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Zé da Zilda

José Gonçalves
6/1/1908 Rio de Janeiro, RJ
10/10/1954 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

No início da carreira, integrou a Companhia Teatral Casa de Caboclo, do bailarino Duque, tocando violão e cavaquinho, cantando emboladas e sambas. Ficou durante muito tempo conhecido pelo nome artístico de Zé com Fome, por conta do personagem que interpretava para aquela Companhia. Foi convidado por Duque a ingressar na Rádio Educadora, na qual trabalhou formando dupla com Claudinor Cruz, que assinava Pente Fino. Mais tarde, como chefe de um regional e com programa próprio, passou para a Rádio Transmissora, na qual conheceu a cantora Zilda, que por essa época fazia sua estréia e com quem formou a Dupla da Harmonia.

Em 1936, o samba "Não quero mais", com Carlos Cachaça, foi cantado com grande sucesso pela Estação Primeira de Mangueira e gravado na RCA Victor por Araci de Almeida, sendo sua primeira composição gravada. Em 1937, seu choro "Devo e não nego", com Dirigan Gonçalves, foi gravado pela dupla sertaneja Alvarenga e Ranchinho na Victor, e o maracatu "Eu sou do forte" foi registrado por Laís Marival na Columbia. Em 1938, casou-se com Zilda. O casal manteve a Dupla da Harmonia e passou a atuar na Rádio Clube do Brasil. Nesse mesmo ano, Orlando Silva gravou "Meu pranto ninguém vê", com Ataulfo Alves, e Ranchinho o samba-choro "Barracão de zinco", essas duas na Victor. Moreira da Silva na Columbia lançou o samba "Nega Zura". Também no mesmo ano, gravou como crooner do Conjunto Regional do Donga a toada-brasileira "Corta jaca", de Chiquinha Gonzaga, e o samba "Pelo telefone", de Donga e Mauro de Almeida. No ano seguinte, a Dupla da Harmonia passou a atuar no programa de Paulo Roberto na Rádio Cruzeiro do Sul, passando a ser chamada de Zé da Zilda e Zilda do Zé, nome dado pelo próprio apresentador e adotado inicialmente pela dupla, que o usou em apresentações nos shows e em circos. Em 1939, gravou sozinho os sambas "Antonieta", de Alzira Medeiros e Zilda Fernandes, e "Virgulina", de Antenor Borges, além do maxixe "Escravo do samba", de Antenor Borges e René Bittencourt..

Em 1940, a convite do Maestro Villa-Lobos, participou juntamente com outras personalidades da música brasileira como Cartola, Pixinguinha, João da Bahiana, Jararaca, Zé Espinguela, Donga e Luiz Americano, da gravação dos discos de Leopold Stokowski, registrados no navio Uruguai. Esses discos foram editados pela gravadora Columbia nos Estados Unidos. Na ocasião foram registrados seu samba-de-breque "Festa encrencada" e seu maxixe "Bole-bole", ambos com Zilda Gonçalves.

Em 1941, seus sambas "Machucando a gente", com Antenor Borges e M. Amorim e "Projeto de samba", com José Tadeu, foram gravados por Marilu e a batucada "Uma, duas e três", com Germano Augusto, foi gravada por Silvino Neto, na Victor, além dos sambas "Tristeza", com André Gargalhada e "Zé Boa Vida", com Claudionor Cruz, que foram lançados respectivamente por Gilberto Alves e por Dircinha Batista na Odeon. No ano seguinte, Nelson Gonçalves gravou o samba "Quem mente perde a razão", com Edgard Nunes, e Cyro Monteiro, na Victor, lançou o samba "Senta lá na mesa", com Claudionor Cruz. Ainda em 1942, sua primeira parceria com a mulher Zilda foi gravada, o samba "São Miguel", pela cantora Marilu. Teve também o samba "No mundo da lua", com Wilson Batista, gravado por Déo na Columbia. Também no mesmo ano, teve gravado seu maior sucesso, o samba "Aos pés da cruz", com Marino Pinto, por Orlando Silva na Victor. Em 1943, Déo gravou na Columbia os sambas "Cinzas do coração", com Osvaldo Lobo, e "No mundo da lua", com Wilson Batista. Na Victor, Marilu gravou o samba "Júlia sapeca" e o choro "Fiz um chorinho", e Nelson Gonçalves o samba "Cruz da desilusão". Nesse ano, em plena Segunda Guerra Mundial, sua marcha "Galinha verde", com André Gargalhada, apelido que era dado popularmente aos simpatizantes do integralismo, foi gravada por Marilu na Victor. Também em 1943, gravou o primeiro disco com a esposa Zilda Gonçalves com quem formou a dupla Zé e Zilda interpretando de sua autoria os sambas "Levanta José" e "Fim do eixo", sendo que este segundo samba fazia referência à derrota do eixo formado por Alemanha, Itália e Japão na Segunda Guerra Mundial.

No ano seguinte, em 1944, seu samba "Meu poema", com Jorge de Castro, foi gravado por Orlando Silva, e o samba "Tapete de flor", com René Bittencourt, foi lançado por Gilberto Alves, ambos na Odeon. Também em 1944, Ataulfo Alves e Suas Pastoras gravaram o samba "Diz o teu nome", com Ataulfo Alves. Com Zilda Gonçalves gravou os choros "Um calo de estimação", com José Tadeu, e "O malhador", com Germano Augusto.

Em 1945, teve o samba "Não posso te aceitar", com Germano Augusto, gravado por Carmen Costa, e o samba "Rei do astral" lançado por Gilberto Alves, os dois na Victor. Nesse ano, gravou com Zilda Gonçalves o samba-choro "Dona Joaninha", com Ari Monteiro; o choro "Compadre chegadinho", com Germano Augusto, e os sambas "Gostozinho", com Ari Monteiro e "Izabel não voltou", de Germano Augusto e Ari Monteiro. Em 1946, gravou com Zilda Gonçalves os sambas "Vou-me embora", com Marcelino Ramos e "Se eu pudesse...", com Germano Augusto; a batucada "Não me resgue a roupa", de Braga Filho e Germano Augusto, e o choro "Não tenho inveja", de Del Loro e Ari Monteiro. Também no mesmo ano, seu samba-choro "Caboclo africano", com Zilda Gonçalves, foi gravado por Jorge Veiga na Continental.

Em 1948, foi com Zilda Gonçalves para a gravadora Star e lançou os sambas "A cabrocha rasgou minha roupa", com Oldemar Magalhães, e "Tribunal da terra", com Paulo Gesta. No ano seguinte, gravou com Zilda Gonçalves os sambas "Cidade alta", com Oldemar Magalhães, e "Enquanto eu viver" e "Luz da madrugada" com O . Silva; as marchas "Sanfoneiro Joaquim", com Temístocles de Araújo, e "Tudo azul", com Paquito, além da batucada "Hoje, não", com Antônio Maria. Teve gravado por Roberto Silva o samba "Ela não tem razão", com Abelardo Barbosa, também em 1949.

Fez em 1950 com o radialista Abelardo Barbosa, o Chacrinha, o choro "Disco voador" lançado por Zé Gonzaga na Odeon. No ano seguinte, gravou a batatucada "Para dar conforto a ela", com Benedito Lacerda e teve o samba "Au revoir", com José Gama de Souza, gravado pelos Demônios da Garoa.

Em 1952, gravou com Zilda Gonçalves a marcha "Parafuso", parceria com Adelino Moreira e Zilda Gonçalves, e o samba "Não fiz nada", parceria com Antônio Maria. Teve ainda o samba "Nosso amor" e o mambo "Filho de mineiro", parcerias com Zilda Gonçalves lançados por Emilinha Borba na Continental. No ano seguinte, lançou com Zilda do Zé os sambas "Meu contrabaixo", com Antônio Maria; "Dona fortuna", com J. Reis e Airton Amorim; "Bom filho não esquece", com Felisberto Martins, e "Levou o diabo", com Zilda Gonçalves e O . Silva. Ainda nesse ano, a marcha "Vendedor de pirulito", com Zilda Gonçalves, e o samba "Jura", com Adolfo Macedo e Marcelino Ramos foram gravados por ele e Zilda Gonçalves em conjunto com a cantora Diamantina Gomes. O samba "Jura" obteve grande repercussão popular. Ainda em 1953, gravou com a mulher Zilda Gonçalves o baião "Eh! Baião", com Jota Reis, e o bambo "Mentira", com Zilda Gonçalves e O . Silva. Teve ainda gravados o samba "Devagar", parceria com Jarbas Reis, por Aracy de Almeida, e a marcha "Quebra mar", com Adelino Moreira e Zilda Gonçalves, por Marlene.

Para o carnaval de 1954, lançou com grande sucesso com Zilda Gonçalves a marcha "Saca-rolha", com Zilda Gonçalves e Valdir Machado, que se tornou um clássico do repertório carnavalesco. Nesse ano, seu samba "Não sabe o que diz", com Valdir Machado, foi gravado por Diamantina Gomes e a marcha "Funga-funga", com Adelino Moreira, foi lançada na Continental por Marlene. Gravou com a mulher, Zilda Gonçalves, o samba "Destruiram o morro", com Zilda Gonçalves e Claudionor Santana, e a valsa "Pede a Deus". Também no mesmo ano, a dupla trabalhou na Rádio Mayrink Veiga. Em setembro de 1954, gravou seu último disco, falecendo menos de um mês depois, cantando com Zilda Gonçalves as marchas "Ressaca", com Zilda Gonçalves, que seria sucesso no carnaval do ano seguinte, e "Guarda essa arma", com Jorge Gonçalves e Zilda Gonçalves. Um mês após sua morte, foi homenageado por Ataulfo Alves com o samba "Zé da Zilda" gravado na Todamérica por Ataulfo Alves e Suas Pastoras. Em dezembro de 1954, foi homenageado pela gravadora Odeon com a gravação dos sambas "Império do samba", com Zilda Gonçalves e "Samba do assovio", com A . Silva, Zilda Gonçalves e E . Silva interpretados pelo Coro de Artistas da Odeon.

Em 1955, a marcha "Ressaca" foi regravado em ritmo de tango pela Osquestra Típica de Osvaldo Borba. Ainda nessse ano, recebeu homenagem da esposa Zilda Gonçalves com a gravação do samba-canção "Meu Zé", de Ricardo Galeno e Zilda Gonçalves. Também em 1955, seu samba "Império do samba" foi escolhido por uma comissão julgadora reunida no Teatro João Caetano como um dos dez mais populares daquele carnaval.

Em 1956, duas composições de sua autoria, ainda inéditas, foram lançadas por sua esposa Zilda Gonçalves, a marcha "As águas continuam", com Zilda Gonçalves e Rubens Campos, e o samba "Vai que depois eu vou", com Zilda Gonçalves, Adolfo Macedo e Airton Borges. Esse último por sinal foi grande sucesso. Mais tarde, com os mesmos parceiros, Zilda Gonçalves compôs "Vem me buscar", homenagem ao amrido morto.

Em 1973, Paulinho da Viola incluiu "Não quero mais amar a ninguém" no LP "Nervos de aço", lançado pela Odeon. No ano de 1975, várias músicas de sua autoria, como "Garota Copacabana", "Nega Zura" e "Mulher malandra" foram regravadas por Jorge Veiga no LP "O melhor de Jorge Veiga", lançado pela Copacabana Discos. Leny Andrade regravou em 1994 "Não quero mais amar a ninguém", no disco em homenagem a Cartola que fez pela gravadora Velas. Em 1998, foi lançado o CD "Chico Buarque de Mangueira", lançado pela BMG, no qual Chico Buarque prestou homenagem aos compositores da Mangueira. Nesse disco, foi gravado um samba seu em parceria com Germano Augusto, "Se eu pudesse", interpretado por Alcione e Nelson Sargento. No ano 2000, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro lançou o CD duplo "Mangueira - sambas de terreiro e outros sambas". Nesse disco foram gravadas duas músicas de sua autoria, "Meu amor já foi embora", com Cartola) e "Quem se muda pra Mangueira". Em 2004, quando se celebraram os cinquenta anos de sua morte, a Universidade Moacir Bastos, com sede em Campo Grande, promoveu uma homenagem em sua memória, de que foi conferencista-convidado o crítico Ricardo Cravo Albin, que discorreu para uma numerosa platéia sobre a vida e obra do cantor e compositor, nascido em Campo Grande.

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