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Nelson Gonçalves

Antônio Gonçalves Sobral
21/6/1919 Santana do Livramento, RS
18/4/1998 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Apesar de sua atividade artística ter sido iniciada em São Paulo,  apresentou-se  no Rio de Janeiro como calouro em diversas emissoras. Numa dessas apresentações chegou a ser reprovado por Ary Barroso, no programa que este apresentava na Rádio Cruzeiro do Sul, ocasião na qual o compositor lhe sugeriu abandonar a carreira artística e voltar para o boxe. De volta a São Paulo, foi convidado pelos compositores Osvaldo França e Rosano Monello para um teste de gravação a partir do qual estes o recomendaram à gravadora Victor do Rio de Janeiro. Novamente na então capital federal, contando com a ajuda de Benedito Lacerda, gravou seu primeiro disco na Victor, em 1941, registrando o samba "Sinto-me bem", de Ataulfo Alves, e "Se eu pudesse um dia", de  França e R. Montello. O disco alcançou algum sucesso de público, o que lhe garantiu contrato com a gravadora e pouco depois com a Rádio Mayrink Veiga, para a qual foi levado por Carlos Galhardo. No mesmo ano, gravou os sambas "Formosa mulher", de Constantino Silva e Osvaldo França; "A mulher dos sonhos meus", de Ataulfo Alves e Orlando Monello; "Fingiu que não me viu", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, e "Quem fala é o coração", de Valdemar de Abreu, o Dunga, e Sá Róris.
No ano seguinte, gravou o samba "Isso aqui tem dono", de Benedito Lacerda e Darci de Oliveira, e o fox "Renúncia", de Roberto Martins e Mário Rossi, com o qual fez bastante sucesso o que lhe valeria posteriormente o título de "Rei do Rádio", em concurso promovido pela "Revista do Rádio". Este fox inclusive tornou-se um de seus prefixos musicais. Gravou também nesse ano os sambas "Ingrata", de Zé Pretinho e Nelson Trigueiro e "Ninguém quer ouvir os meus ais", de Nássara e J. Cascata.
Em 1943, gravou o fox-canção "Solidão" e a valsa "A saudade é um compasso demais", de Roberto Martins e Mário Rossi; a valsa "A valsa de Maria", de Custódio Mesquita e David Nasser; o fox-canção "Olhos negros", de Custódio Mesquita e Ari Monteiro; o fox "Noite de lua", de Antônio Almeida, e os sambas "Brasil, coração da gente" e "Meu barco é veleiro", ambos de José Carlos Burle. No ano seguinte, lançou o fox-canção "Dos meus braços tu não sairás", de Roberto Roberti; a valsa "Saudades do Rio", de Roberto Roberti e Pedro Camargo; a marcha "No céu é assim", de Haroldo Lobo e Nássara; os sambas "Eu não posso viver sem mulher", de Roberto Martins e Mário Rossi; "Não fiquei louco", de Herivelto Martins e Príncipe Pretinho, e "Covarde", de Herivelto Martins e Valdemar de Abreu, além dos frevos-canção "Não agüento mais" e "Que bom vai ser!", de Capiba.
Gravou para o ano de 1945, os sambas "Meus amores", de Antônio Almeida; "Aquela mulher", de Cícero Nunes; "Se você quer deixar o meu lar", de Cândida Maria e Ari Monteiro e "Direito de amar", de Artur Costa e Delê, além dos frevos-canção "Segure no meu braço" e "Quando é noite de lua", de Capiba. Ainda nesse ano, compôs com Heitor dos Prazeres o samba "Até que enfim, favela", lançado no fim daquele ano. Em 1946, gravou a "Valsa do amor", de Roberto Martins e Orestes Barbosa; o fox "Mais uma vez", de sua autoria e Mário Rossi; o samba "O relógio da Central" e a batucada "A rainha do mar", da dupla Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão. Gravou ainda, em dueto com Isaura Garcia, os sambas "Teu retrato", de sua autoria e Benjamin Batista, e "Dona Rosa", de Aluísio Silva Araújo e Armando Silva Araújo.
Em 1947, gravou com sucesso os sambas "Segredo", de Herivelto Martins e Marino Pinto, e "Marina", de Dorival Caymmi. Para o carnaval do ano seguinte, os frevos-canção "Morena cor de canela" e "Que será de nós", de Capiba; "Não sei porque" e "Bem-te-vi", de Nelson Ferreira, e "As covinhas de Iaiá", dos Irmãos Valença. No ano seguinte, lançou sem muito sucesso as marchas "Princesa de Bagdad", de Haroldo Lobo e David Nasser, e "Minha morena", de Haroldo Lobo e Benedito Lacerda, e os sambas "Perdôo, sim", de sua autoria e José Batista, e "Tormento", de Haroldo Lobo e Geraldo Gomes.
Obteve em 1949 um dos maiores êxitos de sua carreira com o samba "Normalista", de Benedito Lacerda e David Nasser. No ano seguinte, gravou os sambas "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins; "Só eu", de sua autoria e Geraldo Gomes; "Bons tempos aqueles", de Marino Pinto e Adollar, e "Mensageira dileta", de Norberto Martins. Nesse ano, gravou quatro músicas com o Trio de Ouro: as marchas "Toureiro", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, e "Ai morena", de Herivelto Martins e Benedito Lacerda, além dos sambas "Dama, valete e rei", de Alcebíades Barcelos e Sebastião Gomes, e "Arrependida", de José Batista e Nóbrega de Macedo.
Lançou em 1951 dois sambas e um bolero de sua autoria, "Nem coberta de ouro", com Antônio Elias, e "Fala por mim violão", com Luiz de França, e o bolero "Sem o teu amor", com David Nasser. Nesse ano, fez sucesso com o samba "Perambulando", de Fernando Lobo e Manezinho Araújo. Em 1952, gravou a marcha "Vai meu baião", de sua autoria e Dênis Brean; o baião "Cada um com seu amor", de Fernando Lobo e Paulo Soledade; os sambas-canção "Última seresta", de Adelino Moreira e Sebastião Santana, com a qual fez bastante sucesso e "Arrependimento", de sua autoria e Almeida Batista; o samba "Sempre vivemos em paz", de Pereira Matos e José Pereira, e o choro "Quem tem", com o qual iniciou sua parceria com Adelino Moreira.
Em 1953, gravou os sambas-canção "Tantos anos", de sua autoria e René Bittencourt, e "A camisola do dia", de Herivelto Martis e David Nasser; o fox "Só vejo você", de Wilson Batista e Roberto Martins; os sambas "Louquinho pra casar", de Nóbrega de Macedo e Roberto Martins e "Suplício", de Wilson Batista, Nóbrega de Macedo e Brasinha, além da marcha "Se eu fosse o Getúlio", de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti. Por essa época, fez inúmeras viagens, tendo-se apresentado  por diversas cidades do  país  e também no exterior - Uruguai, Argentina e Estados Unidos, onde, aliás, integrou elenco de show brasileiro realizado no Radio City Hall, de Nova York.
Em 1954, lançou em homenagem ao quarto centenário de São Paulo o samba "Porque amo São Paulo", de sua autoria e David Nasser. Fez sucesso nesse ano com o tango "Carlos Gardel" e o samba-canção "Francisco Alves" ambos de Herivelto Martins e David Nasser, que homenageavam os dois maiores cantores da Argentina e do Brasil falecidos antes.
Gravou em 1955 os tangos "Hoje quem paga sou eu", um grande sucesso popular, e "Enfermeira", de Herivelto Martins e David Nasser; os sambas "Seu nome não é Maria", de Ismael Neto e Nestor de Holanda, e "Tortura mental", de Wilson Batista e Jorge de Castro; o samba-canção "Meu vício é você", de Adelino Moreira, e os frevos-canção "O que é que eu vou dizer", de Capiba, e "Italiana", de Sebastião Lopes. Em 1956, fez sucesso com os tangos "Vermelho vinte e sete", de Herivelto Martins e David Nasser, além de registrar "Estrelas na lama", de sua autoria e Herivelto Martins. Nesse ano, lançou o LP "Noel Rosa na voz romântica de Nelson Gonçalves" no qual interpretou clássicos de Noel Rosa como "Três apitos", "Último desejo", "Com que roupa", "Fita amarela", "Palpite infeliz" e "Silêncio de um minuto". Gravou também o LP "O tango na voz de Nelson Gonçalves" no qual cantou sete parcerias da dupla Herivelto Martins e David Nasser, os tangos "Hoje quem paga sou eu"; "Carlos Gardel"; "Palhaço"; "O último tango"; "Estação da luz"; "Vermelho 27" e "Amarga ilusão". No ano seguinte lançou os LPs "Pensando em ti" e "Caminhemos".
Em 1958, lançou o LP "Buquê de melodias" interpretando entre outras "Dos meus braços tu não sairás", de Roberto Roberti; "Normalista", de Benedito Lacerda e David Nasser; "Deusa do Maracanã", de Jaime Guilherme; "Segredo", de Marino Pinto e Herivelto Martins, e "Errei...erramos", de Ataulfo Alves, entre outras. Ainda nesse ano, gravou o LP "Escultura", música título de sua autoria e Adelino Moreira, e que trazia ainda "Se ninguém te ama", de Oswaldo Barbosa
e José Reis; "Silêncio da seresta", de Adelino Moreira, e "Atiraste uma pedra", de Herivelto Martins e David Nasser. Também no mesmo ano, foi agraciado pela revista "Radiolândia" com o troféu "Microfone de ouro" como um dos melhores do Rádio no ano anterior em cerimônia presidida pelo locutor Raul Brunini e que contou com as participações das estrelas Adalgisa Colombo e Hebe Camargo. Em 1959, continuou lançando dois LPs por ano. No primeiro, "Êxtase", música título sua e de Adelino Moreira, gravou também "Deixa falar", de sua autoria e Raul Sampaio; "Aqui se faz, aqui se paga", de sua autoria e Herivelto Martins; "Deusa do asfalto", de Adelino Moreira, e "Cinzas do amor", de Wilson Batista e Jorge de Castro. No segundo LP do ano, "Nelson Gonçalves em Hi Fi", cantou "O que passou, passou", de sua autoria; "Três sorrisos", de Chocolate e Mário Lago; "Um lenço por dia", sua e de Ricardo Galeno; "Mariposa", sua e de Adelino Moreira, e "Mais uma vez", de Joubert de Carvalho. Gravou em 1960 o  LP "Queixas" com quatro obras de Adelino Moreira: "Doidivana"; "Fantoche"; "Pecado ambulante" e "Queixas", além de Velha bossa nova", de Billy Blanco, e "Manhã do nosso amor", de Baden Powell e Billy Blanco, entre outras. Lançou no mesmo ano o LP "Meu perfil" que tinha entre outras, as canções "Leviana" e "Agüenta o galho", com Herivelto Martins; "Meu perfil", com Adelino Moreira; "Certinha", com David Nasser, além de "Bibelot" e "Meu dilema", de Adelino Moreira, e "Cabrocha", de Herivelto Martins. Em fevereiro de 1960, em pesquisa do jornal O Globo seu LP "Seleção de ouro - Nelson Gonçalves" era apontado como o segundo mais vendido no Rio de Janeiro. Ainda nesse ano, participou do espetáculo montado por Carlos Machado apresentado no Radio City Music Hall em Nova York sendo um dos mais aplaudidos. Também em 1960, recebeu pela segunda vez na carreira o troféu Microfone de Ouro escolhido como o melhor cantor do ano pela comissão da Rio Gráfica e Editora promotora do prêmio através da Revista Radiolândia e do Jornal O Globo. Finalmente, ainda no mesmo ano, participou, juntamente com Dercy Gonçalves, Zezé Macedo, Norma Blum e Wilson Grey, do filme "Mineirinha vem aí", com direção de Eurípedes Ramos e Hélio Barroso, interpretando o samba-canção "A Deusa do Asfalto". Em 1961, lançou o LP "Noite de saudade", que teve cinco composições solo de Adelino Moreira: "Flor do meu bairro"; "Timidez"; "Teu disfarce"; "Noite de saudade" e "Moço", além de "Você chegou sorrindo", de Luiz Bonfá; "Esquece coração", sua e de Rubens Soares, e "Aquelas mãos", de Aldacir Louro e Linda Rodrigues. É também do mesmo ano o LP "Sambas e boleros na voz de Nelson Gonçalves" com destaque para "Fica comigo esta noite", com Adelino Moreira.
Em 1962, gravou o LP "Eu e minha tristeza" apenas com composições suas e de Adelino Moreira, não em parceria, mas individualmente, como "Um anjo dança comigo"; "Desejo"; "Piedosa mentira" e "Falando ao coração", de Adelino Moreira e "Só você"; "Esquerdo do amor"; "Tristeza" e "Tão só", de sua autoria. Também no mesmo ano, gravou "Nós e a seresta", que tinha entre outras as músicas "Seresta moderna"; "Que importa"; "Protesto"; "Silêncio" e "Deixa-me partir", de Adelino Moreira. No ano seguinte, gravou "Romântico", LP no qual cantou "Mil Ave Marias", de sua autoria e Adelino Moreira; "Chorando o passado", de Mário Rossi e Newton Teixeira; "Precaução", de Adelino Moreira; "Arlequim", de sua autoria e "Ruas do mundo", de Gordurinha e Adelino Moreira. Nesse ano gravou também o LP "Na voz de Nelson Gonçalves" no qual interpretou clássicos como "Ternura antiga", de Ribamar e Dolores Duran; "Serenata do adeus", de Vinícius de Moraes; "Maria Betânia", de Capiba; "Meu nome é ninguém", de Luiz Bonfá e Haroldo Barbosa; "Na cadência do samba ", de Paulo Gesta e Ataulfo Alves e "Poema do olhar", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia.
Em 1964, lançou os LPs "Nelson sempre Nelson" e "Tudo de mim". No primeiro interpretou obras como "Belíssima"; "Cantiga de ficar" e "Somos iguais", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia; "Voltará", de sua autoria e Paulo Marques, e "Voltaste", de Paulo Marques e Dora Lopes. No segundo LP gravou clássicos como "Risque", de Ary Barroso; "Da cor do pecado", de Bororó; "Cadeira vazia", de Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues; "Cabelos brancos", de Marino Pinto e Herivelto Martins, e "A mesma rosa amarela", de Capiba e Carlos Pena Filho. O ano de 1965 foi o último no qual lançou dois LPs "A voz do seresteiro" e "Saudade". No primeiro cantou "Cantiga da volta", de sua autoria; "Conselho", de Adelino Moreira; "Sambar...e balançar", de Erasmo Silva; "Bateu cabeça", de Jorge de Castro e Josan de Mattos, e "Vontade de voltar", de Paulo Marques. No outro LP desse ano interpretou, entre outras, "Conversa dos olhos" e "Café Nice", de Jorge de Castro e Wilson Batista; "Derrota", de Umberto Silva e José Batista; "Saudade", de sua autoria e "Boa noite, esperança", de Mário Rossi e Marino Pinto. Nessa época, além de se apresentar em circos, participou de  programas na TV Tupi de São Paulo.
Em 1966, lançou o LP "Coisas minhas" apenas com composições suas, a maioria solo, como "Menina dos olhos"; "Se ela não telefonar"; "Profissão de fé"; "Maria Luiza" e "Procissão sem andor", além de "Arco-íris", de Raul Sampaio, e "Mais uma vez", com Mário Rossi. No ano seguinte, lançou "Nelson Gonçalves e o tango" no qual interpretou tangos clássicos como "Meu Buenos Aires querido", de Le Pera e Gardel, com versão de Juracy Rago, e "Mano a mano", de Gardel, Ghiaroni, Razzano e S. Flore. Continuou lançando regularmente um disco por ano e em 1968 gravou "Missão cumprida", com várias obras de Adelino Moreira, entre as quais "Deus, São Jorge e a mulher"; "Cinzas"; "Eu tenho medo" e "Mocidade louca". Em 1969, gravou o LP "Apelo", música título de Baden Powell e Vinícius de Moraes, e que tinha ainda "Eu não sei por que", de Anatalício e Nelson Cavaquinho; "Aposto que ela volta", de Lúcio Cardim, e "Despedida", de Roberto Martins. Nesse ano, voltou a morar no Rio de Janeiro. Em 1970, gravou "Só nós dois", LP no qual interpretou "Insensatez", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e "Foi um rio que passou em minha vida", de Paulino da Viola. Em 1971, gravou o LP "Pra você", música título de Sílvio César que tinha ainda como destaque "Domingo de carnaval no Salgueiro", de José Orlando, e "Minha companheira, a tristeza", de Sérgio Reis. Afirmando a condição de boêmio, lançou em 1972 o LP "Sempre boêmio" no qual interpretou algumas canções exaltadoras da boemia como "O último boêmio" e "Boêmio 72", de Adelino Moreira, além de obras de novos compositores como "Desmazêlo", de Antônio Carlos e Jocafi. Ainda na temática da exaltação da boemia lançou em 1973 o LP "Quando a Lapa era Lapa" exaltando o bairro da Lapa, centro do Rio de Janeiro e tradicional reduto da boemia carioca, em músicas como "Rainha da Lapa", de Adelino Moreira; "Devolva meu amigo de luar", de Maria Luzia; "Pecadora", de Sebastião Ferreira da Silva e Adelino Moreira, e outras.
Em 1974, em comemoração aos seus 35 anos de carreira lançou o LP "Nelson 35 anos depois" no qual cantou obras como "Trinta dias sem amor", de Adelino Moreira; "Carlos Gardel", de Herivelto Martins e David Nasser; "Retalhos de cetim", de Benito di Paula, e "Eu quero", de Sérgio Bittencourt. No LP "Nelson de todos os tempos" lançado em 1975 gravou clássicos como "De papo pro á", de Olegário Mariano e Joubert de Carvalho; "Quem há de dizer", de Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues; "A volta do boêmio", de Adelino Moreira, e "Caminhemos", de Herivelto Martins, além de sucessos daquele momento como "Viagem", de Paulo César Pinheiro e João de Aquino; "Como vai você", de Mário Marcos e Antônio Marcos, e "Amada amante", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
Em 1976, lançou o LP "Nelson até 2001" no qual cantou "Moça", de Wando; "Fim de caso", de Dolores Duran; "Por causa dessa cabôca", de Ary Barroso e Luiz Peixoto, e "Depois de 2001", de sua autoria e Adelino Moreira. Em 1977, lançou o album triplo "Nelson de três gerações" cantando músicas de gerações diferentes de compositores como "Três apitos", de Noel Rosa; "Folha morta", de Ary Barroso; "Ninguém me ama", de Fernando Lobo e Antônio Maria; "Bacharel do samba", de Rubens Soares e Felisberto Silva; "Saia do caminho", de Evaldo Ruy e Custódio Mesquita; "Parece que foi ontem", de Sérgio Cabral e Rildo Hora e "Olhos nos olhos", de Chico Buarque. No ano seguinte, no LP "Eu te amo", voltou a dar preferência a composições suas e de Adelino Moreira como a música título, parceria de ambos, "Eu assumo" e "Vou puxar o seu tapete", de Adelino Moreira, e "Minha mulher", de sua autoria. No LP "Nelson de hoje", lançado em 1979, gravou "O mundo é um moinho" e "As rosas não falam", de Cartola.
Em 1980, ao completar 40 anos de carreira lançou o LP "Os 40 anos de Nelson Gonçalves" no qual gravou "O dono do lugar", de Edu Lobo e Cacaso; "Mais um ano sem Noel", de Wilson Falcão e Portinho; "Aos pés do altar", de sua autoria e Noca da Portela; "O dono das calçadas", de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, e "Amarga vinha", de Carlos Lyra, entre outras. Também nesse ano, lançou o LP "Nelson especial - Na intimidade" interpretando clássicos como "A voz do violão", de Horácio Campos e Francisco Alves; "Favela", de Joraci Camargo e Hekel Tavares; "Da cor do pecado", de Bororó; "Esses moços (Pobres moços)", de Lupicínio Rodrigues, e "Cabelos brancos", de Benedito Lacerda e David Nasser. Em 1981, no LP "Produção 96" cantou "Silêncio da seresta", de Adelino Moreira; "Amigo leal", de Aldo Cabral e Benedito Lacerda, e "Saudade dela", de Ataulfo Alves, entre outras.  Durante as décadas de 1970 e 1980,  gravou discos e fez apresentações por todo o  Brasil,  mantendo estável o padrão de popularidade que sempre teve em décadas anteriores. Em 1981, gravou na TV Globo o especial comemorativo aos seus 40 anos de carreira.
Lançou o LP "Conclusão", em 1982, apenas com composições de autores mais jovens como "Conclusão", de Isolda e Fernanda; "Nelson e Luiza", de Elizabeth; "O começo", de Gonzaguinha; "Não se compra uma mulher", de Carlos Colla, e "Confissão", de Vitor Martins e Ivan Lins. No ano de 1983, no LP "Jóias musicais" gravou apenas grandes sucessos como "Atiraste uma pedra", de Herivelto Martins e David Nasser; "Copacabana", de Alberto Ribeiro e João de Barro; "Risque", de Ary Barroso; "Marina", de Dorival Caymmi, e "Apelo", de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Em 1984, gravou o LP "Hoje como antigamente" no qual procurou mesclar compositores mais novos e outros mais antigos incluindo a parceria que fez com Candinho e Alex na música "Você é assim".
A partir desse ano, a gravadora RCA o homenageou  reunindo boa parte do melhor elenco de cantores e cantoras do Brasil para interpretar seus sucessos, contando também com sua participação, resultando  nos LPs "Ele e elas", em 1984, "Eu e eles", em 1985 e "Ele e elas",  Vol. 2 em  1986. No LP  "Ele e elas", cantou "O negócio é amar", de Carlos Lyra e Dolores Duran; "Amor de trapo e farrapo", de Paulo Vanzolini; "Louco (Ela é seu mundo)", de Henrique de Almeida e Wilson Batista; "Volta", de Isolda, e "Como é grande o meu amor por você", de Roberto Carlos. Em 1985, no LP "Eu e eles", LP, entre outras, "Renúncia", de Mário Rossi; "Sempre jovem", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia; "Lembranças", de Benil Santos e Raul Sampaio, e "Asa branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em 1986, no LP "Ele e elas - volume 2", interpretou composições como "Saia do caminho", de Evaldo Rui e Custódio Mesquita; "Você e eu", de Paulo Massadas e Michael Sullivan; "Mulher", de Sadi Cabral e Custódio Mesquita, e "Vejam só", uma inédita parceria sua com Arlindo Cruz e Sombrinha.
Em 1987, pela primeira vez desde que começou a gravar passou um ano sem lançar nenhum disco, voltando a gravar no ano seguinte quando lançou o LP "E por falar em paixão. Nesse LP, gravou, entre outras, "Onde anda você", de Hermano Silva e Vinícius de Moraes; "Molambo", de Jaime Florence e Augusto Mesquita; "As vitrines", de Chico Buarque; "Nunca", de Lupicínio Rodrigues, e "Tortura de amor", de Waldick Soriano. Em 1989, gravou o LP "Auto retrato", música título de Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro, além de "Falando de amor", de Tom Jobim; "Suburbano coração", de Chico Buarque; "Meu problema é você", de Isolda; "Ouça", de Maysa, e "Rosa", de Pixinguinha, entre outras. Nesse ano, participou do LP duplo "Há sempre um nome de mulher", ao lado de mais de trinta outros intérpretes, cantando "Dolores Sierra", de Wilson Batista, com arranjo de Orlando Silveira, faixa gravada em apenas 30 minutos, segundo observou  o produtor do disco Ricardo Cravo Albin em nota de contracapa. Em 1990, lançou seu primeiro disco gravado ao vivo: "Nelson Gonçalves ao vivo - 50 anos de boemia" interpretando grandes clássicos de seu repertório como "Fica comigo esta noite", parceria com Adelino Moreira, e "Negue", de Enzo de Almeida Passos e Adelino Moreira. No ano seguinte, gravou o disco "Serenata" interpretando clássicos do repertório seresteiro como "Sertaneja", de René Bittencourt; "As três lágrimas", de Ary Barroso; "Deusa da minha rua", de Jorge Faraj e Newton Teixeira, e a música título, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa. Em 1992, gravou com o pianista Arthur Moreira Lima o LP "O boêmio e o pianista - Nelson Gonçalves e Arthur Moreira Lima" com um repertório repleto de clássicos como "Chão de estrelas", de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa; "Camisola do dia", de Herivelto Martins e David Nasser; "A mulher que ficou na taça", de Francisco Alves e Orestes Barbosa, e outras. Em 1993, gravou "Isto é Brasil", outro disco repleto de clássicos da música popular como "Canta Brasil", de David Nasser e Alcyr Pires Vermelho; "Aos pés da cruz", de Marino Pinto e Zé da Zilda; "Ai! Que saudades da Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago, e "No rancho fundo", de Ary Barroso e Lamartine Babo. No ano seguinte, lançou o CD "Cante comigo" que trazia músicas anteriormente gravadas por ele. Em 1995, a BMG Ariola  (antiga Victor) lançou em CD uma coletânea de gravações feitas entre os anos de 1941 e 1990.
Dois anos depois, lançou o CD "Ainda é cedo", que acabaria sendo seu último disco, quando renovou seu repertório com interpretação de novos compositores, alguns deles ligados ao rock brasileiro. Estão nesse disco, entre outras músicas, "Ainda é cedo", de Ico Ouro Preto, Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Villa Lobos, e sucesso do grupo Legião Urbana; "Me chama", de Lobão; "Como uma onda", de Nelson Motta e Lulu Santos; "Meu erro", de Herbert Vianna; "Você é linda", de Caetano Veloso, e "Nada por mim", de Paula Toller e Herbert Vianna. Ainda nesse ano, a BMG lançou o CD "Escultura", apresentando remasterizações de registros feitos na década de 1950. Também em 1997, ocorreu a estréia no Rio de Janeiro do musical "Metralha", retratando sua carreira e suas músicas.
Durante toda a sua carreira, foi contratado com exclusividade da RCA Victor, onde gravou cerca de 120 LPs e 20 CDs. Vendeu cerca de 50 milhões de discos e recebeu 15 discos de platina e 41 de ouro. Em 2001, o cineasta Elizeu Ewald levou para o cinema a vida e a carreira do cantor, em "Nelson Gonçalves", com o ator Alexandre Borges no papel-título. Na trilha sonora, duas gravações inéditas do cantor: "Erva Daninha" e "Nova ilusão". O filme foi parte documentário e parte ficção, com imagens do cantor retiradas dos arquivos de várias épocas além de depoimentos de personalidades como Lobão, Adelino Moreira, Sérgio Cabral e Albino Pinheiro. Também no mesmo ano foi lançado o livro "A revolta do boêmio - A vida de Nelson Gonçalves", uma biografia não autorizada do cantor escrita por Marco Aurélio Barroso, onde apresenta versões diferentes para fatos da vida e da carreira do cantor, afirmando que o próprio cantor teria contribuído para criar o mito em torno de si próprio.
Embora tivesse começado carreira imitando Orlando Silva, seu estilo jamais perderia a influência do grande cantor, o que fez com que boa parte  da crítica especializada desdenhasse seus muitos recordes de vendagens, apesar da sua altíssima popularidade pessoal, que fez dele um dos grandes cantores do Brasil no século XX.
Em 2002, foi lançado o CD póstumo "Nelson Gonçalves e Raphael Rabello", da BMG no qual o cantor canta acompanhado pelo violonista nas faixas "Chão de estrelas", de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, "Número um", de Mário Lago e Benedito Lacerda, "Naquela mesa", de Sérgio Bittencourt, e "As rosas não falam", de Cartola, faixas de um show realizado por eles em 1989 em São Paulo, além de Súplica", de José Marcílio, Déo e Otávio Gabus Mendes, "Pra esquecer", de Noel Rosa, "Fracasso", de Mário Lago e Benedito Lacerda, "Velho realejo", de Sadi Cabral e Custódio Mesquita. Estão presentes também as músicas "Deusa da minha rua", de Newton Teixeira e Jorge Faraj, que contou com a participação especial de Horondino Silva, e "Três lágrimas", de Ary Barroso que contou com a participação do acordeonista Caçulinha.
Em 2004, foi homenageado pelo selo Revivendo com o CD "Nelson canta Noel Rosa e Herivelto Martins" com gravações de músicas dos dois compositores como "Só pode ser você" e "Coração", de Noel Rosa, e "Teu erro", "Ave Maria no Morro", "Caminhemos" e "Ela me beijou", de Herivelto Martins. Em 2007, foi lançado o DVD da série "Ensaio" da TV Educativa gravado em 1993 no qual ele conta sua trajetória artística entremeando seu depoimento com sucessos como "Fica comigo esta noite", "Vermelho 27", "Pensando em ti" e "Normalista". Em 2009, foi lançado pela Sony Music e TV Globo o DVD "Eternamente Nelson" reunindo materiais do cantor em apresentações nos programas Globo de Ouro e Fantástico e do especial gravado por ele na emissora em 1981. Em 2010, foi lançado um painel da carreira do cantor com o lançamento de 56 faixas gravadas por ele e reunidas em dois CDs duplos onde são apresentados duetos com Chico Buarque e Gal Costa, e clássicos sambas canção e tangos, entre outros.
Ainda em 2018, foi lançado pelo selo Nova Estação/Eldorado o CD "Angela Maria & Nelson Gonçalves - Ao vivo" registro de show gravado ao vivo em 1978 no Anhembi, em São Paulo e até hoje inédito. O registro chegou a ser lançado de forma pirata em 2013 mas a cantora não gostou do resultado e ganhou na justiça a retirada do material de circulação. A pedido da cantora o produtor Thiago Marques Luiz editou o material. Segundo ele: "Tiramos as locuções e duas músicas nas quais ela não gostou do resultado - conta o produtor, que lamenta que o  disco, previsto para ser lançado há alguns meses, chegue às lojas apenas após a morte de Angela". No disco ele e Angela Maria interpretam 30 composições do repertório de ambas, em duetos ou solo. Ao final de 2018, já se preparavam, no Rio de Janeiro e São Paulo, as celebrações de seu centenário, em meados do ano seguinte. Em 2019, estreou no Teatro Clara Nunes o espetáculo "Nelson Gonçalves - O amor e o tempo" com texto de Gabriel Chalita, direção de Tânia Nardini e com os atores Guilherme Logulo e Jullie nos papéis principais do musical que apresenta clássico do cantor em homengem ao centenário de seu nascimento.

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