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Nelson Gonçalves

Antônio Gonçalves Sobral
21/6/1919 Santana do Livramento, RS
18/4/1998 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Quando Nelson morreu, o Brasil todo chorou. E por várias razões. A primeira das quais pela viuvez em que se viu o país, sem seu último cantor de gogó de ouro.

Nelson, com efeito, foi o derradeiro dos grandes intérpretes que vinham na generosa tradição de abrir o peito e cantar (e encantar), mesmo sem microfone. Chico Alves foi o primeiro que se foi, ceifado em trágico desastre na Rodovia Rio—São Paulo (1952). Orlando Silva, Galhardo e Sílvio Caldas morreram nesses últimos 20 anos.

Nelson reinou absoluto e acabou herdeiro deles todos, especialmente de seu ídolo Orlando Silva, de quem, aliás, sempre conservou alguma influência, ainda que leve, quase sutil.

Há um dado, contudo, que quero acentuar aqui e que liga umbelicalmente todos os cantores que fazem sucesso continuado neste país.

Sabem qual é? É o repertório romântico, que faz embalar as profundezas ancestrais de um povo como o nosso, tão visceralmente mulato, fruto de três raças sentimentais como o branco colonizador, o escravo negro e o índio roubado em suas próprias terras.

Nelson Gonçalves era um intuitivo e cantava o que o povo queria, sem quaisquer considerações críticas, muito menos intelectuais.

Rude, às vezes grosso. Mas rápido, rapidíssimo no gatilho. Justo, pois, o apelido Metralha.



Ricardo Cravo Albin

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