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Joaquim Calado

Joaquim Antônio da Silva Calado Jr.
11/7/1848 Rio de Janeiro, RJ
20/3/1880 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

O compositor e flautista é considerado por todos os estudiosos da música popular brasileira como a figura de proa na implantação e fixação do "Choro", nos últimos 20 anos do Império no Brasil. Foi pioneiro, e bem pode ser considerado o criador do choro, ao incorporar a flauta aos violões e cavaquinhos, instrumental comum aos conjuntos da época. Seu grupo, que ficou conhecido como "O Choro de Calado", era constituído por um instrumento solista, no caso a flauta, dois violões e um cavaquinho. Aos três instrumentistas de cordas exigia-se boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico. O compositor trabalhou com inúmeros instrumentistas, que se destacaram na fase de fixação da nova maneira de interpretar  modinhas, lundus,valsas e polcas. Eram muitos os chorões com quem conviveu. Dentre estes, podemos citar: os flautistas Viriato (seu grande amigo), Luisinho, Bacuri, Inacinho Flauta, Soares Caixa-de-fósforos, Artur Fluminense; os violonistas Juca Vale, Manduca do Catumbi, Capitão Rangel e o cavaquinista Zuzu Cavaquinho.  Iniciou seus estudos musicais (piano e flauta) possívelmente com o pai. Em 1856, começou a estudar composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. O curso foi logo interrompido porque o maestro, no ano de 1857, seguiu em viagem de estudos para Paris. O compositor destacou-se com a flauta, tornando-se um virtuoso muito popular no Rio de Janeiro da 2ª metade do século XIX. Começou a trabalhar como músico profissional desde muito jovem, tocando em festas e bailes. É provável que sua primeira exibição em sala de concertos, como flautista, tenha ocorrido em julho de 1866, numa apresentação para a família imperial no Teatro Ginásio Dramático.  Sua primeira composição, "Querosene", data de 1863. Aos 19 anos, obteve o seu primeiro sucesso com a quadrilha "Carnaval de 1867". Em 19 de julho do mesmo ano, perdeu o pai, aos 52 anos de idade. No dia 13 de janeiro de 1869, conseguiu ver publicada, pela primeira vez, uma obra sua: a polca "Querida por todos", dedicada à compositora e amiga Chiquinha Gonzaga. A década de 1870 lhe trouxe muitas vitórias profissionais. Teve outras obras suas publicadas: a polca "Linguagem do coração", em 1872; a polca "Íman", em 1873; as polcas " Como é bom", para flauta solo e "Cruzes, minha prima", em 1875, que por sinal foi uma das músicas de maior sucesso do final do século XIX. Ainda em 1873, foi o reponsável pela primeira vez em corcerto do gênero lundo, tido até então como música de escravos. Seu "Lundu  característico" obteve tamanho sucesso que, segundo o pesquisador Vasco Mariz, "lhe redeu a nomeação para a cadeira de flauta  do Imperial Conservatório de Música". Seu prestígio era tanto no fim dos anos 1870, que em 1879 foi condecorado com a Ordem da Rosa, no grau de Comendador, junto com os outros professores do Conservatório. Esta era a mais alta condecoração oferecida pelo Império. Foi também nomeado professor de música do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, por intermédio de seu padrinho, o marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga, pai de sua companheira de "choro", Chiquinha Gonzaga.  Logo após o carnaval de 1880, a população do Rio de Janeiro conviveu com uma epidemia de meningite. Contraiu a doença e faleceu em março, prematuramente, deixando viúva a mulher, órfãos os cinco filhos e saudosos seus companheiros de "choro". O compositor, no entanto, já era reconhecido como a figura mais representativa do novo estilo de interpretação que marcou aquela época: o Choro. Um mês depois de sua morte, foi publicada pelas casas editoras sua última música "Flor amorosa", que se tornou um clássico da música popular brasileira, que recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense. Elevou a virtuosidade da flauta, imprimiu estilo próprio à execução desse instrumento, tocando a melodia em rápidos saltos oitavados, de forma que os ouvintes tivessem a impressão de estarem ouvindo duas flautas simultaneamente. Tornou-se exemplo para toda uma escola de flautistas extraordinários, entre os quais, Viriato, Patápio Silva, Nola, Plínio, Henrique Flauta, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho. Uma grande parte de suas composições recebeu nome de mulher. É considerado por todos como  o "Pai dos Chorões". Foi homenageado em 1974 na coleção de elepês "MPB 100 ao vivo", extraídos da série radiofônica do mesmo nome, irradiadas para todo o Brasil pela cadeia de emissoras do Projeto Minerva, programas produzidos e apresentados por Ricardo Cravo Albin. Em 1975, a homenagem se repetiu pelo mesmo R. C. Albin, dentro do show "Do chorinho ao samba", em que o produtor atuava como narrador ao lado de Altamiro Carrilho e de Paulo Tapajós, espetáculo que correu várias cidades, de Curitiba a Vitória. Em 1976, seu clássico choro "Flor amorosa" foi incluído no álbum duplo "Choradas, chorões, chorinhos" produzido por Ricardo Cravo Albin e Mozart Araújo para a Companhia Internacional de Seguros como brinde de final de ano. Para esse álbum foi feita uma gravação especial com a primeira "parte segundo a partitura original do autor e com um agrupamento musical baseado nas formações dos conjuntos da época (1880)", segundo informações constantes no encarte do álbum. Dessa gravação participaram os músicos Altamito Carrilho na flauta; Voltaire no violão de 7 cordas, e Valmar no cavaquinho.  Em 2003, foi lançado pela gravadora Acari em conjunto com a Arte Fato Produto Cultural um estojo com 5 CDs com obras suas acompanados por um livreto biográfico assinado por André Diniz. Os CDs foram produzidos por Maurício Carrilho após três anos de pesquisas. Estão presentes nos CDs os artistas Hermeto Pascoal, Sivuca, Joel Nascimento, Déo Rian, Pedro Amorim, Izaías, Altamiro Carrilho, Toninho Carrasqueira, Odette e Andréa Ernest Dias, Marcelo Bernardes,  Paulo Sérgio Santos, Yamandú Costa; Zé da Velha, Silvério Pontes e os grupos Época de Ouro, Rabo de Lagartixa, Quarteto Maogani, Nó em Pingo D'água, Abraçando Jacaré, Galo Preto, Sarau e Quinteto Villa Lobos. Na epígrafe do livreto á uma citação do escritor Machado de Assis que assim se refere ao flautista: "Quando me falaram de um homem que tocava flauta com as mãos respondi, eu já ouvi o Calado". Ainda nesse conjunto de CDs, sua polca "Flor amorosa" recebeu cinco versões diferentes. Em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o ICCA - Instituto Cultural Cravo Albin a caixa "100 anos de música popular brasileira" com a reedição em 4 CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975. No volume 1 desses CDs está incluído seu choro "Flor amorosa", com letra de Catulo da Paixão Cearense, na interpretação de Altamiro Carrilho e Conjunto. Em 2013, teve duas composições gravadas pelo pianista Luiz Eduardo Domingues, no CD "Pianeiros", o primeiro do pianista: as polcas "Como é bom" e "Flor amorosa".

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