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Irmãos Valença



Dados Artísticos

Compositores.

João Vitor do Rego Valença - Recife, PE - 1890 - Recife, PE - 1983

Raul do Rego Valença - Recife, PE - 1894 - Recife, PE - 1977

Irmãos. João Vitor começou a aprender piano com o professor Artur Marques de Oliveira com apenas oito anos de idade. Estudou ainda solfejo com o professor Ramalho e depois seguiu estudando sozinho. Em 1914, Raul começou a aprender violão com o professor Cândido Filho, prosseguindo depois os estudos por conta própria. Os irmãos cresceram em ambiente musical, pois a família Valença cultivava a tradição de fazer representações de presépios de Natal, baseados em cenas de óperas e operetas. Em 1924, formaram o Grêmio Familiar Madalenense, sociedade teatral composta com primos e amigos, onde fizeram suas primeiras composições para teatro. No mesmo ano encenaram a opereta "Espinho de rosa". Em seguida vieram as comédias musicadas "Gato escaldado", "Cartazes de amor", "Coração de violeiro", do gênero opereta regional, "Morenas brasileiras" e "Querida sinhá". Compuseram também algumas revistas musicais. João Valença compôs ainda outras peças com outros parceiros, entre os quais Silvino Lopes e Samuel Campelo. Entre estas peças estão, "Noites de novena", "Uma senhora viúva" e "Luar do Norte", além das peças infantis "O pequeno Polegar" e "Mulatinha". Todas elas foram representadas no Grêmio Familiar Madalenense e posteriormente no Teatro Santa Isabel, em Recife, pelo grupo Gente Nossa. Em 1930, compuseram sua primeira música de carnaval, a marcha "Mulata", que entraria para a história da MPB dois anos depois, quando Lamartine Babo a adaptou, lançando-a, com outro título, para o carnaval daquele ano (1932). No mesmo ano, Vicente Cunha e Helena de Carvalho gravaram o samba "Vamos se casá". O mesmo Vicente Cunha gravou também em 1930 mais três discos com composições dos Irmãos Valença, entre as quais o samba "Tua boca", a canção "Mandinga" e a toada "Boiadeiro do Norte". Em 1931, a mesma dupla Vicente Cunha e Helena de Carvalho gravou a modinha "Iracema" e Celina Nigro gravou a canção "Rendeira". Em 1932, Lamartine Babo introduziu modificações na marcha "Mulata", transformando-a em "O teu cabelo não nega", gravada no mesmo ano por Castro Barbosa, e que se tornaria um dos maiores clássicos do carnaval carioca e brasileiro, símbolo qualificado do repertório carnavalesco. A autoria da marcha gerou diversas polêmicas e muitas controvérsias, pois foi muitas vezes apenas atribuída a Lamartine Babo. Os próprios Irmãos Valença se encarregaram de desfazer o equívoco, chegando a ir à Justiça, onde ganharam em todas as instâncias, o que obrigou a RCA Victor a modificar todos os selos dos discos, além de pagar uma indenização de 40 contos de réis. Em 1933, Carlos Galhardo estreou em disco, gravando de João Vitor e Raul a marcha "Você não gosta de mim", um pouco antes de gravar "Boas festas", de Assis Valente, seu primeiro grande sucesso. Em 1934, Madelou de Assis e Francisco Alves gravaram dos irmãos a marcha "A lua veio ver". No mesmo ano, Mário Reis gravou a marcha pernambucana "Você faz assim comigo". Em 1935, Almirante gravou a marchas canções "Se tu quiseres uma casinha". Em 1936, Augusto Calheiros gravou duas marchaa canções de autoria dos irmãos, "Que esperança, meu bem" e "Boneca sem coração". Em 1937, Manezinho Araújo gravou os frevos-canções "Sebastiana" e "Um sonho que durou três dias", sendo que este último se tornou outro grande êxito carnavalesco dos Irmãos Valença. Em 1938, Carlos Galhardo gravou o frevo-canção "Máscara de veludo" e o maracatu "Pisa baiana", com o qual obteve grande sucesso. No mesmo ano, Odete Amaral gravou o frevo-canção "O mandarim". Em 1939, Carlos Galhardo gravou mais três composições dos irmãos pernambucanos, os frevos-canções "Foi você" e "Nós dois" e o maracatu "Sustente o baque", com o qual obteve sucesso. Em 1940, dois frevos-canções, "Jangadinha do amor" e "Ou... já vou", foram gravados por Edmundo Silva. Em 1941, Cyro Monteiro gravou o frevo-canção "Dama de ouro". Em 1942, Cyro Monteiro gravou os frevos "Lá... rá... lá... lá" e "Rosinha". Em 1943, Carlos Roberto gravou o frevo-canção "Malmequer". Em 1944, Carlos Galhardo gravou o frevo-canção "Senhorita Saudade" e em 1946 o também frevo-canção "Quem quebrou sua cuíca". Outros frevos-canções de autoria da dupla foram gravados por diferentes intérpretes. Nélson Gonçalves gravou em 1947 "As covinhas de iaiá", Alcides Gerardi gravou "Está legal", em 1948, Carlos Galhardo gravou "Morena da Sapucaia" e "O teu lencinho", em 1950, e "Saudade", em 1951. Francisco Carlos gravou "É de toda mulher", em 1952, Guio de Morais e seus Parentes gravaram "Raminho de flores", no mesmo ano, e a Orquestra Tabajara gravou "Ninguém me tira o pedaço", em 1955. Foram por três vezes vencedores do carnaval de Recife, com o maracatu "Ô, já vou" e as marchas "Nós dois" e "Foi você". Participaram do bloco carnavalesco Pavão Dourado, para o qual compuseram as marchas "A gruta do pavão", "Onda giratória" e "Saudade", entre outras. Compuseram ainda marchas e frevos para os clubes Lenhadores e Vassourinhas. João Valença escreveu as canções "Viola querida", "Capionga" e "Devoção" e com Ariano Suassuna, o "Hino de São Sebastião". Antes de falecer, Raul Valença compôs o frevo-canção "Xique-xique-bum" e o maracatu "Rainha dos Palmares" para o carnaval de 1978. Compuseram ainda canções, valsas, fox, toadas e músicas juninas, sendo considerada pela crítica uma das duplas mais expressivas de compositores-irmãos da história da música popular brasileira. Em 1973 tiveram o frevo "Um sonho que durou três dias" regravado pelo Quinteto Violado para o disoc "Música popular do nordeste", pelo selo Marcus Pereira.

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