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Moreira da Silva

Antônio Moreira da Silva
1/4/1902 Rio de Janeiro, RJ
6/6/2000 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Antônio Moreira da Silva criou essa coisa extraordinária que foi o comentário falado, nascido imediatamente depois da célebre paradinha, o breque, no desenvolvimento da melodia. Repararam que só o Moreira conseguia que o discurso tivesse a conveniência da musicalidade? Há onze anos atrás dirigi um show no João Caetano em seu benefício – numa dessas aperturas de grana tão comuns aos sambistas cariocas. Pelo meu roteiro, Moreira encerraria a noite e devia falar em rápidas palavras sobre o time de artistas que se solidarizaram. Mas logo disparou: “- Negativo, meu negócio não é blablablá! Eu vou é agradecer dentro dos meus breques”.

Bem dito e melhor feito. Ele sapecou apenas a frase inicial do “Acertei no Milhar” (Geraldo Pereira e Wilson Baptista) e produziu um breque maravilhoso, dizendo, de improviso, que acertou no milhar, com as presenças dos artistas que lá estavam e do público que pingava com dinheirinho cada entrada.

Moreira da Silva foi genial no improviso, na graça carioca da “persona” que ele incorporou, o malandro do Rio – logo ele, um cidadão exemplar, honesto e honrado, cuja alma era lírica e seresteira como a de um passarinho. A tal ponto que a última vez que o vi, já no leito de morte, ele me tomou a mão e, aflitíssimo, pediu que o ajudasse a levantar fundos para quitar as despesas da clínica particular onde estava internado. Aliás, graças a Emilinha Borba, ele se internaria logo depois no Hospital dos Servidores, a custo zero. O que fez cessar a sua ansiedade de homem probo, o único malandro do mundo que não admitia calote.





Ricardo Cravo Albin

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