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Freire Júnior

Francisco José Freire Júnior
4/8/1881 Santa Maria Madalena, RJ
6/10/1956 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Em 1913, teve sua primeira composição gravada, o "Choro do Malaquias" pelo Grupo do Malaquias na Odeon. No ano seguinte, também na Odeon, teve o "Jongo dos pretos" gravado pod Eduardo das Neves e coro também na Odeon. Em 1917, estreou como compositor de teatro profissional com a partitura de "Tudo dança", revista de Alvarenga Fonseca e J. Miranda apresentada no Teatro Carlos. No mesmo ano, o Grupo Odeon gravou sua polca "Ai, ai, vidinha" e Eduardo das Neves e coro o samba "Desabafo carnavalesco". Em 1918, fez música para as revistas "Angu `a baiana", de Cardoso Meneses e J. Miranda; "Podia ser pior", de Raul Pederneiras e J. Praxedes e "Trepa moleque", dos Irmãos Quintiliano. No mesmo, além da música, foi co-autor de 4 revistas, "A ultima hora", com Antônio Torres; "A mulata do cinema", com Gastão Tojeiro; "Saco do Alferes", com Luiz Peixoto e "O homem das cócegas", com Miguel Santos. Em 1921, teve gravadas simultaneamente a marcha carnavalesca "Ai amor", grande sucesso na revista "Reco reco" e, o samba carnavalesco "Bumba meu boi", pelo cantor Bahiano e pelo Grupo do Moringa.

Em 1922, conheceu seu dois maiores sucessos, o tango-fado "Luar de Paquetá", gravado pelo Bahiano, e regravada inúmeras vezes postiormente, entre outros, por Francisco Alves, e, a marcha carnavalesca "Ai Seu Mé", parceria com Luís Nunes Sampaio, o Careca e gravada também pelo Bahiano e apresentada na revista "Olelê, olalá", de Carlos Bittencourt e Cardoso de Menezes. Esta última, foi composta no ano anterior e foi feita na intenção de ridicularizar o então candidato ofical à presidência da República Arthur Bernardes e tornou-se grande sucesso do carnaval daquele ano. Arthur Bernardes no entanto, venceu as eleições e governou 4 anos sob estado de sítio. Os discos com a gravação da marcha chegaram a ser recolhidos e os autores perseguidos. Careca escondeu-se fora do Rio de Janeiro e Freire Júnior chegou a ser preso na solitária por três vezes, apesar de terem colocado a autoria da música como sendo dos "Canalhas da rua". Ainda no mesmo ano, a Orquestra Augusto Lima gravou seu fox-trote "Uma festa no Brasil" e Vicente Celestino, a toada canção "À beira-mar", parceria com Hermes Fontes.

Em 1923, teve, entre outras composições gravadas o maxixe "Pai João chegou", pelo Grupo do Pimentel e por Francisco Alves, as marchas carnavalescas "Não me passo pra você" e "Mademoiselle cinema". No mesmo ano, Catulo da Paixão Cearense fez a letra para a toada-fado "Ouvindo as ondas" gravada por Vicente Celestino. Ainda no mesmo ano, escreveu seis revistas musicais, entre as quais, "Luar de Paquetá", inspirada na música homônima e que chegou a 150 apresentações, fato raro na época. Fez ainda música para as burletas "A morena Salomé", de F. Correa da Silva, "A casinha pequenina", de Alda Garrido e para a revista "Tatu subiu no pau", dos Irmãos Quintiliano.

Em 1924, escreveu a burleta "Ilha dos amores" apresentada no Teatro Carlos Gomes e a revista-fantasia "Cantora de Cabaret", apresentada no teatro Recreio, na qual lançou o samba "Melindrosas". Em 1925, os cantores Bahiano e Fernando gravaram em dueto o maxixe "De cartola e bangalinha". No mesmo ano, escreveu a revista "Eva no Paraíso" encenada no Cinema Íris; a revista-fantasia "Gigolette", apresentada no Teatro Recreio e a revista-burleta "Vamos lá", encenada no Teatro Carlos Gomes. Em 1926, Fernando gravou a marcha carnavalesca "Pinta, pinta melindrosa" e o maxixe carnavalesco "Café com leite", este último, mesmo título da revista-charge de sua autoria com música de Sinhô apresentada no Teatro São José. No mesmo ano, Francisco Alves gravou a marcha "Nosso Jaú" e a canção brasileira "Morena do sertão". Também em 1926, tornou-se diretor da gravadora Odeon na qual foi o responsável pelo sucesso de Francisco Alves, cuja carreira discográfica, iniciada em 1919, pela gravadora Popular, havia sido interrompida com a extinção da etiqueta. Ainda no mesmo ano, obteve êxito com a burleta "Ai, Zizinha", com músicas suas e de José Francisco de Freitas, na qual eram apresentados blocos e ranchos carnavalescos.

Em 1927, apresentou no teatro Carlos Gomes a revista carnavalescas "Braço de cera", a partir do samba de Nestor Brandão, de mesmo nome, e, a revista "Os calças largas", apresentada no João Caetano e na qual foi lançadas a marcha "Os calças largas", de Lamartine Babo. Em 1928, Oscar Pereira Gomes gravou na Odeon, o tango "Manhãs do Galeão", regravado por Vicente Celestino. No mesmo ano, Francisco Alves lançou a marcha "Tereza" e a modinha "Malandrinha" e Vicente Celestino, a canção "Santa", um de seus maiores sucessos. Em 1929, Francisco Alves gravou o fox-trot "O cantor de jazz", a marcha "Eu não sou bicho" e o samba "Malandro", parceria dos dois. No mesmo ano, Aracy Cortes gravou "Bem-te-vi sem vergonha", parceria com Luiz Iglésias. No mesmo ano, apresentou no Teatro Carlos Gomes a revista "Seu Julinho vem..", na qual Francisco Alves lançou a marcha de mesmo nome, sátira ao então candidato à presidência da República Júlio Prestes e gravado por ele no ano seguinte.

Em 1930, Patrício Teixeira gravou "Josefina não é preta"; Mário Reis, os sambas "Mentira" e "Eu agora sou família" e Aracy Cortes, o samba "Chora que passa". Em 1931, escreveu com Luiz Iglézias e Ary Barroso a revista "No rancho fundo", apresentada no Teatro Piedade. Em 1932, lançou a revista "Não é nada disso", a partir de marcha homônima de sua autoria, gravada por Francisco Alves para o carnaval daquele ano. Escreveu também, com Luiz Peixoto, a revista "Me deixa Ioiô", com músicas suas, de Ary Barroso e Sá Pereira. Em 1933, Augusto Calheiros gravou a valsa "Revendo o passado" e Aracy Cortes, a marcha "Tô te espiando" e o samba "Mulher do regimento". No mesmo ano, estreou a revista "Carnaval do sertão", na Casa de Caboclo, do dançarino Duque.

Em 1934, tornou-se empresário associando-se a Luiz Iglésias, Aracy Cortes e Manuel Pinto e arrendou o Teatro Recreio durante cinco anos. Ficou famoso por apresentar revistas de cunho político, em defesa de candidatos de sua preferência ou de temas ligados à política como a revista "Voto secreto", apresentada em 1934 no Teatro Recreio com músicas suas, de Ary Barroso e outros. Em 1936, assumiu a direção do Teatro Cômico da Empresa Pascoal Segreto. Em 1937, apresentou mais duas revistas de cunho político, "Rumo ao Catete", escreita com Mário Lago; Luís Iglézias e Custódio Mesquita e apresentada no Teatro Recreio, com o comediante Oscarito no papel de Getúlio vargas e "Qual dos três?", escrita com Luís Iglézias e encenada no Teatro Recreio, com alusão aos então candidatos à presidência da República.

Em 1938, Pinto Filho gravou na Parlophon a cançoneta "Luiza!...Luiza!...", parceria dos dois. No mesmo ano, escreveu a revista "Diamante Negro", homenageando o famoso jogador de futebol, então no auge da popularidade. Em 1940, escreveu com Luiz Peixoto a revista "Brasil pandeiro", com alusão ao clima de guerra vivido naquele momento. Em 1944, foi nomeado diretor de produção da Companhia Walter Pinto. Em 1948, escreveu a revista "É com esse que eu vou", aproveitando o título de um samba de sucesso composto por Pedro Caetano.

Entre outubro de 1951 e abrl de 1952, sua revista "Eu quero sassaricá", bateu todos os recordes de arrecadação e de permanência em cartaz, fato que motivou a SBAT a conceder-lhe o título de Sócio Benemérito e a Medalha de Ouro de Produção. Ainda em 1952, já com 70 anos, obteve grande êxito com a revista "Trem de luxo", com a qual a empresária e vedete Zaquia Jorge inaugurou o Teatro Madureira, o primeiro teatro de revista daquele subúrbio carioca. Em 1954, com 73 anos tentou, sem êxito, empresariar suas próprias peças, aplicando tudo que possuía em "É sopa no mel", na qual Luís Pujol era parceiro. Esse fracasso, seguido do da revista "Boa até a última gota" e de outros problemas pessoais levaram-no a um desequilíbrio nervoso, mal do qual veio a falecer em 1956, após ser internado na Casa de Saúde Doutor Eiras em Botafogo, com o estado de saúde agravado em função do falecimento de sua filha. Quando de seu falecimento, o escritor Paschoal Carlos Magno escreveu na Revista do Teatro: "Dificilmente o público de hoje e de amanhã deixará no olvido Freire Júnior. Sua obra volumosa, sua atuação no teatro, a massa de gente que durante longos anos lhe bateu palmas, os letriros luminosos anunciando as suas produções - a vida enfim de Freire Júnior impedirá que no teatro e no coração do público o pano desça definitivamente."

Em 1960, sua composição "Revendo o passado" foi regravada por Gilberto Alves no LP "Ontem e hoje" da gravadora Copacabana.

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