
Compositor.
Filho de Manuel Pedro de Morais e Antonia Nunes Cordeiro. Aos quatro anos de idade, foi para a fazenda de um tio, no sertão da Paraíba. Aos 14 anos, voltou ao Rio de Janeiro, empregando-se na Fundição Elmo, (hoje extinta). Um ano depois, trabalhou como operário na Estamparia Colombo, e pouco mais tarde em uma litografia na Rua da Alfândega.
Em 1930, empregou-se na Casa de Saúde Pedro Ernesto como ajudante de farmácia, passando depois para a função de ascensorista. De 1931 a 1935, ocupou o posto de motorista do hospital, onde, através de um companheiro de trabalho que dedilhava o violão, teve despertado seu interesse pela música, passando ele também a executar o instrumento, e a compor canções. Em 1947, ingressou na União Brasileira de Compositores, ocupando o cargo de Vice-Secretário, sendo o responsável pela administração da revista “Música e letra”, e pela cobrança de direitos autorais de revistas especializadas em publicação de letras.
Em 1948, casou-se com Aurora Nunes Rondon, com quem teve um filho.
Em 1935, já com alguma produção musical, mostrou músicas ao compositor Buci Moreira, que gostando de sua obra o incentivou a continuar produzindo. Em parceria com Buci, fez o samba “Boa impressão”, que foi interpretado pela cantora Dalila de Almeida, no programa da Rádio Philips “Samba e outras coisas”.
Por essa época, passou a viver da música, acompanhando cantores ao violão, o que faria por cerca de 12 anos.
Em 1936, escreveu de parceria com Portelo Juno “Oh seu José”, gravada por Castro Barbosa. No ano seguinte, também em parceria com Juno, lançou “Me dá, me dá”, gravado por Carmen Miranda, com a qual obteve grande êxito. Passou, desde então, a compor principalmente choros humorísticos. Em 1938, Dircinha Batista e Barbosa Júnior gravaram seu choro “Ele não dorme sem apanhar” e Patrício Teixeira, o samba “Ao voltar da batucada”, parceria com Max Bulhões.
A partir de 1944, começou a compor samba-canção, gênero que lhe trouxe grandes êxitos, dois quais destacam-se “Apogeu” com Herivelto Martins, gravada por Francisco Alves. Em 1945, fez sucesso com o samba “Aquela mulher”, gravado por Nélson Gonçalves. Em 1946, o samba “Mensagem”, com Aldo Cabral, foi gravado por Isaurinha Garcia, e se constituiria em um de seus maiores sucessos, consolidando a carreira da cantora paulistana.
Continuou a compor em diferentes gêneros, como os baiões “Um cabra não chora” e “Manjericão”, ambos em parceria com Humberto Teixeira. Em 1961, ainda compondo, gravou com Isaurinha Garca, Jamelão e Moreira da Silva. Em 1969, teve a canção “Noite de seresta” gravada por Onéssimo Gomes para o LP “I Festival Brasileiro de seresta” da gravadora Ritmos/Codil.
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