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Joanna

Maria de Fátima Gomes Nogueira
27/1/1957 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Joanna continua administrando – e muito bem – sua carreira artística. A isso Joanna deve sua invejável média de 250 mil cópias, por disco.

Aliás, tanto essas vendagens surpreendentes quanto a maneira prudentemente conservadora de administrar sua carreira fazem dela uma versão feminina de Roberto Carlos, no dizer de muitos observadores. O que, devo logo dizer, não me parece demérito.

Há alguns anos atrás recebi Joanna, a quem não conhecia pessoalmente, em minha casa. Ela queria pesquisar umas músicas para um novo disco de sambas-canções e tinha acabado de lançar o belo LP com músicas exclusivamente do Lupicínio Rodrigues.

Joanna me surpreendeu por vários e encantadores motivos. Primeiro, porque abraçava enorme buquê de flores do campo, que me entregou com um sorriso tão claro e luminoso que até parecia que nos conhecíamos há décadas. E depois porque, enquanto ela ia ouvindo algumas das melhores pepitas do samba-canção, seus comentários eram precisos e certeiros para o que havia do melhor no gênero. Ou seja, Joanna tinha o surpreendente bom gosto de louvar jóias esquecidas de Luiz Reis, Haroldo Barbosa, Custódio Mesquita e até profundidades ainda mais raras de Klécius Caldas, Armando Cavalcanti, Ricardo Galeno e João Roberto Kelly.

Comecei, a partir daí, a gostar dela e a me interessar mais pelo seu trabalho, logo eu que a tinha na conta mediana de apenas mais uma cantora cujo único compromisso eram os sucessos para o mercado de rádio. E para minha maior surpresa, Joanna me falou, assim como não quer nada, do seu sucesso em Portugal e na América Latina.

Lembro-me de que arregalei os olhos quando ela me contou das suas peripécias em Lisboa, do número absurdo de discos vendidos que a fez recordista absoluta, dos shows apoteóticos e do carinho do povo português, que a tinha na conta duma Amália tropical.

Ao falar da Amália – a Rodrigues, é claro, minha musa e deusa, além da maior cantora do mundo em sua época de ouro, os anos 50 e 60 (a insolência dessa opinião vale uma discussão mais tarde) – e pedi-lhe que cantasse um fado à Amália. Pois não é que aflorou nela a filha de portugueses (que ela é de fato) e sapecou de imediato um “Foi Deus”, engrenando depois o “Nem às Paredes Confesso” para terminar com um avassalador “Barco Negro”.





Ricardo Cravo Albin

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