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Nome Artístico
Dom Filó
Nome verdadeiro
Asfilófio de Oliveira Filho
Data de nascimento
1950
Local de nascimento
Rio de Janeiro, RJ
Dados biográficos

Ativista negro. Engenheiro. Produtor musical e de audiovisual. Discotecário.

Fundador, com Mr. Paulão, da equipe Soul Grand Prix na década de 1970, uma das equipes de som mais emblemáticas para o nascimento da Black Music no Brasil, que no Clube Renascença, no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro, organizava o baile “Noite do Shaft”.

Segundo o Dom Filó:

“Inspirado no policial negro e durão do filme ‘Shaft’.”

Também seria Dom Filó um dos primeiros a produzir discos com o repertório dos bailes, sendo o primeiro LP lançado em baile para mais de cinco mil pessoas no Guadalupe Country Clube, nas margens da Avenida Brasil.

Dados artísticos

A Soul Grand Prix foi o embrião de outras equipes de som, depois famosas, como a Furacão 2000, que começou a lotar as quadras dos clubes, gerando assim o que se convencionou chamar de “Era de Ouro dos Bailes Black”. Esta penetração social, principalmente, em camadas da população negra que se identificavam com a postura ‘black power’ dos artistas norte-americanos de funk, logo resultaria no “Movimento Black Rio”, no Rio de Janeiro.

No ano de 1987, a convite de Walter Clark, Dom Filo estreou um o programa diário na TV Rio intitulado “Radial Filó”, dedicado ao público negro dos bailes cariocas. O que o levou a criar, no ano seguinte, em 1988, o instituo e produtora CULTNE, com a finalidade de registrar em imagens a atividade de resistência negra no país, inclusive, com exibições de filmes e documentários em telões pelas favelas do país. O que veio a fortalecer a demanda, já que em 1999, estimou-se que, só na cidade do Rio de Janeiro, os bailes geraram 20 mil empregos e movimentaram R$ 10,6 milhões. No ano seguinte, em 2000, Dom Filó aderiu à internet e criou o canal “Cultne” na plataforma YouTube, disponibilizando o seu acervo em vídeo, considerado um dos maiores em termos de cultura negra na América Latina. Ainda nos início dos anos 2000, segundo Sir Dema (Dj, produtor e pesquisador da black music), houve uma “Sessão Solene Em Homenagem aos 30 Anos da Black Rio”, na qual esteve presente ao lado de Gerson King Combo, Mr. Funky Santos, Fernando (Presidente do Fã Club James Brown), Sandra de Sá, Barrozinho, Rômulo Costa e Mr. Paulão da Equipe Black Power.

No ano de 2016 foi lançado o livro “1976: Movimento Black Rio 40 Anos”, de Zé Octávio Sebadelhe e Felipe Gaoners. Com apoio e patrocínio da Empresa Natura e Natura Musical, Lei Federal de Incentivo à Cultura, Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, o livro, assim como a exposição de fotos, e o documentário fazem parte das comemorações da passagem dos 40 anos do Movimento Black no Brasil. Segundo o autor do livro e curador do evento, DJ e pesquisador Zé Octávio Sebadelhe:

“… Da mesma forma, o movimento influenciou toda uma geração de artistas que promoveria a mistura entre o samba e a MPB com elementos do soul norte-americano marcando profundamente a música brasileira. No ano de 1976 o movimento chega auge, reconhecido em uma reportagem histórica de Lena Frias no Jornal do Brasil, com fotografias de Almir Veiga. O circuito de bailes e shows de artistas negros ganha repercussão nacional, influenciando mobilizações artísticas e sociais em diversas capitais. Não obstante, o Movimento Black Rio teria continuidade em inúmeras derivações culturais subsequentes como, por exemplo, a onda dos bailes de charme, hip hop Rio e o fenômeno do funk carioca.”

O músico, cineasta, pesquisador e romancista Marcelo Gularte iniciou o livro “Enciclopédia do Funk”, que em 2016, já contava com 320 páginas com histórias e entrevistas com várias pessoas das equipes de som como Soul Grand Prix, Furacão 2000, Modelo, Sua Mente Numa Boa, Rick, Revolução Na Mente e outras mais, além de mais de 500 imagens da época dos bailes na década de 1970 e um grande acervo das filipetas sobre o funk no Rio de Janeiro e São Paulo. Por esta época, Dom Filó iniciou a produção do documentário “Black Rio, Por Onde Andas?”, no qual compilou algumas imagens raras e depoimentos de vários personagens da época. Segundo Dom Filó:

“… Em 2015 a Black Rio começou voltar à cena, destaco a volta dos bailes da Soul Grand Prix e teve até duelo de equipes com a Cashbox. E o mais importante é que houve atividades na Zona Norte e na Baixada, que sempre foram o foco da Black Rio.”

No ano de 2018 Luciana Xavier de Oliveira, Professora Adjunta do Bacharelado em Planejamento Territorial da Universidade Federal do ABC (São Bernardo do Campo, São Paulo) e Doutora em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, lançou o livro “A Cena Musical da Black Rio: estilos e mediações nos bailes soul dos anos 1970”, publicado pela Edufba, no qual Dom Filó é citado em vários capítulos.

Em 2021 estreou no “Festival Visões Periféricas”, o documentário “Trem do Soul”, de Clementino Júnior. Com produção de Márcio Januário, produção executiva de Jusele Sá e Júlia Pacheco, direção de fotografia de Robson Maia, roteiro de Milena Manfredini e trilha musical, composição e arranjos de Jonathan Ferr. Com pesquisa musical e iconográfica de Ana Theresa de Andrade Barbosa, André Diniz, Jorge Luiz Barbosa e Zezzynho Andrade e cenas adicionais de bailes cedidas pelo Acervo CULTNE, no média-metragem foram entrevistados ícones do movimento jovem, preto e periférico do Rio de Janeiro da década de 1970, tais como Carlos Dafé, Sandra de Sá, DJ Nenén, Dom Filó, Gérson King Combo, entre outros.

No ano de 2023 foi lançado o documentário, em longa-metragem, intitulado “Black Rio! Black Power!”, no qual fez a apresentação e condução. O longa-metragem contou parte da história dos bailes de soul music dos subúrbios do Rio de Janeiro da década de 1970, que deram origem ao movimento Black Rio e serviram como espaço de afirmação de identidade e resistência política de jovens negros. Segundo matéria da época, nele está registrada a importância do cenário musical na luta por justiça racial durante os “Anos de Chumbo” dos anos 70 no Brasil, por intermédio de seu trajetória como ativista do movimento negro carioca e de produtor cultural, além de fundador da equipe Soul Grand Prix, por ser uma das mais emblemáticas da época. Ainda em 2023 o documentário teve exibições no Cine Pireneus, em Pirenópolis, em Goiás, e também no Rio de Janeiro, no “Festival de Cinema do Rio” e, em Niterói, assim como em cinemas de Belo Horizonte, São Paulo e João Pessoa. Neste mesmo ano, de 2023, atuou como curador de um do ambientes da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade” do Museu de Artes do Rio, permanecendo a exposição até julho de 2024, e onde, o documentário “Black Rio! Black Power!”, de Emílio Domingos foi exibido entre os pilotis da instituição.

Sobre a importância de Dom Filó como ativista do movimento negro e produtor cultural, cabe aqui ressaltar as palavras do cineasta Emílio Domingos, em entrevista ao pesquisador musical Sílvio Essinger, em matéria de 24 de outubro de 2023, para o “Segundo Caderno”, do jornal O Globo:

“Filó carrega com ele toda essa ética e responsabilidade de contar a história do povo negro, contar a história dele foi uma responsabilidade enorme para mim.”

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

MALBORO, DJ. DJ Malboro por ele mesmo – O funk no Brasil. (Org: Luzia Salles). Rio de Janeiro: MAUAD Consultoria e Planejamento Editorial Ltda, 1996.

PEIXOTO, Luiz Felipe de Lima, e SEBADELLE, Zé Octávio. 1976 – Movimento Black Rio. Rio de Janeiro. Editora José Olympio, 2016.

PESSOA, Simão. Funk – A Música que bate – Uma revolução sonora que conquistou o planeta. Manaus: Coletivo Gens da Selva. Editora Valer, 2000.