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Sérgio Porto

Sérgio Marcus Rangel Porto
11/1/1923 Rio de Janeiro, RJ
30/9/1968 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Sua carreira jornalística teve início no final da década de 1940, quando atuou em publicações como a revista "Sombra", e os jornais "Diário Carioca"; "Tribuna de Imprensa"; e "Última Hora". O personagem que o consagrou nasceu em 1951, na redação do Diário Carioca quando foi convidado a substituir o cronista Jacinto de Thormes que deixara vaga a coluna social do jornal. O personagem teria sido inspirado em Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrade. Em 1953, escreveu a "Pequena história do jazz". Em 1954, atuou como colaborador da "Revista de Música Popular", fundada por seu tio Lúcio Rangel e por Pérsio de Moraes. Fundou a revista "O Mundo Ilustrado", juntamente com Lúcio Rangel e o pintor Santa Rosa. Produziu a revista teatral "TV para crer", com Nestor de Holanda, em 1956 e, um ano depois, com Luís Iglésias escreveu "Quem comeu foi pai Adão". Ainda em 1956, destacou-se em São Paulo ao participar por 16 semanas na TV Tupi do programa "O céu é o limite", apresentado por Aurélio Campos, respondendo perguntas sobre a música popular brasileira, tendo faturado o maior prêmio pago até então pelo programa: 300 mil cruzeiros. Era grande admirador e pesquisador de música popular possuindo uma discoteca avaliada em cerca de 30 mil discos entre 78 rpm e LPs. Em 1959, escreveu o roteiro e os diálogos da chanchada "E o bicho não deu". Anos depois, histórias do livro "As cariocas" acabariam virando roteiro de filme. Também escreveu para o Rádio tendo feito para a Rádio Mayrink Veiga o humorístico "Miss campeonato" sobre futebol. Ainda em 1959, trabalhando feito louco, teve seu primeiro enfarte. Na época além das crônicas para a revista Fatos e Fotos, escreveu roteiro para o programa de TV "Espetáculos Tonelux", espetáculos humorísticos para a TV Rio e programas de rádio como "Atrações A-9". Em 1961, estreou de forma desastrada como apresentador de TV no programa "Noite de gala" da TV Rio. Tinha tanto medo de aparecer diante das câmeras que ficou mudo na hora da apresentação e acabou desistindo de atuar como apresentador televisivo. No entanto foi criado para ele no mesmo programa o quadro "Stanislaw Ponte Preta de costas para a fama" no qual ele batucava numa máquina de datilografia de costas para as câmeras tendo uma vedete de biquíni ao lado enquanto ele fazia comentários. Escreveu ainda episódios para o programa de TV "Alô doçura" estrelado por John Herbert e Eva Vilma. Participou também do Jornal de Vanguarda que começou na TV Excelsior passando depois para a TV Tupi e depois para a TV Globo e no qual ele comentava as notícias lidas por Cid Moreira ou Luiz Jatobá. Escreveu shows musicais para boates, entre eles o show na boate Zum Zum (RJ), em 1964, com apresentação dele próprio e participação de Aracy de Almeida e Billy Blanco, gravado em LP da Elenco. Em 1965, afastou-se da TV e passou a dedicar-se ao teatro de revista tendo escrita entre outras "Pussy pussy cats" revista produzida por Carlos Manga na qual apareceu o seu famoso "Samba do crioulo doido". O "Samba do crioulo doido", gravado pelo Quarteto em Cy, em 1968, fez grande sucesso, sendo, inclusive, apresentado em show do mesmo nome, que correu quase todo o país com cerca de 100 apresentações e do qual ele próprio participava ao lado do Quarteto em Cy. Em 1961, o livro "Tia Zulmira e eu" e, em 1966, o "Febeapá, festival de besteira que assola o país", reuniram parte de suas crônicas, até hoje saudadas como exemplares pela maioria dos críticos, seja pelo humor refinado, seja pelo sentido de observação da vida carioca, seja ainda pela crítica demolidora que eles continham. A partir de 1966, convidado por R. C. Albin, primeiro diretor do MIS, ocupou uma das 40 cadeiras de fundador e membro efetivo do Conselho Superior da Música Popular Brasileira, que escolhia os prêmios Golfinho de Ouro e Estácio de Sá, votados pelo MIS e outorgado pelo governo do Estado.

Em 2001, foi homenageado com o musical "Tia Zulmira", de João Máximo, com músicas de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos. O musical, dirigido por Aderbal Freire Filho foi apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Em 2008, por ocasião dos 40 anos de sua morte foi publicado o livro "De Copacabana à Boca do Mato", uma biografia escrita pela historiadora Cláudia Mesquita na qual a autora defende a tese na qual Stanislaw Ponte Preta mais do que um pseudônimo foi um heterônimo de Sérgio Porto, cada um representando um lado da cidade, a zona norte e a zona sul. Também no mesmo ano, foi lançado no Espaço Cultural Sérgio Porto o livro "Revista do Lalau", uma reunião de inéditos e dispersos organizada por Luís Pimentel. No livro estão incluídas a "Pequena história do jazz", um roteiro nonsense com o título de "Flit contra Dr. Nó" e o primeiro capítulo de um romance que ele deixou inacabado além de outros textos. Sobre ele assim escreveu o jornalista Miguel Conde: "Por mais brilhante que tenha sido naquilo que escrevia quando baixava o Stanislaw, Porto era em primeiro lugar um sujeito cujos interesses não cabiam em nicho nenhum. Foi crítico, cronista, historiador, radialista, apresentador de televisão. Discorria sobre Louis Armstrong e organizava shows de Aracy de Almeida. Escrevia com lirismo sobre a desfiguração de Copacabana e era de uma implicância inenarrável - tão boba quanto divertida - ao falar de Niterói, onde segundo ele "urubu só voa recebendo cachê na véspera".

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