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Orquestra Afro-Brasileira



Dados Artísticos

Orquestra criada em 1942 pelo maestro e compositor Abigail Moura, em projeto elaborado para valorizar a memória e a cultura negra. Ao longo de sua existência, a Orquestra destacou-se como um empreendimento ousado e vanguardista. O Maestro Abigail Moura realizava verdadeiros rituais antes das apresentações do grupo: fazia oferendas aos orixás, dava "comida" aos atabaques, ele mesmo tomava um banho de ervas purificadoras e envolvia as roupas dos músicos num ritual. Ao longo de quase trinta anos de atuação, a Orquestra fez apenas cerca de cem apresentações e gravou dois discos. O primeiro, em 1957, quando lançou pela gravadora Todamérica o LP "Obaluayê - Orquestra Afro-Brasileira" que teve apresentação do radialista Paulo Roberto e contou com a regência do Maestro Abigail Moura tendo como solista a sopranoYolanda Borges. Nesse LP foram interpretados os batuques "Chegou o Rei Congo", "Calunga", "Saudação ao Rei Nagô" e "Liberdade", o jongo "Amor de Escravo", o maracatu "Festa de Congo", o Cântico noturno "Babalaô" e o Lamento "Obaluaiê", todas de autoria de Abigail Moura. O segundo disco da Orquestra saiu apenas onze anos depois quando a CBS lançou o LP "Orquestra Afro-brasileira", com as seguintes músicas, nenhuma com indicação de gênero musical: "Agô Lonan", "Tire o Calundú", "Índia", "Palmares", "Babaloxá", " Canto Para Omulú", "Mo-fi-la-do-fê", "Saudação aos Orixás", "Xangô", "Nagana", "Os Oinho de Iaiá" e "Rei N'aruanda", todas de Abigail Moura. Em 2003, foi lançado o CD "Obaluayê - Orquestra Afro-Brasileira", uma remasterização do LP homônimo de 1957. Apresentando um trabalho considerado como exótico por alguns e difícil para outros, foi um marco na música popular brasileira, não devidamente valorizado. Formada por músicos amadores, a Orquestra acabou em 1970 com a morte de seu líder e fundador Abigail Moura. Sendo um projeto ousado, o trabalho da Orquestra não chegou ao grande público. Sua assistência mais habitual era composta por uma burguesia negra e uma elite musical. Entre seus mais assíduos assistentes estavam o poeta e teatrólogo Paschoal Carlos Magno, o maestro José Siqueira e musicólogos como o dinamarquês Hans Jorgen Pedersen. Depois da morte do fundador e maestro da orquestra, Abigail Moura, o único músico do grupo ainda vivo em 2015, Carlos Negreiros, tentou refazer a orquestra mas não deu certo. Segundo depoimento dele à jornalistaAna Ferraz, em reportagem para a revista Carta Capital, "Não deu certo. Numa consulta a terreiro de umbanda foi aconselhado a jogar no mar tudo o que se referisse à big band e acabou de vez com a Afro-Brasileira".

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