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Mano Décio da Viola

Décio Antônio Carlos
14/7/1909 Santo Amaro da Purificação, BA
18/10/1984 Juiz de Fora, MG

Dados Artísticos

Em 1934, ao ouvir no cinema uma valsa de Strauss, "Os patinadores", colocou letra. A música foi registrada com o nome de "Vem, meu amor" (Mano Décio da Viola, Bide e João de Barro), sendo gravada neste mesmo ano por Almirante. Daí em diante, repetiria muitas vezes o processo. Habituou-se a fazer a primeira parte dos sambas e a vendê-los para o Baúza, que tinha dois compositores para fazer a segunda parte - Bide e Raul Marques. Além disso, fazia com que eles fossem gravados. Ainda em 1934, ingressou na Escola de Samba Prazer da Serrinha, da qual foi diretor. Por essa época, já conhecia Silas de Oliveira, que se tornaria seu parceiro mais constante. No ano de 1938, a dupla compôs a sua primeira música, "Perdão amor", cuja segunda parte foi composta por Raul Marques e Bucy Moreira. O samba foi vendido para Miguel Baúza por 70 mil-réis. Nesta época, era razoavelmente ético comprar ou vender músicas. Na etiqueta do disco foram apontados somente dois nomes: Mano Décio da Viola e Miguel Dorneles Baúza. Raul Marques, em 1942, gravou de sua autoria "Lá vem ela com uma trouxa de roupas na cabeça". Três anos depois, compôs com Silas de Oliveira o samba-enredo "Conferência de São Francisco", um dos primeiros a tratar de tema histórico e com o qual a Escola Prazer da Serrinha desfilou naquele ano. No ano de 1947, alguns dissidentes da Escola de Samba Prazer da Serrinha, descontentes com a decisão de seu Alfredo, então diretor da escola, de mudar o samba-enredo na hora do desfile, resolveram fundar uma nova escola. Em 23 de março daquele mesmo ano, Mano Décio da Viola, juntamente com mestre Fuleiro, Silas de Oliveira, Comprido, Antenor, Molequinho, Zé Luiz, Cachopa, Fumaça, Manula, Mano Elói, Aniceto, Daniel Perna e João Gradim, entre outros, fundou o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Império Serrano. No ano seguinte, o Império Serrano concorreu com um samba-enredo de sua autoria, "Antônio Castro Alves", em parceria com Molequinho e Comprido (Altamiro Maia). Na época, a escola ganhou o primeiro lugar no desfile (Desfile da Federação das Escolas de Samba). Em 1949, compôs, com Penteado e Estanislau Silva, o samba-enredo "Exaltação a Tiradentes", ganhando mais uma vez o primeiro lugar (bi campeonato). No ano seguinte, Jamelão gravou de sua autoria "Apoteose ao samba". Neste mesmo ano, Roberto Silva gravou "Exaltação a Tiradentes" (c/ Penteado e Estanislau Silva). Em 1951, classificou-se em primeiro lugar (Federação das Escolas de Samba) no carnaval carioca com o samba-enredo "Batalha Naval do Riachuelo", em parceria com Silas de Oliveira, Penteado e Molequinho. Em 1955, a Escola Império Serrano foi outra vez campeã (no Grupo 1) com um samba-enredo de sua autoria em parceria com Silas de Oliveira,  "Exaltação a Duque de Caxias". Na ocasião do desfile já havia sido criado o sistema de Grupos (Grupo 1 - as principais escolas carioca). Em 1958 compôs "Exaltação a D. João VI ou Brasil Império" classificando a Império Serrano em 2º lugar do Grupo 1. No ano seguinte, em 1958, compôs o samba-enredo "Exaltação à Bárbara Heliodora" (c/ Nilo de Oliveira e Ramón Russo), classificando a escola em 2º lugar do Grupo 1. No ano posterior, compôs em parceria com Chocolate e Carneirinho o samba-enredo "Brasil holandês - Homenagem a João Maurício de Nassau", que clsssificou a escola em 3º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano. Compôs "Medalhas e brasões"(c/ Silas de Oliveira), que dividiu em 1960 o primeiro lugar com outras quatro escolas. Esse samba teve problemas com a letra original e, a pedido da embaixada do Paraguai, a letra foi modificada. Neste mesmo ano, o cantor Risadinha gravou pela Continental o samba-enredo "Exaltação a d. João VI". No ano de 1966 compôs com Silas de Oliveira e Manuel Ferreira o samba-enredo "Glória e graça da Bahia", classificando a Império Serrano em 3º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano. Em 1968 gravou depoimento para o acervo do MIS (Museu da Imagem e do Som), para integrar o futuro acervo do Museu do Carnaval que o então diretor Ricardo Cravo Albin estava organizando ao lado da pesquisadora Lygia Santos, filha do compositor Donga. No ano seguinte, "Heróis da liberdade" (c/ Manuel Ferreira e Silas de Oliveira) classificou a escola em 4º lugar do Grupo 1. Neste mesmo ano Elza Soares incluiu este samba em seu disco lançado pela gravadora Odeon. No ano seguinte, compôs com Dona Ivone Lara o samba "Agradeço a Deus", gravado na Odeon neste mesmo ano. Em 1971, Elis Regina regravou "Exaltação a Tiradentes" e Jair Rodrigues regravou "Heróis da liberdade" pela Philips. No ano seguinte, com a morte de Silas de Oliveira, a dupla se desfez. Neste mesmo ano, gravou em compacto simples pela Rozemblit a música "Exaltação a d. João VI" (c/ Silas de Oliveira). Em 1973, Adilson Ribeiro gravou de sua autoria o samba "Olelê, olalá". Neste mesmo ano, gravou pela primeira vez um LP, "Mano Décio da Viola", para uma metalúrgica de São Paulo presentear seus funcionários no Natal daquele ano. Ainda em 1973, no disco "Canto por um novo dia", pela Tapecar, Beth Carvalho interpretou uma composição sua em parceria com Jorginho Pessanha, "Hora de chorar". No ano posterior, gravou o seu primeiro LP comercial pela Tapecar. Neste disco incluiu, entre outras, "Dona Santa, rainha do maracatu", "Obsessão", "Mano Décio ponteia a viola", "Hora de chorar" e um de seus maiores sucessos, "Exaltação a Tiradentes" (c/ Penteado e Estanislau Silva). Neste mesmo ano, Elza Soares gravou pela Tapecar o LP "Samba, minha raiz", no qual incluiu uma composição de sua autoria em parceria com Silas de Oliveira: "Amor aventureiro". Ainda neste mesmo ano, Jorge Goulart e o Coral Som Livre regravaram "Heróis da liberdade", pela gravadora Sigla, e Zuzuca do Salgueiro regravou pela CBS "Apoteose ao samba". No ano de 1975, João Nogueira gravou pela Odeon "Heróis da liberdade". No ano seguinte, gravou pela Philips o seu segundo disco "O lendário Mano Décio da Viola". No ano de  1977, lançou seu terceiro LP pela gravadora CBS. Neste disco interpretou composições suas, como "Amor aventureiro",  "Desprezado", "Heróis da liberdade", "Caçador de esmeraldas", "Exaltação a Duque de Caxias". Ainda neste ano, seu filho Jorginho do Império gravou pela Odeon "Medalhas e brasões", de sua autoria com Silas de Oliveira, e o cantor Abílio Martins gravou "Sessenta e um anos de República", pela gravadora Sigla. Em 1978, Dona Ivone Lara gravou da dupla (Silas de Oliveira e Mano Décio) o samba "O Império tocou reunir", o conjunto Samba Maior regravou "Medalhas e brasões" e Roberto Ribeiro gravou "Glória e graça da Bahia" (c/ Silas de Oliveira e Manuel Ferreira). Ainda no ano de 1978, Paulinho da Viola gravou pela EMI-Odeon o samba "Apoteose ao samba". Em 1984, quando morreu, estava preparando o seu quarto disco. Compôs mais de 500 músicas e, com o parceiro Silas de Oliveira, foi um dos pioneiros na composição de sambas-enredos para desfiles de escolas no carnaval. O Império Serrano desfilou 19 vezes com sambas-enredo de sua autoria, sendo campeão quatro vezes. Constam entre seus maiores sucessos as músicas: "Exaltação a Tiradentes", "Heróis da liberdade" e "Conferência de São Francisco". No ano de 2002, foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor. Neste mesmo ano, Martinho da Vila incluiu "Heróis da liberdade" em seu novo disco "Voz e coração", lançado pela gravadora Sony Music. Entre seus intérpretes constam Chico Buarque, Cauby Peixoto, Maria Creza, Elis Regina, Jorginho do Império, Jair Rodrigues, Martinho da Vila, João Bosco, Abílio Martins, João Nogueira, Paulinho da Viola, Jorge Goulart, Mestre Marçal, Roberto Silva e Maria Rita em "Aula de samba". Lançado no ano de 2011 pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes, em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin), o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gravações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Roberto Silva interpretou, de sua autoria, no CD volume 7 "Exaltação a Tiradentes" (c/ Penteado e Estanislau Silva) e Beth Carvalho, no mesmo disco a faixa "Heróis da liberdade" (c/ Manuel Ferreira e Silas de Oliveira).

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