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Zé Kéti

José Flores de Jesus
16/9/1921 Rio de Janeiro, RJ
14/11/1999 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Atento ao seu povo e ao seu tempo, o poeta Zé Kéti mostrou-se um

verdadeiro cronista. Vistos principalmente de cima do morro, problemas do

Rio e do Brasil foram registrados em seu canto. Não nasceu no morro, mas

teve oportunidade de ali viver por um tempo, ou mesmo sempre freqüentar.

Assim, passa a compreender aquele universo marginalizado. Em “Acender as

velas”, por exemplo, denuncia a miséria que matava as crianças, em vista

da desassistência e dificuldades.“É mais um coração/ Que deixa de bater/

Um anjo vai pro céu (...) O doutor chegou tarde demais/ Porque no morro/

Não tem automóvel pra subir/ Não tem telefone pra chamar/ E não tem beleza

pra se ver/ A gente morre sem querer morrer”. É claro que hoje o morro não

é bem assim. Os problemas são outros. No samba “Os Tempos Mudaram”, samba

feito há mais de 15 anos, Zé Kéti denuncia a criminalidade, que, aliás,

persiste: “Já não se pode andar nas ruas da cidade/ Meu povo está com

medo/ Do Rio de Janeiro antigo só saudade/ (...) Meu samba está de luto/

Envergonhado com a criminalidade.” Mas não fica só no Rio: “Qualquer

cidade grande/ Sofre do mesmo mal/ Na Avenida São João/ No cruzamento da

Ipiranga/ Os trombadinhas vão correndo/ Do policial/ Até chegar a

marginal” E termina: “De norte a sul do meu país/ Não há mais coração

feliz/ O rico assalta por vaidade/ Na impunidade/ E o pobre por

necessidade.” Precisa dizer mais alguma coisa? São muitas a crônicas

deixadas por esse sambista, sensível e muito ligado ao mundo que o

cercava. Esses dois sambas aqui mostrados são parcos exemplos, mas que dão

bem a grandiosidade desse poeta-cidadão.



Pecê Ribeiro

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