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João do Vale

João Batista do Vale
11/10/1933 Pedreiras, MA
6/12/1996 São Luís, MA

Crítica

Quando Cirilo e Leovegilda do Vale, camponeses de Pedreiras, sertão do Maranhão, surpreenderam o filho João, de cinco anos, cantando os temas do Boi Bumbá, estavam ainda longe de suspeitar que aquele menino se tornaria um dos maiores nomes da música popular nordestina. Ponho-me a imaginar um país que desse aos seus cidadãos iguais oportunidades ou um mínimo de chance de educação. Analfabeto, negro, pobre e sertanejo, João do Vale sofreu na pele toda a sorte (melhor seria dizer azar) de mazelas e preconceitos. Mas não suficientes para deter sua prodigiosa veia artística e o dom divino da melhor poesia. Edu Lobo chamava simplesmente de puro talento. Chico Buarque foi seu admirador e depois protetor. Toda uma geração de artistas nordestinos que viria a seguir beberia da sua fonte, como Fagner, Alceu, Geraldinho e Zé Ramalho, ou os pós-modernos Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, Carlos Malta, entre outros. O maranhense João do Vale chegou ao Rio em 1950, com 17 anos, para trabalhar como ajudante de obras e, nos raros momentos de folga, rabiscava suas poesias. Trabalhando numa obra em Copacabana, todas as noites, depois do trabalho, batia ponto nas rádios Nacional e Tupi. Com o destino dando uma mãozinha, foi apresentado a Luiz Vieira, que prometeu dar uma olhada nos seus versos. O sucesso da parceria foi imediato. Disposto a apresentar suas próprias canções, João começou então a aparecer no bar carioca ZiCartola, onde conheceu Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, que o convidou para fazer parte do lendário show “Opinião”, ao lado de Zé Kéti e Nara Leão. A partir daí, gravou seu LP "A Voz do povo" e teve mais dois discos produzidos por Chico Buarque, além das famosas canjas no Forró Forrado, no Catete. Em conseqüência de um derrame cerebral e suas complicações, em dezembro de 1996, morria o poeta do povo, deixando como principal legado um exemplo de vida simples, seu jeito anárquico, irreverente e sua gargalhada irresistível. Um cantador genuíno e brasileiro que representou o grito contido das massas contra todo o tipo de injustiça social. E de quebra, ainda se transformou num dos maiores nomes da música nordestina de todos os tempos.





Márcio Paschoal

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