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Nome Artístico
Guio de Morais
Nome verdadeiro
Guiomarino Rubens Duarte de Moraes
Data de nascimento
20/8/1920
Local de nascimento
Recife, PE
Data de morte
1993
Dados biográficos

Maestro. Compositor. Arranjador. Pianista. Produtor. Diretor artístico. Atuou em diferentes rádios e gravadoras, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.

Dados artísticos

Começou a atuar artisticamente com apenas 14 anos de idade. Pouco depois, atuou no conjunto “Os malucos do ritmo”. Foi diretor de espetáculos musicais. Dirigiu shows de cantores como Ataulfo Alves, Jorge Veiga e Aracy de Almeida. Atuou também como diretor artístico de diversas emissoras de Rádio nordestinas. Em Belo Horizonte, organizou sua primeira orquestra, intitulada de “Guio de Morais e Seus Parentes”. Em 1950, teve o choro “Casca grossa” gravado na Todamérica por Chiquinho do Acordeom. Nessa época, passou a atuar como diretor musical da Boate Beguin, além de ver gravado por Luiz Gonzaga na RCA Victor aquele que seria um de seus maiores sucesso, assim como do próprio “Rei do Baião”, o baião “No Ceará não tem disso não”. Ainda em 1950, passou a atuar na gravadora Continental onde acompanhou nesse ano (com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes) a cantora Marlene na gravação do choro “Esposa modelo”, de José Maria de Abreu e Carlos R. B. de Souza, e do sucesso que foi a polca “Tome polca”, de José Maria de Abreu e Luiz Peixoto, e a cantora Emilinha Borba na gravação da marcha-baião “Bate o bombo”, de Humberto Teixeira, e da marcha “Tomara que chova”, de Paquito e Romeu Gentil, sucesso carnavalesco da cantora. No mesmo ano, começou a atuar também na gravadora Todamérica na qual acompanhou artistas com seu Conjunto, sua orquestra, Seu Ritmo, Seus Parentes e Os Boêmios, todos grupos instrumentais criados e dirigidos por ele. O primeiro desses acompanhamentos foi da cantora Helena de Lima na gravação do baião “Bodocongó”, de Humberto Teixeira e Cícero Nunes, e do remeleixo “Oi, que tá bom, tá”, de Humberto Teixeira e Lauro Maia, que contou com o acompanhamento de Guio de Morais e Os Boêmios. Na Todamérica acompanhou gravações de Chiquinho do Acordeom, Ademilde Fonseca, Luiz Vieira, Araci Costa, Dóris Monteiro, Virgínia Lane, Elizeth Cardoso, Vitor Bacelar, Alice Gonzaga, Hélio Paiva,Trio Rubi, Geni Martins, Léo Vaz, Julinha Silva, Jair Avelar, Carlos Nobre, Ataulfo Alves e Suas Pastoras, Heleninha Costa, Ted Moreno, Antônio Martins, Odete Amaral, José Tobias, e Toni de Matos.
Em 1951, a marcha “Sai, assombração”, foi gravada por Diva Camargo no selo Carnaval, e o baião “Qual o que!”, com Jucatã, foi registrado pelo grupo Quitandinha Serenaders na Odeon. No mesmo ano, Osvaldo Borba e sua orquestra lançou pela Odeon o frevo “Esbodegado”, e Zé Gonzaga, irmão de Luiz Gonzaga, gravou, também na Odeon, a marcha “Tô doido que chegue!”. Também nesse mesmo ano, obteve outro razoável sucesso na voz de Luiz Gonzaga, o baião “Baião da Penha”, parceria com David Nasser. Acompanhou com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes a cantora Ademilde Fonseca na gravação dos choros “Galo garnizé”, de Antônio Almeida, Luiz Gonzaga e Miguel Lima, e “Pedacinhos do céu”, de Valdir Azevedo com letra de Miguel Lima, clássicos do repertório da cantora. Em 1952, seu frevo-canção “Eis o frevo”, com Geraldo Medeiros, foi gravado por Diamantina Gomes e Orquestra de Osvaldo Borba pela Odeon, e os baiões “São João do carneirinho” e “Ai! Miquilina”, ambos com Luiz Gonzaga, foram gravados na RCA Victor respectivamente por Luiz Gonzaga e pelo grupo vocal Quatro Ases e Um Coringa, além do choro “Pitoresco”, que foi lançado por Canhoto e Seu Regional pela RCA Victor. Também nesse ano, outra de suas parcerias com Luiz Gonzaga foi gravada com sucesso pelo “Rei do Baião” e acabou por tornar-se um clássico da música popular brasileira: o maracatu “Pau de arara”, que conta as agruras do migrante nordetino e seu deslocamento do nordeste em direção ao sudeste nos tristemente famosos caminhões “pau-de-arara”. Também no mesmo período, o samba-canção “Saudade”, foi gravado na Continental por Jimmy Lester, marido da cantora Carmélia Alves. Ainda em 1952, fez a primeira gravação solo com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes interpretando pela Odeon o baião “Kalu”, de Humberto Teixeira, a “Serenata de Schubert”, em ritmo de samba, o frevo “Fogão”, de Sérgio Lisboa, e o frevo-canção “Raminho de flores”, dos Irmãos Valença. Nesse mesmo ano, acompanhou com seu conjunto a cantora Emilinha Borba na gravação do baião “Cacimbão”, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy, e com sua orquestra na gravação do mambo “Filho de mineiro”, de José Gonçalves e Zilda Gonçalves, e com o grupo Guio de Morais e seus Parentes na gravação do samba “Aconteceu”, de Peterpan, e do bolero “Bandolins ao luar”, de Green e Lourival Faissal. Em 1953, seu mambo “El tarado” foi gravado na Odeon por Osvaldo Borba e Sua Orquestra. Gravou nesse ano como o grupo Guio de Morais e Seus Parentes o choro “Gaúcho”, de Chiquinha Gonzaga, o baião “Cuco”, de Pascoal Melillo, e o choro “Não chaquaia moço!”, de sua autoria, além do “Baião da garoa”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, essas duas últimas, em disco somente lançado em meados do ano seguinte.  Acompanhou ainda com sua orquestra a gravação da fantasia “Festa canora”, de Humberto Teixeira, e da toada “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira feitas por Jorge Goulart com os Trios Madrigal e Melodia; e com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes, acompanhou Marlene na gravação de “Jambalaya”, de Hank Williams e Ariovaldo Pires, e do mambo “Telefonando”, de Getúlio Macedo e Bené Alexandre. Também  em 1953, na gravadora Todamérica gravou com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes o baião “Trem paulista”, de Antônio Almeida e Felícia Godoy, e o baião-maxixe “A bandinha do Zé Caititu”, de Felícia Godoy. Fez em 1954 os arranjos para a “Melodia em fá”, de A. Rubinstein, gravada em ritmo de bolero por Osvaldo Borba e sua orquestra, e acompanhou com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes a cantora Linda Rodrigues na gravação do samba “Sereno cai”, de Raul Sampaio e Ricardo Galeno, e da marcha “Tá tão bom!”, de Três Amigos. Nesse ano, gravou com o grupo Guio de Morais e Seus Parentes a valsa “That´s amore”, de Jack Brooks e Harry Warren, o fox “Secret love”, de P. F. Webster e Sammy Fain, a “Dança ritual do fogo”, de Manoel de Falla, o choro “Prova dos nove”, de Felícia Godoy, e os sambas “Timidez”, de Wilson Batista e Marcléo, e “Perdão, Senhor!”, de Raul Marques, Orlando Soares e Heber Lobato. Ainda nessa época, passou a atuar como músico de estúdio da gravadora Continental na qual fez gravações de acompanhamento com sua orquestra, seu conjunto e o grupo Guio de Morais e seus Parentes, iniciando as novas funções com a cantora Marlene na gravação dos baiões “É sempre o papai”, de Miguel Gustavo, este, um grande sucesso, lançado para abrir as comemorações do “Dia do Pai”, e “Zé da Gota”, de Luiz Vieira, acompanhados por conjunto. Na Continental, fez acompanhamento para gravações dos Vocalistas Tropicais, Venilton Santos, Vera Lúcia, Mara Silva, Emilinha Borba, Valdir Azevedo, e Ruy Rey. Em 1955, seu baião “Meu brejão” foi gravado na Columbia por Aldair Soares, o choro “É o maior”, com Roberto Barbosa, foi lançado na Copacabana por Pernambuco do Pandeiro, enquanto que o baião “Pau de arara”, foi regravado por Carmélia Alves em disco da gravadora Copacabana. No mesmo ano, gravou na Todamérica com sua orquestra o beguine “Escale a vitória”, de Varel e Bailly, o choro “Matusca”, de Felícia Godoy, o potpourri “Rapsódia mineira”, com as canções “Minas Gerais”, “Peixe vivo” e “Samba Lelê tá doente”, e em ritmo de samba, a cantiga de roda “Atirei um pau no gato”, temas populares com arranjos de Antônio Almeida e Felícia Godoy. Ainda nesse ano, acompanhou com seu conjunto pela Continental a gravação do baião “Bibape do Ceará”, de Catulo de Paula e Carlos Galindo, sucesso na voz de Catulo de Paula.
Em 1956, seu samba “Eu quero um samba” foi gravado por Léo Romano na Odeon, e gravou com sua orquestra pela Todamérica o samba “Sua excelência o ritmo”, de Felícia Godoy, os motivos populares “Casinha pequenina” e “Prenda minha” com arranjos de Antônio Almeida e Felícia Godoy, o samba “Falsa baiana”, de Geraldo Pereira, e o maxixe “Artigo do dia”, de Felícia Godoy. Ainda em 1956, gravou na Continental com sua orquestra o choro “No paraíso das mulatas”, e o samba-canção “Meditação”, de sua autoria. Nesse período, atuou também com sua orquestra e com seu conjunto na gravadora Polydor. Em 1957, fez a instrumentação para o LP “As cantigas de Lampião”, do ex-cangaceiro Volta Seca. Nesse ano, fez os arranjos para o LP “Tudo me lembra você”, o  primeiro da cantora Odete Amaral na gravadora Todamérica. Em 1958, seu samba “De perna bamba” foi gravado pelo Trio Irakitan na Odeon. Nesse ano, participou da excursão ao exterior idealizada por Humberto Teixeira, autor da lei que lhe trazia o nome, quando percorreram a Europa divulgando a música brasileira ao lado de Abel Ferreira, Sivuca, Pernambuco, Dimas e do Trio Ikakitan. Nessa ocasião, participou da gravação do famoso e raro LP “Os brasileiros na Europa”, em que aparece na foto do encarte com todos os participantes da caravana vestidos com ternos amarelos tendo ao fundo um típico ônibus londrino. Nesse disco, participou com o Trio Irakitan da interpretação das músicas “Carrapicho”, “Vai com jeito”, “Zezé” e “Fantasia carioca”, além de “Maracangalha”, “A fonte secou”, “Vai na paz de Deus”; “O baião em Paris” e “Mulata, mulata”. Em 1959, teve os sambas “Vai meu samba” gravado por Léo Vaz, e “Turista”, lançado por Heleninha Costa, ambos  pela Todamérica. Nesse ano, acompanhou com sua orquestra a gravação de dois sucessos, o samba-canção “Gênio mau”, de Augusto Mesquita e Jaime Florence na voz de Odete Amaral, e o maracatu “Eh! Ua! Calunga”, de Capiba na voz de José Tobias. Ainda em 1959, regeu a orquestra e fez os arranjos para o LP “Falemos de amor”, lançado na Todamérica pelo cantor Ted Moreno. Fez, ainda neste ano, os arranjos para o LP “Tudo me lembra você”, lançado na Todamérica pela cantora Odete Amaral. Em 1961, teve o samba “De perna bamba” gravado por Waldir Calmon no LP “Waldir Calmon e seu novo “Feito para dançar” – Waldir Calmon e Seu Conjunto”. Em 1962, teve a música “Sossego de você” gravado por Jamelão na Continental no LP “Jamelão canta para enamorados”. No mesmo ano, Jamelão gravou o samba-canção “Quem sou eu” no LP “Aqui mora o ritmo” da gravadora Continental.
Atuou na década de 1960 como maestro e arranjador na TV Globo. Com uma intensa atuação no meio musical, especialmente nos anos 1950 e 1960, destacou-se tanto como compositor quanto como arranjador e maestro. Em 2006, seu “Baião da Penha    “, com David Nasser, foi gravado por Marcos Sacramento no CD “Sacramentos”, lançado pelo selo Biscoito Fino.

Discografias
[S/D] Todamérica LP Devaneiro
[S/D] Continental LP Gente que diz de balanço
[S/D] Todamérica LP Sambas e baiões
[S/D] Todamérica LP Vesperal dançante
1957 Todamérica 78 Falsa baiana/Artigo do dia
1957 Todamérica 78 I love you caju
1956 Todamérica 78 Casinha pequenina/Prenda minha
1956 Continental 78 No paraíso das mulatas/Meditação
1956 Todamérica 78 The scarlet hour mambo/Sua excelência o ritmo
1955 Todamérica 78 Escale a vitória/Matusca
1955 Todamérica 78 Hajji Baba/Mister Sandman
1955 Todamérica 78 Rapsódia mineira/Atirei um pau no gato
1954 Toodamérica 78 Dança ritual do fogo/Prova dos nove
1954 Todamérica 78 That´s amore/Secret love
1954 Todamérica 78 Timidez/Perdão, Senhor!
1953 Odeon 78 Gaúcho/Cuco
1953 Todamérica 78 Jambalaya/Ana
1953 Odeon 78 Não chaquaia moço!/Baião da garoa
1953 Todamérica 78 Trem paulista/A bandinha do Zé Caititu
1952 Odeon 78 Fogão/Raminho de flores
1952 Odeon 78 Kalu/Serenata de Schubert
Obras
Ai! Miquilina (c/ Luiz Gonzaga)
Baião da Penha (c/ David Nasser)
Casca grossa
De perna bamba
Eis o frevo (c/ Geraldo Medeiros)
El tarado
Esbodegado
Eu quero um samba
Meditação
Meu brejão
No Ceará não tem disso não
No paraíso das mulatas
Não chaquaia moço!
Pau de arara (c/ Luiz Gonzaga)
Pitoresco
Qual o que! (c/ Jucatã)
Quem sou eu
Sai, assombração
Sossego de você
São João do carneirinho (c/ Luiz Gonzaga)
Turista
Tô doido que chegue!
Vai meu samba
É o maior (c/ Roberto Barbosa)
Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário Biográfico da música Popular. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1965.