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Mano Elói

Elói Antero Dias
1888 Engenheiro Passos, RJ
10/3/1971 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

  Oriundo de Vassouras, Elói Antero Dias, o Mano Elói, nasceu no ano da abolição da escravatura e chegou ao Rio de Janeiro com quinze anos. Foi trabalhar com seu tio como baleiro no Campo de Santana. Logo se tornou um dos maiores nomes do samba carioca. Frequentou as rodas do Morro da Favela, Mangueira e Portela. Batuqueiro e jongueiro gravou “pontos” famosos como Não vai ao candomblé, elogiado pelo escritor e pesquisador Mário de Andrade.          Como muitos que emigraram da região do Vale da Paraíba, se fixou no Morro do Vintém (mencionado por Assis Valente no samba “Brasil Pandeiro”), na Tijuca. No bairro fundou no início dos anos trinta a escola de samba Deixa Malhar, na rua Delgado de Carvalho, próximo ao sopé do Morro do Turano. Casemiro Calça Larga, líder da Azul e Branco do Morro do Salgueiro, afirma ter sido pioneira a agremiação de Mano Elói, que contou ainda com a participação de Jamelão e seu irmão Zé Linguiça, entre outros.          Em 1937, Mano Elói tornou-se o primeiro Cidadão Samba, quando já era respeitado líder estivador e dirigente da União Geral das Escolas de Samba, que teve a Deixa Malhar como sede nas primeiras reuniões. Mas os ataques alemães aos navios brasileiros motivaram o governo Vargas a ordenar o fechamento de clubes e associações, sob a alegação de medidas de segurança. Um texto de cunho racista chegou a celebrar o fato:   “A polícia resolveu fechar a escola de samba Deixa Malhar. Não se conhecem os motivos da providência, mas o simples título de ‘escola’ estava a exigir remédio pronto e enérgico (...) O Brasil de hoje não admite desocupados nem toadas afro-analfabetas.”            Com o fim do conflito mundial, houve um típico racha da guerra fria no samba, com os simpatizantes do PCB de um lado e Mano Elói e Tancredo Silva, da Federação Umbandista, ligados ao trabalhismo, de outro. Mesmo assim o fechamento precoce da Deixa Malhar comprova que Elói Antero Dias não era um pelego governista como seus opositores afirmavam. O surgimento do Império Serrano em 1947 o levou a apoiar a escola da Serrinha, onde desfilou pela última vez em 1966, cinco anos antes de sua morte. A quadra da verde e branco de Madureira passou a ter o nome de Elói Antero Dias.   Orlando Oliveira (Jornalista)  

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