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Zé do Norte

Alfredo Ricardo do Nascimento
18/12/1908 Cajazeiras, PB
4/1/1992 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Sua primeira composição, aos 11 anos de idade, motivada por uma desilusão amorosa, mais tarde se tornaria a famosa "Sodade, meu bem, sodade", sofrendo modificação no ritmo quando ele passou a trabalhar na Rádio Tupi. Em 1938, durante uma apresentação em um show na Feira de Amostras do Rio de Janeiro, Joracy Camargo e Rubens de Assis viram a cantoria de Alfredo Ricardo, que era fiscal de feira. Eles o convidaram, então, para apresentar-se ao lado dos consagrados Sílvio Caldas e Orlando Silva. Cantou, então, para uma platéia de cerca de 20 mil pessoas que vibrou, pedindo para que ele repetisse diversas vezes a embolada "Errou o tiro", em que debochava do capitão que matou Lampião. Em 1939, foi convidado por Lacy Martins, irmão de Herivelto Martins, para cantar na Rádio Tupi, adotando, então, o nome artístico de Zé do Norte. Passou a apresentar o programa "Noite da roça", que lançou diversos artistas e no qual apresentaram-se, entre outros, Alvarenga e Ranchinho e Luiz Gonzaga, este ainda em começo de carreira. Em 1941, começou a trabalhar na Rádio Transmissora Brasileira, atual Rádio Globo, onde apresentou e participou dos programas "Desligue, faz favor" e "Hora sertaneja". Tendo trabalhado em diversas estações, teve de afastar-se do rádio em 1942, devido a problemas na garganta que o deixaram afônico. Em 1947, ingressou na Rádio Fluminense. Trabalhou, ainda, nas Rádios Guanabara e Tamoio. Em 1948, lançou o livro "Brasil sertanejo", com temas folclóricos. Em 1950, gravou o xote "Vamos rodar" e a valsa "Prazer do boiadeiro", ambas de sua autoria. Na mesma época, foi convidado pelo diretor Lima Barreto para fazer a trilha sonora do filme "O Cangaceiro". A conselho da escritora Raquel de Queiroz, então roteirista, foi indicado como consultor de linguagem para o mesmo filme. O filme ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cannes. Da trilha sonora destacaram-se "Sodade, meu bem, sodade", gravada com a atriz Vanja Orico, "Lua bonita", "Mulher rendeira" e o coco "Meu pião", com referências ao seu tempo de criança. Essas músicas fizeram grande sucesso e chegaram a ser gravadas no exterior. Dedicando-se aos trabalhos do filme, retirou-se do rádio. Em 1953, impetrou ação na justiça contra a empresa cinematográfica Vera Cruz pois o seu nome não foi incluído na apresentação do filme "O cangaceiro" pedindo uma indenização de 300 mil cruzeiros.

Em 1955, Inezita Barroso gravou "Mineiro tá me chamando", adaptação de Zé do Norte para tema do folclore mineiro. Em 1956, voltou a fazer um programa na Rádio Tupi, a convite de J. d'Ávila, permanecendo, entretanto, por pouco tempo, por não adaptar-se aos programas gravados, já que queria apresentá-los ao vivo. Em 1957, gravou com seu Conjunto Nordestino os cocos "Mudança na capitá" e "Na Paraíba". No ano seguinte, com o mesmo grupo, gravou o coco "No boero da usina" e a toada "Vaca Turina". Em 1959, Luiz Vieira gravou o baião "Milho verde". Nos anos de 1970, o roqueiro Raul Seixas regravou a toada "Lua bonita". Deixou mais de 100 músicas editadas.

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