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Valsa



Dados Artísticos

Dança européia de compasso ternário e andamento rápido, moderado ou lento. No século XVIII, era usada pelos camponeses de algumas regiões da Alemanha, da Áustria ou da França, mas não conseguia penetrar nos salões por ser dança de par enlaçado e por ser em geral muito movimentada. Por ocasião do Congresso de Viena, que reuniu em 1815 na capital da Áustria as mais altas cabeças coroadas da Europa, com a finalidade de organizar politicamente o mundo depois da derrota de Napoleão, Sigismundo Neukomm, encarregado da parte musical do encontro, admitiu a valsa nos bailes realizados, tornando-a daí em diante uma dança da sociedade. No ano seguinte (1816), Neukomm veio para o Brasil, onde foi professor de harmonia e composição do futuro Imperador D. Pedro I e de sua esposa D. Leopoldina. Em um catálogo de suas composições, incluiu Neukomm duas anotações que constituíram as mais antigas referências sobre a valsa em nossa terra: "6.11.1816 - Fantasia a grande orquestra sobre uma pequena valsa de Sua Alteza Real, o Príncipe Real D. Pedro.

16.11.1816 - 6 valsas compostas por Sua Alteza Real, o Príncipe D. Pedro e arranjadas para orquestra com trio". As anotações do discípulo de Haydn permitiram, portanto, afirmar que:

- a valsa existia no Brasil em 1816;

- as primeiras valsas comprovadamente compostas no Brasil tiveram por autor o Príncipe D. Pedro, futuro imperador Pedro I;

- a valsa teve aqui origem nobre, ligada ao Paço Imperial de S. Cristóvão, e foi trazida diretamente de Viena e não via Paris ou Lisboa.

A despeito dessa ascendência da mais alta nobreza, ela se difundiu entre todas as camadas sociais. Acomodou-se aos diversos níveis artísticos da música, erudito, popular e folclórico. A valsa figura no catálogo de Nepomuceno, Villa-Lobos, Guarnieir, Lorenzo Fernandes ou Francisco Mignone; está no repertório de todas as rodas de choro, com Callado, Anacleto, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Invadiu a rítmica da modinha que, a partir da metade do século XIX, tomou preferencialmente o corte da valsa. Mesmo no campo da música popular, há extrema variedade de espécies do gênero valsa. Ao lado da "Elegantíssima", de Nazareth, e da "Alma e corção", de Luperce Miranda, podem ser encontradas peças como "Branca", de Zequinha de Abreu, e "Saudades do matão" de Jorge Galati, sempre executadas instrumentalmente. E podem ser encontradas modinhas como "Chão de estrelas", de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, ou "Terna saudade", de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, raramente desacompanhadas das letras na voz dos seresteiros. Não há chorão brasileiro que não tenha secreta paixão pela valsa. Alexandre G. Pinto conta que seu irmão, flautista amador, quando faleceu a mãe de ambos, compôs em homenagem a ela uma valsa lenta muito sentida. Nos anos 1930, a valsa brasileira ocupou um lugar de destaque no repertório da MPB, destacando-se como exímios autores do gênero Lamartine Babo, Francisco Mattoso e José Maria de Abreu, entre os muitos outros que antecipam cultores contemporâneos como Ismael Neto e Antonio Maria ("Valsa de uma cidade - 1958) ou mesmo Chico Buarque ("Valsinha" - 1973).

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