
Cantor.
Pertenceu a uma família tradicional paulista, o que lhe deu possibilidades de realizar uma formação musical de alto nível em cidades como Rio de Janeiro, Paris e Roma. Cursando o terceiro ano de Direito, iniciou seus estudos de canto com Carlos Alves de Carvalho, no Rio de Janeiro. Como bolsista do Governo do Estado de São Paulo, foi aluno de Vera Janacópulos, em Paris, e de Morini, em Roma. Deu seu primeiro recital no Salão Germânia, em 1927, cantando operetas e músicas ligeiras. Casou-se com a pianista Maria do Carmo Arruda Botelho.
Sua paixão pela música brasileira de cunho popular acabou predominando em seu repertório de cantor de câmara. Em 1929, gravou seu primeiro disco na Columbia interpretando as modinhas “Canção da felicidade” e “Canção do violeiro”. Intérprete preferido de Villa-Lobos, apresentou-se neste mesmo ano na Sala Gaveau, em Paris, ao lado de Monteiro da Silva e Leônidas Autuori, durante a semana brasileira. De volta ao Brasil, apresentou-se acompanhado por sua esposa, a pianista Maria do Carmo Botelho.
Passou a atuar nas Rádios Cruzeiro do Sul e Kosmos (do seu cunhado Alberto Byington), acompanhado pelo piano de D.Carminha. Suas audições também incluíam versões de canções estrangeiras, de sua autoria.
Em 1931 gravou na Columbia a “Toada para você”, de Lorenzo Fernandes e Mário de Andrade. Em 1936, fez parte da delegação paulista que compareceu à inauguração da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. No mesmo ano, gravou a embolada “Passarinho verde”, de motivo popular e a modinha “Viola quebrada”, de Mário de Andrade. Transferiu-se para o Rio, em 1937, atuando na Rádio Nacional e Rádio Jornal do Brasil, apresentando-se diariamente no programa “A hora do Brasil” e no teatro. Nesse mesmo ano teve dedicada a ele por Francisco Mignone a peça “A coeita”.
No ano de 1938, estreou no Teatro República e na Rádio Mayrink Veiga. Nesta emissora, teve seu slogan criado por César Ladeira, passando a ser conhecido como “A voz apaixonada do Brasil”. No mesmo ano, alcançou popularidade também por sua atuação no cinema com o filme “Maridinho de luxo” da Cinédia. Ainda em 1938 gravou as modinhas “Quem sabe?”, de Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio, com acompanhamento de Gaó e sua orquestra e “Conselhos”, de Carlos Gomes, com acompanhamento da orquestra de Camargo Guarnieri.
Em 1939, gravou na Odeon, de Georges Moran e Osvaldo Santiago, a valsa canção “Fosse eu dono da tua boca” e a valsa “Canta guitarra”. No ano seguinte gravou a marcha “Fla-Flu”, de Haroldo Lobo e David Nasser, alusiva ao famoso clássico do futebol carioca disputado pelos times do Flamengo e do Fluminense. Os anos de 1939 e1941 são, sem dúvida, os melhores de sua carreira. Em 1939, na peça “Joujoux et balangandans”, de Henrique Pongetti, interpretou entre outras canções, “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, que só a partir de então passou a ser notada. A gravação entretanto, caberia a Francisco Alves. No ano seguinte, em fevereiro de 1940, estreou no Cassino da Urca em “O circo”, quadros de motivos nacionais, atuando ao lado de Grande Otelo, Aurora Miranda e Manuel Pera, entre outros. Em junho deste mesmo ano, foi representar o Brasil na Feira Mundial de Nova York, e consagrado como “A voz do Brasil” foi contratado pela National Broadcasting Company – N.B.C, tendo sido o divulgador de “Aquarela do Brasil” nos Estados Unidos, quando também foi testemunha ocular do começo do triunfo de Carmen Miranda. De volta ao Brasil, em fevereiro de 1941, seguiu imediatamente para Buenos Aires, como contratado pelo programa “Hora do Brasil”, da Rádio Municipal, apresentando-se com a orquestra de Radamés Gnattali. De volta ao Brasil, ainda neste mesmo ano, participou da segunda versão de “Joujoux et balangandans”, gravando três músicas de Ary Barroso que faziam parte da peça: “Canta mais”, que seria seu grande sucesso, “Cena de senzala” e “Brasil moreno”. Gravou, também, música de concerto, como a “Berceuse da onda”, de Lorenzo Fernandez e “Canção brasileira”, de Francisco Mignone.
Abandonou a carreira artística em 1942, passando a viver como fazendeiro. Entre os anos de 1951 e 1952, gravou excepcionalmente, seis músicas pela Continental.
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