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Geraldo Pereira

Geraldo Theodoro Pereira
23/4/1918 Juiz de Fora, MG
8/5/1955 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Dois são os motivos que fazem de Geraldo Pereira um dos maiores sambistas de todos os tempos. Primeiro: ele foi o mais brilhante cultor do samba sincopado. Segundo: em suas letras, atuou como um atilado cronista do Rio de Janeiro de sua época. Vamos às explicações. Na linguagem técnica das partituras, síncope significa prolongar o som de um tempo fraco num tempo forte que vem a seguir. É difícil explicar esse recurso em bom português, sem um instrumento na mão, mas o fato é que ele resulta num ritmo puladinho, requebrado, brejeiro, o chamado samba de gafieira, em oposição ao das escolas de samba.

O ritmo sincopado é também a alma da bossa nova e, não por acaso, nos anos 60, João Gilberto gravou “Bolinha de papel”, de Pereira, comentando na época que ele fora “um inovador sem ter consciência disso”. Pode-se conhecer o compositor através de algumas gravações posteriores de músicas suas. Em 1990, Chico Buarque gravou “Sem compromisso” e, em 1997, foi a vez de Olívia Byington interpretar “Escurinho”, um de seus maiores sucessos, lançada originalmente por Cyro Monteiro. Gal Costa gravou duas versões de outro grande êxito de Pereira, “Falsa baiana”, porém com andamento lento, bem diferente do original.

Como letrista, Geraldo Pereira retratava a vida da malandragem (ele próprio um autêntico representante dela ) e das classes menos favorecidas do Rio de Janeiro, aquela dos morros e dos subúrbios. Seus sambas não enfocam a classe média, como os de Noel Rosa (“Conversa de botequim”, “Coisas nossas”). Falavam de gente humilde. Como a antológica “Acertei no milhar”, um dos maiores sucessos de Moreira da Silva, em que o personagem sonha que ganhou na loteria e compra “um avião azul/para conhecer a América do Sul”. Na poesia de Geraldo Pereira há lugar para o amor, mas nunca do tipo romântico ou derramado, como o de Lupicínio Rodrigues. Ao cantar que deseja uma mulher, ele não faz rodeios: “Escurinha/tu tens que ser minha/de qualquer maneira/te dou meu boteco/te dou meu barraco/que tenho no morro de Mangueira.” Em músicas e letras, Geraldo Pereira criou um estilo próprio, inconfundível, que lhe valeu a posteridade.   Okky de Souza

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