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Nelson Cavaquinho

Nelson Antônio da Silva
29/10/1911 Rio de Janeiro, RJ
18/2/1986 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Em 1939 teve a sua primeira música, "Não faça vontade a ela" gravada pelo cantor Alcides Gerardi. A música passou despercebida do grande público, tendo o disco tiragem reduzida. No ano de 1943 Cyro Monteiro gravou, de sua autoria, "Apresenta-me àquela mulher" (c/ Augusto Garcez e Gustavo de Oliveira) e "Não te dói a consciência?" (c/ Ary Monteiro e Augusto Garcez). Dois anos depois, o mesmo cantor gravou "Aquele bilhetinho" (c/ Arnô Canegal e Augusto Garcez) e no ano seguinte, em 1946, "Rugas" (c/ Augusto Garcez e Ary Monteiro), todas pela gravadora RCA Victor. Por essa época, o compositor assinava N. Silva. No ano de 1953 Dalva de Oliveira gravou "Palhaço" (c/ Osvaldo Martins e Washington Fernandes). Elizeth Cardoso interpretou, de sua autoria, "Amor que morreu", parceria com Roldão Lima e Gilberto Teixeira.
No início da década de 1950 frequentava vários pontos de samba existentes na Praça Tiradentes, mas veio a conhecer Guilherme de Brito em Ramos, subúrbio do Rio de Janeiro, quando tocava nos botequins do bairro. Guilherme de Brito, quando voltava do serviço à tardinha, princípio da noite, encontrava Nelson Cavaquinho tocando e assim passou a ser mais um de seus fãs. Certa vez, Guilherme arriscou-se a mostrar uma primeira parte de um samba ainda não concluído. O novo amigo interessou-se em colocar uma segunda parte e, assim, nasceu a parceria, que viria a trazer grandes sucessos à dupla. Apesar de ambos não lembrarem o nome da primeira música, se "Garça" ou "Cinza", o fato é que "Garça" foi gravada mais tarde, em 1954, por Ruth Amaral, enquanto "Cinza" teve o seu primeiro registro na voz da cantora Lucy Rosana. No ano de 1957 o cantor Raul Moreno fez a primeira gravação de "A flor e o espinho" (c/ Guilherme de Brito e Alcides Caminha). Roberto Silva registrou, no LP "Descendo o morro nº 3", a música "Aquele bilhetinho", parceria de Augusto Garcez e Arnô Canegal com Nelson Silva, nome, aliás, com o qual Nelson Cavaquinho assinava, na época. Em 1958 o cantor Roberto Silva incluiu "Notícia" (c/ Norival Bahia e Alcides Caminha) e "Degraus da vida" (César Brasil e Antonio Braga) no LP "Descendo o morro nº 4". Em 1961 passou a frequentar a casa de Cartola e Dona Zica. Com a inauguração do Restaurante Zicartola, na Rua da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, iniciou as suas apresentações públicas. Por essa época, juntamente com Cartola, Nuno Veloso, Zé Kéti, Elton Medeiros e Jorge Santana, formou o grupo A Voz do Morro, que se apresentou uma única vez em um programa de televisão, desfazendo-se logo depois. Por essa época, Nara Leão gravou "Pranto de poeta" (c/ Guilherme de Brito). Em 1965 no disco "Elizeth sobe o morro" foram incluídas de sua autoria: "Vou partir" (c/ Jair do Cavaquinho), "A flor e o espinho" (c/ Guilherme de Brito e Alcides Caminha). Elizeth Cardoso lançou outro LP, "Quatrocentos anos de samba", no qual interpretou "O meu pecado", parceria de Nelson com Zé Kéti. Em 1966, a gravadora CBS lançou um LP da cantora alagoana Thelma Soares interpretando só músicas de Nelson Cavaquinho. Neste disco, produzido por Sérgio Porto e arranjado por Radamés Gnatalli, o compositor participou interpretando três músicas: "Cuidado com a outra" (c/ Augusto Tomás Júnior), "História de um valente" (c/ José Ribeiro de Souza) e "Rei sem trono" (c/ Alberto Jesus). Ainda em 1966, ao lado de Moreira da Silva e João do Vale, apresentou o show "A voz do povo". No ano seguinte, o depoimento dado a Sérgio Cabral, Eneida, Sargenteli e Elizeth Cardoso foi registrado em LP, disco no qual também interpretou, de sua autoria, 12 composições: "Aceito o teu adeus" (não me olhes assim) (c/ Luiz Rocha e Amado Regis), "Caridade" (c/ Ermínio do Vale), "Juro" (c/ Amado Regis), "A flor e o espinho", "Pranto de poeta", "Degraus da vida", "Palhaço" e "Luz negra", entre outras. No mesmo ano, faria seu histórico depoimento para o MIS (Museu da Imagem e do Som), a convite do então diretor Ricardo Cravo Albin. No ano de 1968 participou do LP "Fala Mangueira", ao lado de Clementina de Jesus, Cartola e Carlos Cachaça. Neste mesmo ano, Paulinho da Viola gravou, de sua autoria "Não te dói a consciência" (c/ Ary Monteiro e Augusto Garcez). No ano seguinte, foi tema do curta-metragem "Nelson Cavaquinho", de Leon Hirszman. Neste mesmo ano, o cantor Nélson Gonçalves gravou "Eu não sei porquê" (c/ Anatalício Silva). Ainda em 1969 "Vou partir" (c/ Jair do Cavaquinho) foi incluída no LP "Elizeth e Zimbo Trio balançam  na Sucata", lançado pela gravadora Copacabana. Em 1970, lançou, pela etiqueta Castelinho, o seu primeiro LP, "Depoimento de poeta". Neste mesmo ano, Elizeth Cardoso regravou "Degraus da vida"  (c/ Antônio Braga e César Brasil), no LP "Falou e disse". No ano posterior, Paulinho da Viola interpretou "Depois da vida", parceria com Guilherme de Brito. Neste mesmo ano, o grupo Originais do Samba incluiu no LP "Samba é de lei" (BMG) a composição "O bem e o mal" (c/ Guilherme de Brito). Em 1972 gravou, pela RCA Victor, o LP "Série documento". Neste mesmo ano, Clara Nunes gravou "Sempre Mangueira" (c/ Geraldo Queiroz). No ano de 1973, pela gravadora Odeon, lançou o LP "Nelson Cavaquinho", disco no qual foi incluído um choro de sua autoria, "Caminhando" (c/ Nourival Bahia). No ano seguinte, seu primeiro LP, "Depoimento de poeta", foi relançado pela gravadora Continental. Ainda neste ano de 1974, gravou, pela Odeon, o disco "Nelson Cavaquinho", LP que contou com a participação do parceiro Guilherme de Brito em várias faixas interpretando sucessos da dupla. Elizeth Cardoso gravou "Quando eu me chamar saudade" (c/ Guilherme de Brito), no LP "Mulata maior", lançado pela gravadora Copacabana, e Zuzuca do Salgueiro interpretou "Nome sagrado" (c/ José Alcides e José Ribeiro). No crédito do disco constam José Alcides e José Ribeiro, em vez de Guilherme de Brito e José Ribeiro de Souza. No ano seguinte, Paulo César Pinheiro interpretou "Tatuagem" (c/ Guilherme de Brito e Paulo Gesta), no LP "O importante é que nossa emoção soberviva". Nesse mesmo ano, em seu LP "Pandeiro e viola", Beth Carvalho interpretou "O dia de amanhã" (c/ Guilherme de Brito). Ainda em 1974, ao lado de Sabrina, Aparecida, Roque do Plá, Rubens da Mangueira e Dida, participou do LP "Roda de samba nº 2" no qual gravou as faixas "Quero alegria" (c/ Guilherme de Brito) e "Armas proibidas" (c/ José Ribeiro e Guilherme de Brito). No ano de 1976 Clara Nunes interpretou "Risos e lágrimas" (c/ Rubens Brandão e José Ribeiro) e "Tenha paciência" (c/ Guilherme de Brito). No ano de 1977, participou do disco "Pranto de poeta", do parceiro e amigo Cartola. No LP, interpretou, juntamente com Cartola, a faixa-título. Neste mesmo ano, gravou, juntamente com Guilherme de Brito, Candeia e Elton Medeiros, o disco "Quatro grandes do samba", pela RCA Victor. Ainda em 1977, foi lançado o disco "Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro - Fragmentos inéditos do histórico recital realizado no Teatro João Caetano em 19 de fevereiro de 1968". No LP foi incluída sua composição "Vou partir" (c/ Jair do Cavaquinho). No ano de 1980 a cantora Jurema interpretou "Sinal de paz" (c/ Guilherme de Brito), que deu título ao disco produzido por Adelzon Alves para a gravadora EMI-Odeon. No ano seguinte, no LP "O homem dos quarenta", João Nogueira incluiu "Pimpolho moderno", parceria de Nelson Cavaquinho e Gerson Filho. Em 1985, foi lançado o LP "Flores em vida", produzido por Carlinhos Vergueiro. O disco contou com a participação de vários artistas: Chico Buarque, Mauro Duarte, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco, Toquinho e Cristina Buarque, entre outros, e pelo próprio compositor, que compareceu em quatro faixas. O disco-homenagem foi lançado em uma grande festa na Quadra da Mangueira. Na década de 1990 a cantora Leny Andrade prestou-lhe homenagem gravando um CD só com composições suas intitulado "Luz negra - Nelson Cavaquinho por Leny Andrade", lançado pela gravadora Velas. Em 1996 Paulinho Tapajós incluiu "Coração poeta", parceria de ambos, que deu título ao disco do parceiro lançado pela gravadora CID. A composição foi interpretada por Paulinho Tapajós, Chico Buarque e João Nogueira. Dois anos depois, Paulinho Tapajós gravou outra parceria com Nelson Cavaquinho, "Do fundo do armário", no CD "Reencontro", também lançado pela gravadora CID. Em 1998 a gravadora BMG lançou o CD "Chico Buarque de Mangueira". Neste disco, em homenagem aos compositores da Escola, apareceram duas composições de sua autoria: "Folhas secas", interpretada por Chico Buarque, e "Pranto de poeta", cantada por Leci Brandão. No ano 2000 o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro lançou o CD duplo com livreto "Mangueira - sambas de terreiro e outros sambas". No disco foram resgatadas algumas composições gravadas por Hermínio Bello de Carvalho em fitas cassetes na década de 1960, nas quais o compositor, com voz e violão, cantou clássicos como "Notícia", "Nome sagrado", "Caridade" (c/ Hermínio do Vale), e "Cheiro à vela" (c/ José Ribeiro de Souza). Ainda neste disco, foram incluídas algumas composições inéditas como "Freira querida" e "Os teus olhos cansam de chorar", ambas em parceria com Alfredo Português e interpretadas por Nelson Sargento. Neste mesmo ano 2000, durante todo o mês de fevereiro, com roteiro de  Ricardo Cravo Albin, foi apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil a série de shows "Pranto de poeta - Nelson Cavaquinho 90 anos". O espetáculo, dividido em quatro partes, contou a vida e a história do compositor, através de suas composições. Na primeira semana, os convidados para "Nelson Cavaquinho - O poeta solitário" foram Elton Medeiros e Nelson Sargento. A segunda semana de apresentação, "Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito - A grande parceria do samba de raiz", contou com Leny Andrade, Guilherme de Brito e Gilson Peranzzetta. Na terceira semana, o show "Nelson Cavaquinho - O profeta da morte" ficou por conta de Monarco e Cristina Buarque. E, por fim, na quarta semana, Leci Brandão fechou com "Nelson Cavaquinho e a Mangueira". Ainda no ano 2000, o Quinteto em Branco e Preto, grupo de jovens músicos e compositores da periferia de São Paulo, gravou o primeiro disco, no qual incluíram "Quero lhe ver em meus braços", parceria de Nelson Cavaquinho e Wilson Moreira. Ainda em 2000 o SESC São Paulo lançou uma caixa com alguns dos programas de Fernando Faro para a TV Cultura na década de 1970, entre os quais "MPB Especial" e "Ensaio", em uma das caixas foi incluído o depoimento-show de Nelson Cavaquinho com trechos de sua apresentação ao lado do parceiro Guilherme de Brito. Em 2001 Guilherme de Brito gravou o CD "Samba guardado". Neste disco foram incluídas várias parcerias de ambos: "Consciência", "Choro do adeus", "O bem querer", "Pomba da paz", "Me esquece" e "Erva daninha", esta última com a participação especial de Cássia Eller, e, ainda, "Cinza" (c/ Guilherme de Brito e Renato Gaetani). Neste mesmo ano, em sua homenagem, Nelson Sargento, Soraya Ravenle e grupo Galo Preto apresentaram, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, o show "O dono das calçadas", lançado em CD no ano seguinte, trazendo, entre outras, "Minha honestidade vale ouro" (c/ Guilherme de Brito), "Rugas"  (Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Ari Monteiro), "Luz negra" (c/ Amâncio Cardoso), "A flor e o espinho" (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha), "Caminhando" (c/ Nourival Bahia), "Nair" (Nelson Cavaquinho), "Pranto de poeta" (c/ Guilherme de Brito), "Beija-flor" (c/ Noel Silva e Augusto Tomás) e a inédita "Velho amigo", parceria de Nelson Cavaquinho e Paulo César Feital. Em novembro de 2001, Beth Carvalho apresentou, no Teatro Rival, o show "Nome sagrado", em homenagem a Nelson Cavaquinho. No mês seguinte, pela gravadora Jam Music, lançou o disco "Nome sagrado - Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho". Com 20 composições de Nelson Cavaquinho, Beth Carvalho fez uma releitura da obra do compositor e incluiu, entre outras, "Luz negra" (c/ Amâncio Cardoso), "Visita triste" (c/ Anatalício Silva e Guilherme de Brito), "Não te dói a consciência" (c/ Ary Monteiro e Augusto Garcez), "Notícia" (c/ Alcides Caminha e Nourival Bahia), "Minha festa" (c/ Guilherme de Brito), "A flor e o espinho" (c/ Guilherme de Brito e Alcides Caminha), "Nome sagrado" (Guilherme de Brito e José Ribeiro), "Palhaço" (c/ Oswaldo Martins e Washington Fernandes), "Juízo final" (c/ Élcio Soares), "Rugas" (c/ Augusto Garcez e Ary Monteiro) e ainda contou com as participações especiais de Zeca Pagodinho, na faixa "Dona Carola" (c/ Nourival Bahia e Walto Feitosa Santos), Wilson das Neves em "Degraus da vida" (c/ Antônio Braga e César Brasil), Guilherme de Brito, na faixa "Pranto de poeta" (c/ Guilherme de Brito), "Cheira à vela" (c/ José Ribeiro de Souza) e, ainda, do próprio Nelson Cavaquinho, na faixa "Minha festa" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), faixa na qual o compositor teve a voz acrescentada mediante o aproveitamento de uma gravação antiga desta composição. Neste mesmo CD, Beth Carvalho ainda interpretou a inédita "Nem todos são amigos" (c/ Guilherme de Brito). Em 2002 foram lançados os livros "Suíte gargalhadas - cento e tantas histórias engraçadas sobre música e músicos" (José Olympio) de Henrique Cazes, e "Dois dedos de prosa e um de poesia", de Sergio Fonseca, livros nos quais os autores fazem várias referências ao compositor. Do livro de Sergio Fonseca destacamos uma história bem exemplar da conduta de Nelson Cavaquinho: "Na década de 1960, João da Viola, compadre e amigo de Nelson Cavaquinho, foi apresentado por este a Tom Jobim. Nelson teceu bons comentários a respeito do amigo e cumpadre: grande compositor etc. Voltando para Mesquita (onde os dois moravam na época), João da Viola comentou com Nelson: Olha aí compadre. Aquilo não é papel que se faça! Me apresentar a um maestro daquele tamanho e dizer ainda por cima que eu sou compositor! Nelson respondeu: - Que nada João! Deixa de ser bobo! Pára com isso! Que mania que vocês têm de dizer que fulano é bom, que beltrano é melhor, que Cartola é bom, que o Tom e Vinicius são bons, que eu sou o máximo... Eles são tudo igual a gente, rapaz: eles fazem música porque não gostam de trabalhar!". Em 2003 foi lançado o livro "Luto e melancolia na música popular brasileira", de José Novaes, no qual o autor citou, várias vezes, muitas composições de Nelson Cavaquinho em parceria com  Guilherme de Brito. O livro foi lançado no Bar Bip Bip, em Copacabana, e contou com a presença de vários artistas citados: Guilherme de Brito, Beth Carvalho e Cristina Buarque, entre outros. Neste mesmo ano, Eliane Faria incluiu "Folhas secas" (c/ Guilherme de Brito) no CD "Alma feminina", lançado pelo selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin). Ainda em 2003, no CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", foi incluída "Juízo final", interpretada por Dona Ivone Lara. Em 2004 Beth Carvalho, com a participação especial do violinista francês Nicolas Krassik, incluiu "Folhas secas" no DVD "Beth Carvalho - a madrinha do samba", gravado ao vivo no Canecão, no Rio de Janeiro. No ano de 2005 Elton Medeiros interpretou "Lavo minhas mãos", no disco "Bem que mereci". Dificilmente poderão se listar todos os intérpretes da obra de Nelson Cavaquinho. Contudo, destacam-se Chico Buarque ('Cuidado com a outra' e 'Folhas secas'), Elza Soares ('Saudade, minha inimiga' e 'Pranto de poeta'), Clara Nunes ('Juízo Final', 'Minha festa' e 'Palhaço'), Nora Ney ('Quando eu me chamar saudade'), Emílio Santiago ('Quero alegria'), Elizeth Cardoso ('A flor e o espinho', 'Luz negra' e 'Degraus da vida'), Cláudia Telles ('Luz negra'), Leny Andrade ('Vou partir'), Orlando Silva ('Degraus da vida'), Beth Carvalho ('Folhas secas', 'Quero alegria' e 'Se você me ouvisse'), Cazuza ('Luz negra'), Alcione ('Luto'), Nélson Gonçalves ('Meu velho coração'), Elis Regina ('Folhas secas') e Cyro Monteiro ('Rugas'), além do próprio parceiro Guilherme de Brito em várias composições da dupla. Beth Carvalho foi uma das intérpretes que mais o gravou: em 1973, "São Jorge meu protetor"; em 1974, "Falência" e "Miragem"; em 1975, "O dia de amanhã"; em 1978, "Meu caminho"; em 1979, "Beija-flor"; em 1980, "Voltei" e, em 1981, "Deus me fez assim". Em 1981, Elizeth Cardoso, no LP "Elizetíssima", incluiu "Quando eu me chamar saudade". No ano de 2006 sua composição "Desconsolo", com Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho, foi incluída no CD póstumo "Sobras repletas", de Maurício Tapajós, interpretada em duo voz e piano dos paulistanos Mônica Salmaso e André Mehmari. Neste mesmo ano, outra composição inédita de sua autoria, desta vez "Euforia", parceria com Eduardo Gudin e Roberto Riberti, foi incluída no CD "Um jeito de fazer samba", de Eduardo Gudin. Em 2010 o parceiro Eduardo Gudin apresentou o show "60 anos de Eduardo Gudin - Notícias dum Brasil" no teatro do BNDES, no Rio de Janeiro, espetáculo no qual interpretou "Euforia", parceria com Nelson Cavaquinho e Roberto Riberti. Neste mesmo ano o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mangueira escolheu como tema do desfilhe para o ano seguinte a estória e a obra de Nelson Cavaquinho. Seus parceiros foram tantos, que, também, dificilmente, poderão se listados. Contudo, alguns, como Guilherme de Brito, Cartola, Jair do Cavaquinho, João de Aquino e Paulo César Pinheiro figuram entre os mais importantes. Sobre ele, escreveu José Ramos Tinhorão:
"Tome um homem seu violão, cante pelas ruas como um antigo trovador da Idade Média a beleza das flores, a efemeridade da vida e a angústia metafísica da morte, e esse será o retrato de Nelson Cavaquinho. Com sua cabeleira branca, seu permanente ar de dignidade e a sua voz enrouquecida por muitos anos de cervejas geladas, o que Nelson Cavaquinho canta (fazendo percutir, mais que dedilhando, as cordas do seu violão) é a saga de um homem que vive em estado de poesia. E cuja obra, por isso mesmo, não morrerá".
Em 2010 foi citado no livro "Vinicius de Moraes", de Ricardo Cravo Albin, em uma passagem de uma conversa com Lila Bôscoli, então esposa de Vinicius de Moraes, que o havia apresentado à mulher, por sinal o poeta, seu admirador confesso, fez menção a Nelson Cavaquinho na composição "Samba da benção" (Baden Powell e Vinicius de Moraes). No ano de 2011 a gravadora EMI lançou o álbum duplo "Nelson Cavaquinho - Cem Anos - Degraus da Vida", compilação feita pelo pesquisador musical Rodrigo Faour. O CD 1 contou com 14 faixas e vários intérpretes de clássicos do compositor, entre as quais Beth Carvalho em "Folhas secas", Nora Ney em "Quando eu me chamar saudade", Roberto Silva em "Notícia", Emílio Santiago em "Quero alegria" e Dalva de Oliveira interpretando a composição "Palhaço", gravada em 1951 pela cantora. O CD de raridades do compositor apresentou músicas não tão conhecidas e apenas incluídas em discos de 78 rpm, LPs, compactos simples e duplos de intérpretes e a maioria das gravações nunca incluídas em coletâneas desses intérpretes, muitos deles poucos conhecidos do grande público. Do disco número dois (com as raridades do compositor) destacam-se as faixas "Não me precisa me humilhar" (na voz de Germano Batista); "Se me der adeus" (interpretada por Jorge Veiga); "É só vergonha" (cantada por Gilberto Alves); "Cigarro" (com interpretação do cantor Risadinha); "Mesa farta" (na voz da cantora paulista Márcia), "Tenha paciência" (com Clara Nunes); "Depois da vida" (com gravação de Paulinho da Viola); "Meu caminho" e "Se você me ouvisse", ambas cantadas por Beth Carvalho. Ainda em 2011 foi lançado pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes, em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gravações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Roberto Silva interpretou no CD volume 7 a faixa "Notícia" (c/ Alcides Caminha e Norival Bahia) e Beth Carvalho no mesmo volume as faixas "Luz negra" (c/ Amâncio Cardoso), "A flor e o espinho" (c/ Alcides Caminha e Guilherme de Brito) e "Folhas secas" (c/ Guilherme de Brito). Ainda em 2011 foi lançado o CD "Uma flor para Nelson Cavaquinho" pela gravadora Lua Music. Produzido por Thiago Marques Luiz para a gravadora paulista Lua Music, o disco apresentou gravações inéditas de composições clássicas do compositor, entre as quais "Luz negra" (c/ Amâncio Cardoso) interpretada por Arnaldo Antunes; "Quando eu me chamar saudade" (c/ Guilherme de Brito) com Alcione; "Palhaço" (c/ Oswaldo Martins e Washington Fernandes) com Leci Brandão; "A Mangueira me chama" (c/ José Ribeiro de Souza) com Beth Carvalho; "Folhas secas" (c/ Guilherme de Brito) com Tânia Maria; "Juízo final" (c/ Élcio Soares); com Zeca Baleiro; "Rugas" (c/ Augusto Garcez e Ari Monteiro) com Benito Di Paula; "Se você me ouvisse" (c/ Guilherme de Brito) interpretada por Verônica Ferriani; "Ninho desfeito" (c/ Wilson Canegal) com Cida Moreira; "Pranto de poeta" (c/ Guilherme de Brito) com Fabiana Cozza; "Cuidado com a outra" (c/ Augusto Tomás Júnior) cantada por Diogo Nogueira, além da faixa "Luto" (c/ Guilherme de Brito e Sebastião Nunes), interpretada pela cantora Milena. Neste mesmo ano de 2011 o cantor e compositor Carlinhos Vergueiro lançou disco em homenagem ao amigo e parceiro, CD no qual interpretou várias composições inéditas e regravou alguns clássicos, nos quais contou com as particIpações especiais de Chico Buarque, Cristina Buarque, Marcelinho Moreira, Wilson das Neves e ainda de Beth Carvalho na faixa "Palavras malditas", gravada anteriormente pelo cantor Ary Cordovil em 1957. Neste mesmo ano Jard's Macalé regravou "Juízo final"  no CD "Jards", lançado pela gravadora Biscoito Fino. No ano de 2012 o grupo carioca Sururu na Roda prestou homenagem aos 100 do compositor lançando o CD "Se você me ouvisse - 100 anos de Nelson Cavaquinho", pela gravadora Rob Digital. No disco foram incluídas as faixas "Se você me ouvisse" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "A flor e o espinho" (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha), "História de um valente" (Nelson Cavaquinho e José Ribeiro de Souza), "Minha festa" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Quando eu chamar saudade" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "A vida" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Notícia" (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Nourival Bahia), "O meu pecado" (Nelson Cavaquinho e Zé Keti), "Folhas secas" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Degraus da vida" (Nelson Cavaquinho, Antonio Braga e César Brasil), "Luz negra" (Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso), "Gotas de luar" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Caminhando" (Nelson Cavaquinho e Nourival Bahia), "Rugas" (Nelson Cavaquinho e Augusto Garcez), "Juízo final" (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares) e "Dona Carola" (Nelson Cavaquinho, Nourival Bahia e Walto Feitosa), além do pou-porri "Pranto de poeta" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Quero alegria" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), "Vou partir" (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho) e "Sempre Mangueira" (Nelson Cavaquinho e Geraldo Queiroz). No final deste mesmo ano, a exposição de fotos, de Ricardo Poock, montada no ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), foi exibida  durante um mês no município de Maricá, levada pelo então Secretário de Cultura Ricardo Cravo Albin, para servir de enredo didático e escolar para os alunos da Rede Pública do município. Neste mesmo ano o cantor e compositor Jard's Macalé também lhe prestou homenagem apresentando no Espaço Cultural Eletrobrás Furnas, em Botafogo, no Rio de Janeiro, o show "A História do Bem e do Mal", reverenciando a obra do amigo. Com direção musical e arranjos do pianista Cristóvão Bastos e acompanhado pelos músicos Jorge Helder (abaixo acústico e elétrico), Fernando Pereira (bateria e percussão) e Dirceu Leite (sopros), o cantor interpretou clássicos como "A Flor e o Espinho", "Rugas", "Notícia", entre outros. Neste mesmo ano de 2012 a gravadora Warner lançou o CD "Nelson Cavaquinho - Programa Ensaio TV Cultura São Paulo", com o depoimento-show gravado sob direção de Fernando Faro na década de 1970. Em 2016 o cantor paulistano Rômulo Fróes lançou em homenagem ao compositor mangueirense, pelo Selo Sesc, o CD "Rei Vadio", no qual interpretou 14 composições, destacando-se as faixas "Eu e as flores" (c/ Jair do Cavaquinho) com participação especial de Dona Inah; "Vou partir" (c/Jair do Cavaquinho), com participação especial da Velha da Nenê da Vila Matilde; "Caminhando" (c/ Nuno Ramos), com participação da cantora Ná Ozzetti; "Luz negra" (c/ Amâncio Cardoso), com participação especial do cantor Criolo; "Juízo final" (c/ Élcio Soares); "Notícia" (c/ Alcides Caminha e Nourival Bahia); "História de um valente" (c/ José Ribeiro Souza) e "Mulher sem alma", parceria com Guilherme de Brito. O disco causou polêmica entre os críticos especializados. Enquanto alguns como João Máximno declarava que a obra do compositor estava fora de seu eixo natural, outros entendiam que uma nova e vigorosa roupagem era necessária para a obra do sambista.

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