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Os Cariocas



Dados Artísticos

Conjunto vocal criado por Ismael Netto em 1942, no Rio de Janeiro, integrado também por Severino Filho, Ari Mesquita, Salvador e Tarquínio. A primeira formação oficial do grupo contou com Ismael Netto (arranjador, primeira voz e violão), Severino Filho (segunda voz e percussão), Emmanoel Furtado, o Badeco (terceira voz e violão), Waldir Viviani (percussão e quinta voz) e Jorge Quartarone, o Quartera (quarta voz e percussão). A segunda formação contou com Hortensia Silva (primeira voz), Severino Filho (arranjador, segunda voz e percussão), Badeco (terceira voz e violão), Waldir Viviani (percussão e quinta voz) e Quartera (quarta voz e percussão). A terceira formação contou com Severino Filho, Badeco, Waldir Viviani e Quartera. A quarta formação contou com Severino Filho (piano e voz), Badeco (violão e voz), Luiz Roberto ( baixo e voz) e Quartera (percussão e voz). A quinta formação contou com Severino Filho (piano e voz), Badeco (violão e voz), Edson Bastos (baixo e voz) e Quartera (percussão e voz). A sexta formação contou com Severino Filho (piano e voz), Badeco (violão e voz), Elói Vicente (baixo e voz) e Quartera (percussão e voz). A sétima formação contou com Severino Filho (piano e voz), Elói Vicente (violão e voz), Neil Carlos Teixeira (baixo e voz) e Quartera (percussão e voz). A partir de 2003, o grupo passou a atuar com a seguinte formação: Severino Filho (piano, arranjos e voz), Elói Vicente (violão e voz), Neil Carlos Teixeira (baixo e voz) e Hernane Castro (bateria e voz).

O grupo caracterizou-se por seus arranjos vocais que, diferentemente dos conjuntos de sucesso da época de sua formação original, como Bando da Lua, Os Anjos do Inferno e Os Quatro Ases e um Coringa, passou a elaborá-los a quatro ou cinco vozes. Sua trajetória começou com atuações em festas da vizinhança. Nessa época, participou do programa de calouros "Papel carbono", de Renato Murce, obtendo o segundo lugar. Em novas apresentações no mesmo programa obteve a primeira colocação por duas vezes consecutivas.

Em 1946, após a realização de um teste na presença de Haroldo Barbosa, Paulo Tapajós e Radamés Gnattali, o conjunto foi chamado pela Rádio Nacional para participar de um dos principais programas musicais da emissora, "Um milhão de melodias". Atuou, ainda, nos programas "Canção romântica" e "Quando canta o Brasil". Participou, também, dos programas de auditório de César de Alencar, Manoel Barcelos e Paulo Gracindo. Nesse período, realizou suas primeiras gravações, com o lançamento do 78 rpm pela Continental com "Adeus América", de Haroldo Barbosa e Geraldo Jaques, e "Nova ilusão", de José Menezes e Luiz Bittencourt. Ao lado da cantora Marlene, gravou "Qui nem jiló" e "Macapá", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em seguida, foi contratado pela RCA Victor, gravando, entre outras, a canção "Podem falar", de Ismael Neto e Antônio Maria, e "O último beijo", de Ismael Neto e Nestor de Holanda, gravação que chegou a ser usada como prefixo do programa "Discos Impossíveis", de Flávio Cavalcanti. Registrou, ainda, diversas canções juninas, como "Baile na roça", de Ismael Neto, e "Pula fogueira", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira.

Em 1956, com o súbito desaparecimento de Ismael Neto, Severino Filho convidou a irmã Hortensia Silva para substituir a voz falsete de Ismael. Com esta nova formação, gravou um disco em homenagem ao seu fundador "Os Cariocas a Ismael Neto", pela Columbia. Nessa gravadora, foram levados a gravar músicas como "Born too late", "Chá-chá-chá baiano" e "Always and Forever", mas que não se adaptavam ao seu estilo.

Segundo texto do site www.oscariocas.com.br, esses dados talvez não fossem importantes, se o conjunto não tivesse conseguido colocar do outro lado de um desses 78 rpm nada mais nada menos que "Chega de saudade", de Tom e Vinícius, com João Gilberto ao violão. Foi uma das primeiras gravações desse famoso hit do gênero bossa nova que iniciava a sua trajetória vitoriosa, no Brasil e no exterior. E foi com ela que "Os Cariocas deram seu passo definitivo em direção à bossa nova". De volta à Continental, gravaram um 78 rpm com "Criticando", de Carlos Lyra, e "Foi ela", de Ary Barroso.

No final do ano de 1959, Hortensia Silva deixou o grupo, que, a partir de então, passou a atuar com a formação de quarteto.

Em 1962, participou do show "O encontro", na boate Au Bon Gourmet, ao lado de Tom Jobim, Vinícius de Morais, João Gilberto, além dos músicos Milton Banana (bateria) e Otávio Bailly (baixo). Nesse show, que ficou em cartaz por 45 dias, Waldir Viviani foi substituído, por motivos de saúde, por Luiz Roberto, que acabou ficando em seu lugar definitivamente. O repertório foi composto por músicas das mais representativas da bossa nova, como "Samba do avião", "Samba de uma nota só", "Só danço samba", "Corcovado", "A bênção" e "Garota de Ipanema", entre outras. Pela Philips, o grupo, que com a saída de Waldir reformulou a estrutura instrumental, gravou o LP "A bossa dos cariocas" o primeiro de uma série de seis: "Mais bossa com Os Cariocas", "A grande bossa dos Cariocas", "Os Cariocas de 400 bossas" (400 anos do Rio de Janeiro) e "Arte/Vozes" e "Passaporte".

Participou de inúmeros espetáculos de bossa nova, sendo o conjunto vocal mais representativo desse gênero. Atuou, em diversas ocasiões, no programa "O Fino da Bossa" (TVRecord), comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues.

Atuou também em shows no exterior, em excursões na Argentina, Porto Rico e Estados Unidos, onde realizou show em Nova York e Washington, com atuação no Carter Barron, anfiteatro de 4.000 lugares, do qual participaram também Astrud Gilberto e Paul Anka. Em Nova York, participou do "To-night Show", de Johnny Carson, na NBC.
Nessa mesma época, gravou o LP "Introducing The Cariocas", nos estúdios da Mercury, EUA, com Quincy Jones, que escreveu na contracapa do disco: "The Cariocas - a fresh new sound from Brazil - the first vocal quartet blending bossa nova rhythms and melodies with modern jazz harmonies."

Em 1967, no início de uma turnê na cidade do México, o grupo teve de voltar ao Brasil por motivos de saúde. Voltou a atuar seis meses mais tarde, com a gravação de quatro programas no canal 11 de Buenos Aires. Logo depois, novamente suas atividades foram interrompidas, desta vez por 21 anos. Neste período, os integrantes do grupo cuidaram de sua carreira individual, mas a música do grupo continuou a ser prestigiada e executada em programas de rádio e em discos de coletâneas lançados pela Philips e PolyGram.

No final de 1987, voltou ao cenário artístico, quando o pianista Alberto Chimeli convidou seus integrantes para ouvir sua harmonização para a música "Da cor do pecado", de Bororó. Este fato entusiasmou Severino Filho que fez o arranjo vocal e reuniu o grupo de volta ao trabalho.

No ano seguinte, foi convidado pela Prefeitura do Rio para participar da campanha pelo "Não" à emancipação da Barra da Tijuca, no plebiscito que iria realizar-se no dia 3 de julho, cantando "A Barra é carioca, ela é carioca", paródia de "Ela é carioca", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Nesta nova fase, gravou o disco "A minha namorada", lançado pela Som Livre, com o qual foi contemplado com o Prêmio Sharp de 1990. O primeiro show oficial desta fase foi realizado na extinta boate Jazzmania, no Rio de Janeiro. Foi nessa casa, em outubro de 1988, que, durante um show, Luiz Roberto havia passado mal, vindo a falecer ali mesmo. Foi então substituído por Edson Bastos. A reestréia do grupo se deu na mesma casa, em julho de 1989. Realizou, depois, vários shows por todo o Brasil.

Em 1990, apresentou-se no Memorial da América Latina, em São Paulo, acompanhado pela Orquestra Jazz Sinfônica da Universidade Livre de Música. Nesse mesmo ano, fez um espetáculo no Centro Cultural Banco do Brasil, em homenagem a Vinícius de Morais.

Em 1992, recebeu seu segundo Prêmio Sharp, pelo disco "Reconquistar", que foi lançado também nos Estados Unidos.

No ano seguinte, apresentou-se na Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro, ao lado da Orquestra Brasileira Luiz Eça, dirigida por Marino Boffa.

Em 1994, Badeco foi substituído temporariamente por Elói Vicente no show apresentado no Clube Monte Líbano (RJ) e no show realizado na Praia do Leme, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

No ano seguinte, Badeco retornou aos trabalhos, mas Edson Bastos desligou-se do grupo, que efetivou a participação de Elói Vicente. Com essa formação, realizou shows pelo Brasil. A última participação de Badeco com o grupo foi na gravação da música "Chansong", de Tom Jobim, no CD em homenagem ao maestro lançado pela Lumiar. Assim como havia ocorrido com Edson Bastos, sua saída deveu-se a motivos particulares.

Em mais uma nova formação, a sétima desde a primeira oficial, entrou para o grupo o jovem Neil Carlos Teixeira, que assumiu o contrabaixo, passando Elói para o violão. O grupo lançou, em seguida, o CD "Amigo do rei", com Tim Maia e, em 1997, o CD "A bossa brasileira", disco mais uma vez indicado para o Prêmio Sharp. Ainda em 1996, realizou show na embaixada brasileira em Assunção, Paraguai, na inauguração do Teatro Tom Jobim, apresentando-se no mesmo local no ano seguinte.
Em 1998, apresentou-se em Miami, ao lado de Leny Andrade, Roberto Menescal e Wanda Sá.

Convidado por Milton Nascimento, participou da gravação do CD "Crooner", lançado em 1999. Apresentou-se por todo o país com o espetáculo "Rio, gosto de você”.

Em 2001, lançou o CD "Os Clássicos Cariocas", com as canções “Samba do avião”, “Corcovado” e “Águas de Março”, todas de Tom Jobim, “Garota de Ipanema”, “Insensatez” e “Ela é carioca”, todas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, “Também quem mandou” e “Minha namorada”, ambas de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, “Samba de verão” e “Preciso aprender a ser só”, ambas de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle, “Balanço Zona Sul” (Tito Madi), “Rio” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) e “Chão de esmeraldas” (Chico Buarque e Hermínio Bello de Carvalho).

A partir de 2003, o grupo passou a contar com a participação de Hernane Castro (2ª voz e bateria), completando a formação atual ao lado de Severino Filho (1ª voz, piano e arranjos), Neil Teixeira (2ª voz e baixo) e Elói Vicente (3ª voz e violão). Nesse mesmo ano, lançou o CD “Os Cariocas”, contendo as seguintes faixas: “ Preciso aprender a ser só”, “Gente” e “Samba de verão”, todas de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle), “Rio” e “O barquinho”, ambas de Roberto Menescal  e Ronaldo Bôscoli, “Pra machucar meu coração” (Ary Barroso), “Pra você” (Silvio César), “Nada a perder” (Lenine e Dudu Falcão), “Quem diz que sabe” (João Donato e Paulo Sergio Valle), “Adeus América” (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa), “Nanã” (Moacir Santos e Mário Telles), “Sorriso de luz” (Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington)”, “Valsa de uma cidade” (Ismael Netto e Antônio Maria) e a instrumental “Chorinho Carioca” (Severino Filho).

Em 2004, participou, ao lado de Gilberto Gil e outros artistas, da gravação do CD "Hino do Fome Zero" (Roberto Menescal e Abel Silva). Também nesse ano, apresentou-se no Mistura Fina (RJ). Ainda em nese ano, participou, ao lado de Johnny Alf, João Donato, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Wanda Sá, Leny Andrade, Pery Ribeiro, Durval Ferreira, Eliane Elias, Marcos Valle e Bossacucanova, do espetáculo "Bossa Nova in Concert", realizado no Canecão (RJ). O show foi apresentado por Miele e contou com uma banda de apoio formada por Durval Ferreira (violão), Adriano Giffoni (contrabaixo), Marcio Bahia (bateria), Fernando Merlino (teclados), Ricardo Pontes (sax e flauta) e Jessé Sadoc (trompete), concepção e direção artística de Solange Kafuri, direção musical de Roberto Menescal, pesquisa e textos de Heloisa Tapajós, cenários de Ney Madeira e Lídia Kosovski, e projeções de Sílvio Braga.

Lançou, em 2010, o CD “Nossa alma canta”. No repertório, as canções “Rio que corre” (João Donato, Lysias Ênio e Beth Carvalho) - com a participação dos sopros de Léo Gandelman, Mauro Senise, Marcelo Martins e Vittor Santos, e de João Donato ao piano -, “Quero você” (Newton Mendonça), “Clube da Esquina 2” (Milton Nascimento) - com a participação vocal do autor e do pianista Kiko Continentino -, “Samba do carioca” (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) - com a participação de Badeco, um dos fundadores do grupo-, “Você” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) - com a participação de Hortênsia, irmã de Severino, que atuou no grupo no fim dos anos 1950, substituindo provisoriamente o outro irmão e também fundador do grupo Ismael Netto, precocemente falecido -, “Você vai ver” (Tom Jobim), “Baiãozinho” (Eumir Deodato) - com a participação do autor ao piano e de Carlos Malta no pífano-, “Jet samba” (Marcos Valle) - com a participação do autor nos teclados e de Robertinho Silva na percussão -, “Estrada do sol” (Tom Jobim e Dolores Duran), “Rapaz de bem” (Johnny Alf) e “Futuros amantes” (Chico Buarque).

Em 2011, o grupo foi contemplado com o Prêmio da Música Popular Brasileira, na categoria Melhor Grupo/MPB, pelo CD “Nossa alma canta”.

Em 2012, o quarteto dividiu o palco do Bar do Tom (RJ) com a cantora Wanda Sá, apresentando o show “Para sempre Tom Jobim”.

Em 2013, apresentou-se no espaço Miranda (RJ), ao lado de Joyce e Roberto Menescal, abrindo o projeto “Rio Bossa Nova Festival”. Nesse mesmo ano, lançou o CD “Estamos aí”, com as canções “Madame quer sambar” (Carlos Lyra, Roberto Menescal e Joyce Moreno), “Eu e a brisa” (Johnny Alf), “Januária” (Chico Buarque), “Que maravilha” (Jorge Benjor e Toquinho), “Marina” (Dorival Caymmi), “Vera Cruz” (Milton Nascimento e Marcio Borges), “A noiva da cidade” (Francis Hime e Chico Buarque), “A felicidade” (Tom Jobim e Chico Buarque), “O amor em movimento” (Chiquito Braga e Ronaldo Bastos) e a faixa-título (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck). O disco contou com a participação de Hernane (voz em “Madame quer sambar”), Chico Buarque (voz em “Januária”), Felix Jr (violão 7 cordas em “Vera Cruz”), Francis Hime (piano em “A noiva da cidade”), Leny Andrade (voz em “Estamos aí”) e João Carlos Coutinho (piano em “Estamos aí”). Em março de 2016, sofreu a perda do percussionista Severino Filho, vitimado por uma parada cardiorrespiratória.    Em 2017, foi lançado o documentário “Eu, meu pai e Os Cariocas – 70 anos de música no Brasil”, roteirizado e dirigido pela atriz Lúcia Veríssimo, filha do cantor e arranjador do grupo Severino de Araújo Silva Filho. O filme conta a história da banda, a partir de entrevistas com grandes nomes como  Angela Maria, Caetano Veloso, Carlos Lyra, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Gal Costa, Joyce Moreno, Marcos Valle, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Roberto Menescal e Zélia Duncan, entre outros.  Fruto da parceria entre a Canela Produções, a Globo Filmes e a Globo News, o filme foi selecionado para abrir a 22ª edição do Festival Internacional de Documentários “É tudo verdade”, no Rio de Janeiro. 

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