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Vicente Paiva

Vicente Paiva Ribeiro
18/4/1908 São Paulo, SP
18/2/1964 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Figura importante da música popular brasileira nas décadas de 1930 e 1940, quando atuou em várias frentes. Responsável por grandes sucessos de nossa música popular como o da marchinha mais famosa de todos os carnavais, "Mamãe eu quero", além da "Marcha do Cordão do Bola Preta", do sucesso de Carmen Miranda "Disseram que eu voltei americanizada", composto em função da fria recepção do público à volta da "Pequena notável" ao Brasil, depois de temporada nos Estados Unidos, e muitos outros. Iniciou sua carreira tocando piano em bailes na cidade de Santos (SP), por volta de 1926. Logo depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a tocar na Orquestra de Simon Bountman. Em 1929, fez sua estréia como cantor, gravando na Parlophon o samba "Mulher", de Pascoal Barros, e o samba-canção "Machuca", de Donga e De Chocolat, com acompanhamento da orquestra Típica Donga. Pouco depois, gravou os sambas "Mulheres sapecas", de João da Gente, "Samba mineiro", de Gonçalo de Oliveira; "Saudades da Bahia", de Donga, e "Ela é do mato", de J. Valença e M. Ribeiro, os dois últimnos, com acompanhamento da Orquiestra Típica Pixinguinha-Donga. No mesmo ano, gravou na Victor o samba "Beijar não é pecado", de Oscar Cardona. Em 1933, fez com André Filho, a valsa "Mal de amor", gravada pela atriz Alda Verona na Victor.

Em 1934, teve o samba "Sinos de natal", parceria com Djalma Esteves, gravado por Aurora Miranda. No mesmo ano, passou a exercer a função de diretor musical do Cassino da Urca - cargo que ocupou até 1945, dirigindo, inclusive, a orquestra do estabelecimento - sendo responsável por inúmeros shows musicais da chamada Época de Ouro da Música Popular Brasileira. Foi nesse período que o então maestro da Orquestra do Cassino da Urca instituiu a tradicional interpretação do "Happy birthday to you" (introduzida no Brasil por turistas americanos que visitavam o cassino), toda vez que havia alguém presente aniversariando. Em 1935, Manoel Monteiro gravou as marchas "Salada portuguesa" e "Moreninha do rancho", parcerias com Paulo Barbosa. No mesmo ano, Aurora Miranda e João Petra de Barros gravaram em dueto o samba "De madrugada", parceria com Haroldo Lobo, e Aurora Miranda gravou sozinha a marcha "Linda primavera" e o samba "A turma chorou", com Djalma Esteves. Ainda no mesmo ano, Luiz Americano gravou ao saxofone o choro "Saxofone etc..." e a valsa "Marina". Também em 1935, compôs, em parceira com Nelson Barbosa, a famosa "Marcha do Cordão do Bola Preta", que ficou conhecida como "Segura a chupeta". Em 1936, fez com Osvaldo Santiago as marchas "Cá estou eu, morena!..." e "A guitarra e o violão", gravadas por Joaquim Pimentel e, com Pedro Paraguassu, o samba "Pode chorar", gravado por Raul Torres. No mesmo ano, teve mais duas composições gravadas ao saxofone por Luiz Americano, o choro "Seu Brabosa" e a valsa "Baby".

Em 1937, Raul Torres gravou sua marcha "Finge que vai", parceria com Portelo Juno e Homero Ferreira. No mesmo ano, foi, juntamente com Almirante, um dos responsáveis pelo lançamento em disco da marchinha "Mamãe eu quero", parceria com Jararaca (o mesmo da dupla "Jararaca e Ratinho"). O parceiro, que já tentara gravar a música, não conseguira o apoio do diretor musical da Odeon, Simon Bountman. Com a participação e apoio de Almirante, a música foi gravada por Jararaca na Odeon, tendo seu acompanhamento ao piano, Luís Americano no clarinete, José Alves no banjo, Canhoto no cavaquinho, Carlos Lentini e Nei Orestes nos violões e Russo no Pandeiro, além do solo de Jararaca e do coro de Almirante, Cyro Monteiro e Odete Amaral. A música, de franciscana simplicidade e quase pobre, tornou-se um clássico do carnaval e já foi gravada por inúmeros cantores brasileiros, ganhando até mesmo uma versão em inglês ("I want my Mama"), que Carmen Miranda eternizou no filme "Serenata tropical", de 1940. O episódio de sua gravação é muito bem contado por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello em "A canção no tempo": "Na gravação, realizada em 17 de dezembro de 1936, aconteceram coisas não-programadas como, por exemplo, o curioso prólogo em que Almirante dialoga de improviso com Jararaca". Sobre esse fato podemos encontrar ótimas informações no livro de Sérgio Cabral "No tempo de Almirante": "Jararaca queria gravar cantando, coisa que nunca tinha feito. Seria, enfim, um desperdício de dinheiro. Almirante tratou de convencer cada um de que a marchinha tinha lá seu potencial de êxito e propôs - para evitar repetições excessivas da música - que a gravação fosse aberta com um diálogo, escrito ali mesmo no estúdio por ele e Jararaca, um primor de 'nonsense', pois Almirante faria o papel de mãe no diálogo, sem mudar a voz". Ainda em 1937, teve o samba-canção "Sabiá", com Jararaca gravado por Sílvio Caldas, a marcha "Que é o amor...", com Abgail Moura e F. J. dos Santos, registrada por Aurora Miranda, e a marcha "Canto da minha terra" e o samba-canção "Meu jardim", os dois com J. Carlos da Costa, lançados por Fernando Alvarez as quatro pela Odeon. Teve ainda na mesma gravadora e no mesmo período o samba "Madalena", com Renato Batista, e a marcha "Você usa e abusa", com Luiz Menezes, gravados por Fernando Alvarez e grupo Os Pinguins.

Em 1938, teve mais quatro parcerias com Jararaca lançadas pelo próprio parceiro, as marchas "Cabra de sutien", "Perna cabeluda" e "Criança louca" e o maxixe "Vamos Maria vamos...". No mesmo ano, Gastão Formenti gravou o samba-canção "Na quebrada do monte", também parceria com Jararaca; a dupla Joel e Gaúcho a marcha "Garota", com Valdemar Silva; e Luiz Americano ao saxofone a valsa "Como é bom viver" e o choro "Um chorinho na Urca". Em 1939, Roberto Paiva gravou a marcha "Palhaços azuis". No mesmo ano, acompanhou com sua orquestra no Cassino da Urca a célebre apresentação da cantora e vedete norte americana Josephine Baker. Em 1940, Jararaca gravou a marcha "Olha a chuva", parceria dos dois; Gastão Formenti a canção "Olhos tristes", também parceria com Jararaca, e os Anjos do Inferno o samba-canção "Bahia, oi!...Bahia", parceria com Augusto Mesquita. Também em 1940, teve dois sambas gravados por Carmen Miranda na Odeon: "Voltei pro morro", com Luiz Peixoto, e "Diz que tem...", com Haníbal Cruz, que lograram grande sucesso. Ainda no mesmo ano, Carmen Miranda gravou o choro "Disso é que eu gosto" e o samba "Disseram que eu voltei americanizada", parcerias com Luiz Peixoto. Todas essas quatro músicas gravadas por Carmen Miranda, referiam-se à célebre noite em que foi recebida friamente no palco do Cassino da Urca e foram, por isso mesmo, preparadas e compostas para a volta da cantora ao mesmo palco, poucos meses depois, razão porque são consideradas músicas "nacionalistas". O compositor, meses antes, havia participado da seleção das músicas que Almirante enviou a Carmen Miranda, por ocasião de sua viagem aos Estados Unidos.

Em 1941, gravou na Victor com sua orquestra a marcha "Madalena" e o samba "Jurei", ambas de sua autoria e Haníbal Cruz. No mesmo ano, a dupla caipira Alvarenga e Ranchinho gravou a marcha "Ó que coisa horrível" com Haníbal Cruz; Dircinha Batista a marcha "Faraó", e Linda Batista a valsa "Tudo é Brasil", as duas últimas, parcerias com Sá Róris. Ainda no mesmo ano, o cantor Pedro Celestino, irmão de Vicente Celestino gravou a valsa "Pertinho do céu", parceria com Ariovaldo Pires, o lendário compositor sertanejo conhecido como Capitão Furtado. Em 1942, mais duas parcerias com Luiz Peixoto foram gravadas: os sambas "Folga nego" e "O índio, o sarará e o português", ambos pela cantora Linda Batista na Victor. No mesmo ano, acompanhou com sua orquestra o cantor Léo Albano na regravação da música "Tudo é Brasil" como fox, pela RCA Victor. Em 1943, teve o samba "Pode ser que sim", parceria com Jararaca, gravado pelos Trigêmios Vocalistas. Em 1945, teve duas parcerias com o português Chianca de Garcia gravadas com sucesso pela cantora Dircinha Batista: os sambas "Calendário" e "Não tens a lua". A partir desse ano, dirigiu a orquestra da Companhia de Revistas de Walter Pinto, trabalhando intensamente para o teatro de revistas por um período de sete anos. Ainda no mesmo ano, Heleninha Costa gravou com sucesso o samba "Exaltação à Bahia", parceria com Chianca de Garcia. Em 1946, seu samba "Vai terminar a batucada", parceria com Sá Róris, foi cantado por Dircinha Batista no filme "Segura essa mulher", de Watson Macedo. Em 1948, a cantora Dircinha Batista repetiu o sucesso com seu samba "Nós dois", parceria com Fernando Martins. No mesmo ano, o grupo Quatro Ases e um Coringa lançou o samba "Bahia de todos os Santos", parceria de Vicente com Chianca de Garcia, pela Odeon.
Em 1950, teve o samba-canção "Ave Maria", parceria com Jaime Redondo, gravado pelo Trio de Ouro, que naquele ano inaugurava uma nova formação. Um mês depois, a cantora Dalva de Oliveira, ex integrante do Trio de Ouro, também gravou "Ave Maria". Nesse mesmo ano, excursionou com a cantora Dalva de Oliveira, que gravou seu samba "Olhos verdes", por vários meses na América Latina. A partir da década de 1950, fez sucesso com sua orquestra de danças, principalmente nos bailes de carnaval promovidos pelo Clube High-Life, no Rio de Janeiro. Ainda em 1950, teve o samba "Rosário de espinhos", com Sebastião Silva, lançado na Odeon pelo trio vocal Trigêmeos Vocalaistas. Em 1951, os Vocalistas Tropicais gravaram seu samba "O samba da cidade". Em 1952, acompanhou com sua orquestra a cantora Dalva de Oliveira na gravação dos sambas canção "Bahia feliz", de sua autoria e Jairo Argileu, e "Doce inimigo", de Tito Climent. Em 1953, gravou com sua orquestra na Odeon a marcha "Felipeta", de sua autoria e Átila Bezerra; o samba "Podes pecar", de Sebastião Gomes e Amália Ribeiro; a polca "Peruana", de sua autoria e o maxixe "Por amor", de Sebastião Gomes e Amália Ribeiro. No mesmo ano, seu samba "Hino à vida", parceria com Max Nunes e J. Maia, foi gravado por Aracy Cortes e seu choro "Vou à Paris", parceria com Luiz Peixoto, por Déo Maia e Pimentinha. Em 1954, gravou com sua orquestra os sambas "Ontem e hoje", parceria com Victor Simon, e "Leonor", de Carlos Brandão e José Messias.

No início da década de 1960, o maestro participou, a convite da então República Federal da Alemanha, do Festival de Berlim. Em 1962, a "Marcha do Cordão do Bola Preta", foi relançada para o carnaval com letra modificada, em gravação de Carmen Costa realizada pela RCA Victor, em dezembro do ano anterior. Em 2004, a marcha "Mamãe eu quero" alcançou a liderança das paradas de sucesso na França com a gravação dance do trio vocal brasileiro T-Rio e incluída no álbum "Choopeta" inédito no Brasil.

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