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Zé Dantas

José de Souza Dantas Filho
27/2/1921 Carnaíba de Flores, PE
11/3/1962 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Já formado em Medicina, reunia-se com poetas populares nos bares dos bairros da Boa Viagem e do Morro da Conceição, levando um gravador para registrar a produção musical e literária daqueles artistas desconhecidos. Sua carreira de compositor teve impulso a partir de 1947, quando conheceu no Grande Hotel, no Recife, o cantor e compositor Luiz Gonzaga, que se encontrava em temporada. Zé Dantas cantou para Luiz Gonzaga as composições "Acauã", "Vem morena", "A Volta da Asa Branca" e "Forró do Mané Vito", que logo se tornariam grandes sucessos na voz e na sanfona do "Rei do Baião". A princípio, Zé Dantas pediu a Luiz Gonzaga, que resolveu gravar suas composições, para não colocar seu nome nas músicas, pois sua família não gostaria de saber que ele, um doutor formado, estivesse metido em negócios de música. Por isso chegou a permitir que Luiz Gonzaga as registrasse no próprio nome, já que seu interesse principal era vê-las gravadas.Tornou-se o maior parceiro de Luiz Gonzaga, embora tenha ficado em relativo esquecimento, principalmente por ter morrido cedo, em 1962. A colaboração entre a dupla foi bastante proveitosa para a música brasileira. Sendo um poeta identificado com o povo, Zé Dantas introduziu na música de massa o humor nordestino, compondo verdadeiras crônicas do sertão. Sua obra realizou uma reelaboração do folclore, adaptado para o gosto do homem da cidade. No início dos anos 50, apresentou um programa na Rádio Jornal do Comércio, em Recife, Pernambuco. Declarando-se um  pesquisador e divulgador da cultura popular nordestina, Zé Dantas não estudou música e não tocava nenhum instrumento, e compunha marcando o compasso numa caixa-de-fósforos. A partir de 1957, parou de dar parcerias em suas composições, dedicando-se cada vez mais à música e diminuindo sua atuação médica a apenas um plantão semanal. Passou a ensaiar com os cantores, acompanhava as gravações,  planejava os shows de Luiz Gonzaga e fazia programas de rádio. Chegou a compor por encomenda, como foi o caso de "Algodão", de 1953, feita sob encomenda para o então Ministro da Agricultura, o pernambucano João Cleofas. Algumas de suas composições, como "Vozes da seca", também de 1953, foram consideradas como precursoras da música de protesto. Entre as diversas parcerias com Luiz Gonzaga, destacam-se os sucessos, "Cintura fina", xote, "Derramaro o gai", coco, "Riacho do navio", xote, "Vem morena", bai!ão, "A Volta da Asa Branca", toada e "Vozes da seca", toada-baião. Também gravaram composições de sua autoria, entre outros, Marinês e sua Gente, com o coco "O bom que o coco tem", Carmélia Alves, "O calango", Quinteto Violado, com a toada "Chegada de inverno", Ivon Curi, com xote "Dei no pai e trouxe a filha", e Jackson do Pandeiro, com o xote "Forró em Caruaru". Em 1961, ficou gravemente enfermo de doença incurável, vindo a falecer um ano depois. Em sua cidade natal ganhou um busto em praça pública, deu nome a uma rua no Bairro da Casa Amarela e a uma das salas da Academia dos Compositores. Foram feitas três músicas em sua homenagem, duas delas gravadas em 1963 por Luiz Gonzaga, "Homenagem a Zedantas", de Antonio Barros, e "Zedantas", de Onildo de Almeida. Em 2000 a gravadora BMG lançou o CD "Luiz Gonzaga canta seus sucesso com Zédantas", apresentando 12 sucessos da dupla, entre os quais, "Sabiá", "O xote das meninas", "Vozes da seca", "A volta da asa branca" e "Cintura fina". No mesmo ano, a Som Livre lançou o CD "Todos cantam Zé Dantas & Luiz Gonzaga", em que grandes nomes da música brasileira interpretaram as principais obras que os dois compuseram juntos. No repertório, selecionado por Sami Elali, constaram "O xote das meninas", interpretado por Chico Buarque; "Sabiá", interpretado por Marina Elali; "Derramaro o Gai", por Luiz Gionzaga, com participação especial de Gonzaguinha; "Vem morena", por Gilberto Gil; "A Letra I", por Elba Ramalho; "Riacho do Navio", por Fagner; "Acuã", por Gal Costa; "Cintura fina", por Alceu Valença; "Riacho do Imbuzeiro", por Dominguinhos; "ABC do sertão", por Xuxa, com participação especial de Zé Ramalho; "A volta da Asa Branca", por Sérgio Reis; "Farinhada", por Luiz Gonzaga, com participação especial de Elba Ramalho; e "Algodão", por Quinteto Violado. Em 2008, foi homenageado pelo violonista pernambucano Claudio Almeida, no CD "Noites brasileiras - A música de Zédantas", do selo SESI, que contou ainda com libreto escrito pelo historiador José Teles. O disco incluiu as parcerias dele com Luiz Gonzaga "A volta da asa branca"; "Riacho do navio"; "O xote das meninas"; "Vem morena"; "Cintura fina"; "ABC do sertão"; "São João no arraiá"; "Noites brasileiras"; "Algodão"; o raro maracatu "Braia dengosa" e "Mané e Zabé", além da inédita "Fulô ingrata", que ele fez sozinho para a mulher Iolanda e que nesse disco foi gravada por Dominguinhos. Ainda existem em poder de sua mulher Iolanda, de 78 anos, mais dez músicas inéditas. Em 2009, teve a sua música "São João na roça",(c/Luiz Gonzaga) regravada pelo cantor em compositor Zé Ramalho, no álbum "Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga", do selo Discobertas. Em 2010, uma parceria da Secretaria de Cultura da Prefeitura da cidade de Recife com a Fundação de Cultura Cidade do Recife lançou o livro "Zé Dantas segundo a letra I". A letra "I" do título fez referência à sua ex-esposa, Iolanda Dantas, que, no livro, deu longos depoimentos sobre sua vida e sua carreira artística. O livro ainda trouxe fotos inéditas, cedidas por Iolanda, além de dois artigos sobre música escritos por Zé, e um capítulo em que ele próprio comenta suas letras.  Em 2011, foi lançada pelo selo Discobertas, em convênio com o ICCA - Instituto Cultural Cravo Albin, a caixa "100 anos de música popular brasileira", com a reedição, em 4 CDs duplos, dos oito LPs que continham as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin, na Rádio MEC-RJ, em 1974 e 1975. Nesses CDs estão incluídos os baiões "Vem morena", "Cintura fina", "Xote das meninas" e "Forró de Mané Vito", os quatro com Luiz Gonzaga, na interpretação do Rei do Baião.

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