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José de Anchieta

José de Anchieta
7/4/1534 La Laguna de Tenerife, Canárias
9/6/1597 Reritiba, hoje Anchieta, ES

Dados Artísticos

Os seus autos, inspirados nos de Gil Vicente, têm sido considerados "uma espécie de teatro de revista indígena". O Auto de São Lourenço, sua mais acabada realização dramatúrgica, terminava por uma procissão com danças, na qual 12 curumins iam cantando louvores ao Santo, agradecendo e pedindo a ele proteção. Não conhecemos, infelizmente, a música destes cantos, mas podemos avaliar o caráter popular delas pela comparação com a ingênua simplicidade dos truques de encenação. Para representar a lua, um índio assomava ao fundo do palco improvisado alteando uma lanterna. Outro, para representar o vento, "enchia umas bochechas de deus Eolo, soprava com a cabeça fora do pano servindo de bastidores e um rancho de diabos vermelhos rolava no tablado". Sua obra dedicada aos domínios da música popular não tem sido ressaltada na bibliografia. Falaram dela sem maior profundidade Guilherme de Melo, Cernicchiaro, Mário de Andrade, Oneyda Alvarenga e poucos mais. Na tradição oral das populações do interior do Brasil, entretanto, a importância da contribuição do jesuíta está estabelecida com firmeza. Atribui-se a ele o aproveitamento do cateretê, inicialmente uma dança indígena, nas festas católicas no primeiro século da colonização, quando a bugrada dançava e cantava com textos cristãos escritos em tupi. Embora as referências mais antigas ao cateretê ou catira datem dos fins do século XIX, admite-se que a dança tenha se originado no século XVI. Para o caipira todas as danças são invenções diabólicas, exceto o cateretê, porque este foi abençoado e até praticado por Jesus em sua peregrinação terrestre. Esta superstição tem sido considerada uma sobrevivência histórica que comprova e reforça a tese de ter o cateretê resultado das práticas da catequese usadas por ele e os jesuítas. Guilherme de Melo, autor da primeira história da música brasileira, resumindo a influência do jesuíta em nossa formação musical, afirma que os seus autos "representam entre nós não só a criação do primeiro teatro nacional, mas ainda a primeira exibição de arte musical brasileira, baseada no sistema diatônico e cromático dos povos cultos". Corre no Vaticano um processo de canonização para o padre, que também foi homenageado ao se lhe dar o nome no Brasil a uma cidade do estado do Espírito Santo.

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