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Nei Lopes

Nei Brás Lopes
9/5/1942 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Compositor. Escritor. Cantor. Filho de Eurydice de Mendoça Lopes (Dona de casa), e de Luiz Brás Lopes (pedreiro). Nascido e criado no subúrbio carioca de Irajá. Morou no Lins, Grajaú e Tijuca. Aos sete anos já cantavas em festinhas da família. Ferquentou a Escola Técnica Visconde de Mauá de 1953 a 1957. Mais tarde, em 1982, mudou-se para o bairro de Vila Isabel. Foi semi-interno da Escola Técnica Visconde de Mauá, em Marechal Hermes, lugar onde tomou consciência de sua negritude, influenciado por Maurício Teodoro (do Salgueiro), Carlos da Rosa (da Serrinha), e Pinduca (do Catete). Frequentou a casa de Maurício e de Tia Dina, onde se cantava muito samba e as tradições afro-brasileiras eram mantidas. Integrou a Ala de Compositores e a Velha-Guarda do Salgueiro. Publicou em 1963 poemas na "Antologia Novos Poetas" e mais tarde publicou textos na Revista Civilização Brasileira e no Jornal do Commércio.  Em 1975 foi contemplado com o prêmio "Fernando Chinaglia", da U.B.E. (União Brasileira dos Escritores). Também foi considerado pelo crítico inglês David Brookshae como um melhores poetas da negritude no Brasil. No ano de 1999 em uma entrevista para o Segundo  Caderno do jornal O Globo, declarou:   "Deixei de ser mulatinho para ser negro, embora o processo estivesse longe da conscientização."     Ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil em 1962, depois UFRJ. Depois da morte de seu pai, que não era muito a favor de que o filho cantasse e frequentasse as rodas de samba, assumiu definitivamente o seu lado  sambista, desfilando pelo Salgueiro em 1963. Em 1966 formou-se em Direito e Ciências Sociais, trabalhando na profissão até 1970 em seu escritório de advocacia no bairro suburbano de Vista Alegre, o primeiro do gênro naquela localidade. Entre as experiências enriquecedoras da casa da Tia Dina, inclui a amizade com Popó, que o levou para a religião africana mais radical - o candomblé tradicional, de fundamento baiano. Por volta de 1978, aprofundou-se no estudo da religião, fez-se praticante, embora admitisse ver nessa entrega, acima de tudo, uma forma de integração, uma união cultural dos negros. Toda essa cultura e a consciência da negritude o tornaram um dos grandes conhecedores da causa negra, fato que transparece em seus livros e em suas composições, centradas na temática afro-brasileira. A partir da década de 1980 passou a residir em Seropédica, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Dentre seus livros mais conhecidos estão "O samba na realidade", Editora Codecri, em 1981; "Islamismo e negritude" (coautoria com João Batista Vargens, 1982); "Casos crioulos", contos, de 1987; "Bantos, malês e identidade negra", de 1988; "O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical" (Pallas Editora, RJ) de 1992; "Dicionário banto do Brasil", de 1996; "Incursões sobre a pele", poesias, de 1996; "171 - Lapa-Irajá. Casos e enredos do samba", contos, em 1999, Editora Folha Seca; e no ano 2000, lançou "Zé Kéti, o samba sem senhor". Em 1989 escreveu a revista "Oh, que Delícia de Negras!" (com músicas em parceria com Cláudio Jorge), que fez longa temporada no Teatro Rival Br, no Rio de Janeiro. Escreveu, com Juana Elbein dos Santos, o encarte para o LP "Egungun, Ancestralidade Africana no Brasil". Em meados da década de 1990 deixou o cargo de diretor do Departamento Cultura da Vila Isabel. Em 1997, em comemoração aos 80 anos da primeira gravação do samba "Pelo telefone" (Donga e Mauro de Almeida) a gravadora EMI/ODEON lançou a caixa "Apoteose ao samba", na qual, além dos discos, foi também encartado um livreto com dois textos, um de sua autoria "Uma breve estória do samba", e outro de Tárik de Souza. Entre 1999 e 2000, respectivamente, teve encenado pelos alunos de teatro do Centro Cultural José Bonifácio, da Prefeitura do Rio de Janeiro, dois musicais: "Clementina" (sobre a vida de Clementina de Jesus) e "Dona Gamboa, Saúde" (sobre a história da região portuária, um dos berços do samba). Em 2001 publicou "Guimbaustrilho e outros mistérios suburbanos", pela Coleção Sebastião, lançada nas bancas de jornais pela Editora Dantes. No ano de 2003 lançou o livro "Sambeabá - O samba que não se aprende na escola", com ilustrações de Cássio Loredano e apresentação de Luiz Antônio Simas (Editoras Casa da Palavra e Folha Seca). O livro foi lançado no Centro Cultural Carioca, no Rio de Janeiro. No ano de 2004 publicou, pela Summus Editorial/Selo Negro, "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana". No ano posterior, em 2005, foi lançado o livro "O samba do Irajá e de outros subúrbios: um estudo da obra de Nei Lopes", de Cosme Elias, originalmente uma dissertação de mestrado do autor. Em 2006 publicou "Partido alto, samba de bambas" (Editora Pallas) e "Kitábu: O livro do saber e do espírito negro-africanos", pela Editora Senac-SP, livro no qual fez uma análise filosófica e literária da África e sua diáspora, seus povos, suas línguas e suas religiões na visão dos próprios africanos e dos europeus. Para teatro, compôs trilhas para as peças "O perverso sonho da igualdade" e "Auto da Independência", ambas de Joel Rufino dos Santos. Participou de diversas antologias poéticas. Entre as honrarias recebidas destacamos o troféu "Golfinho de Ouro" (Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro), do Governo do Estado do Rio de Janeiro; "Prêmio Tim de Música" e a "Ordem do Mérito Cultural", conferida pelo Governo Federal na Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2009 lançou o primeiro romance intitulado "Mandingas da mulata velha na Cidade Nova" (Editora Língua Geral). Neste mesmo ano foi lançada a sua biografia escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino para a "Série Retratos do Brasil Negro", da Editora Negro Edições. No ano de 2012 prestou depoimento à posteridade no auditório do Museu da Imagem e do Som (MIS), no Rio de Janeiro, com a participação dos entrevistadores Joel Rufino dos Santos, Cláudio Jorge, Alberto Mussa, Fernando Molica, e coordenação da professora Rachel Valença. Neste mesmo ano lançou os livros "A lua triste descamba" (romance), "Dicionário da Hinterlândia Carioca" e "Novo Dicionário Banto do Brasil" (nova edição, revista e atualizada), todos da Pallas Editora, no evento "70 Anos de Nei Lopes", na Livraria Folha Seca, na Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro. Em 2016 deu inicio à pesquisa sobre a história da África entre os séculos VII e XVI, cobrindo a chegada do islamismo e dos portugueses ao continente africano, temas de seu novo livro. Neste mesmo ano lançou o "Dicionário da história social do samba", escrito com Luiz Antonio Simas e foi o ganhador do "Prêmio Jabuti 2016" em duas categorias. Ainda em 2016, No ano de 2016 ganhou, na categoria "Prosa", o "Prêmio Jornal O Globo", em comissão integrada pelos jurados Cleonice Berardinelli, Fátima Sá, Luiz Antônio Novaes e Guilherme Freitas. No ano de 2017 recebeu o título "Doutor Honoris Causa", por iniciativa do Professor Doutor José Rivair Macedo, do Departamento de História da Universidade, da Congregação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No ano seguinte, em 2018, lançou o romance "O preto que falava iídiche" (Editora Record), no MIS (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro. Da orelha, escrita pelo jornalista Hugo Sukman. Destacamos o seguinte trecho:   "Glória das letras musicais cariocas ao lado de um Aldir Blanc, um Chico Buarque, um Paulo César Pinheiro (e só!) e consagrado por magníficos livros de referência como a - Enciclopédia brasileira da diáspora africana - em sua já vasta bibliografia de poesia, ensaios e romances, Nei Lopes ainda precisa ser mais apreciado por sua ficção originalíssima em si e por vir de onde veio: da pena de um sambista negro e suburbano, ao mesmo tempo erudito em coisas da África e da cultura ocidental, e um estilista da bela língua colonizadora."   Ainda em 2018 finalizou um novo romance; um volume de crônicas, um livro sobre Ifá, ramo religioso que professa, e ainda, o segundo volume do ‘"Dicionário de História da África"’, escrito em parceria com o professor José Rivair Macedo, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). No ano seguinte, em 2019, lançou o livro "Afro-Brasil Reluzente", pela Editora Nova Fronteira, no qual compilou mais de uma centenas de verbetes biográficos sobre personalidades negras do século XX, entre as quais Abdias Nascimento, Ruth de Souza, Joel Zito Araújo, Carolina Maria de Jesus, Mãe Stella de Oxóssi, Luiz Carlos da Vila, Cartola, Marielle Franco, Gilberto Gil, Elza Soares, Pelé, Sônia Guimarães, Lázaro Ramos, Zezé Motta, Sueli Carneiro, Ana Maria Gonçalves, Joaquim Barbosa, Jurema Werneck, Conceição Evaristo, Hélio de La Pena e Flávia Oliveira. Durante a carreira lançou 39 livros, destacando-se o "Dicionário banto do Brasil", com cerca de oito mil verbetes, dos quais 250 deles foram utilizados no "Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa".

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