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Oduvaldo Vianna Filho

Oduvaldo Vianna Filho
4/6/1936 Rio de Janeiro, RJ
16/7/1974 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Como letrista, suas principais contribuições foram em parceria com Carlos Lyra, Edu Lobo, Francis Hime e David Tygel.

Em 1960, escreveu a peça "A mais valia vai acabar, seu Edgar", para a qual compôs com Carlos Lyra as canções "A paga", "Canção da farinha", "Valsa do Feliz", "Hei de vencer", "Gingle do Velostec" e "O melhor, mais bonito é morrer". A peça foi encenada no Teatro de Arena da Faculdade Nacional de Arquitetura (RJ), com direção de Francisco de Assis e inserções de filmes especilamente selecionados pelo cineasta Leon Hirszman. O espetáculo marcou a fundação do Centro Popular de Cultura (CPC), que mais tarde iria vincular suas ações de uma arte para o povo à União Nacional dos Estudantes.

Escreveu a peça "Os Azeredos mais os Benevides", que recebeu trilha sonora de Edu Lobo, programada para inaugurar, em 1964, o teatro do Centro Popular de Cultura, no prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Praia do Flamengo (RJ). Com o incêndio do prédio, liderado por anticomunistas durante o golpe militar, em 1 de abril de 1964, a peça permaneceu inédita, sendo a canção "Chegança" gravada por Edu Lobo e também por Elis Regina, alcançando relativo sucesso na época.

Escreveu com Paulo Pontes e Armando Costa o roteiro para o show "Opinião", que estreou em fins de 1964, no Rio de Janeiro, com Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale. O espetáculo tornou-se um marco da resistência cultural à ditadura militar e foi responsável pelo lançamento de Maria Bethânia, chamada da Bahia para substituir Nara Leão, e que se consagrou com a interpretação da canção "Carcará", de João do Vale. O show gerou o Grupo Opinião.

Em 1965, participou como ator, ao lado de Paulo Autran, Odete Lara e Nara Leão, da peça "Liberdade, Liberdade", escrita por Millor Fernandes e Flávio Rangel e dirigido por este último. Nesse mesmo ano, escreveu com Teresa Aragão, então casada com o poeta Ferreira Gullar (que com ele escreveria "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"), o roteiro de "Teleco-Teco Opus 1", show com Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro, que rememorava antigos sucessos da famosa dupla de sambistas.

Com Francis Hime, compôs a canção "Ave-Maria", gravada pelo parceiro no LP "Passaredo", em 1977.

A parceria com David Tygel seria póstuma. Convidado a fazer a trilha sonora da peça "Papa Higuirte", escrita por Vianinha em 1968 e somente liberada pela censura em 1979, o músico e vocalista de importantes grupos como Momentoquatro e Boca Livre, musicou as letras escritas pelo autor especialmente para a peça, destacando-se "Minha Terra", gravada pelo Boca Livre em seu LP de estréia, ainda em 1979. No mesmo ano, o Prêmio Moliere, então anualmente concedido pela Air France aos melhores do teatro brasileiro, foi pela primeira vez concedido postumamente a um autor, Oduvaldo Vianna Filho, pelas peças "Rasga Coração" e "Papa Higuirte". "Rasga Coração", aliás, é título extraído do famoso choro de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense.

Após sua morte, foram localizadas duas importantes peças que se encontravam ainda inéditas: "Moço em Estado de Sítio" e "Mão na Luva". A primeira, escrita em 1965, foi encenada sob direção de Aderbal Freire Filho, em 1981, dando o segundo Moliere póstumo a Vianinha. Inicialmente intitulada "Corpo a Corpo", título depois usado pelo autor para um monólogo escrito em 1970, "Mão na Luva", de 1966, só seria encenada em 1986, também sob a direção de Aderbal Freire Filho, tendo Marco Naninni e Juliana Carneiro da Cunha no elenco. Em 1998, Dudu Sandroni e Helena Varvac a encenariam novamente. Amir Haddad faria uma nova montagem, com os atores Pedro Cardoso e Maria Padilha, em 2001.

Tendo, ainda na década de 1960, começado a escrever para a televisão, Vianinha faria, em 1972, a adaptação da tragédia grega "Medéia", de Eurípedes, interpretada por Fernanda Montenegro. A idéia serviria de base para que Chico Buarque e Paulo Pontes escrevessem, em 1975, "Gota d´Água", encenada com grande êxito nos palcos brasileiros por Bibi Ferreira. A comédia "A Grande Família", um dos programas de televisão para o qual Vianinha escreveu ao lado de Paulo Pontes e Armando Costa, na década de 1970, voltaria a ser apresentada, em nova versão, pela TV Globo, em 2001.

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