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Raul Seixas

Raul dos Santos Seixas
28/6/1945 Salvador, BA
21/8/1989 São Paulo, SP

Dados Artísticos

Foi o primeiro artista do rock brasileiro a misturar sistematicamente o rock com ritmos brasileiros, principalmente o baião. Em 1963, mudou o nome do seu conjunto para The Panters, se apresentando em boates na noite de Salvador. No mesmo ano, o conjunto se apresentou no programa "Escada do sucesso", na TV Itapoã, em Salvador. Em 1964, o conjunto The Panters entrou pela primeira em um estúdio de gravação. Na ocasião foram gravadas as músicas "Nanny", de Gino Frey, e "Coração partido", versão de seu pai, Raul Varela Seixas, para uma música cantada por Elvis Presley no filme "Saudades de um pracinha" (GI - Blues). O disco, no entanto, nunca chegou a ser lançado comercialmente. Nesse mesmo período, apresenta-se com sucesso com The Panters em festas e clubes, além de tocar no interior da Bahia. Seu conjunto tornou-se o mais bem pago para shows na Bahia. Em 1965, largou os estudos para dedicar-se integralmente à música. Apresentou-se nessa época em shows no Cine Roma, onde cantavam astros da jovem guarda como Roberto Carlos, Jerry Adriani e outros. Em 1967, o cantor Jerry Adriani assistiu a um dos seus shows e o convidou com seu conjunto para o acompanharem em uma excursão pelo Norte do país. Após a excursão foi convidado por Jerry Adriani, para ir com seu conjunto gravar um disco no Rio de Janeiro. Em 1968, lançou o disco "Raulzito e os Panteras", no qual interpretava, entre outras, as composições "Dê-me tua mão", "Vera Verinha", "Menina de Amaralina" e "Trem 103", de sua autoria. Cantava também as versões que fez para "I will", de Dick Glasser, que virou "Um minuto mais", e de "Lucy in the sky with diamonds", de Lennon e McCartney, que ganhou o título de "Você ainda pode sonhar". O disco, no entanto, foi um fracasso comercial e ignorado pela crítica. Voltou para Salvador, enquanto Os Panteras se tornaram banda de apoio de Jerry Adriani. Em 1970, foi convidado por Evandro Ribeiro, diretor da CBS, para trabalhar na gravadora como produtor de discos, e como tal produziu Jerry Adriani, Sérgio Sampaio, Trio Ternura, Diana, Tony e Frankie e Renato e seus Blue Caps. Em 1971, quando o presidente da gravadora viajou, produziu, gravou e lançou sem autorização o disco "Sociedade da Grã-Ordem Cavernista" com Miriam Batucada, Sérgio Sampaio, Edy Star e ele mesmo. O disco sumiu do mercado e foi outro fracasso de vendas. Quando o presidente da CBS voltou, demitiu-o sumariamente. Em 1972 retornou à cena artística, inscrevendo duas canções no VII Festival Internacional da Canção e ambas se classificaram para as finais. As músicas foram "Eu sou eu, Nicuri é o diabo", interpretada pelo conjunto Os Lobos, e "Let me sing, let me sing", defendida por ele mesmo, e na qual aprecia pela primeira vez a mistura entre rock e baião, que se tornou uma de suas marcas. No mesmo ano assinou contrato com a Philips/Phonogram, pela qual lançou o compacto "Let me sing, let me sing" e "Teddy Boy, rock e brilhantina". Em 1973, lançou o LP "Krig-há, bandolo!", que foi seu primeiro sucesso comercial. Nele começava a parceria com Paulo Coelho, o mais tarde célebre escritor mundial e atual membro da Academia Brasileira de Letras (a partir de julho de 2002), parceria que se encerraria em 1976. O nome do disco é uma referência às histórias em quadrinhos, pois é o grito de guerra do Tarzã, significando "Cuidado, aí vem o inimigo". Canções como "Mosca na sopa", "Metamorfose ambulante" e "Al Capone" foram bem executadas nas rádios e tiveram grande aceitação entre o público. No mesmo período retornou a produzir discos lançando "Os 24 maiores sucessos da era do rock", no qual fazia covers dos seus ídolos norte-americanos e da Jovem Guarda com destaque para "É proibido fumar" e "Vem quente que eu estou fervendo". Nessa época, começou a divulgar em seus shows o gibi-manifesto "A fundação de Krig-Há", no qual fazia a pregação da sociedade alternativa, e que são recolhidos pela polícia federal. Em 1974, devido a problemas políticos, viajou para os Estados Unidos em companhia de Paulo Coelho, da mulher Edith e de Adalgisa Rios. O grupo visitou a mansão de Elvis Presley e conheceu o ex-Beatle Jonh Lennon e Jerry Lee Lewis. Logo a seguir lançou o LP "Gita", que, com 600 mil cópias vendidas, lhe rendeu seu primeiro disco de ouro. A grande vendagem do disco apressou seu retorno ao Brasil. Nele se destacaram as músicas "Sociedade alternativa", "Trem das sete" e "Gita", todas em parceria com Paulo Coelho. Gravou ainda o primeiro musical colorido da TV brasileira, o videoclip de "Gita". De volta ao Brasil, fez com Paulo Coelho a trilha sonora da novela "O Rebu", da Rede Globo, na qual se destacaria "Como vovó já dizia (óculos escuros)". Em 1975 gravou o LP "Novo aeon" , que não obteve tanto sucesso quanto o disco anterior, mas no qual algumas músicas alcançaram grande relevância, como foi o caso de "Tente outra vez" e "Rock do diabo", ambas em parceria com Paulo Coelho. No mesmo ano, participou no Rio de Janeiro do festival Hollywood Rock e gravou na TV Globo o videoclipe "Trem das sete". Em 1976 lançou o LP "Eu nasci há dez mil anos atrás", último na Philips/Fonogram, cuja música título, parceria com Paulo Coelho, se tornou um grande sucesso. No disco destacaram-se ainda as composições "Meu amigo Pedro", "As minas do rei Salomão", "Eu também vou reclamar" e "Os números", todas em parceria com Paulo Coelho. No mesmo ano gravou na TV Globo o videoclip da música "Eu também vou reclamar". Em 1977 gravou "O dia em que a Terra parou", primeiro disco pela WEA/WarnerBros, no qual inaugurou uma nova parceria, com o velho amigo Claudio Roberto. Os destaques do disco foram a música título, "Maluco beleza" e "Sapato 36", todas em parceria com Cláudio Roberto. O disco, que além de não vender muito, foi duramente atacado pela crítica, contou com as participações de Djalma Correa na percussão e Gilberto Gil no violão e arranjos, na faixa "Que luz é essa", também com Cláudio Roberto. No mesmo ano fez show de lançamento do disco no Teatro Bandeirante em São Paulo, no qual se apresentou com um novo visual, sem barba e de cabelos curtos. Gravou ainda no mesmo período o videoclip "Eu também vou reclamar", na TV Globo. Em 1978, passou alguns meses na Bahia, recuperando-se de problemas de saúde. No mesmo ano lançou o LP "Mata virgem", pela WEA/Warner Bros, contando com a participação do guitarrista Pepeu Gomes na faixa "Pagando brabo". Em 1979, lançou o LP "Por quem os sinos dobram", que contou com a participação do guitarrista Sérgio Dias, ex-integrante do conjunto de rock Os Mutantes, em algumas faixas. No mesmo ano se mudou para São Paulo com a nova mulher Kika Seixas. Em 1980, assinou contrato com a CBS, e lançou o disco "Abre-te sésamo". Voltou a ter problemas com a censura, que proibiu a música "Rock das aranha", que só foi liberada devido à intervenção de Ricardo Cravo Albin, em histórica sessão do Conselho Superior de Censura, no Ministério da Justiça. No ano seguinte, rescindiu seu contrato pelo fato da gravadora pedir para que em seu próximo disco fizesse homenagem a Lady Diana. No mesmo ano, realizou o show "Abre-te sésamo" no Sesc Pixinguinha, em SP. Em 1982, passou por dois momentos absolutamente distintos, no primeiro, apresentou-se para um público de aproximadamente 180 mil pessoas, na praia do Gonzaga, em Santos, no Festival Musical ali realizado. No outro, foi confundido com um impostor em um show na cidade de Caieiras, em SP, onde se realizava uma feira folclórica. Chegou a ser preso e agredido. Sem gravadora e com problemas de saúde derivados do alcoolismo crônico e do uso de drogas, só veio a gravar novamente em 1983, quando foi convidado por um diretor da gravadora semi independente Estúdio Eldorado, que era seu fã. Lançou então "Raul Seixas", LP em que se destacou "Carimbador maluco", música que compôs especialmente para um programa infantil da Rede Globo. O disco contou com a participação especial da cantora Wanderléa e lhe rendeu o segundo disco de ouro. Em 1984 lançou seu segundo e último disco na Eldorado, "Raul Seixas ao vivo --- único e exclusivo", gravado ao vivo em show realizado na Associação Esportiva Palmeiras e que fechou sua turnê. No mesmo ano, assinou contrato com a Som Livre e lançou um outro disco, "Metrô linha 743", no qual apenas a música título, de sua autoria se destacou. Mas, novamente com problemas de saúde, voltou a Salvador para se recuperar. Nesse período ficou afastado dos palcos e das gravações. Em 1987, depois de três anos sem gravar lançou pela gravadora Copacabana o LP "Uah-bap-lulah-béin-bum", no qual se destacou a música "Cowboy fora da lei", que fez bastante sucesso, tendo sido incluída na trilha sonora da novela das sete horas da TV Globo. No mesmo ano, compôs com o roqueiro baiano Marcelo Nova a música "Muita estrela, pouca constelação", participando da gravação com o conjunto Camisa de Vênus. Em 1988, lançou o LP "A pedra do gênesis", que teve boa vendagem devido ao prestígio consolidado perante a um grande público. No mesmo ano, foi convidado por Marcelo Nova, e com ele realizou uma série de 50 shows, em diversos locais do país. Em 1989 gravou com Marcelo Nova seu último disco, "A panela do diabo", que contém várias parcerias entre ambos, entre as quais, "Rock and roll", "Banquete de lixo", "Cãimbra no pé" e "Século XXI". Dois dias após o lançamento do LP, foi encontrado morto na cama por sua empregada, num apartamento do centro de São Paulo. Um dos artistas mais populares do país foi o primeiro a ter um disco produzido e distribuído por um fã-clube brasileiro, "Let me sing my rock and roll", coletânea de gravações raras, lançada em 1985. Constantemente é regravado por intérpretes de diferentes gêneros musicais, como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Margareth Menezes e Paulo Ricardo, comprovando a sua importância no panorama musical brasileiro. Em 1995, a Warner lançou o CD "Geração Pop", no qual aparecem algumas composições menos conhecidas do cantor como "A ilha da fantasia", "Diamante de mendigo" e "Na rodoviária", todas em parceria com Oscar Rasmussen. Em 1999, o diretor José Joffily e o ator Roberto Bontempo, encenaram no Teatro do Planetário, no Rio de Janeiro, o espetáculo "Raul fora-da-lei", baseado na sua vida e obra. Nesse ano, por ocasião dos dez anos de sua morte foi homenageado no show "O baú do Raul" realizado no Metropolitan, RJ e que reuniu o Barão Vermelho, Sérgio Vid, Falcão, Zé Ramalho, Marcelo Nova, Luiz Carlini, Arnaldo Brandão e Gustavo Schoeter. Em 2001, o cantor paraibano Zé Ramalho lançou o CD "Zé Ramalho canta Raul Seixas", no qual gravou 10 composições do cantor baiano, entre as quais, "Metamorfose ambulante", "O trem das sete", "Ouro de tolo" e "Dentadura postiça", além de "Para Raul", de sua autoria, homenagem ao roqueiro.  Em 2002, teve a composição "Medo da chuva", parceria com Paulo Coelho gravada pela dupla sertaneja Rionegro e Solimões no CD "Ensaio acústico" lançado pela Universal Music. No mesmo ano, foi lançado pela Universal o pacote com os seis discos que o cantor gravou na antiga Philips. Com remasterização de Luigi Hoffer, a caixa apresentou, além dos seis CDs, um livreto com biografia atualizada, manuscritos, originais e fotos. No mesmo ano, foi homenageado publicamente pelo ex-parceiro Paulo Coelho, quando este fez seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras.
Em 2003, foi homenageado no programa Acervo MPB da Rádio MPB FM que tocou músicas suas e contou um pouco da história do cantor e compositor. No mesmo ano, foi lançado o CD "Anarkilópolis" pela Som Livre com canções pouco conhecidas do roqueiro baiano além da inédita "Anarkilópolis", que deu título ao disco. O CD contou com a inclusão de gravações feitas por ele com outros artistas como o xote "Quero mais", com a participação de Chiquinho do Acordeom, e "Eu sou eu Nicuri é o diabo", com a participação de Sérgio Sampaio. Em 2004, por ocasião dos 15 anos de sua morte foi organizado na Fundição Progresso o show "O baú do Raul" com as participações de Gabriel O Pensador, Lobão, Zeca Baleiro, Afroreggae, Marcelo Nova, Marcelo D 2, B Negão, Arnaldo Brandão, Zélia Duncan, Raimundos e DJ Vivi Seixas com gravação ao vivo de CD e DVD. Em 2005, ano em que completaria 60 anos de idade foi lançado o livro "O Baú do Raul revirado", organizado pelo jornalista Silvio Essinger a partir de escritos e guardados do cantor, com cerca de mil imagens, além de escritos do artista. Acompanhando o livro um CD com seis faixas inéditas retiradas do material do famoso baú no qual o artista guardava todos os seus registros. Em 2009, por ocasião dos 20 anos de sua morte recebeu diversas homenagens em reportagens de programas de rádio e de televisão. Em São Paulo ocorreram simultaneamente três eventos homenageando o roqueiro baiano. Cerca de 20 mil fãs reuniram-se em frente ao Teatro Municipal de São Paulo e rumaram em passeata até a Catedral da Sé, passando pelo Viaduto do Chá interpretando músicas do compositor. Na Galeria do Rock foi lançado pela editora B&A o livro "Metamorfose ambulante", escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, com coordenação de Sylvio Passos, presidente do fã-clube do cantor. Estreou também a peça "À espera do trem das 7", do ator pernambucano Samuel Luna. O espetáculo se passa entre a hora da morte de Raul Seixas e o momento em que seu corpo foi encontrado. No palco, Samuel Luna, que também é músico, conta com a participação ao vivo do pianista Leornado Siqueira interpretando obras do cantor também conhecido como "Maluco Beleza", que seria ainda relembrado na exposição fotográfica "O prisioneiro do rock", ensaio fotográfico feito por Ivan Cardoso. A exposição apresentou 21 fotografias em grande formato (originais em branco e preto) e nove montagens com intervenções coloridas, além de capas de discos e livros sobre o artista. Também por conta das homenagens ao cantor foi apresentado pelo seu sósia Paulo Mano acompanhado da Banda Novo Aeon, o espetáculo "Toca Raul" no SESC Santo André. Também em 2009, foi lançado o DVD "20 anos sem Raul Seixas" reunindo clássicos em versões demo e inglês, o documentário "Raul Seixas também é documento", de Paulo Severo, lançado originalmente em 1998, e a inédita música "Gospel" proibida pela censura em 1974. Em 2012, estreou com sucesso de crítica e público em mais de 10 cinemas na cidade do Rio de Janeiro, o filme "Raul - O início, o fim o meio", com direçõ de Walter Carvalho e Leonardo Gudel. O filme conta a trajetória do cantor e compositor através de imagens raras de arquivos, encontros com familiares, conversas com artistas, produtores e amigos. No mesmo ano, por ocasião dos 23 anos de sua morte, foi homenageado no 8º Tributo Raul Seixas, realizado no Music Hall, em Belo Horizonte. Na ocasião suas obras foram interpretadas pelas bandas cover Carpinteiros do Universo e Rockixe. Também participou do evento o músico Marcelo Nova. Foi feita também uma exposição de fotos e de LPs raros do artista pelo fan clube Novo Aeon Kavernista, de Ouro Preto. Em 2013, sua filha, Vivi Seixas, remixou 10 gravações dele no CD "Geração da luz", lançado pela Warner Music, trazendo sucessos como "Mosca na sopa" e "Metamorfose ambulante". No mesmo ano, foi homenageado no Festival "Rock in Rio" pela Banda Detonautas, que se apresentou no "Palco Sunset". Na ocasião a banda recebeu convidados que interpretaram obras do "Maluco Beleza", entre os quais, Zeca Baleiro, que interpretou "Tente outra vez", "Rock do Diabo" e "Maluco beleza", e Zélia Duncan, que interpretou diversos clássicos do roqueiro baiano, além da própria banda que interpretou clássicos como "Ouro de tolo", "Eu nasci há dez mil anos atrás" e "Aluga-se". Ao final da homenagem todos os presentes entoaram em coro o clássico "Sociedade alternativa". Em 2014, por ocasião da homenagens pelos 25 anos de sua morte foi lançada uma caixa com seis CDs e um DVD com produção de Sylvio Passos presidente do Raul Rock Club e intitulada "25 anos sem o Maluco Beleza - Toca Raul". Dessa caixa fazem parte dois CDs com gravações ao vivo: "Eu não sou hippie", registro feito no Cine Patrocínio, em 1974, e "Isso aqui não é Woodstock, mas um dia pode ser", registrado em 1981 na segunda edição do Festival de Águas Claras, interior de São Paulo. Em 2017, foi homenageado por seu último parceiro, o cantor e compositor Marcelo Nova, que com sua banda Camisa de Vênus realizou no Circo Voador, no Rio de Janeiro, o show "Camisa canta Raul", uma homenagem ao cantor e compositor.

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