5.001
Nome Artístico
Luciene Franco
Nome verdadeiro
Luciene Habib Franco Freitas Câmara
Data de nascimento
3/1/1939
Local de nascimento
Rio de Janeiro, RJ
Dados biográficos

Cantora.

Filha única de Alexandrino Franco e Sarah Habib Franco, estudou no Colégio Mello e Souza, no Rio de Janeiro, onde sempre viveu (salvo um período de dois anos em que morou em São Paulo, entre 1965 e 1967). Foi casada duas vezes, a primeira com Ubiratan Martins, a segunda com Antônio Alcino Freitas Câmara, pai de seus três filhos (Alexandre, Rodrigo e João Rafael). Além da atividade artística é empresária do ramo hoteleiro, sendo proprietária de um hotel em Cabo Frio, RJ.

Dados artísticos

Uma das intérpretes favoritas de Ary Barroso, iniciou a carreira de cantora em 1957, atuando no rádio carioca. No mesmo ano, lançou pela Copacabana seu primeiro disco, assinando apenas Luciene, com o bolero “Tarde morena de Espanha”, composição de Luís Bonfá, e o samba-canção “Ave Maria”, de Vicente Paiva. Por essa época, foi levada por Ary Barroso para cantar com Ernâni Filho na boate “Friends”, no Rio de Janeiro. Em 1958, atuou na TV Rio, indicada pelo violonista Luís Bonfá. No mesmo ano, gravou pela Copacabana os sambas “Paz de espírito”, de Luiz Bonfá e Reinaldo Dias Leme, e “Eu fui de novo à Penha”, de Ary Barroso. Ainda em 1958, recebeu da Revista Radiolândia o troféu Antena de Prata depois de eleita por um júri composto de críticos especialistas e representantes de agências de propaganda como a cantora revelação do ano na TV. No ano seguinte, gravou o samba-canção “Conversa”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e o samba “Não foi a saudade”, de Severino Filho e Alberto Paz. Ainda em 1959, gravou de Luiz Bonfá e Antônio Maria, o samba-canção “Manhã de carnaval” e o “Samba do Orfeu”, ambos da trilha sonora do filme “Orfeu do carnaval”, de Marcel Camus.
Ainda na década de 1950, participou da festa de aniversário do presidente Juscelino Kubitschek no Palácio Laranjeiras a convite de Ary Barroso. Com o compositor de “Aquarela do Brasil” trabalhou em três temporadas na extinta boate Freds, no Rio de Janeiro, cantando ao lado de Ernâni Filho. Em 1961, gravou um de seus maiores sucessos, o samba-canção “Ternura antiga”, de Dolores Duran e Ribamar, da qual foi a primeira intérprete, no I Festival da Canção (“Festival do Rio”), realizado no Rio de Janeiro no mesmo ano, sob o patrocínio de “O Rei da Voz”. Também em 1961, lançou o samba-canção “Poema do adeus”, de Luiz Antônio. Em 1962, gravou “Folha caída”, de Hélio Justo e Berenice Ramos, e “Imenso amor”, de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Em 1963, gravou o fox “Gente maldosa”, de Fernando e Glauco Pereira, e o schuffle “Oração da esperança”, de Toso Gomes, Paulo César e Correia. No mesmo ano, gravou com Moacyr Franco as canções “O bicho papão”, de Rogério Cardoso, e “Luzes da ribalta”, de Charles Chaplin, com versão de Antônio de Almeida e João de Barro. Também no mesmo ano, participou da coletânea “5 estrelas interpretam a Bossa Nova – Elizeth Cardoso, Marisa, Carminha Mascarenhas, Morgana e Luciene Franco” da gravadora Copacabana, disco no qual interpretou as canções “Da rosa que nasceu nosso amor”, de Baden Powell e Heloísa Setta, e “Imenso amor”, de Luis Bonfá e Maria Helena Toledo. Em 1964, lançou pela Copacabana o LP “Luciene a notável” com orquestração do maestro Severino Filho, com destaque para o samba “Dois amigos”, de Ary Barroso, os sambas-canção “Diga adeus e vá”, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, “Chamando você”, de Luiz Bonfá, e o “Baião triste”, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo. Em 1966, participou do LP “14 sucessos – Vol 3” da gravadora RCA Victor com a interpretação do samba-canção “Saveiros”, de Dorival Caymmi e Nelson Motta. Gravou três LPs e cerca de dez compactos duplos, tendo sido discos seus lançados na Espanha, Portugal, França e Argentina. Outros sucessos foram “Ma vie”, de Alain Barrière, música francesa gravada no original, que ficou nove meses na parada de sucessos em todo o Brasil e “Gente maldosa”, de Glauco Fernando Pereira. Fez shows em quase todos os estados brasileiros, salvo o Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Acre. Fez shows em vários países. Em Portugal, esteve em várias temporadas, inclusive no Cassino Estoril, onde cantou para o príncipe Vittorio Emanuele da Itália, além de apresentações na RTP. No Uruguai, apresentou-se no Cassino San Rafael, em Punta del Este. Na Espanha, fez temporada na Boate Flamingo, em Madri. Na Itália, apresentou-se na embaixada do Brasil, em Roma, a convite do embaixador Hugo Gouthier. Fez apresentações no México e no Peru. Foi a primeira cantora a gravar uma composição de Geraldo Vandré (“Rosa flor”, em parceria com Baden Powell) e de Edu Lobo.
Na TV, atuou em todos os principais shows como os de Flávio Cavalcanti, Chacrinha, J. Silvestre, Jair de Taumaturgo, Sílvio Santos, Blota Jr., Aerton Perlingeiro, Airton Rodrigues e Murilo Nery. Em 2016, participou da série “Na Era do Rádio”, no teatro Imperator, no bairro carioca do Méier, com a participação especial do cantor Jerry Adriani. Na ocasião, interpretou seus grandes sucessos, entre os quais, o samba-canção “Ternura antiga”, de Dolores Duran e Ribamar; o samba “Dois amigos”, de Ary Barroso, os sambas-canção “Diga adeus e vá”, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, e “Chamando você”, de Luiz Bonfá, e o “Baião triste”, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo.  Em 2017, apresentou-se na sexta-feira de Carnaval no Baile da Cinelândia, tradicional baile carnavalesco promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro em frente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Discografias
[S.D] Copacabana LP Lucienne é amor
[S.D] Copacabana LP Pelos caminhos do mundo
1964 Copacabana LP Lucienne, a notável
1963 Copacabana 78 Gente maldosa/Oração da esperança
1963 Copacabana 78 O bicho papão/Luzes da ribalta

(Com Moacyr Franco)

1963 Copacabana 78 Ressurreição/Céu cor de rosa
1962 Copacabana 78 Folha caída/Imenso amor
1961 Copacabana 78 Poema do adeus/Ternura antiga
1959 Copacabana 78 Conversa/Não foi a saudade
1959 Copacabana 78 Manhã de carnaval/Samba do Orfeu
1958 Copacabana 78 Paz de espírito/Eu fui de novo à Penha
1957 Copacabana 78 Ave Maria/Tarde morena de Espanha
Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário Biográfico da Música Popular. Edição do autor. Rio de Janeiro, 1965.

COSTA, Cecília. Ricardo Cravo Albin: Uma vida em imagem e som. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2018.