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Nabor Pires Camargo

Nabor Pires Camargo
9/2/1902 Indaiatuba, SP
3/10/1996 Mococa, SP

Dados Artísticos

Considerado um dos mais importantes clarinetistas brasileiros, teve intensa atuação como instrumentista e compositor em São Paulo. Sua importância transcende a atuação como intérprete e compositor, já que deixou álbuns dedicados ao estudo da clarineta e um "Método de Clarineta", aprovado e recomendado pelo Conservatório de São Paulo.

Iniciou carreira em São Paulo, tocando em cinemas para acompanhar filmes mudos. Em fins da década de 1920, assinou um contrato de 28 meses com a editora Irmãos Vitale, a fim de editar uma música por mês. A primeira desta série foi "Triste separação". Em fins da década de 1920, teve suas primeiras músicas gravadas, o samba "O cavanhaque do bode" e o maxixe "Mamãe, me leva", pelo cantor Artur Castro pelo selo Imperador. Com o advento do cinema sonoro, em 1929, o trabalho para os músicos diminuiu, o que o obrigou a tocar em orquestras patrocinadas por mecenas da arte. Ainda neste ano, lançou duas novas composições, a valsa "Rosa, Rosa", em parceria com Dicas, gravada por João Cibela e o samba "Caboclo saudoso", gravado por João Gentiluomo, as duas pela Columbia.

Em 1930, teve gravados os sambas "No meu sertão" pelo cantor Pilé e "Lágrimas de caboclo", pelo cantor A . Longo, ambos no selo Brasilphone. Na mesma época, Odete Pires gravou no selo Arte-Fone a marcha "É canja!...". Ainda nesse ano, gravou pela Victor seu primeiro disco, acompanhado de seu grupo, interpretando o choro "Matando saudades" e a valsa-choro "Caindo das nuvens", ambas de sua autoria. Também em 1930, lançou a canção "Por que te dei meu coração", gravada por Jorge Fernandes, na Parlophon, que recebeu o prêmio promovido pela Associação Nacional dos Negociantes e Editores de Música. Em 1931, o samba "Foi castigo" foi gravado por Arnaldo Pescuma na Columbia. Nesse ano, gravou ao clarinete pelo selo Ouvidor os choros "Meu chorinho", "Brabinho" e "Sonhar...depois morrer" e a valsa-choro "Pensando em ti", todas de sua autoria. No início dos anos 1930, começou a editar pela Irmãos Vitale seus álbuns para o estudo da clarineta, flauta, saxofone e violino, os "Choros do Nabor". Compôs ao todo dez desses álbuns, editados até 1946.

Em 1934, gravou pela Columbia o choro "Venenoso" e a valsa "Último amor", de sua autoria. Nesse ano, com o Sexteto Camargo, grupo formado por ele, gravou a valsa "Luar da minha terra" e o choro "Cavando a vida", de sua autoria. No ano seguinte, ingressou na Orquestra Sinfônica Municipal, como segundo clarinetista. Um ano depois, já assumia o posto de primeiro clarinetista. Permaneceu naquela orquestra por 32 anos, até 1967, quando se aposentou. Como integrante da OSM, tocou sob a regência de grandes maestros, tais como Villa-Lobos, Sousa Lima, Eleazar de Carvalho, Toscanini, Stravinsky e outros.

No ano de 1936, foi premiado no concurso carnavalesco organizado pela prefeitura de São Paulo, obtendo o terceiro lugar com o samba "Vá carregar o piano", gravado por Januário de Oliveira e Arnaldo Pescuma na Victor. No mesmo ano, gravou pela Columbia a valsa "Implorando o teu amor" e o choro "Soluçando", ambos de sua autoria. Em 1937, teve gravadas na Victor por Arnaldo Meireles ao acordem a rancheira "Moreninha" e a valsa "Manhãs de sol". Em 1938, Alzirinha Camargo gravou na Columbia a marcha "De tostão em tostão...".

Em 1940, teve a canção "Sempre a mesma história", com Ivani Ribeiro, gravada na Odeon pela cantora paulista Nhá Zefa. Em 1948, lançou pela Irmãos Vitale o seu "Método para clarineta", que se tornou o mais vendido no Brasil e ainda está até hoje em catálogo. Nesse ano, Fon-Fon e sua Orquestra gravou o choro "Tupi". Em 1952, gravou de sua autoria, na Todamérica, a valsa "Cleunise" e o choro "Diz isso chorando", Em 1955, gravou na Odeon com sua banda "A polca da princesa" e a "Valsa imperial", de sua autoria.

Gravou em 1964 seu único LP, "Velha Guarda", que teve a participação de Caçulinha no acordeom e Poli no violão. Este disco foi reeditado em 1988 pela Silva & Penna Foto e Vídeo, da cidade de Indaiatuba. Em 1974, teve seu "Hino Indaiatubano" - composto em 1930 - oficializado pela prefeitura daquela cidade. Sua última obra foi "Ara erê uçu (Grande dia de festa)", uma peça-bailado sob texto de sua esposa, Cleonice Mattioli Camargo, que tem como tema a formação do povo de sua terra, onde a peça foi inclusive encenada. Em alguns CDs da série Revivendo podem-se ouvir composições suas.

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