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Torquato Neto

Torquato Pereira de Araújo Neto
9/11/1944 Teresina, PI
10/11/1972 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Poeta. Letrista. Ator. Cineasta. Jornalista. Filho único do promotor público Heli da Rocha Nunes de Araújo e da professora primária Maria Salomé da Cunha Nunes. Primo do ex-Ministro da Justiça Petrônio Portela. Aos 11 anos pediu de presente ao pai as obras completas de Shakespeare, poucos anos depois ganhou também as obras completas de Machado de Assis. Aos 15 anos de idade foi expulso de um colégio em Teresina (PI), por atividades políticas. Depois, em 1961, mudou-se para Salvador, onde estudou no Colégio Nossa Senhora da Vitória, fazendo amizade com Gilberto Gil e trabalhando como assistente no filme "Barravento", de Gláuber Rocha, e depois, ainda em 1961, participou como ator, ao lado de Duda Machado, no filme "Moleque de Rua", de Alvinho Guimarães, com trilha sonora composta por Caetano Veloso. Poliglota falava fluentemente inglês, francês e espanhol. Em 1963 mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a residir na Casa do Estudante Universitário (UNE), no bairro do Flamengo, Zona Sul da cidade. No ano seguinte, em 1964, apareceu como figurante (jogando sinuca no bar Café Lamas, no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro) no filme "Canalha em Crise", do cineasta piauiense Miguel Borges (estrelado por Joffre Soares e Tereza Rachel). Trabalhou em jornais, gravadoras e agências de publicidade. No ano de 1965 iniciou parceria com Gilberto Gil e Caetano Veloso. Neste mesmo ano, levado pelo jornalista Natalício Norberto, trabalhou no Aeroporto do Galeão (depois Aeroporto Tom Jobim), na agência de notícia do aeroporto. Trabalhou no jornal "Correio da Manhã", fez crítica de cinema no suplemento "Plug", no qual travou amplas discussões com o pessoal do Cinema Novo. No Jornal dos Sports, no suplemento "O Sol", manteve a coluna "Música brasileira", em 1967, na época, com apenas 23 anos. Escreveu o breviário "Tropicalismo para principiantes", no qual situou o movimento como inspirado na revolução provocada, na Europa, pelo filme "Bonnie and Clyde", bem como na necessidade de criar um pop autenticamente brasileiro:   "Assumir completamente tudo que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido".   Em 1967 Torquato e Ana Maria Santos e Silva se casaram na Igreja de São Pedro Apóstolo, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.  Entre 1967 e 1968 trabalhou como Diretor de Relações Públicas da gravadora Phillips (divulgador escrevendo press releases para os artistas da casa) e no Setor de Propaganda da Editora Abril. A convite de Ricardo Cravo Albin, então Diretor do Museu da Imagem e do Som, passou a fazer parte, como assistente, do "Conselho de Música Popular" da instituição. Também escreveu, neste período, em parceria com José Carlos Capinan, o roteiro "Vida, paixão e banana do tropicalismo", que seria dirigido, na TV, por José Celso Martinez Corrêa, mas que não chegou a ser montado por nenhuma emissora. Com o exílio de Gilberto Gil e Caetano Veloso, mudou-se também para o exterior, vivendo em Londres, Paris e Nova York. Em 27 de março de 1970 nascia Thiago Silva de Araújo Nunes, filho único do casal Torquato Neto e Ana Maria Silva de Araújo Duarte. Em 1971 atuou no papel principal do filme "Nosferatu no Brasil", de Ivan Cardoso, que também contava no elenco com Scarlet Moon, Daniel Más, Helena Lustosa, Cristiny Nazareth, Zé Português, Ciça Afonso Pena, Ricardo Horta, Marcelino, Ana Araújo e Martha Flaskman, entre outros.   Em novembro de 1971 escreveu a Hélio Oiticica:   "A paranoia, com perdão da palavra, grassa nos altos círculos (...) Ninguém sabe o que fazer, porque a sufocação só deixa pensar em dar no pé".   Por essa época, voltou para Teresina, internando-se na Clínica Meduna para uma desintoxicação por uso de bebida alcoólica. Ainda em 1971, teve outra experiência como ator. A convite de Carlos Galvão (um dos editores do jornal "Gramma", de Teresina), atuou no papel principal do filme, em super-8, "Adão e Eva no Paraíso do Consumo". No filme, com roteiro de Edmar Oliveira, fez o papel de Adão e Claudete Dias o papel de Eva. Neste mesmo ano atuou no curta-metragem "Helô e Dirce", de Luiz Otávio Pimentel, também estrelado por Zé Português e com trilha sonora de Luiz Melodia, que interpretou a composição "Negro gato", de Getúlio Cortes.   Escreveu, entre 1971 e 1972, uma coluna diária, "Geleia Geral", no jornal carioca "Última Hora", a qual encerrou voluntariamente:   "Não tenho escrito nem nada nem pra ninguém", comentou em correspondência a Hélio Oiticica.   Com o poeta baiano Waly Salomão criou a revista "Navilouca", publicação que reunia poetas da dita "Geração Marginal", no início dos anos 70. Contudo, o número 1 da revista só sairia anos mais tarde (1974), quando o poeta já havia falecido. Ainda no início da década de 1970, através de sua coluna "Geleia Geral", defendia o cinema experimental de Rogério Sganzerla e Ivan Cardoso, entre outros, o que lhe valeu uma briga com o pessoal do Cinema Novo. Rompido com Caetano Veloso e Gilberto Gil, em constantes desavenças com a TV Globo e seus festivais, e com o CNDA (Conselho Nacional de Direito Autorais), já extinto, sentia-se perseguido pelos "patrulheiros ideológicos" tanto de direita, quanto de esquerda. Chegou a ser internado algumas vezes no hospital psiquiátrico Odilon Galotti, no bairro de Engenho de Dentro (subúrbio do Rio de Janeiro) e foi internado oito vezes por alcoolismo. Solicitou, por várias vezes, que retirassem seu nome da música "Soy loco por ti, América", alegando a autoria somente para Gilberto Gil e Capinan, pois a editora musical colocou seu nome indevidamente nesta composição, fato que nunca causou mal estar aos dois verdadeiros autores (Gil e Capinan). Escreveu e dirigiu o filme "O terror da Vermelha" (Vermelha a que o filme se refere é um bairro de Teresina), sua única experiência em direção de superoito. Filmado em 1972, o curta-metragem só seria montado em 1973 por Carlos Galvão, trazendo como personagem principal um homem que volta a sua cidade natal (no caso Teresina) e assassina os antigos amigos. Na trilha sonora usou suas composições "Let’s play that" (c/ Jards Macalé) e "Mamãe, coragem" (c/ Caetano Veloso). A captação de cena foi feita em parceria com Arnaldo e o elenco incluía amigos de Teresina, tais como Edmar Oliveira, Conceição Galvão, Geraldo Cabeludo, Claudete Dias, Etim, Durvalino Couto, Paulo José Cunha, Herondina, Edmilson, Carlos Galvão, Xico Ferreira, Arnaldo, Albuquerque, Heli e Saló, além do próprio Torquato Neto. Ainda em 1972 atuou no filme "A Múmia Volta a Atacar", dirigido por Ivan Cardoso, com elenco também integrado por Zé Português, Wilma Dias, Helena Lustosa, Neville D' Almeida, Ciça Afonso Pena, Jorge Salomão, Óscar Ramos, Clarice Pelegrino e Lon Chaney Jr. Ainda em 1972 atuaria no filme "O Padre e as Moças", dirigido por Ivan Cardoso. Em 10 de novembro de 1972, após a festa de comemoração de seus 28 anos de idade, levou sua mulher Ana Maria Silva de Araújo Duarte e o filho Thiago para casa, esperou que ela dormisse, trancou-se no banheiro,  e abriu o gás, deixando o seguinte bilhete:    "Pra mim chega. Vocês aí: peço o favor de não sacudirem demais o Thiago que ele pode acordar".   Em 1973 Waly Salomão e Ana Maria Silva de Araújo Duarte (a viúva) reuniram algumas de suas poesias, letras e textos editados na coluna do jornal "Última Hora" e lançou o livro "Os últimos dias de Paupéria", que veio acompanhado por um compacto simples (duas músicas: "Três da madrugada", interpretada por Gal Costa e "Todo Dia é Dia D", interpretada por Gilberto Gil, ambas as composições em parceria com o compositor baiano Carlos Pinto). O livro também trouxe textos de apresentação de Décio Pignatari, Hélio Oiticica, Haroldo e Augusto de Campos e foi editado pela coleção "Na Corda Bamba", da Editora Pedra Q Ronca. O volume, com 116 páginas e cinco mil exemplares se esgotaria em poucos meses. Seu falecimento foi noticiado em vários jornais do Rio de Janeiro e de Teresina. Nete mesmo ano, por iniciativa do vereador Totó Barbosa, da Câmara Municipal da Cidade de Teresina, foi criada a Rua Torquato Neto, no bairro de Boa Esperança. No ano posterior, em 1974, seria enfim, lançada a primeira edição (a única) da revista Navilouca, no qual contava nos créditos: Organização e coordenação editorial de Torquato Neto e Waly Salomão, além da diagramação de Ana Araújo. Neste mesmo ano a Revista Pólen, editada por Ana Araújo, Hélio (Irmão de Ana) e Duda Machado, publicou trechos de cartas inéditas do poeta. Dois anos depois, em 1976 foi incluído na antologia "26 poetas hoje", de Heloísa Buarque de Hollanda (Editora Labor, RJ), que traçava mum pequeno painel da p´rodução da dita "poesia marginal" brasileira. Ainda em 1976 o peoma que havia feito para Ronaldo Bastos é publicado na revista "Almanaque Biotônico Vitalidade", do grupo carioca de poetas Nuvem Cigana. Dois anos depois, em 1978, Henrique Faulhaber e Sérgio Pantoja lançaram o documentário "Todo Dia é Dia D", um curta-metragem sobre sua vida e obra. No ano de 1982 a Secretaria Estadual de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí criou o "Projeto Torquato Neto", para incentivo da cultura local, patrocinando shows, eventos, encontros, gravações etc. Neste mesmo ano, de 1982, pela Editora Max Limonad Ltda, o livro "Os últimos dias de Paupéria" foi revisto e ampliado, inclusive incluíndo o roteiro "Vida, paixão e banana do tropicalismo", escrito por Torquato em parceria com Capinan e que seria encenado com direção de Zé Celso Martinez. O livro passou a se chamar "Os últimos dias de Paupéria - do lado de dentro" e teve como produtores Waly Salomão, Ana Araújo e o poeta Chacal. No ano posterior, em 1983, a RioArte estabeleceu o "Prêmio Torquato Neto para monografias", sendo editado um livro com algumas delas no ano seguinte, em 1984, em que se destaca "Um poeta não se faz com versos", de André Bueno, sobre a atuação de Torquato Neto na cultura dos anos 60/70. No ano seguinte, em 1985, a RioArte (Instituto Municipal de Arte e Cultural), da Prefeitura do Rio de Janeiro, em conjunto com Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo do Piauí, patrocinou o disco "Torquato Neto - Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia", com texto e entrevistas de Gilberto Gil, Tárik de Souza, Maria Amélia Mello (Rioarte) e George Mendes, Coordenador do Projeto Torquato Neto, além de 12 composições do poeta com vários parceiros. No ano 2000 foi editada a dissertação de mestrado "A Ruptura do Escorpião - Ensaio sobre Torquato Neto e o mito da Marginalidade", de André Monteiro, defendida na PUC-Rio e editada pela Editora Cone Sul. Neste mesmo ano, também foi editada a dissertação de mestrado "Um poeta na Medida do Impossível", de Laura Beatriz Fonseca Almeida, defendida na UNESP, Araraquara. No ano seguinte, em 2001, seu poema "Cogito" foi incluído na antologia "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizada por Ítalo Moriconi, lançada pela Editora Objetiva. Ainda em 2001, foi lançada a biografia "Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida", do jornalista piauiense Kenard Kruel. No ano posterior foi lançada a tese de doutorado "Torquato Neto - Uma Poética de Estilhaços", de Paulo Andrade, defendida na graduação dos Estudos Literários da Unesp, de Araraquara. Ainda em 2002, pela passagem dos 30 anos do falecimento do poeta, a Câmara Municipal de São Paulo lhe prestou homenagem em sessão solene. O evento contou com a presença de Carlos Rennó, Waly Salomão e Rogério Duarte, além do cantor Jorge Mello que interpretou algumas das composições do homenageado. No ano de 2003 o jornalista Toninho Vaz lançou "Pra mim, chega", biografia não autorizada pela família do poeta e publidada pela Leminski, lançada pela Editora Record no ano de 2001. Em 2003 o escritor Toninho Vaz publicou "Pra mim chega, a biografia de Torquato Neto", pela Editora Casa Amarela, de São Paulo.  Em 2005, a Editora Rocco lançou "Torquatália - do lado de dentro", versão ampliada (dois volumes) de "Os últimos dias de Paupéria", na qual adicionou textos inéditos do poeta, inclusive, poemas dedicados ao amigo, também poeta e letrista, Ronaldo Bastos. O livro "Torquatália - do lado de dentro" era uma coletânea organizada pelo jornalista, editor, crítico musical e de literatura Paulo Roberto Pires e traz dois tomos: "Do lado de dentro" e "Geleia geral", este último incluindo a produção jornalística no Jornal dos Sports, a coluna "Música popular" do ano de 1967, pelo Correio da Manhã, a coluna "Plug", do ano de 1971 e com a sua mais famosa coluna "Geleia geral", entre agosto de 1971 e março de 1972, no Jornal Última Hora. Em sua homenagem a prefeitura da cidade de Teresinha criou a Sala Torquato Neto, para shows e ventos.

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