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Henrique Vogeler

Henrique Gypson Vogeler
11/6/1888 Rio de Janeiro
9/5/1944 Rio de Janeiro

Dados Artísticos

Participou do teatro musicado intensamente, dando grande contribuição à música popular brasileira dos anos 1920 aos anos 1940. Começou a compor por volta de 1910 para um teatro de amadores organizado pelo engenheiro da EFCB, Manoel da Silva Oliveira, seu colega de trabalho. Chamava-se Teatro Excelsior. Passou a freqüentar o meio musical e a tocar em bailes e festas, principalmente obras de Nazareth e Chiquinha Gonzaga. Em 1917, foi o autor das músicas da comédia "Salada d'Amor, de Itatiaia de Matos, que marcou a sua estréia como músico profissional. Em 1919, com Domingos Roque, fez as músicas para a opereta "Sinhá", de Rafael Gaspar e J. Praxedes. Entre os anos de 1920 e 1924, substituía, eventualmente, Ernesto Nazareth na sala de espera do Cine Odeon, onde o compositor tocava piano antes das sessões.

Em 1921, fez música para as revistas: "Duzentos e cinqüenta contos", de Carlos Bittencourt e Frederico Cardoso de Menezes; "Água no bico", de Raul e J. Praxedes; "Rios de dinheiro", de Pedro Cabral e "O chamariz", de Cândido Costa, apresentadas no Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro. Em 1923, fez as músicas da revista "Cruzeiro do sul", de Paulo Magalhães, apresentada no Teatro República. Em 1925, compôs músicas para a revista "Se a moda pega", de Carlos Bittencourt e Cardoso de Menezes, apresentada no Teatro São José. No ano seguinte, a revista-féerie "Pão de açúcar", de Luiz Peixoto e José Segreto, apresentada no Teatro São José, fez grande sucesso com músicas suas. Em 1927, compôs as músicas para mais cinco revistas: "Florzinha", opereta de Ivete Ribeiro, na qual fez parceria com Bento Moçurunga; "Agüenta a mão", de Afonso de Carvalho e Otávio Tavares, fazendo parcerias com o maestro Stabile; "Ouro à bessa", de Djalma Nunes, Jerônimo de Castilho e Lamartine Babo, que também compôs músicas assim como o maestro Stabile, todas apresentadas no Teatro João Caetano. Fez também as músicas para "Circo u-o-cin-ton", de Luiz Peixoto e Gilberto de Andrade e "As bonecas da avenida", de Gastão Tojeiro.

Em 1928, teve gravados os maxixes "Cafajeste", por Francisco Alves e "Flor de maracujá" pela Rio Dance Orquestra, ambos na Odeon. No mesmo ano, fez para a cena de abertura da revista "A verdade ao meio-dia", do argentino J. G. Traversa, o samba-canção "Linda flor". Essa melodia acabou recebendo várias letras. Segundo historiadores, como Ary Vasconcelos e José Ramos Tinhorão, constituiu-se no primeiro exemplo do gênero samba-canção. É possível que o autor gostasse e acreditasse na canção, a ponto de procurar a melhor letra para ela. O fato é que recebeu três letras: "Linda flor", de Cândido Costa, para a peça "A verdade do meio-dia", "Meiga flor", de Freire Júnior e a definitiva "Iaiá", de Luís Peixoto, para a peça "Miss Brasil", que acabou consagrada na voz de Aracy Cortes com o nome de "Ai, Ioiô". As três foram gravadas - "Linda flor", na voz de Vicente Celestino, na Odeon; "Meiga flor", na voz de Francisco Alves, na Parlophon e "Ai, Ioiô", na voz de Aracy Cortes, na Parlophon, todas no ano seguinte. A canção recebeu ainda uma quarta letra, cômica, de Nelson de Abreu, lançada no disco "Miss favela", de novembro de 1930 pela Parlophon. Na Alemanha, "Ai, Ioiô" chegou a ganhar um prêmio.

Ainda em 1929, compõs com Joracy Camargo o samba "Morena, adivinha que eu gosto de ti", gravado por Francisco Alves e, com Alfredo Albuquerque, a cançoneta "Seu pimenta" e a canção "Um a zero", gravadas pelo próprio Alfredo Albuquerque. Ainda no mesmo ano, Mário Reis gravou seu samba "É tão bonitinha" e Laís Areda a canção "Jambo cheiroso" e o samba "Feijoada". Também no mesmo ano, compôs com J. Menra e Lamartine Babo as canções "Bandeirante" e "Sonhos de natal" e as toadas "Mineirinha" e "Meu Ceará", gravadas por Gastão Formenti na Odeon. A partir de 1930, tornou-se diretor artístico das gravadoras Brunswick e Odeon. Foi nesse período que cometeu um grande equívoco, que passou para a história da música popular brasileira. Lançou, em janeiro de 1930, uma então desconhecida cantora, de nome Carmen Miranda. O disco recebeu o nº 10013 e reunia o samba "Não vá simbora" e o choro "Se o samba é moda", de Josué de Barros. O acompanhamento era feito pelo Trio Barros. A gravação passou despercebida e ele, não querendo arriscar seu cargo com outra tentativa frustrada, demitiu a novata "por falta de qualidade". No mês seguinte, Carmen Miranda lançava pela gravadora concorrente, a RCA Victor, a marchinha "Pra você gostar de mim" ("Taí"), de Joubert de Carvalho. A música alcançou enorme sucesso e fez decolar a carreira daquela que se tornaria um grande mito da Música Popular Brasileira. Enquanto foi diretor da Brunswick, fez várias gravações, acompanhando cantores ao piano. Dalton Vogeler, um sobrinho-neto seu, revelou ao crítico e historiador José Ramos Tinhorão que esses acompanhamentos eram muitas vezes feitos de improviso: "ele fazia a introdução num tom qualquer, passando quase que insensivelmente para o tom do cantor, em verdadeiros estudos de harmonia". Na Odeon acompanhou gravações de Gastão Formenti, Mozart Bicalho e Gusmão Lobo.

Ainda em 1930, Gastão Formenti gravou seus sambas-canção "Sou Ioiô de Iaiá" e "Bamba". No mesmo ano, Sílvio Vieira gravou suas canções "Canção discreta" e "Meu amô foi simbora" e o samba-canção "Eu tenho fé", parceria dos dois. Ainda no mesmo ano, fez com Laura Suarez as canções "Velha canção" e "Os olhos de você", gravadas pela própria Laura na Brunswick. Também em 1930, como diretor da Brunswick, foi responsável pelo lançamento do cantor Sílvio Caldas, que gravou seu samba "Ioiô deste ano". Em 1931, retornou ao teatro de revista, depois de deixar o cargo na Brunswick. Fez com Ari Kerner músicas para a revista "Olha o Congo", de Raul Pederneiras e para a revista " O meu pedaço", de Raul Pederneiras e do Barão de Itararé. Atuou também como músico em várias peças. Ainda no mesmo ano, Aracy Cortes gravou seu samba-canção "Dentinho de ouro", parceria com Horácio de Campos, Gastão Formenti a canção "Na minha casa", parceria com Luiz Peixoto e Laura Suarez, a canção "Romance". Ainda na Brunswick acompanhou ao piano gravações de Gastão Formenti, Sílvio Vieira e Sílvio Caldas, entre outros. Em 1932, Gastão Formenti gravou na Victor a canção "Na minha casa", parceria com Luiz Peixoto, e o romance "Este amor". No mesmo ano, compôs com Noel Rosa a "Rumba da meia-noite" e com Arlindo Marques Júnior a marcha "Seu João", gravadas por Dina Marques e Nenéo das Neves na Columbia. Também em 1932, compôs as músicas para a peça teatral "Canção brasileira", de Luis Iglésias e Miguel Santos, que tinha como protagonistas o casal "samba" e "canção" vividos então pelo cantor Vicente Celestino e pela atriz e cantora Gilda de Abreu que acabariam por se casar em pleno palco. No ano seguinte, compõs com Jararaca a canção "Céu do Brasil", gravada na Victor por Augusto Calheiros. No mesmo ano, conheceu seu maior sucesso teatral na revista "A canção brasileira", de Miguel Santos e Luís Iglézias que teve mais de 300 apresentações no Teatro Recreio. Fez ainda as músicas para as revistas "Micróbio do amor", de Paulo Orlando e Duque e "A cantora do Rádio", de Miguel Santos. Em 1935, escreveu com Sá Pereira e José Francisco de Freitas as músicas para a revista "Galinha morta", dos Irmãos Quintilhiano. Em 1937, Gastão Formenti gravou na Victor a canção "Teu olhar" e o lundu "Alma do sertão", esta última, uma parceria com Edmundo Maia. Em 1938, fez música para a revista "Romance dos bairros", de Luis Iglézias e Miguel Santos.

Em 1940, musicou com Sofonias Dornelas a opereta "Império do amor". Em 1942, musicou a burleta "Sabiá da favela", de Paulo Orlando e Freire Júnior. Em julho de 1943, recebeu o convite do maestro Villa-Lobos para auxiliá-lo no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Nessa época, sua canção "Minha terra" foi entoada por 600 escolares no estádio Governador Bley. Deixou diversas operetas inéditas, entre elas: "Gigante papa-gente", "Magia negra", "Senhorita" e "Branca de neve". Em 1946, sua música abriu a série de programas apresentados por Almirante na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, intitulada "História das orquestras e músicos do Brasil". Cinco anos após sua morte, recebeu homenagem da Prefeitura do Rio de Janeiro, que deu o nome de Maestro Henrique Vogeler a uma rua no bairro de Brás de Pina. Em 1964, sua biografia abriu a série de reportagens do jornalista José Lino Grünewald sobre compositores cariocas. Em 2005, o musical "Canção brasileira", de Luis Iglesias e Miguel Santos, com músicas suas foi remontado com direção do ator Paulo Betti com os atores Mariana Betti no papel da "canção" e Wladimir Pinheiro no papel do "samba".

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