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Valfrido Silva

Valfrido Pereira da Silva
12/8/1904 Rio de Janeiro, RJ
6/1/1972 Niterói, RJ

Dados Artísticos

Em 1917, começou a atuar  profissionalmente em Niterói na orquestra de Eckardt no extinto Cine Royal, acompanhando revistas e operetas, e fazendo fundo musical para filmes mudos. Durante longo tempo atuou na orquestra de Eckardt e também na de Augusto Lima, que se apresentava no Cine Éden. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, ao ter sido convidado a atuar no Cabaré Assírio, de onde foi para o Beira Mar, para o Dancing Avenida e depois para a Orquestra do Cassino Atlântico.  Em 1931, teve sua primeira composição gravada, a marcha "Doquinha", com André Filho. Em 1932, passou a integrar o  "Grupo da  Guarda Velha" e os "Diabos do céu". Compostos quase que pelos mesmos elementos, o "Grupo da guarda velha" empregava maior instrumental de percussão,  executada por quatro ritmistas. Dentre as gravações realizadas pelos dois conjuntos destacam-se as de "Linda morena", "O teu cabelo não nega", entre outras. Levado por Francisco Alves e Mário Reis, passou para a Odeon,  participando da gravação de "Cidade maravilhosa", registrada por Aurora Miranda. Estreou como compositor  criando obras para blocos carnavalescos.  Sua segunda composição gravada foi  "Jurei me vingar", com letra de André Filho, gravada por Sílvio Caldas,  em 1932, na Victor.  No mesmo ano, Carmen Miranda gravou na Victor o samba "Chegou a turma boa". A terceira  gravação foi o clássico "Vai haver barulho no chatô", parceria com Noel Rosa, gravada por Mário Reis em 1933. No mesmo ano, fez as marchas "Você não é meu tipo" e "Ladrão de corações", esta com Wilson Batista, gravadas por Aurora Miranda e com Murilo Caldas o samba "Fiz um requerimento", gravado por Patrício Teixeira, na Odeon. No mesmo ano na Victor, Carlos Galhardo gravou o samba "Se o samba morrer" e Sílvio Caldas o samba "O teu olhar me inspirou", com Alcebíades Barcelos. Carmen Miranda e Mário Reis lançaram em dueto o samba "Me respeite...ouviu?", ainda em 1933. Em 1934, Aurora Miranda gravou as marchas "Vou soltar foguete", com A . Costa e "Fechei meu coração", com Osvaldo Silva e o samba-canção "Vou quebrar teu violão" e teve gravados os sambas "Por que canto?", por João Petra de Barros e "Tira a minha letra", por Leonel Faria. Com André Filho fez a marcha "Guarda um lugarzinho para mim" e com Alcebíades Barcelos o samba "Jura outra vez", gravadas por André Filho e, com J. Aimberê fez o samba "Fiz um samba para o meu amor" gravado por Joel e Gaúcho, no final do mesmo ano. Francisco Alves lançou na Victor na mesma época o samba "Quero morrer cantando" e Almirante, também na Victor, o samba "Cadê fantasia?", com Wilson Batista. Em 1935, Carmen Miranda gravou com sucesso o samba "O tic-tac do meu coração", que ela mesma cantaria mais tarde no filme americano "A minha secretária brasileira", o que fez com que o compositor fosse um dos primeiros compositores brasileiros a se projetar internacionalmente. Também nesse ano, a mesma Carmen Miranda gravou o choro "Roseira branca", com Gadé e a marcha "Entre outras coisas", com Alcebíades Barcelos, Jaime Vogeler o fox-trot "Eu vi a vida diferença", com Alcyr Pires Vermelho, Aurora Miranda o samba-choro "Fiz castelos de amores", com Gadé e Mário Reis o samba "Meu consolo", também com Gadé. Nesse ano, fez sucesso com o choro "Vou me casar no Uruguai", com Gadé, gravado na Odeon por Almirante e com o samba "Estão batendo", com Gadé gravado por Joel e Gaúcho na Columbia, ambos considerados dois clássicos do seu belo e refinado repertório. Teve ainda gravadas na mesma época mais três obras, a marcha "Na hora 'H" e o samba "Vai ter", ambas com Alcyr Pires Vermelho por Mário Reis e o samba 'Que barulho é esse?", com Gadé, por Almirante. Nessa época, ingressou na orquestra de Romeu  Silva como baterista, na qual permanceu por nove anos. Em 1936, Jaime Vogeler gravou a marcha "Onde você mora?", com Bonfíglio de Oliveira e o samba "Escola do amor", com Osvaldo Santiago, Carmen Miranda, o choro "Honrando um nome de mulher", com Gadé, Castro Barbosa o samba "Cadê o pandeiro", com Roberto Martins e a marcha "Quero ser o teu pierrô", com o próprio Castro Barbosa e Ascendino Lisboa a marcha "Margarida" e o maxixe "O teu sapateado", ambas com Bonfiglio de Oliveira, todas na Odeon. Em 1937, Francisco Alves gravou na Odeon a marcha "Quero uma boemia", com Gomes Filho e Odete Amaral na Victor a rumba "Terra de amores", com Gadé e os sambas "Quem é que paga a gasolina", com Gadé e "Luar no morro", e Aracy de Almeida, também na Victor o choro "Passe pra dentro", com Gadé.  Em 1938, Gastão Formenti gravou a valsa-canção "Um minuto de felicidade", com José Francisco de Freitas. Nesse ano, na Victor, J. B. de Carvalho gravou a marcha "Tereré não dá camisa a ninguém", com Antônio Almeida e Patrício Teixeira o samba "Põe a roupa no penhor", com Alcebíades Barcelos. Em 1939, a dupla Joele Gaúcho gravou na odeon o samba "Se você fosse minha rosa", com Pedro Caetano. Em 1940, fez com Russo do Pandeiro o samba "Já passou da hora" gravado por João Petra de Barros na Victor. No ano seguinte, o mesmo João Petra de Barros gravou o samba "Não adianta beber", com Ciro de Souza e Orlando Silva o samba "Pensando em ti", com Valdemar de Abreu, o Dunga. Nesse ano, Newton Teixeira gravou na Odeon o samba "A voz o sangue", com Wilson Batista. Em 1943, Orlando silva gravou na Odeon o bolero canção "Enigma", com J. Diaferia. No ano seguinte, fez com Pedro Caetano o samba "A cubana no samba" gravado pelo grupo Quatro Ases e Um Coringa e com Sá Roris a marcha "Filha do cacique" lançada por Arnaldo Amaral na Continental. . Em 1944, Orlando Silva gravou na Odeon o samba "Livro do passado", com Almanir Grego. No ano seguinte, o Trio de Ouro gravou o samba "Mágoa", com Valdemar de Abreu e o cantor Déo lançou na Continental o samba "Dez anos de vida", com Ciro de Souza. Também na Continental, Dircinha Batista gravou o samba "Fogo no meu barracão", com Germano Augusto. De 1944 a 1948, atuou no Teatro Recreiro com a companhia Valter Pinto. Em 1949, Isaura Garcia gravou na RCA Victor o choro "Mania de balzaquiana", com Gadé. Nesse ano, seguiu com a Companhia Derci Gonçalves para a Venezuela. Desligou-se da companhia, excursionando com o Trio de Ouro e Vicente Paiva, que lá se encontravam, numa viagem que durou três meses e terminou no Pará. Em 1950, teve a valsa "Corina", com Donga, gravada na Odeon pelo trio vocal Trigêmeos Vocalistas. Em 1951, fez com Jucatá a rancheira "Ai sinhá, sinhá", gravada por Antenógenes Silva na Odeon. No mesmo ano, foi a Portugal com a Companhia Folclórica Brasileira, ao lado de  José Vasconcelos e Carlos  Galhardo, onde esteve por seis meses.  Ao regressar, atuou na Companhia César Ladeira- Renata Fronzi, fazendo "Brasil 3000".  Desde então, passou a atuar como "free-lancer" em várias orquestras, tocando em bailes, teatros, shows, etc. Em 1955, seu baião "Aproveita a maré", com Humberto Carvalho foi gravado na RCA Victor por Jair Alves. Dois anos depois, outra parceria com Humberto Carvalho foi gravada na RCA Victor por Jair Alves, o baião "O menino pastor". Em 1956, foi gravado na Musidisc o LP "Gafieira", só de piano e bateria, onde foram relembrados seus grandes sucessos. Nesse LP, foram interpretadas as músicas "Na Cadência do Tambor", "Vou Casar no Uruguai", "Cem Anos De Perdão", "Tudo Agora É Sonho", "Vai Cavar a Nota", "O Feitiço Virou", "Perdi a Aposta" e "Meu Consolo", todas em parceria com Gadé. Foi o primeiro baterista brasileiro que teve seu nome como tal registrado em disco, o que ocorreu na gravação de "Preludiando", em que acompanha a pianista Carolina Cardoso de Meneses. Na década de 1970, seu samba "O tic-tac do meu coração", foi regravada por Ney Matogrosso. Em sua produção, merece destaque a parceria que estabeleceu com Gadé, que,  iniciada  com "Escuta aqui", samba gravado por Jaime Vogeler em 1932, deu tantos sucessos  à música  popular brasileira.

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