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Quatro Ases e um Coringa



Dados Artísticos

Conjunto vocal e instrumental.

Seus integrantes eram todos da cidade de Fortaleza: Evenor de Pontes Medeiros, nascido em 1915, violonista e compositor; José de Pontes Medeiros, nascido em 1921, violonista e cantor; Permínio de Pontes Medeiros, gaitista e cantor; André Batista Vieira, o Coringa, nascido em 1920, pandeirista, cantor e compositor e Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca, nascido em 1921.

Em 1952, o pandeirista André Batista Vieira foi substituído por Jorginho do Pandeiro, que viria a integrar depois o Conjunto Época de Ouro, sendo depois substituído por Nilo. No final da década de 1950, Nilo foi substituído por Miltinho, pandeirista e vocalista, que também integrara os Anjos do Inferno e depois faria sucesso como cantor.

O grupo foi, juntamente com os Anjos do Inferno, o conjunto de maior destaque na segunda fase da chamada época de ouro da música popular brasileira, principalmente na década de 1940.

Em 1939, os irmãos cearenses Evenor, José e Permínio estudavam no Rio de Janeiro e decidiram formar um quarteto vocal e instrumental juntamente com o amigo André, mais conhecido por Melé, que significa coringa. Depois de formar-se em Química, em 1941, Evenor viajou com os outros três para Fortaleza, onde apresentaram-se na Ceará Rádio Clube com o nome de Bando Cearense. Foi então que se juntou a eles o violonista Esdras Falcão, o Pijuca. Por sugestão do jornalista cearense Demócrito Rocha adotaram o nome de Quatro Ases e Um Melé. De volta ao Rio, apresentaram-se na Rádio Mayrink Veiga durante três meses e depois foram para a Rádio Tupi por indicação de João Dummar, diretor da Ceará Rádio Clube. Dummar sugeriu ainda que o conjunto trocasse o nome para Quatro Ases e Um Coringa, já que Melé era um termo desconhecido.

Em 1941, gravaram o primeiro disco, pela Odeon, com a marcha "Os dois errados", de Estanislau Silva, Álvaro Nunes e Nelson Trigueiro, e o samba "Dora meu amor", de Constantino Silva e André Vieira. Em seguida, gravaram a marcha "Pica-pau", de Ary Barroso, e o samba "Escorreguei e caí", de Gil Lima e J. B. Cruz. No ano seguinte, gravaram a marcha "Viva quem tem bigode", de Rubens Soares e David Nasser, e os sambas "Os beijinhos de iaiá", de Clênio França, Orestes Xavier e L. Dias; "Coração bateu demais" e "Quem duvidar que apareça", de Assis Valente; "Coisas do carnaval" e "Batuca nega", de Ary Barroso; "No Ceará é assim" e "Se o meu pinho parar...", de Carlos Barroso, e "Ai! Que saudade dela", de Geraldo Pereira e Ari Monteiro, além do batuque "Eu vi um leão", de Lauro Maia. Por essa época, foram contratados para atuar no Cassino Copacabana, onde trabalharam por quatro anos.

Para o carnaval de 1943, lançaram a marcha "Deixai para mim as cabrochinhas", de Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho, e o samba "Prova de fogo", de Lauro Maia. Ainda nesse ano, gravaram entre outras, a marcha "Feijoada", de Rubens Soares; os sambas "Andorinha bateu asa", de Antônio Almeida e Marino Pinto; "Nós dois", de Gadê e Almanir Grego; "Morena dos meus sonhos", de Carlos Barroso e Humberto Teixeira; "Samba de casaca", de Pedro Caetano e Valfrido Silva, e o maxixe "Siri ou sereia", de Carlos Barroso. Ainda nesse ano, fizeram sucesso com a marcha "Trem de ferro", de Lauro Maia, e com o samba "Terra seca", de Ary Barroso, que se tornou um clássico a partir da apurada gravação do grupo.

Em 1944, lançaram os sambas "Rio de Janeiro", de Pedro Caetano e Claudionor Cruz; "O samba não morre", de Marino Pinto e Arlindo Marques Júnior; "Lenda do morro", de Peterpan e Afonso Teixeira; "Diz que não", de Ary Barroso e "Lições da vida", de Rubens Soares e Ari Monteiro, além da marcha-hino "Sempre Flamengo", de Lamartine Babo, em homenagem ao time de futebol do Flamengo que na ocasião se tornara tri campeão carioca. Para o carnaval de 1945, lançaram a marcha "Seu Balzac", de Afonso Teixeira e Jorge de Castro, e o samba "Dinheiro, saúde e mulher", de Peterpan e Ari Follain. Nesse ano, o grupo lançou o samba "Cachimbo de barro"; o fox "Gosto mais do swing"; o balanceio "Eu vou até de manhã" e a ligeira "A ribeira do Caxia", as quatro de Lauro Maia, compositor cearense de quem o grupo se tornou um grande intérprete. Também no mesmo, gravaram uma composição de Luiz Gonzaga, parceria com Jararaca, o samba "Quem é?". No carnaval de 1946, divulgaram os batuques "Juvenal", de Lauro Maia e Humberto Teixeira, e "Casca de banana", de Jararaca e Donga. Nesse ano, gravaram o calango "Se quer ver vem cá", de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, e o samba "Nego não sai do batuque", de Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho. Também no mesmo ano, o grupo fez sucesso com o samba "Na Baixa do sapateiro", de Ary Barroso e com "Baião", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que deu ensejo ao lançamento do novo ritmo no Rio de Janeiro, que se tornaria uma verdadeira febre nos anos seguintes: o baião.

No carnaval de 1947, fizeram sucesso como o samba "Onde estão os tamborins", de Pedro Caetano, e com a marcha "O periquito da madame", de Nestor de Holanda, Carvalhinho e Afonso Teixeira, duas das composições mais cantadas naquele ano. No mesmo ano, o grupo regravou o samba "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e gravou os sambas "Sambolândia"; "Sopa no mel" e "É com esse que eu vou", de Pedro Caetano, compositor de quem também gravaram muitas músicas, sendo que esse último samba foi um dos grandes sucessos do grupo. Ainda em 1947, fizeram sucesso com o calango "Dezessete e setecentos", de Luiz Gonzaga e Miguel Lima. Nesse mesmo ano, atuaram em dois filmes: "Fogo na canjica", de Luís de Barros, e "Essa é fina", de Luís de Barros e Moacir Fenelon. Em 1948, divulgaram para o carnaval a marcha "Cigana feiticeira" e o samba "Catumbi", da dupla Benedito Lacerda e Haroldo Lobo. Nesse ano, gravaram também "Seridó", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que tinha a intenção de ser um novo ritmo, o seridó, como foram o baião e o chamego, mas que não teve sucesso, e os sambas "Onde canta o sabiá", de Assis Valente e José Carlos Burle, e "Bahia de todos os santos", de Vicente Paiva e Chianca de Garcia. Ainda nesse ano, atuaram no filme "Esta é fina", juntamente com Dircinha Batista, Aracy de Almeida, Nelson Gonçalves, Linda Batista, Nuno Roland, Marlene, Joel e Gaúcho e Trio de Ouro. Gravaram em 1949 os frevos "Os confetes de arlequim", dos Irmãos Valença e "Evoé...", de Baltazar Carvalho, e as marchas "Marieta", de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, além de "Esta merece um samba", de Pedro Caetano e Cristóvão de Alencar. Nesse ano, o grupo fez sucesso com o samba "Cabelos brancos", de Herivelto Martins e Marino Pinto, sempre citado dentro da polêmica Herivelto Martins e Dalva de Oliveira. Ainda em 1949, trasferiram-se para a RCA Victor e lançaram a marcha "Chegou a hora", de Marino Pinto, e o samba "Hoje é para mim", de Arlindo Marques Jr, Roberto Roberti e Afonso Teixeira.

Em 1950, gravaram o baião "Cariri", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; o xote "Adeus Guiti", de Humberto Teixeira e Carlos Barroso, e os sambas "Não posso nem comigo", de Herivelto Martins e Benedito Lacerda, e "Meu bairro canta", de Valdemar Ressurreição. Ainda no mesmo ano, emplacaram dois novos sucessos: o coco "Derramaro o gai", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e o samba "Boneca de pano", de Assis Valente. Também em 1950, o grupo regravou dois clássicos da música popular brasileira, os baiões "Baião de dois" e "Paraíba", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Participaram também do filme "Aviso aos navegantes", de Watson Macedo. Para o carnaval de 1951, lançaram o samba "Meu maior desejo", de Marino Pinto e Fernando Martins e a marcha "Quero uma mulher", de Heitor dos Prazeres. Ainda no mesmo ano, gravaram os baiões "O machucado", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas; "Vaqueiro do Ceará", de Humberto Teixeira e Carlos Barroso e "Tesouro e meio", de Luiz Gonzaga; o samba "Você foi mais uma", de Cícero Nunes, e a rancheira "Gauchada", de César Siqueira e Evenor Pontes.

Em 1952, gravaram mais dois baiões: "Tudo é baião", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e "Ai! Miquilina", de Luiz Gonzaga e Guio de Morais. Gravaram também o samba "Margaret", de Pedro Caetano, e "Xaxado", de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, além dos sambas "Pra machucar", de Cícero Nunes, e "Garota dos discos", de Wilson Batista e Afonso Teixeira. Nesse ano, André, o Curinga, desligou-se do grupo, que continuou atuando sem ele, até conseguir substituto. Com sua saída, sucederam-se como "Curingas" três cantores: primeiro Jorge, depois Nilo Falcão e por último Miltinho. Em 1953, apareceram no carnaval com as marchas "Pescador", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira e "Marcha da fumaça", de Peterpan e Afonso Teixeira. Nesse ano, gravaram outro clássico da música popular brasileira: a toada "Vozes da seca", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Também no mesmo ano, gravaram os baiões "Devagar não faz poeira", de Luiz Vieira, e "Meu rancho e meu bem", de Zé Dantas e Luiz Bandeira, além do xote "Santo Antônio exagerou", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira. Também participaram do filme "Tudo azul", de Moacir Fenelon. Em 1954, gravaram as marchas "Polonesa", de Peterpan e Afonso Teixeira, e "Marcha da cozinheira", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira; o baião "Uma cabra não chora", de Humberto Teixeira e Cícero Nunes, e o samba "Tenha pena de mim", de Geraldo Jacques e Valdemar Gomes.

Em 1955, transferiram-se para a gravadora pernambucana Mocambo e lançaram a marcha "Carrega que o burro é manso", de Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Airton Amorim, e o samba "O culpado é você", de Valdemar Gomes e Pedro Caetano. Em seguida, gravaram o samba "Bairros da cidade", de Bruno Marnet, e o baião "Quixadá", de Valdemar Gomes e José Batista.

Em 1956, gravaram os sambas "Noiva do mar", de Valdemar Gomes e Sebastião Fonseca; "Mariazinha", de Garoto e Alberto Ribeiro, e "É por aqui que se vai", de Valdemar Gomes e Pedro Caetano, e a marcha "Prato fundo", de Haroldo Lobo e Brazinha. Também nesse ano, gravaram um disco pela Todamérica com o samba "Amor é bom", de Roberto Martins e Jair Amorim, e a marcha "É hoje só", de Cristóvão de Alencar e Afonso Teixeira. Lançaram quatro anos depois, um último disco pela Odeon com dois sambas de Monsueto: "Pratos bossa nova", com Amado Regis e "A corneta no samba", já com o grupo em fim de carreira. Pouco depois, ainda lançaram dois últimos discos, sem maiores repercussões, pelo pequeno selo Marajoara, no qual gravaram o primeiro disco da série então lançada por aquela gravadora, com a marcha "No tempo de Carlito", de Victor Simon e Haroldo Lobo e o samba "Ela", de Haroldo Lobo e David Raw. A última gravação do grupo foi o samba "Turma da praia", de Haroldo Lobo e Peterpan, em disco que trazia no lado B o cantor Nilton Paz cantando uma marcha.

Em cerca de vinte anos de carreira, o grupo gravou 100 disco em 78 rpm, sendo 65 na Odeon, 33 na Victor e dois na Marajoara, Seus maiores sucessos foram "Baião", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; "Terra seca", de Ary Barroso; "É com esse que eu vou", de Pedro Caetano; "Viva quem tem bigode", de Davi Nasser e Rubens Soares; "Eu vi um leão", de Lauro Maia; "No Ceará é assim", de Carlos Barroso; "Trem de ferro", de Lauro Maia; "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso; "Chega, chega, chegadinho", de Lauro Maia; "Onde estão os tamborins", de Pedro Caetano; "O periquito da madame", de Nestor de Holanda, Carvalhinho e Afonso Teixeira; "Sá Mariquinha", de Luís Assunção e Evenor de Pontes; "Sambolândia", de Pedro Caetano; "Dezessete e setecentos", de Luiz Gonzaga e Miguel Lima; "Cigana feiticeira", de Benedito Lacerda e Haroldo Lobo; "Seridó", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; "Cabelos brancos", de Herivelto Martins e Marino Pinto; "Mangaratiba", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga; "Derramaro o gai", de Zé Dantas e Luiz Gonzaga; "Marcha do caracol", de Peterpan e Afonso Teixeira; "Apanhador de papel", de Peterpan e Afonso Teixeira e a marcha "Pescador", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira.

Em 1992, algumas gravações do grupo foram relançadas pelo selo Revivendo no CD "Samba da minhaterra", que trazia ainda gravações do Bando da Lua e dos Anjos do Inferno. Pelo final dos anos 1990, o grupo tentou se reorganizar, ensaiando uma volta a cena artística, sem maiores repercussões, até porque muitos dos seus integrantes originais já não mais existiam. Em 2001, o conjunto gravou um programa retrospectivo na Rádio Mec AM, a convite do produtor Ricardo Cravo Albin, que obteve boa repercussão.

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