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Joel e Gaúcho



Dados Artísticos

Dupla vocal. Integrada pelos cantores Joel de Almeida, nascido em 1913 no Rio de Janeiro, RJ, e falecido em 1993, em São Paulo, SP, e por Francisco de Paula Brandão Rangel, o Gaúcho, nascido em 29/6/1911, na cidade de Cruz Alta, RS, e falecido na cidade do

Rio de Janeiro, RJ, em 31/3/1970. Conheceram-se em uma roda de boemia no bairro carioca de Vila Isabel onde tinha ido morar o cantor Gaúcho assim que chegara do Rio Grande do Sul. Começaram então a cantar juntos, com Joel batendo no chapéu-de-palha e Gaúcho tocando violão. Foram vistos por Renato Murce que os convidou para atuar na Rádio Philips com um chachê de 20 mil réis para cada um. Permaneceram no cast da Rádio Philips por dois anos. Em 1932, foram levados pelo locutor Cesar Ladeira para atuar na Rádio Mayrink Veiga. Em 1934, foram contratados pela Columbia e gravaram seu primeiro disco, lançado em fevereiro do ano seguinte quando a dupla obteve seu primeiro sucesso com o samba "Estão batendo", de Gadé e Valfrido Silva, em disco que trazia no lado B o samba "O chapéu é quem diz", de Joel de Almeida e Gaúcho, que teve acompanhamento de Pixinguinha e sua orquestra. No mesmo ano, gravaram pela Odeon a marcha "Amor de carnaval", de Joel de Almeida e Gaúcho, e o samba "Fiz um samba para o meu amor", de Valfrido Silva e J. Aimberê. Em 1935, a dupla gravou os sambas "Ai se tu soubesse", de Joel de Almeida e Gaúcho, e "Nosso amor morreu", de Carolina Cardoso de Menezes, com acompanhamento de Pixinguinha e sua orquestra. Também em 1935, registraram pela Victor as marchas "Pierrô apaixonado", de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, grande sucesso do carnaval seguinte, gravação que contou com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu e arranjos de Pixinguinha, e que seria escolhida a melhor marcha do carnaval de 1936 e incluída no filme "Alô, alô carnaval", de Adhemar Gonzaga com a participação da dupla, e "Maria acorda que é dia", de João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, lançaram pela Odeon os sambas "Não precisa pagar", de Miguel Bauso, F. Fernandes e Buci Moreira, e "Pequena futurista", de Francisco Matoso. Ainda em 1936, gravaram mais quatro disco, todos lançados no começo do ano seguinte, nos quais interpretaram os sambas "Vou lhe pedir um favor", de Nássara e Cristovão de Alencar, "E nunca mais voltou", de Castro Barbosa, "Mangueira", de Kid Pepe e Alcebíades Barcelos, e "Só falta você", de Nelson Ribeiro, além das marchas "Que Deus te ajude", de Nássara e Castro Barbosa, "Eu quero vê quebrar", de Nássara e Castro Barbosa, "Palhaço não chora", de Homero Ferreira, Kid Pepe e J. Piedade, e "Eu também quero roubar", de Hervê Cordovil. Em 1937, a dupla lançou mais três discos registrando os sambas "Parece mandinga", de Constantino Silva e Nelson R. da Silva, "Você não tem razão", de Pedro Caetano, e "Com as mãos nas cadeiras", de Benedito Lacerda e Gastão Viana, as marchas "Joia do Brasil", de Castro Barbosa, e "Você perdeu", de Benedito Lacerda e Darci de Oliveira, além do batuque "Batuque na cozinha", homônimo do famoso samba de João da Baiana. Em 1938, gravaram pela Columbia duas composições de Haníbal Cruz, o samba-rumba "Por causa da rumba", e o fox-canção "Prece ao luar". Ainda nesse, ano lançaram pela Odeon o samba "Madalena foi-se embora", de Antônio Almeida e Badu, e o choro "Garota", de Gadé. No ano seguinte, pela Columbia, foram gravadas a batucada "Cai, cai", de Roberto Martins, e a marcha "Todo barulho é pouco", de Roberto Martins e Nássara, e pela Odeon, os sambas "Se você fosse minha rosa", de Valfrido Silva e Pedro Caetano, "Um novo amor", de Haroldo Lobo, "Ninguém me obriga", de Antônio Almeida e Francisco dos Santos, e a marcha "Maria Cachucha", de Antônio Almeida e Saint Clair Sena. Em 1940, a dupla gravou mais três discos pela Columbia que incluíram os sambas "O amor regenera o malandro", de Sebastião Figueiredo, "Foi uma pedra que rolou", de Pedro Caetano, "Anúncio", de Alberto Ribeiro e Frazão, "Estou zangado com você", de Antônio Almeida e Frazão, e "Não vou pra casa", de Antônio Almeida e Roberto Roberti, além da marcha "Aurora", de Mário Lago e Roberto Roberti, com a qual a dupla obteve outro grande êxito carnavalesco no ano seguinte, marcha logo transformada num clássico do repertório carnavalesco e que ficou em segundo lugar no concurso de músicas para o carnaval de 1941, promovido pela Prefeitura do Distrito Federal. Essa marcha, na interpretação da dupla fez parte do filme "Céu azul". Ainda em 1941, foram gravadas a marcha "Até papai", de Roberto Roberti, Jorge Murad e Arlindo Marques Jr, o samba "Formigueiro", de Pedro Caetano, Francisco Santos e Joel de Almeida, a valsa "Sempre o mesmo velho Rio...", de João de Barro e Alberto Ribeiro, e a rancheira "Cabocla do coração", de Constantino Silva, os dois últimos discos lançados por eles na gravadora Columbia. Ainda nesse ano, passaram a gravar definitivamente na Odeon registrando os sambas "O morro começa aí", de Custódio Mesquita e Heber de Boscoli, "Estou com pernas bambas", de Pedro Caetano, Joel de Almeida e Gaúcho, "Vem cá Jurema!", de Raul Marques e Valdemar Silva, "Arrependido estou", de Humberto Carvalho e Joel de Almeida, e "É isso que ela quer!", de Romeu Gentil e Carvalhinho, as marchas "A mulher do padeiro", de J. Piedade, Germano Augusto e Nicola Bruni, e "Rebola, bola", de Joel de Almeida e José Gagliardi, a batucada "Isabel", de Garcês, Felisberto Martins e José Gagliardi, e os frevos "Dança do carrapicho" e "O passo do caroá", ambos de Nelson Ferreira e Sebastião Lopes. Em 1942, a dupla gravou mais seis discos com a rancheira "Saudade da roça", de Pedro Caetano e Joel de Almeida, a valsa "Canção do berço", de Carvalhinho e Humberto de Carvalho, os sambas "Saudade...comigo mora", de M. Amorim, R. Baima e Joel de Almeida, "Está chamando Iaiá", de Pereira Matos e Abigail Moura, "Era ela...", de Joel de Almeida, Miguel Baúso e Romeu Gentil, "Olá!...Antonico", de Luiz Soberano e Felisberto Martins, "Primeira escola", de Pereira Matos e Joel de Almeida, e "Peço licença", de João Bené, Nini e Augusto Alexandre, o choro "Sou bom chefe de família", de J. Batista e Joel de Almeida, e as marchas "Ai! Tereza!", de André Filho, "I love you Maria", de Antônio Almeida e Joel de Almeida, e "Olá seu Salomão!", de André Gargalhada, Joel de Almeida e Paquito. Em 1943, dentro do espírito de guerra da época a dupla gravou as marchas "O Danúbio azulou" e "Sai, quinta coluna", da dupla Nássara e Frazão. Ainda nesse ano, lançaram mais sete discos interpretando a canção "Ai, ai, ai!", de Osmar Perez Freire adaptada como samba por Joel de Almeida e Mário de Oliveira, as marchas "Quem me quer", de Joel de Almeida, Américo Seixas e Carvalhinho, "Se eu fosse índio", de Haroldo Lobo e Joel de Almeida, "Cavalinho bom", de Djalma Mafra e Joel de Almeida, "Os homens do lar!", de Roberto Roberti e Pedro Camargo, "Haja pão", de Felisberto Martins e Russo do Pandeiro, e "Não posso mais", de Pereira Matos e Carvalhinho, o samba-choro "Mais um episódio", de Braga Filho e Pedro Caetano, os sambas "Coitada", de Pedro Caetano e Ari Monteiro, "É triste não ter patroa", de Roberto Martins e Mário Rossi, "Só me falta dinheiro", de Roberto Roberti e Pedro Camargo, "Choro", de Pereira Matos e Carvalhinho, e "Ginga, ginga, ginga", de Pedro Caetano e Carlos Barroso, e o fox-canção "Onde estás", de Jorge de Castro, além de duas parcerias de Joel de Almeida e Pedro Caetano, o maxixe "Quem foi que disse?" e a valsa "Aceite o convite". Para o ano de 1944, a dupla lançou um total de sete disco com as marchas "Depois da hora", de Arlindo Marques Júnior e Augusto Garcez, "Não quero a mala", de Pereira Matos e Janet de Almeida, "Quero respeito", de Arnô Canegal, Janet de Almeida e Ari Monteiro, "Dança do repinica", de Haroldo Lobo e Benedito Lacerda, e "Mexicanita", de Benedito Lacerda e Haroldo Lobo, o "Swing do peru", de Ciro de Souza, os sambas "Bahia, rainha da lenda", de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho, "Hei de me vingar", de Romeu Gentil e Carvalhinho, "Censure quem quiser", de Mário de Oliveira e Osvaldo Paulo, "Lá vai ela chorando", de Pereira Matos e Janet de Almeida, "Guiomar", de Haroldo Lobo e Wilson Batista, "Vou me acabar", de Carvalhinho e Romeu Gentil, e "Está na hora", de Pereira Matos e Neneco. No ano de 1945, a dupla gravou apenas três discos com o bolero "Noemi", de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho, o samba "Adeus morena", de Antônio Almeida, os frevos-canção "Não deixe a minha companhia", de Nestor de Holanda e João Valença, e "Pra onde vais tão bonitinha?", dos Irmãos Valença, e as marchas "Mulata (Rainha do carnaval)", de Pereira Matos e Felisberto Martins, e "Eu fiz um fado", de Alberto Ribeiro e Janet de Almeida. Para o carnaval de 1946, a dupla gravou as marchas "Alá! Alá!", de Pedro Caetano e Claudinor Cruz, que foi interpretada com o grupo As Seis Pequenas do barulho, e "A marcha do balanceio", de Lauro Maia e Humberto Teixeira. Ainda nesse ano, a dupla lançou duas composições de Dênis Brean, o "Boogie-woogie do rato", que fez sucesso, e a batucada "Onde há fumaça, há fogo", duas composições da dupla Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti, a marcha "Deixa passar o trabalhador" e o bolero "Nuestro amor", o samba "Terra de ajuricaba", de Mendonça de Souza, e a rumba "Duerme, alma mia", de Lina Pesce e Giacomo Pesce, além do arrastá-pé "Samba quebrado", de Carvalhinho e Elpídio Viana, e o samba "Se você quiser voltar", de Carvalhinho, Romeu Gentil e W. Goulart em disco no qual apareceu no selo como Joel e Gaúcho Com Sua Turma. Em 1947, a dupla foi fazer uma excursão em Buenos Aires, capital da Argentina com apresentações na boate Embassy e na Rádio El Mundo. Em Buenos Aires, a dupla acabou por se separar com Joel de Almeida lá permanecendo em atividade. Gaúcho retornou ao Brasil. A dupla fez tentativas de retorno, como em 1948, quando gravou um disco na Continetal com o samba "Adeus Guiomar!", com adaptação de Al Jopan, e a marcha "Como é o seu nome?", de Al Jopan. Já em fase final de carreira, num momento em que transformações na música popular brasileira como, por exemplo, o surgimento do baião, colocavam duplas vocais como a deles em segundo plano, transferiram-se em 1951 para a gravadora Todamérica registrando nesse ano as marchas "Ai amor", de Freire Júnior, e "Madame Buttlerfly", de Antônio Almeida. Ainda em 1951, lançaram mais dois discos nos quais apareceram no selo como Joel e Gaúcho e Seu Ritmo Alegre interpretando os sambas "Hoje ou amanhã", de Norival Reis e Rutinaldo, e "Não consigo esquecer", de Edgard Cardoso e Ricardo Galeno, e as marchas "Não quero bolso, não", de Antônio Almeida e Luiz Antônio, e "Metade é bicho", de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti. Em 1952, a dupla lançou seu três últimos discos interpretando o baião "Desta vez ele vai", de José Bittencourt, o samba-choro "Dinheiro mole", de José Bittencourt e Cristóvão de Alencar, o samba "Virou cabeça", de Cláudia Sandoval, e as marchas "Senhor Cabral", de Pedro Caetano e Cláudia Sandoval, "Saudade da Aurora", de Antônio Almeida, Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior, "Aves de arribação", de Norival Reis e Alberto Rego, "Língua comprida", de Isaias Ferreira, Jorge Faraj e Alberto Jesus, e "Mulher falsa", de Pedro Caetano e Claudionor Cruz.

A dupla se desfez em 1952, após vinte anos de carreira. Gaúcho abandonou o Rádio e foi morar na cidade de Itacuruçá no interior do Rio de Janeiro enquanto Joel de Almeida seguiu a carreira artística sozinho. Durante esse tempo, a dupla gravou 65 discos em 78 rpm, registrando músicas de Pedro Caetano, Arlindo Marques Júnior, Roberto Roberti, Roberto Martins, Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Mário Lago, Claudionor Crus, Denis Brean e outros, além de composições da própria dupla pelas gravadoras Columbia, Odeon, Continental e Todamérica. Em 1962, a dupla tornou a se reunir e gravou pela RCA Victor o LP "Joel e Gaúcho" registrando os seus grandes sucessos, disco comemorativo aos 30 anos de formação da dupla. Estão presentes nesse LP as músicas "Estão batendo", de Gadé e Walfrido Silva, "Pierrot apaixonado", de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, "O chapéu também diz", de Joel de Almeida e Gaúcho, "Canção pra inglês ver", de Lamartine Babo, "Não precisa pagar", de Miguel Bauso, Bucy Moreira e Francisco Fernandes, "Anúncio", de Eratóstenes Frazão e Alberto Ribeiro, "Aurora", de Mário Lago e Roberto Roberti, "Pequena futurista", de Francisco Matoso, "Cai cai", de Roberto Martins, "Boogie Woogie do rato", de Denis Brean, "Parece mandinga", de Constantino Silva "Secundino" e Nelson R. da Silva, e "Ti-pi-tin", de Maria Grever em versão de Osvaldo Santiago. Além de "Aurora", os outros grandes sucessos da dupla foram as marchas "Cai cai" e "Pierrô apaixonado". Em 2001, o selo Revivendo na série "Carnaval, sua história, sua glória - volume 15" relançou a marcha "Aurora" em sua gravação original com acompanhamento da orquestra Columbia. Em 2006, foram homenageados na Rádio Cultura FM no programa "A voz popular", apresentado por Luís Antonio Giron. No programa foram relembrados os sucessos "Estão batendo", de Gadé e Valfrido Silva, "Aurora", de Mário Lago e Roberto Roberti, "Pierrot Apaixonado", de Heitor dos Prazeres e Noel Rosa, e "Canção Para Inglês Ver", de Lamartine Babo, além de depoimentos dos historiadores Jairo Severiano e Juvenal Fernandes. Ficaram conhecidos como "Joel e Gaúcho, os irmãos gêmeos da voz".

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