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Garoto

Aníbal Augusto Sardinha
28/6/1915 São Paulo, SP
3/5/1955 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Em 1926, com 11 anos de idade, começou tocando banjo no conjunto Regional Irmãos Armani, passando a ser  conhecido desde então como Moleque do Banjo. Saindo do regional, em 1927, passou a tocar no Conjunto dos Sócios, de seu irmão Inocêncio, apresentando-se em reuniões e festas. Sua primeira oportunidade surgiu em 1929,  quando,  na  exposição no Palácio das Indústrias, atuou num grande conjunto tocando ao lado de Canhoto, Zezinho e Mota.  Posteriormente, formaram um conjunto orquestral. Seu ingresso na vida artística  deveu-se inicialmente ao cantor Paraguassu, com quem fez suas primeiras gravações e várias excursões pelo interior de São Paulo.  Ainda em 1929, apareceu como integrante do conjunto Chorões Sertanejos, que chegou a fazer algumas gravações pela etiqueta Parlophon. Nesta época,  conheceu o violonista Aimoré (José Alves da Silva), com quem passa a atuar, seja em grupo, seja em duo, excursionando pelo interior nos intervalos das apresentações paulistanas. Em 1930,  estreou em disco  solo, quando o maestro Francisco Mignone, na época diretor artístico da Parlophon, o recebeu  para um teste, ao lado do violonista Serelepe. Foram convidados a gravar neste mesmo dia, registrando o maxixe-choro "Bichinho de queijo" e o maxixe "Driblando", ambas composições de sua autoria, em duo de banjo e violão. Em 1931, já tendo participado de programas na Rádio Record, foi convidado a atuar na Rádio Educadora Paulista (mais tarde Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim, quando então passou a substituir Zezinho do Banjo, o posteriormenete famoso Zé Carioca, que se transferiu para a Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1934, foi convidado por Jaime Redondo para atuar na Rádio Cosmos, onde passou a integrar o conjunto regional de Petit (Hudson Gaia), atuando ao lado de Aimoré, Atílio Grany e Pingo. Em julho de 1935, fez sucesso com Aimoré ao se apresentarem no Pavilhão de Festas da Exposição Rodoferroviária do Paraná. No intervalo dessas excursões, a dupla participou do filme musical "Fazendo fitas", uma sátira aos primeiros filmes sonoros brasileiros, dirigido por Vittorio Capellaro. Apresentando-se  na  Quarta  Caravana  Artística e na Rádio Clube Paranaense, recebeu proposta para   atuar com Aimoré no Cassino Farroupilha, em Porto Alegre, onde assinaram seu primeiro contrato como dupla. De lá seguiram para a Argentina, acompanhando Carlos Gardel em alguns números.  Retornando a São Paulo, a dupla  apresentou-se a Sílvio Caldas que os convidou  para uma temporada em Santos, na qual obteve grande sucesso tocando violão tenor.  Em 1936, gravou com solos de guitarra havaiana com acompanhamento de Aimoré duas obras suas, o choro "Dolente"  e a valsa "Moreninha". Neste mesmo ano, por indicação de Sílvio Caldas e através de César Ladeira, Garoto e Aimoré foram convidados a atuar na Rádio Mayrink Veiga, emissora que possuía na época um dos melhores elencos do Rio. O excesso de trabalho lhe acarretou problemas de saúde, fazendo com que interrompesse por alguns meses suas atividades no Rio de Janeiro. Em 1937, já restabalecido, foi convidado pelo maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel), a integrar na Rádio Cruzeiro do Sul, de São Paulo, o conjunto regional e a orquestra Columbia. Com a volta de Aimoré em abril de 1937, retomam seu trabalho em dupla, apresentando-se  nas estações PRB-6 (Rádio Cruzeiro do Sul) e PRE-7 (Rádio Cosmos) da organização Byington, até 1938, quando   transferiu-se para o Rio de Janeiro terminando  a dupla.  No Rio,  voltou à Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, também com acompanhamento de Aimoré, gravou na guitarra havaiana a valsa "Sobre o mar" e no violão tenor o choro "Quinze de julho", ambas de sua autoria.  Em dezembro de 1938 passou a atuar ao lado de Carmem Miranda e Laurindo de Almeida.  Com Laurindo, formaria a "Dupla do ritmo sincopado" e o conjunto Cordas Quentes.  Em dupla com Aimoré fez ainda inúmeras gravações para a Odeon, acompanhando  grandes nomes da época.  Em 1939, gravou na Victor com o violonista Laurindo de Almeida os fox trots "Dá-me tuas mãos", de Roberto Martins e Mário Lago e "Música maestro por favor", de Wrubel e H. Magidson. Em outubro do mesmo ano, quando acompanhava Carmen Miranda que se apresentava nos EUA com o conjunto Bando da Lua, foi convidado a substituir  Ivo Astolfi, integrante que estava deixando o Bando da Lua. Foi convidado a ir também e se constitiu num sucesso à parte, destacando-se naturalmente do conjunto. Marcou também sua presença na Feira Mundial de Nova Iorque ao lado de outros artistas brasileiros como Romeu Silva e sua orquestra e Zé Carioca.  Ainda nos Estados Unidos, participou  do filme "Down Argentine Way" rodado em 1940 pela Fox, com Carmen Miranda, que estreou no Brasil com o título de "Serenata Tropical". Em março de 1940, apresentou-se com Carmen Miranda  para o presidente Roosevelt na Casa Branca, na comemoração da passagem de seu sétimo ano de Presidência.  Após oito meses de permanência no exterior,  retornou ao Brasil.  De volta ao Rio de Janeiro, retomou suas atividades na Rádio Mayrink Veiga, formando o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo  do Pandeiro.   Em 1941, gravou com o grupo Seus Garotos, com canto de Valdemar Reis, os sambas "Compromisso para as dez", de sua autoria e Natal César e "Ingratidão", de sua autoria e Geraldo Queiroz. Em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da rádio, regida por Radamés Gnattali,  apresentando-se também em  trios, duos e como solista.  No mesmo ano, gravou na Odeon a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Quanto dói uma saudade", de sua autoria. Ainda no mesmo ano, gravou o primeiro dos seis discos que fez com Carolina Cardoso de Menezes para a Victor com o fox  "Maria Helena", de Lorenzo Baecelata e o choro "Amoroso", de sua autoria. No ano seguinte, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os foxes "Amor-Cielito lindo", de G. Ruiz, "Jalousie", de Jacob Gade, "Un peu d'amour", de Adrian Ross e "Amoureuse", e Rodolphe Berger e os choros "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu e "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro. Nesse período participou de vários programas com a pianista. Em 1944, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os choros "Rato rato", de Casimiro Rocha" e "Fala, bandolim", de José Augusto Gil e, com vocal de Ruy Rey, o fox "Dor de um coração", de José Augusto Gil e "Os patinadores", de Waldteufel. Em 1946, gravou na Continental como solista do Bossa Clube os choros "Sonhador" e "Celestial", de sua autoria. No mesmo ano, gravou os choros "Ameno Resedá", de Ernesto Nazareth e "Meu cavaquinho", de sua autoria. Prosseguiuna carreira fazendo muitas viagens, atuações em cassinos e rádio.  Apareceu no programa "Nada além" e "Bossa clube" do qual também participavam Carolina Cardoso de Meneses, Luis Bonfá, entre outros.  Nessa época, já havia gravado pela Columbia, pela Victor, Continental, sendo, contudo, a maior parte de sua discografia gravada na Odeon.   Em 1949, gravou ao bandolim o choro "1x0", de Pixinguinha e Benedito Lacerda e ao violão tenor o choro "Língua de preto", de Honório Lopes. No mesmo ano, gravou ao violão os choros "Puxa-puxa" e "Caramelo", de sua autoria. No ano seguinte, gravou ao bandolim os choros "Arranca toco", de Jaime Florence e "Dinorá", de Benedito Lacerda e José Ramos e "Desvairada", de sua autoria e a valsa choro "Beira mar", de Atílio Bernardini. Em 1951, gravou ao violão elétrico a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Tristeza de um violão", de sua autoria. No mesmo ano, ao cavaquinho gravou o baião "Meu coração", de sua autoria, ao bandolim os choros "Triste alegria", de Bonfíglio de Oliveira e "Famoso", de Ernesto Nazareth e na guitarra havaiana o bolero "Errei sim", de Ataulfo Alves. Ainda no mesmo ano, acompanhou com Radamés Gnattali o cantor Dick Farney na gravação do samba toada "Canção do vaqueiro", de Luiz Bonfá e o samba "Nick bar", de sua autoria e José Vasconcelos, este último, um dos destaques do ano seguinte. Em 1952, gravou os choros "Artigo do dia", de Valdemar de Abreu, o Dunga ao violão tenor e "Guanabara", de Roberto Martins ao violão tenor. Ao bandolim gravou o "Baião caçula", de Mário Gennari Filho. Ao cavaquinho gravou o baião "Kalú", de Humberto Teixeira com grande sucesso e com a qual alcançou o terceiro lugar nas paradas de sucesso, segundo a Revista Carioca de outubro de 1952. Ao bandolim, o choro "Perigoso", de Ernesto Nazareth. Ainda no mesmo ano, gravou ao violão tenor os choros "Um baile em Catumbi", de Eduardo Souto e "Sempre", de K. Ximbinho. Também no mesmo ano, formou dupla com José Meneses participando dos programas "Nada além de dois minutos",  "Ao som do viola" e "Um milhão de melodias", em que eram solistas da orquestra da Rádio Nacional. Ainda em 1952, integrou o Trio Surdina,  produzido por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional, formado por Fafá Lemos (violino e assobios)  e Chiquinho (acordeom). O trio gravou dois LPs de 10 polegadas  a convite de Nilo Sérgio pela Musidisc. Nessas gravações participaram ainda  Vidal no contrabaixo e Bicalho como ritmista.  Em 1953, gravou ao cavaquinho, de sua autoria, ";Xaxadinho" e "Cavaquinho boogie" e o baião "Chegou a hora", de Rubens Campos e Henricão. No mesmo ano, gravou com Mário Gennari Filho e Tobias Troisi a valsa "Luzes da ribalta", de Charles Chaplin e "Le Lac de come", de C. Galos. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o dobrado "São Paulo quatrocentão" e o "Baião rouxinol", de sua parceria com Chiquinho. O sucesso bateu definitivamente à sua porta com a gravação de "São Paulo quatrocentão", disco que alcançou a vendagem de 700 mil cópias, recorde que se manteria por muito tempo na história do disco brasileiro. No mesmo ano, a cantora e posteriormente  também apresentadora de TV Hebe Camargo  gravou "São Paulo quatrocentão" com letra de Avaré. Ainda em 1953,  participou da Temporada Nacional de Arte, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, executando sob a regência de Eleazar de Carvalho  o "Concertino nº 2" (para violão e orquestra de câmara) de Radamés Gnattali, dedicado a ele,  levando pela primeira vez o violão brasileiro ao Teatro Municipal.  Em1954, gravou o "Baião paulista" e o choro "Romântico", ambas de Paulo César e Di Veras. No mesmo ano, gravou com Joel de Almeida a música " Arucaia", de J. Sandoval. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o "Baile da Camacha", J. Santos e o corrido "Corridinho 1951", de J. Gomes Figueiredo. Em agosto de 1954, a Rádio Gazeta de São Paulo o recebeu para um programa muito especial: a Suíte de Gala Antártica.  Neste programa, o violonista executou a "Suíte para piano e violão" onde, em seis movimentos, estão reunidos diferentes gêneros da música brasileira (Invocação  a Xangô, toada, choro, samba-canção, baião e marcha) e o "Concertino nº 2, para violão e orquestra de câmara",  ambas composições de Radamés Gnattali.  Do programa, participaram  ainda o pianista Fritz Jank e a orquestra sinfônica da PRA-6, regida por Armando Belardi. Em 1955, gravou com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeon, no Trio Surdina, o samba canção "Duas contas", com melodia e letra de sua autoria, única música com letra no LP instrumental lançado pela Musidisc sendo cantada por Fafá Lemos, tornando-se um clássico da música popular brasileira. No mesmo ano, gravou na guitarra a "Valsa do adeus" e "Mazurka", de Chopin. Registradas respectivamente em março e abril daquele ano, foram suas últimas gravações. Em 1957, seu clássico samba "Duas contas" foi gravado por Silvinha Telles, no LP "Carícia" da Odeon, e no ano seguinte foi registrado por Sivuca no LP "Motivo para dançar - Sivuca e Seu Conjunto" da  Copacabana. Como compositor,  além de "São Paulo quatrocentão", obteve grande sucesso com "Amoroso", parceria com Luis Bittencourt, "Estranho amor", com David Nasser, "Duas Contas" e "Gente humilde", cuja letra foi escrita  posteriormente  por  Vinícius de Moraes e Chico Buarque.  Faleceu  em 1955 de ataque cardíaco, quando planejava uma  excursão à Europa. Sem dúvida, um dos grandes instrumentistas brasileiros, deixou para o violão composições  da maior relevância do ponto de vista musical e técnico, aliando à harmonização sofisticada e de extremo bom gosto, uma linha melódica de contornos modernos e tipicamente brasileiros, sempre com grande musicalidade e beleza. Sua harmonização, baseada em acordes alterados, com progressões incomuns para a época (diziam que fazia música para músicos),  fez com que sua obra  fosse considerada precurssora das características que seriam desenvolvidas posteriormente na Bossa Nova. Em 1963, seu samba "Sorriu pra mm", com letra de Luis Cláudio, foi gravado pelo violonista Neco do Violão no LP "Coquetel bossa nova - Neco e seu violão" da gravadora CBS. Em 1980, o violonista Geraldo Ribeiro, lançou pela Editora Musical Pierrot transcrições da sua obra. Posteriormente, o violonista Paulo Bellinati lançou pela Guitar Solo Publications of San Francisco transcrições e arranjos feitos a partir de gravações e manuscritos do compositor. Em 2010, foi homenageado pela Orquestra de Sopros da Pro Arte com o espetáculo "Garoto e suas inseparáveis cordas" que contou com direção musical de Raimundo Nicioli e Matias Correa e foi apresentado em três fins de semana em diferentas salas: o Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico; a Sala Municipal Baden Powell, em Copacabana, e, a "Lapinha", no bairro da Lapa, centro do Rio de Janeiro. Na ocasião foram interpretadas as suas obras "São Paulo Quatrocentão", com Chiquinho do Acordeon e Avaré; "Enigma"; "Vamos acabar com o baile", com José Brandão; Tristezas de um violão (Choro triste nº 1)"; "Naqueles tempos"; "Desvairada"; "Sinal dos tempos"; "Gente humilde", com Chico Buarque e Vinícius de Moraes; "Meditando"; "Jorge do fusa"; "Lamentos no morro"; "Indiferença"; "Duas contas"; "Quanto dói uma saudade"; "Amoroso", e "Tijuca Tênis Club", além da "Suíte Garoto" que incluiu as obras "Inspiração"; "Improviso"; "Gracioso"; "Vivo sonhando"; "Sempre perto de você" e "Esperança". Em 2013, foi homenageado com apublicação do livro "Gente humilde, Vida e música de Garoto", de autoria de Jorge Carvalho de Mello, editado pelas Edições Sesc SP. Em 2015, por ocasião do centenário de seu nascimento recebeu diferentes homenagens em shows, recitais e concertos realizados no Centro de Referência da Música Carioca Arthur da Távora, na Casa do Choro e no Clube do Choro de Brasília, no Clube do Choro de Santos, e na Caixa Cultural em São Paulo. Segundo o violonista Maurício Carrilho, em entrevista ao jornal O Globo, "Ele realmente dividiu a história do violão moderno em duas. Acontece que, do instrumentista, não se sabe muito, pelo pouco que deixou gravado. Está no músico, o das invenções melódicas e harmônicas, a sua grandeza. Nisso, foi revolucionário."

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