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Jovem Guarda



Dados Artísticos

Movimento musical surgido em São Paulo, em 1965, a partir de programa com o mesmo nome apresentado pela primeira vez em 22 de agosto daquele ano, pelo cantor e compositor Roberto Carlos, em companhia do também cantor e compositor Erasmo Carlos e da cantora Wanderléa, na TV Record de São Paulo. O programa foi criado pela agência de propagandas Magaldi, Maia e Prosperi, a pedido da emissora, que precisava colocar no ar uma programação que substitisse os jogos de futebol, cuja transmissão ao vivo fora proibida. Os idealizadores do programa aproveitaram então uma frase de Lênin, o revolucionário russo, onde ele dizia que o futuro pertencia à jovem guarda e colocaram em cena jov0ens artistas que já se faziam notar há pelo menos dois anos, desde o sucesso de "Splish splash", uma versão de Erasmo Carlos para composição de B. Darin e J. Murray, gravada por Roberto Carlos. O programa tornou-se rapidamente um enorme sucesso, atraindo centenas de jovens que todo domingo acorriam às dependências do Teatro Record para assistir as apresentações do trio fixo, Roberto, Erasmo e Wanderléa, além de convidados como Renato e seus Blue Caps, Wanderley Cardoso, Os Incríveis, Deni e Dino, Martinha, Rosemary, Leno e Lilian e Eduardo Araújo, entre outros. Com o sucesso alcançado, o nome do programa acabou virando sinônimo do rock nacional, produzido em meados dos anos 1960, recheado de versões de canções dos Beatles e outros artistas ingleses e norte americanos, com temáticas amorosas, adolescentes e açucaradas, contribuindo para a geração dos primeiros ídolos jovens da música brasileira. Com muita alegria e descontração, transformaram o movimento num dos maiores fenômenos nacionais. Todo um comportamento jovem, daquele período, desde o modo de vestir até as gírias e expressões, foi formatado a partir do programa e seus apresentadores. Fenômeno midiático que arrastou multidões, também designado como iê-iê-iê, em alusão direta à musica dos Beatles, a Jovem Guarda era vista com restrições por setores da crítica, uma vez que sua música era considerada alienada pelo público engajado, mais afeito, primeiro à bossa nova e, depois, às canções de protesto dos festivais. Entre os grandes sucessos musicais do movimento estão "Quero que vá tudo pro inferno", "Vem quente que eu estou fervendo" e "Eu te darei o céu", as três, parcerias de Roberto e Erasmo Carlos, gravadas por Roberto Carlos, "Pare o casamento", versão de Luís Keller gravada por Wanderléa, "Devolva-me", de Lilian Knapp e Renato Barros, gravada pela dupla Leno e Lilian, "O bom", de Carlos Imperial, gravada por Eduardo Araújo, e outras. O fim do programa, em 1969 acabou decretando também o fim do movimento, levando muitos dos artistas envolvidos no mesmo a buscarem outros rumos, segundo alguns estudiosos, isso ocorreria por processos desencadeados também pela Tropicália, que remixou a música nacional, como foi o caso de Sérgio Reis, que enveredou pela música sertaneja; Martinha, que continuou compondo, associando sua tendência romântica ao estilo de vozes em duo que marca o universo sertanejo, sendo gravada por duplas como Chitãozinho e Xororó, e o próprio Roberto Carlos que passou a ser identificado como cantor romântico.

O culto aos artistas e ao estilo Jovem Guarda se manteve através das décadas posteriores, criando, inclusive, novos simpatizantes, admiradores e estudiosos dedicados ao assunto. Em 1999, Ricardo Pugialli lançou, pela Editora Ampersand, o livro ""No embalo da Jovem Guarda", no qual remonta a partir de reflexões diversas o panorama do movimento, sua influências e decorrências. No ano 2000, o escritor Marcelo Fróes, estudioso do movimento, lançou o livro "Jovem Guarda - Em ritmo de aventura", em que encaminha, além de dados sobre o movimento, reflexões sobre seu significado no quadro da cultura nacional. São numerosos os depoimentos de artistas que surgiram posteriormente ao período final da Jovem Guarda, atestando sua importância, como Rodrigo Amarante, guitarrista, vocalista e compositor do grupo Los Hermanos, que declarou ter especial admiração pelo grupo The Pops, George Israel, compositor e saxfonista do Kid Abelha declarou concordar com a idéia de que a Jovem Guarda faz parte do DNA do pop nacional, por ter dado uma identidade daqui a um movimento avassalador que acontecia no resto do mundo. O músico reconhece que a forma de compor de Roberto e Erasmo é o principal legado do período na obra de seu grupo, além de uma identificação no formato da banda (dois homens e uma mulher) o trio que liderava o movimento. Em 2002, a TV Globo passou a apresentar o programa "Jovens tardes", que foi exibido até 2004, sempre nas tardes de domingo, em referência direta ao programa fundador. "Jovens tardes", apresentado pela cantora Wanessa Camargo, Fael Mondego (participante do projeto "Fama"), a dupla Pedro e Tiago e o grupo KLB, tentou reeditar o clima de amizade e celebração da Jovem Guarda, recebendo, como convidados, jovens expoentes do cenário da música brasileira, como Luiza Possi, filha da cantora Zizi Possi, entre outros, todos revelando algum viés da Jovem Guarda que os teria influenciado, direta, ou indiretamente, como foi o caso de Luiza. Esta, inclusive, revelaria: "A Jovem Guarda ensinou que preciso cantar o amor". Em 2004, A banda "Os Tremendões, formada por jovens músicos admiradores da Jovem Guarda, e adotando essa paixão no próprio nome, referência ao apelido de Erasmo Carlos, descobriram o músico Lafayette, um dos principais instrumentistas da Jovem Guarda, tocando forró em um bar de Niterói e o convidaram a tocar com eles, passando a apresentar-se em shows como "Lafayette e os Tremendões". Em 2005, espocaram diversos shows de comeração dos 40 anos da Jovem Guarda, como a série realizada pelo Sesc, que levou shows a várias unidades daquela entidade no Rio de Janeiro. Deles participaram vários expoentes do movimento, que se apresentaram juntos como Os Golden Boys, Wanderléa e os Os Fevers, entre outros. Nesse mesmo ano, o jovem cantor Felipe Dylon estourou nas paradas com "Ciúme de você", de Roberto e Erasmo, que foi grande sucesso da Jovem Guarda. Como parte das comemorações dos 40 anos da Jovem Guarda, que também ganhou temporada comemorativa no Teatro II do CCBB, Centro Cultural do Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, sob o título "Festa de Arromba" em que artistas do movimento se apresentaram, em dias e semanas sucessivas, em duplas, como Golden Boys e Vanusa nos dias 5, 6, e 7 de agosto, Erasmo e Wanerléa, nos dias 12, 13 e 14, Martinha e Wanderley Cardoso, em 19, 20 e 21, e, ainda, Jerry Adriani e Waldirene em 26, 27 e 28 do mesmo mês. O projeto, apresentado primeiro em Brasília, seguiu depois para São Paulo. Nesse mês de comemorações,em todo o país, foram publicados artigos e reportagens sobre o movimento, trazendo depoimentos, também, de jovens artistas sobre sua paixão pela Jovem Guarda. Com características fundamentadas no movimento, aparecem novos talentos, como o gaúcho Wander Wildner, ex-vocalista da banda punk Os replicantes, que declarou ter sido Roberto Carlos fundamental em sua formação. O escritor Marcelo Fróes, que estende as fronteiras da Jovem Guarda para além do rock, afirma que o estilo é determinante na estética dos cantores de repertório romântico, que passaram a ser vistos de forma pejorativa após o fim do movimento e reitera: "Naquela época o cantor solo tinha uma respeitabilidade que não existe mais. Hoje, quem não faz parte de uma banda, tem que ser MPB, ou corre o risco de ser chamado de brega". Marcelo Fróes que também é produtor fonográfico, lançou, em 2005, o site www.jovemguarda.com.br. Com informações sobre o gênero e seus artistas. As comemorações dos 40 anos do movimento contou, além de diversos shows, com o lançamento de vários discos e DVDs representativos, como o DVD do Originals, O grupo, formado por ex-integrantes dos Fevers, Renato e seus Blue Caps e Os Incríveis, fez o lançamento do DVD na FENAC Barrashopping, em 11 de agosto.Também foi lançado o CD e DVD "Um barzinho, um violão - Jovem Guarda 2005, com a participação de jovens artistas, como Luiza Possi, que deixou seu registro na música "Coração de papel", sucesso de Sérgio Reis na época. O "Tremendão" e a "Ternurinha", como eram chamados Erasmo Carlos e Wanderléa lançaram CD e DVD ao vivo, do qual também participaram os gruposThe Fevers e os Golden Boys, relembrando sucessos consagrados. Ainda dentro das comemorações, uma caixa com os discos de Erasmo Carlos da época foi lançada em setembro. Em fevereiro de 2006, a EMI lançou um pacote de 20 CDs que entitulou "Jovem Guarda", sob produção de Marcelo Fróes. Apesar do pacote abranger produções anteriores ao lançamento do programa que ficou conhecido como o marco inicial do rock brasileiro, seu título aglomera todo o cenário inicial deste gênero no Brasil, que, de alguma forma, passou pelos refletores do programa. É o caso dos irmãos Tony e Celly Campello e do grupo instrumental The Jordans, inspirado nos Jordanaires que acompanhavam Elvis Presley, e que começaram na Mooca em 1956, mas que vieram a integrar o grupo de artistas que se apresentaram no programa. A caixa que revê grandes momentos do que se intitulou iê-iê-iê brasileiro, registra cantores como Eduardo Araújo, Wanderley Cardoso, Golden Boys, Deny & Dino, Trio Esperança, Silvinha e a solista Evinha, que como tal viria a se apresentar posteriormente, mas que integrou o Trio Esperança, Sérgio Reis, Sérgio Murilo,entre outros, além do trio Roberto, Erasmo e Wanderléa. Em junho do mesmo ano, foi realizado show especial no Canecão, (Rio de Janeiro), rememorando a Jovem Guarda. O espetáculo foi apresentado por Wanderléa, Erasmo Carlos e o conjunto The Fevers, que receberam convidados. Ainda em 2006, Ricardo Pugialli lançou, pela Ediouro (SP) o "Almanaque da Jovem Guarda", uma coletânea de publicações contidas em jornais e revistas da época, como notícias, fotos, lançamentos de discos e classificações em diversas paradas de sucesso das composições e dos artistas da Jovem Guarda.

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