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Pagode



Dados Artísticos

Ao longo de várias décadas, o samba assumiu diferentes roupagens: samba de roda, de enredo, de partido-alto, canção, puladinho, sincopado (gafieira), duro, de breque, choro, exaltação, de rancho e ainda sambão-jóia, este último, mais um termo que designava cantores de grande populariedade, que propriamente um sub-gênero do samba, contudo, importante para o retorno e fixação do samba nos principais meios de comunicação da época, tendo em vista que as emissoras de rádio e TV divulgavam em suas programações mais música estrangeira (americana) que música brasileira, cabendo, por esta época, a Luiz Ayrão, Benito Di Paula, Jorginho do Império e a dupla baiana Antônio Carlos & Jocafi, a divulgação mais maciça nas camadas mais populares do gênero samba.

O pagode é mais uma forma sob a qual "reaparece" o samba no final desta década de 1970. Tem andamento mais ligeiro, agressivo. Redescobriu o tantã, reintroduziu o banjo (muito popular entre nós nas "jazz-bands" dos anos de 1940), fez surgir o repique de anel e o tantã (criação do músico e compositor Sereno, do grupo Fundo de Quintal) e assimilou muito bem outra criação de instrumento, o banjo com braço de cavaquinho, criado por Almir Guineto, que chamava a atenção pela sonoridade que conseguia tirar do instrumento. Esse tipo de instrumento híbrido foi logo adotado por vários grupos de samba.

O pagode é uma reação popular à maciça ocupação dos principais meios de difusão, emissoras de rádio e TV, por ritmos alheios à cultura nacional. Ganhou corpo, forma e sucesso nacional nas festas em casas e quadras dos subúrbios cariocas, nos calçadões de bares do Centro do Rio e da periferia. No final da década de 1970 e início da década seguinte, no Rio de Janeiro foi surgindo um tipo de manisfestação espontânea de aglutinação de sambistas em vários pontos dos subúrbios: Quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos (em Ramos), Clube Sambola (Abolição), Clube Helênico, O Pagode do Arlindo (Cruz) em Cascadura, O pagode da Tia Doca (em Madureira), O pagode da Beira do Rio (em Oswaldo Cruz), O pagode do Cláudio Camunguelo (em Vista Alegre), entre outros. Na "linha de frente" desse movimento (ainda que inconsciente) destacavam-se Almir Guinéto, Zeca Pagodinho, Caprí, Deni de Lima, grupo Fundo de Quintal, Jovelina Pérola Negra, Jorge Aragão, Mauro Diniz e Nei Lopes. Um dos disco mais emblemáticos no início do pagode carioca é o LP "Raça brasileira", produzido por Milton Manhães em 1985 para a gravadora RGE. Do disco fizeram parte Mauro Diniz, Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Pedrinho da Flor e Elaine Machado. No ano seguinte, vários destes artistas foram lançados em carreira solo, destacando-se Zeca Pagodinho com vendas expressivas do primeiro disco solo em 1986. Com o passar dos anos, o próprio som deste grupo também foi sofrendo influência e assimilando outros instrumentos, como o teclado, usado pela primeira vez pelo grupo Fundo de Quintal no samba "Parabéns pra você" (Mauro Diniz e Ratinho), o que causou certa estranheza, não menos que a orquestração, introduzida por Rildo Hora nos discos do grupo, assim como nos de outros artistas, como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, com quem o produtor e arranjador também trabalhou.

A partir dos anos 1990, porém, o pagode chamado 'de raiz' viu surgir uma contraface comercial que obteve grande repercussão no Brasil e até no exterior vendendo milhares de discos - e em boa parte exercitado por grupos paulistanos e cariocas. O pagode comercial assegurou, contudo, um êxito inesperado, como modismo, para a música popular como produção nacional de consolidação econômica interna, sendo responsável também por uma melhor arrecadação de direito autoral no Brasil. Nas décadas seguintes ao surgimento do 'pagode romântico' pôde ser notado um aumento expressivo na arrecadação de Direito Autoral do artista brasileiro e a vendagem expressiva de milhões de cópias de determinados grupos e artistas. Contudo, a ala do pagode considerada mais de 'raiz' - uso direto do partido-alto e samba-de-roda - (Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Fundo de Quintal, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Sombrinha, Jorge Aragão, Exaltasamba, Leci Brandão e Revelação, entre outros) também atingiu uma repercussão expressiva no Brasil e no exterior. Sua repercussão chegou à Copa Mundial de 2002, no eixo Japão-Coréia, quando muitos dos jogadores que arrebataram o pentacampeonato para o Brasil, foram filmados e fotografados cantando esse tipo de música. Um dos sucessos desta época foi a música "Deixa a vida me levar" (Serginho Meriti e Eri do Cais) interpretada por Zeca Pagodinho, que virou hino extra-oficial da copa no Brasil.

Em 2005, em comemoração ao aniversário de 20 anos da coletânea "Raça brasileira", a gravadora Som livre lançou o CD "Raça brasileira 20 anos depois", do qual participaram os filhos dos artistas da primeira edição.



BIBLIOGRAFIA CRÍTICA:



ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Edição: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006, RJ.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008.

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