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Oito Batutas



Dados Artísticos

Grupo instrumental criado em 1919 por Donga e Pixinguinha atendendo a pedido de  Isaac Frankel que queria um grupo para se apresentar na sala de espera do cinema Palais, que andava vazia desde a epidemia de gripe espanhola do ano anterior. Os integrantes do grupo foram escolhidos entre os componentes do Bloco do Caxangá e o nome Oito Batutas foi escolhido pelo próprio Isaac Frankel. A primeira formação do grupo contou com as presenças de  Pixinguinha, na flauta; China, no vocal, violão e piano; Donga, no violão; Raul Palmieri, no violão; Nelson Alves, no cavaquinho; José Alves, no bandolim e ganzá; Jacó Palmieri, no pandeiro e Luís de Oliveira, na bandola e reco-reco. Este último, faleceu logo após as primeiras apresentações e foi substituído por João Tomás. A primeira audição do grupo foi no Cinema América na Praça Saez Pena perante uma platéia de empresários. No cinema Palais o conjunto era anunciado como sendo "A única orquestra que fala alto no coração brasileiro". Já em anúncios de jornal o conjunto era anunciado da seguinte maneira: "Convidamos V. Excia. A vir ouvir no Cine Palais a Orquestra Típica Oito Batutas. Última novidade no mundo artístico carioca, no seu admirável repertório de música vocal e instrumental brasileira. Maxixes, lundus, canções sertanejas, corta-jacas, batuques, cateretês, etc." Não foram poucos os protestos dos que consideravam um escândalo um grupo de música popular com quatro componentes negros tocando em um cinema de elite. O sucesso do grupo no entanto foi imediato e a sala de espera do cinema Palais passou a encher diariamente com admiradores querendo ouvir as apresentações do grupo. O grupo foi convidado a partiocipar de festas e saraus muitas delas a convite do milionário Arnaldo Guinle. No final de 1919, empreenderam uma viagem aos estados de Minas Gerais e de São Paulo contando então com a presença do violonista João Pernambuco, que passou a fazer parte do grupo. Na estréia em São Paulo, apresentaram o espetáculo "Uma noite no sertão" no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. No dia seguinte, exibiram-se no aristocrático Automóvel Clube. Apresentaram-se ainda nas cidadesde Santos e Campinas entre outras. No início de 1920, além de visitas a cidades do interior de Minas Gerais, tornaram a se exibir em São Paulo, sempre com muito sucesso. Nesse ano, apresentaram-se no Rio de Janeiro no Teatro São Pedro na revista "Flor tapuia", de Alberto Deodato e Danton Vampré. Essa peça tinha originalmente os arranjos do maestro português Luís Quesada que abandonou a peça por desentendimentos com os diretores. Por sugestão de Donga, Pixinguinha assumiu o posto e escreveu novos arranjos o que fez a opereta retomar o sucesso. Segundo reportagem do jornal O Globo reproduzindo pesquisa do flautista José Maria Braga do conjunto Galo Preto, "Um dos destaques eram os Oito Batutas. Segundo os jornais, eles eram ovacionados pela platéia -diz Braga".  Também no mesmo ano, exibiram-se para os reis da Bélgica no piquenique da Tijuca, oferecido pelo governo brasileiro. Em 1921, desfilaram no carnaval com a sociedade carnavalesca Tenentes do Diabo. Logo depois, fizeram apresentações em Curitiba, e em seguida excursionaram para Bahia e Pernambuco. Na viagem ao Nordeste, Raul Palmieri e Luís Silva, que não puderam viajar, foram substituídos por J. Tomás e José Monteiro. O grupo contou também com a participação de João Pernambuco. Ainda nesse ano, apresentaram-se no Rio de Janeiro nas revistas "O que o rei não viu", de Dias Pino, Pixinguinha e China, e "Um batizado na favela". Realizaram também, entre outras apresentações, uma temporada no Cassino Assírio, no sub solo do Teatro Municipal, apresentando-se com o casal de bailarinos Duque e Gaby. Em 1922, o grupo embarcou para Paris a partir de um convite do dançarino Duque para se apresentarem na capital francesa. A viagem foi patrocinada pelo mescenas carioca Arnaldo Guinle. A viagem do grupo à Paris provocou protestos de alguns que viam nessa iniciativa um acinte à música brasileira, mas em território francês, o sucesso do grupo foi total. Com nova formação, Palmieri e João Tomás, substituídos por Feniano e José Monteiro, o conjunto, rebatizado "Les Batutas" por Duque, estreou em Paris com sucesso imediato: "Nous sommes Batutas/ Venus du Brésil/ Nous faisons tout le monde/ Danser le Samba/...". Retornaram ao Brasil no mesmo ano e logo ao chegarem passaram a se apresentar com a companhia francesa Bataclan na revista "V'la Paris". Influenciados pelo jazz, incluíram saxofones, clarinetas e trompetes, arranjos no estilo jazz-bands e alteraram o repertório, acrescentando fox-trots, shimmys, ragtimes e outros ritmos. Apresentaram-se também num dos pavilhões da exposição comemorativa ao centenário da independência do Brasil, contando com os reforços de Bonfíglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. No final do mesmo ano, viajaram para apresentações na Argentina. Na ocasião, o grupo contava com as presenças de Pixinguinha, Donga, J. Tomás, China, Nelson Alves e José Alves, além de J. Ribas ao piano e Josué de Barros no bandolim e no ganzá. Em terras argentinas, o grupo obteve novo êxito e gravou vinte músicas na gravadora Victor da Argentina. As músicas gravadas na ocasião foram: os sambas ""Até eu!", de Marcelo Tupinambá; "Falado", de João Tomás; "Já te digo", de China e Pixinguinha e "Meu passarinho", de China; os maxixes "Ba-ta-clan", de A. Treisleberg;  "Graúna", de João Pernambuco; "Lá vem ele", de J. G. Oliveira Barreto; "Não presta pra nada", de J. Bicudo; "Pra quem é?...", de J. Bicudo; "Tricolor", de Romeu Silva; os choros "Caruru", de João Tomás e Donga; "Três estrelinhas", de Anacleto de Medeiros e "Urubu", de Pixinguinha; o  tanguinho "Até a volta", de Marcelo Tupinambá; as polcas "Lá-ré", de Pixinguinha; "Me deixa serpentina!", de Nelson Alves e "Nair", de A. J. de Oliveira; o samba-maxixe "Se papai souber", de Romeu Silva, e as marchas "Vira a casaca!", de J. Carvalho e "Vitorioso", de Gaudio Vioti. Apesar do sucesso na Argentina, que resultou na realização de espetáculos extras, o grupo se dividiu em duas facções, com uma delas, composta por Donga, Nelson Alves, J. Tomás e Aristides Júlio de Oliveira, que ingressara no grupo durante a excursão, retornaram ao Rio de Janeiro. O grupo remanescente não conseguiu se apresentar mais e passou dificuldades financeiras e somente retornou ao Brasil com a juda do consulado brasileiro. Conta-se que Josué de Barros apresentou-se como "enterrado vivo", para levantar algum dinheiro na cidade de Rio Cuarto. Em 1923, já de volta ao Brasil, o grupo foi reformulado por Pixinguinha, China e Raul Palmieri e passou a contar com as presenças de J. Ribas ao piano; Bonfíglio de Oliveira, no pistom; Euclides Galdino, no trombone; Eugênio de Almeida Gomes, na bateria e Luís Americano, no saxofone. Nesse, com a nova formação, apresentaram-se no Teatro Trianon e em festas particulares. Foram também contratados para nova temporada no Cabaré Assírio. Ainda em 1923, os antigos membros dissidentes se reintegraram ao  grupo e foi criada a Bi-Orquestra Oito Batutas que tinha como intuito tocar músicas internacionais de sucesso sem abandonar as execussões de choro. A primeiras apresentação do novo grupo aconteceu no Teatro Lírico. Em seguida, apresentaram-se em temporda no Teatro Rialto. Em 1925, apresentaram-se em São Paulo, Campinas e Santos. No ano seguinte, o pandeirista Alfredo José de Alcântara ingressou no grupo. Em 1927, o grupo então formado por Pixinguinha, Donga, Aristides Júlio de Oliveira, Alfredo de Alcântara, Esmerino Cardoso, Bonfíglio de Oliveira, Mozart Correia, João Batista  e Augusto Amaral viajou para apresentações em Florianópolis, Santa Catarina. Apresentaram-se ainda nas cidades catarinenses de Joinvile e Blumenau seguindo depois para o Paraná e depois para o Rio Grande do Sul. Por essa época, o grupo acabou se dissolvendo definitivamente, deixando uma grande contribuição para a música brasileira embora, curiosamente, apesar de todo o sucesso alcançado, somente tenha deixado registrado os discos gravados para a Victor na Argentina. Essas gravações foram reeditadas em 1995 pelo selo Revivendo no CD "Oito Batutas" com as vinte gravações originais.

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