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Helena de Lima

Helena de Lima
17/5/1926 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Uma das grandes intérpretes da noite, construiu uma carreira de sucesso quase sempre priorizando os ambientes intimistas das mais famosas boates cariocas e paulistas, nas quais cantou por mais de 25 anos. César Ladeira descobriu-a, em meados da década de 1940, em um de seus programas na Rádio Nacional, onde a cantora se apresentou como caloura. Em 1948, começou a trabalhar como "crooner" na boate Pigalle, no Rio de Janeiro. Logo depois já estaria cantando na boate do Copacabana Palace. No início dos anos 1950, fez temporada na boate Oásis, em São Paulo. De volta ao Rio de Janeiro, trabalhou como "crooner" do conjunto de Djalma Ferreira. Ainda em 1950, gravou seu primeiro disco, pela Todamérica, interpretando o baião "Bodocongó", de Humberto Teixeira e Cícero Nunes e o remeleixo "Oi, que tá bom, tá", de Humberto Teixeira e Lauro Maia. No ano seguinte, gravou o "Baião do Salvador", de Humberto Teixeira e Sivuca com acompanhamento de Canhoto e seu conjunto.

Em 1952, gravou seu primeiro disco pela gravadora Continental, cantando o baião "Vamos balançar", de Humberto Teixeira e Lauro Maia e o "Samba que eu quero ver", de Djalma Ferreira e João de Barro. Em meados dos anos 1950, apresentou-se com freqüência na famosa boate Jirau, do Rio de Janeiro, ponto de encontro de vários artistas da época. Ary Barroso, ardoroso fã da cantora, costumava ir vê-la na Jirau. Em 1955, participou como "crooner" (cantando apenas duas músicas), no LP de Djalma Ferreira, então dono da boate Drink. Em 1956, gravou com acompanhamento de Vadico e sua orquestra os sambas "Coração, atenção!" e "Prece", de Vadico e Marino Pinto.No mesmo ano, lançou "Dentro da noite", seu primeiro LP no qual interpretou "Renúncia", de Marino Pinto, "Foi a noite", de Newton Mendonça e Tom Jobim, "Revolta", de Marino Pinto e Vadico e "Não há de que", de sua parceria com Marino Pinto e Mário Rossi.

Em 1958, apresentou-se ao lado de Dolores Duran na boate Bacará no Rio de Janeiro. No mesmo ano, gravou os sambas canção "Ausência", de sua parceria com Maria Eugênia e "Por causa de você", de Tom Jobim e Dolores Duran. Ainda no mesmo ano, lançou o LP "Vale a pena ouvir Helena", que trazia entre outras composições, "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Bom dia tristeza", de Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes e "Mundo novo", de Maysa.

Foi contratada para o "cast" da Rádio Nacional. Trabalhou ainda na TV Paulista e na Rádio e TV Record, todas de São Paulo. No final da década de 1950, iniciou uma parceria com o maestro Lauro Miranda, que passou a acompanhá-la durante longos anos. Na década de 1960 lançou vários LPs, alguns deles gravados ao vivo em "shows" na boate Cangaceiro, onde fez grande sucesso e onde se apresentava também - em dias alternados - a cantora Elizeth Cardoso. Em 1961, ingressou na RGE e lançou o LP "A voz e o sorriso de Helena de Lima", que trazia entre outras, "Canção de amor", de Paulo Soledade, "De agosto a setembro", de Armando Cavalcanti e Vitor Freire, "Ainda bem", de Fernando César e "Amanhã você dirá", de Luis Reis e Haroldo Barbosa. No mesmo ano, gravou em dueto com o cantor Miltinho a marcha rancho "Pedro das Flores", de Luiz Antônio.

Em 1962, gravou pela Mocambo a marcha "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade, seu maior sucesso e o samba "Fiz o bobão", de Haroldo Barbosa e Luiz Reis. Em 1963, gravou o LP "Quando a saudade chegar", no qual gravou "Estava escrito", de Luiz Antônio e Evaldo Gouveia, "Que inveja amor", de Paulo Soledade e "Longe de mim" e "Nunca te direi", da dupla Fernando César e Britinho. Em 1964, gravou seu LP mais famoso: "Uma Noite no Cangaceiro", um de seus maiores sucessos, que trazia "Oitavo botequim", de Luis Antonio, "Verdade da Vida", de Raul Mascarenhas e Concessa Colaço, "Sinfonia do carnaval", de sua parceria com Concessa Lacerda e "Penumbra", de Fernando César e Ted Moreno. Nesse disco, a cantora gravou acompanhada do Conjunto Cangaceiro, que tinha Raul Mascarenhas ao piano, Rildo Hora na harmônica, Muxiba no contrabaixo e Papão na bateria. Em 1965, lançou também pela RGE o LP "Bar Cangaceiro", com destaque para "Os ABC's da Bahia", de d. Ferraz e Monsueto, "Ser saudade", de Fernando César e Britinho, "Feitio de oração", de Vadico e Noel Rosa e "Sem você", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Em 1966, gravou o LP "De Helena de Lima aos seus amigos", no qual cantou "Nossa favela", de Fernando César e Britinho, "A felicidade", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, "Fantasia", de Haroldo Barbosa e Raul Mascarenhas e "Três dias sem te ver", de Fernando César e Britinho. Em 1969, gravou o LP "Uma noite no Drink", com um pot pourri de Noel Rosa, "Leva meu samba", de Ataulfo Alves, "Sim ou não", de Luiz Bandeira e "Samba de preto forro", de Oldemar Magalhães e João Laurindo. Em 1970, junto com Adeilton Alves, gravou um disco ao vivo na boate Drink, em homenagem a Ataulfo Alves (que falecera em 1969), editado pelo MIS e produzido por Ary Vasconcelos. Este disco "Ao Mestre Ataulfo", idealizado pelo diretor do MIS R. C. Albin, incluía quase 50 músicas do autor e foi acompanhado por Lauro Miranda e Luperce Miranda. Nos anos 1970, fez uma série de excursões e "shows". Em 1974, apresentou-se ao lado de Caubi Peixoto na boate paulista Porta do Carmo.

Em 1975, lançou pela Tapecar o LP "É breve o tempo das rosas", no qual cantou "Mormaço", de João Roberto Kelly, "Carnaval pra valer", de Miguel Gustavo, "O telefonema", e Carlito e Romeu Nunes e "Arte de bem viver", de Nelson Bastos e Luiz de França. Seu maior sucesso foi a marcha-rancho "Estão voltando as flores", de Paulinho Soledade. Essa música até hoje é presença certa em todos os seus "shows". A partir dos anos 1990 passou a se apresentar com menos frequência, embora merecendo respeito e admiração gerais, sendo considerada uma das divas eternas das noites cariocas e paulistas.

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