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Zico Dias e Ferrinho



Dados Artísticos

Cantores. Dupla caipira. Compositores.

Zico Dias - João Dias Rodrigues Filho - Piracicaba, SP

Ferrinho - Piracicaba, SP

Nascidos no interior paulista, eram o que se poderia chamar de caipiras autênticos. Zico Dias foi motorista e Ferrinho trabalhador agrícola. Era uma dupla especializada em gêneros tipicamente rurais. Participaram da primeira Turma Caipira formada no final dos anos 1920, por Cornélio Pires, o pioneiro da música caipira, com artistas rurais da região de Piracicaba. Participavam, ainda, da Turma Caipira, Arlindo Santana, Caçula, Mariano, Sebastião Ortiz e Sorocabinha. A primeira vez que a Turma Caipira se reuniu foi em 1924, para apresentações em São Paulo. Em 1929, a Turma tornou a se reunir para apresentações no Rio de Janeiro. No mesmo ano, saíram as séries de disco de Cornélio Pires com o selo Colúmbia. Zico Dias e Ferrinho gravaram com a Turma Caipira e Cornélio Pires, as composições "Desafio de caipiras", "O verdadeiro samba paulista" e a cana-verde cururu "Danças regionais paulistas". A dupla Zico Dias e Ferrinho foi uma das pioneiras na gravação de discos, uma vez que após as gravações da série de Cornélio Pires, pela Columbia, a RCA Victor lançou a Turma Caipira Victor, e em seguida foram lançados os discos de Zico Dias e Ferrinho. Em 1930, lançaram seu primeiro disco pela gravadora Victor, interpretando a moda de viola "Vou fazer um barquinho" e a dança típica "Cururu", ambos temas de domínio público. No mesmo ano, lançaram as primeiras composições de autoria da dupla, as modas de viola "Revolução de Getúlio Vargas" e "A morte de João Pessoa", composições onde realizavam verdadeiras crônicas de seu tempo, uma vez que naquele ano desenrolou-se a chamada Revolução de 30, na qual a morte do então governador paraíbano João Pessoa teve grande importância nos rumos do movimento revolucionário liderado entre outros, por Getúlio Vargas. Em 1931, lançaram as modas de viola "Adeus Campinas das flores", "Os canários estão cantando" e "As moças de agora", entre outras, nas quais retratavam aspectos cotidianos e comportamentais da época, além de vivências da vida do interior. Fiéis ao seu estilo, gravaram em 1932, entre outras, a moda de viola "Fui passear na cidade". No mesmo ano, gravaram, ainda de sua autoria, o cururu "Beiço de marmelada" e o cateretê "Bate pé". Em 1933, gravaram a moda de viola, "Vida de violeiro", também de autoria da dupla. Em 1934, gravaram "Cururu paulista", e as modas de viola "Quando Deus criou o mundo" e "Eu já soube por notiça", entre outras. Em 1935, gravaram, entre outras, as modas de viola "Que moça bonita" e "A moça namoradeira". A dupla foi juntamente com Antenógenes Silva, Mariano e Caçula, Mandy e Sorocabinha, Laureano e Soares, Olegário e Lourenço e Raul Torres, uns dos artistas sertanejos mais prestigiados do início dos anos 1930, começo da música caipira. Apenas gravaram, afora as duas primeiras gravações de domínio público, composições da própria autoria da dupla, em sua maioria, modas de viola. No livro "A música popular brasileira na vitrola de Mário de Andrade", organizado por Flávia Camargo Toni, publicado em 2004, a pesquisadora aventa a possibilidade de Mário de Andrade ter, de alguma forma, colaborado para que a dupla gravasse na RCA Victor e mostra uma moda-de-viola composta por Zico Dias dedicada a Mário, na qual o cantor comenta o prazer da dupla em ter cantado para o escritor em evento na casa de alguém: ("...Cantei para Mário de Andrade/ Os meus versos derradeiros/ Eu tive gosto em cantar/ Pro maior crítico brasileiro"). A composição foi registrada em carta de Zico Dias endereçada a Paulo Magalhães, amigo do escritor, com a seguinte finalização: "Ao senhor Paulo e Sr. Mário, um caboclo ás ordens".

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