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Nome artístico
Miécio Caffé
Nome verdadeiro
Miécio Café Siqueira
Data de nascimento
1920
Local de nascimento
Juazeiro, BA
Data de morte
11/3/2003
Local de morte
Praia Grande, SP
Dados biográficos

Desenhista. Caricaturista.

Veio para o Rio de Janeiro estudar desenho na Escola Nacional de Belas Artes, mas foi aconselhado por um professor a sair da escola pois nada teria a aprender ali. A partir daí, com a mesada que recebia do pai, comerciante e coronel do Nordeste, passou a frequentar os bares e boates do Rio de Janeiro tornando-se um inveterado boêmio.

Em 1943, foi convocado para o exército onde se tornou um soldado protegido e que desenhava instruções de guerra e histórias em quadrinhos para os soldados analfabetos. Serviu no 3º Batalhão de Engenharia no Rio Grande do Sul. Saiu do Exército logo depois da guerra. Em seguida, trabalhou na Viação Férrea do Rio Grande do Sul, sendo funcionário público sem ter feito concurso, na seção de Gráfica. Em 1947, mudou para São Paulo.

Dados Atividade Específica

Em 1948, começou a trabalhar na revista “Radar”, cujo editor era Ênio Silveira. Depois, passou a fazer as capas de livros para a editora Civilização Brasileira. Em 1958, passou a trabalhar na “Gazeta Esportiva”, onde desenhava a página de rádio, que na ocasião era dirigida pelo compositor Denis Brian, numa seção intitulada “PR Caricatura”, imitando um prefixo de Rádio. Trabalhou também nos tablóides “O Riso”, “Marmita”, “Conselheiro”, “Governador”, “Seleções Humorísticas” e “A Careta”. Fez caricaturas dos presidentes Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubstichek, e Jânio Quadros, além da cantora Fafá de Belém com Teotônio Vilela nas campanhas das Diretas.

Foi amigo de inúmeros músicos como Francisco Alves, Orlando Silva, Lupicínio Rogrigues, Carmen Miranda, Aracy de Almeida, Maysa e Elis Regina, muitos dos quais fez destacadas caricaturas. Grande apreciador de música, era possuidor de um violão embora nunca tenha aprendido a tocá-lo, mas que tinha de um lado a assinatura de João Gilberto e do outro, a assinatura de Lúcio Alves. Tornou-se um dos maiores colecionadores de discos de música popular brasileira possuindo uma cervo de mais de sete mil discos entre 78 rpm e LPs que foram doados ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

Morou por quase 50 anos num apartamento na região paulista da Boca do Lixo. Nesse apartamente realizava quase todas as noites reuniões com diferentes artistas, entre os quais, João Gilberto, Maysa, Lúcio Alves, Aracy de Almeida, Ciro Monteiro, Isaura Garcia, Adoniran Barbosa, Sylvio Caldas, Emilinha Borba, Francisco Alves e Manezinho Araújo. Nessas reuniões, registrou coma mulher Hedi cerca de 700 horas de gravações com depoimentos desses artistas, que juntamente com seus cerca de 10 mil discos formaram a “Discoteca do Caffé”, o maior acervo particular do Brasil. A importância de sua discoteca pode ser entendida no episódio em que uma gravadora queria fazer uma coletânia sobre Francisco Alves, mas não tinha mais as matrizes e teve que recorrer ao caricaturista que além de fazer a seleção das músicas, escreveu o texto, desenhou e fez a arte da capa e da contracapa.

Em 1997, foi homenageado no 24° Salão Internacional de Humor de Piracicaba, SP. Além de desenhar capas de discos e de fazer caricaturas de cantores e jogadores de futebol, desenhou também lustrações e charges para jornais e revistas, além de cenários para a televisão e anúncios de forró, como o do “Forró do Mané Vito”.