco constavam três músicas inéditas, “A mãe-dágua e a menina”, “Sargaço mar” e “Caymmiana”, e ainda arranjo do maestro Radamés Gnattali sobre temas do compositor. O CD foi lançado em show realizado no Golden Room do Copacabana Palace, onde se apresentou ao lado dos filhos Nana e Danilo. No carnaval de 2001, Os “Doces Bárbaros”, grupo formado na década de 1970 por Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Caetano Veloso, se reencontrou no trio elétrico de Margareth Menezes para cantar músicas de sua autoria no domingo de carnaval. Segundo declaração do compositor “É uma honra para mim desfrutar dessa oportunidade. Poder contar com quatro grandes intérpretes baianos em um evento em minha homenagem.” No mesmo ano, em parceria com o filho Danilo, compôs o tema de abertura da telenovela “Porto dos Milagres”, da TV Globo, inspirada no livro “Mar Morto”, de Jorge Amado. A cantora Maria Bethânia lançou o CD Maricotinha, no qual gravou o samba de mesmo nome, composto na década de 1980 e que havia sido gravado por Tom Jobim. A gravadora Odeon lançou “Caymmi amor e mar”, caixa com oito CDs reunindo todos os discos gravados pelo cantor e compositor por aquele selo.
No final de 2001, a Editora 34 lançou a biografia “Dorival Caymmi – o mar e o tempo” escrita por sua neta, a jornalista Stella Caymmi, filha de Nana Caymmi que desde criança gostava de conversar com o avô sobre sua vida e sua obra. Ao lançamento, no Consulado de Portugal, no Rio de Janeiro, compareceram importantes nomes da música popular brasileira. O próprio compositor estava lá, com a esposa Stella, e conferiu a canja dos filhos Nana e Danilo, que apresentaram alguns de seus inesgotáveis sucessos. O livro sobre ele inaugurou uma coleção voltada para a música sob a coordenação do jornalista e crítico Tárik de Souza.
Em 2003, foi constituída pelo Instituto Cultural Cravo Albin, a comissão “Caymmi 90”, destinada a preparar os eventos comemorativos aos 90 anos de nascimento do compositor, em abril de 2004, constando entre outras atividades, de exposição multimídia sobre sua vida e obra. Em 2005, foi homenageado com a exposição “As imagens no som de Caymmi”, idealizada pelo designer Felipe Taborda e que reuniu no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a criação de 80 artistas plásticos tendo como tema a obra musical de Caymmi. As letras das 80 canções e as fotos dos trabalhos inspirados nelas foram reunidas em livro lançado na inauguração da exposição. Ao final de abril de 2006, às vésperas de seus 92 anos, recebeu comovida homenagem por parte de todo o plenário do Conselho Estadual de Cultura, na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por seu filho Dori e pela neta Stella o compositor foi saudado inicialmente pelo presidente do conselho, o musicólogo Ricardo Cravo Albin, e a seguir, por todos os 20 integrantes do alto colegiado que, emocionados, ouviram o homenageado falar por quase 20 minutos ininterruptamente em agradecimento.
Em 2009, pouco antes de se completar um ano de sua morte foi aberta ao público a exposição “Caymmi acervo digital” na Casa do Acervo no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, uma pequena amostra do acervo de obras e itens pessoais do compositor e cantor baiano. O público pode ter acesso a itens como agendas pessoais, pinturas à óleo, discos, fitas, partituras, fotos e recortes de jornais. Entre os itens mais raros estão o disco de 78 rpm com a gravação original de “Dora”, além de seis pinturas à óleo e desenhos e esboços. Como parte da abertura da exposição foi realizado no Teatro Tom Jobim espetáculo em sua homenagem com a participação de seus filhos Danilo, Nana e Dori Caymmi, que se apresentaram juntos pela primeira desde a morte do pai e da mão Stella, ocorrida onze dias depois. Nesse espetáculo são apresentados os grandes sucessos do compositor como “Acontece que sou baiano”, “Milagre”, “O que é que a baiana tem?”, “A vizinha do lado”, “O dengo”, “Você já foi à Bahia?”, “Saudade da Bahia” e “Trezentas e sessenta e cinco igrejas”, entre outras. O show teve Dori no violão, Danilo na flauta e Cristóvão Bastos no piano. O roteiro foi dividido pelos irmãos que também dividiram entre si as preferências na interpretação das músicas do pai: Dori cantou as músicas ligadas ao mar como “É doce morrer no mar” e “Sargaço mar”, Nana ficou com as baladas como “Só louco” e “Sábado em Copacabana”, e Danilo cantou os sambas como “Samba da minha terra” e “Vatapá”. Ainda nesse ano, foi lançado o DVD com o especial realizado por ele em 1972, na TV Cultura para o programa “MPB Especial”. Na ocasião cantou solando ao violão obras de seu repertório como “O que é que é que a baiana tem?”, “A preta do acarajé”, “O mar”, “É doce morrer no mar”, “A vizinha do lado”, “365 igrejas”, “Vatapá”, “A jangada voltou só”, “Rosa morena” e “Só louco”, além de contar histórias de sua vida e da carreira artística. Ainda em 2009, foi homenageado no espetáculo “O bem do mar”, com direção de Antonio de Bonis e estrelado na Sala Fernanda Montenegro no Teatro Leblon. O espetáculo foi dividido em três blocos nos quais são interpretadas canções de sua autoria: “Bahia, lembranças”, “Copacabana by night” e “Histórias de pescadores”. Ao longo do espetáculo foram interpretadas obras primas como “Modinha para Gabriela”, “Dora”, “A preta do acarajé”, “Saudade de Itapoã”, “João Valentão”, “A lenda do Abaeté”, e “Acalanto”. Também em 2009, foi lançado pela editora Barcarolla o livro “Caymmi sem folclore” escrito pelo crítico musica e pesquisador André Domingues. Em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o ICCA – Instituto Cultural Cravo Albin a caixa “100 anos de música popular brasileira” com a reedição em 4 CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975. No volume 4 estão incluídos seus sambas “Rosa morena” na interpretação de Cauby Peixoto, e “Saudade da minha terra” na voz de Marlene. Em 2013, foi lançado por sua neta Stella Caymmi o livro “Dorival Caymmi e a Era do Rádio”, uma preparação para as comemorações do centenário de nascimento do cantor e compositor. No mesmo ano, foi lançado por seus filhos Nana, Dori e Danilo o CD “Caymmi”, pela Som Livre, no qual reverenciam o pai, morto em 2008, interpretando canções menos conhecidas como “Quando eu durmo”, “Balaio grande”, Itapoã”, “Sereia” e “Francisca Santos das Flores”. No mesmo ano, seu samba-canção “Não tem solução”, com Carlos Guinle, gravado por Dick Farney em 1950, foi incluída na trilha sonora da novela “Joia rara”, da TV Globo.
Em 2014, as celebrações de seu centenário de nascimento contaram com alguns eventos importantes, tais como uma Audiência Pública no Congresso Nacional, promovida pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados e da qual foram oradores convidados Danilo Caymmi, João Jorge Amado (filho de Jorge Amado) e Ricardo Cravo Albin, além do professor Carvalho, da Universidade da Bahia e biografo do homenageado. Também foi homenageado pelos filhos em show de Nana, Dori e Danilo. Ainda em 2014 foi lançado o livro “Dorival Caymmi: O mar e o tempo” (Editora 34), biografia do avô, por Stella Caymmi, seguido de uma entrevista com a apresentadora Maria Beltrão, na Livraria da Travessa, no bairro do Leblon, Zona Sul carioca. O jornal O Globo lhe dedicou na edição de domingo – três dias antes de o dia do aniversário – um caderno especial sobre sua vida, obra e textos literários de vários críticos e musicólogos. Também em 2014, foi homenageado com o lançamento do CD “Dorival Caymmi centenário”, que contou com arranjos sinfônicos de Dori Caymmi e Mário Adnet, tendo participação de Nana Caymmi nas faixas “Sargaço mar” e “Lagoa do Abaeté”, Caetano Veloso no samba-canção “Sábado em Copacabana”, Danilo Caymmi, em “Vatapá”, Dori Caymmi, no samba-canção “Nem eu”, Chico Buarque, em “Dora”, e Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil no samba “O que é que a baiana tem?”. Em 2015, encerrando as comemorações do centenário de seu nascimento, foi realizada no Teatro Castro Alves, em Salvador, a premiação do Prêmio Caymmi de Música. Na abertura da cerimônia foi apresentado pelas cantoras Cláudia Cunha, Jussara Silveira, Júlia Tazie e Matildes Charles um pot-pourri com obras do compositor tais como “Modinha para Gabriela”, “Vou ver Juliana” e “Rosa Morena”. Entre outros artistas, também se apresentaram Margareth Menezes, Virgínia Rodriges, Balé Folclórico da Bahia e Orkuestra Rumpilezz. No mesmo ano, foi homenageado pelo filho Danilo Caymmi com a gravação do CD “Don Don”, música-título inédita, parceria sua com o empresário Assis Chateubriand, gravada pela primeira vez, e que incluiu ainda as composições “Lá Vem a Baiana”; “Dora”; “Das Rosas”; “A Vizinha do Lado”; “Requebre Que Eu Dou Um Doce”; “Só Louco” e “Nem Eu”, além de “Canção da Noiva”, interpretada por sua neta Alice Caymmi.
Em 2018, por ocasião dos dez anos de sua morte foi homenageado pelo jornalista Pedro Bial com um artigo no jornal O Globo no qual escreveu; “Dorival inventou a Bahia como a conhecemos e, assim fazendo, criou um Brasil. O Brasil que Caymmi imaginou, propôs e compôs é um país comprometido com a alegria, de gente que cultiva a paciência e, com calma e preguiça saudável, dedica-se ao culto pacífico de nossas origens e singularidades. Sobretudo, as canções caymiescas apontam nossos pontos de convergência e representam um encontro marcado dos brasileiros com suas virtudes, tantas vezes tachadas de vícios”.
Em 2019, foi lançado no Rio de Janeiro e em São Paulo, durante o festival “É tudo verdade” o documentário “Dorival Caymmi: Um homem de afetos”, dirigido por Daniela Boitman. No documentário ela procurou traçar um retrato intimista do cantor e compositor com depoimentos dos filhos Nana, Dori e Danilo, dos compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, do produtor Guto Burgos e da cozinheira Criostiane de Oliveira que trabalhava na casa dele. Segundo a diretora: “Eu queria esse Caymmi da porta para dentro, não só de casa, mas da alma dele. Como ele olhava as coisas simples como o vento, o barulho do mar e fazia isso virar poesia”.
Em outubro de 2023, no dia 9, durante a 25ª edição do Festival do Rio, foi exibido, pela primeira vez, o documentário “Nas ondas de Dorival Caymmi”. A exibição aconteceu no contexto da mostra Retratos. O documentário foi dirigido por Locca Faria e produzido por Helio Pitanga, da Bossa Produções. Foram incluídos depoimentos de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, João Bosco e Maria Bethânia, entre outros.
Em 2024 foi lançado “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos”, documentário longa-metragem dirigido por Daniela Broitman e produzido pela Videoforum Filmes. A produção foi feita com trechos de entrevistas de compositores, músicos e artistas e de uma entrevista inédita com Dorival, realizada em 1998.
1959
Relançamento de gravações feitas para os extintos selos Continental e Columbia.
Série "Momentos Brasileiros"
1954-55
1957
A trilha sonora do documentário em homenagem a vida e obra de Dorival Caymmi.
Álbum duplo.
Vários intérpretes.
Relançamento (original de 1972)
Série "Eu sou o samba"
Série "Retratos"
Série "Grandes compositores"
Série "Para Sempre"
Série "Raízes do Samba"
Série "Meus Momento"
Vários intérpretes.
Vários intérpretes.
Vários intérpretes.
Vários intérpretes.
Gravado ao Vivo no Scala II.
(Com Nana Caymmi)
(Com Carmem Miranda)
(Com Carmem Miranda)
ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. A Letra & a Poesia na MPB: Semelhanças & Diferenças. Rio de Janeiro: EAS Editora, 2019.
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“Minhas canções não chegam a 100”, atesta modestamente o mestre Dorival Caymmi. O que já valeu ao compositor a fama carinhosa e folclórica de preguiçoso deve ser, na verdade, entendido como uma virtude, um traço perfeccionista da sua personalidade musical. Em Caymmi, qualidade, e não quantidade, gerou uma obra extremamente singular, que pode ser considerada um dos pilares da construção da canção brasileira. Através da batida do seu violão — aparentemente primitiva, mas espontaneamente inspirada nas harmonias de compositores clássicos como Ravel, Debussy, Bach e Mussorgski — e do seu canto confidente, o homem praieiro, a herança africana, os personagens folclóricos baianos, as mulheres sestrosas e até um sentimento de carioquismo cruzaram os limites culturais e dionisíacos de um Brasil que fazia a transição entre o rural e o urbano, entre o regional e o universal. Guardadas as diferenças culturais, uma intervenção histórico-musical semelhante à realizada por Luiz Gonzaga com o homem sertanejo do Nordeste. A arte do chefe do clã Caymmi é um caso exemplar de confluência entre o simples e o sofisticado a partir de elementos naturais como o vento, o mar, a morena e a terra. Uma confluência traduzida em sambas, sambas-canções, canções praieiras e toadas tão autorais (ele foi um dos primeiros compositores a gravar suas próprias canções, numa época em que o habitual era o autor entregar a música para um cantor), que o transformaram no melhor intérprete de si mesmo. Mas o conterrâneo Gilberto Gil talvez tenha sido quem melhor definiu a personalidade e a importância na música brasileira ao chamá-lo de “Buda nagô” na canção homônima.
Hagamenon Brito