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Francisco Alves

Francisco de Morais Alves
19/8/1898 Rio de Janeiro, RJ
27/9/1952 Pindamonhangaba, SP

Crítica

Francisco Alves foi o mais influente cantor brasileiro da primeira metade do século. De sua estréia sob uma lona de circo em 1918 até sua morte trágica em 1952, foram 34 anos de primeiro plano, de sucesso, de impressionante presença, arrastando em sua carreira inúmeros seguidores, quando não imitadores. Como a quase totalidade dos barítonos e tenores anteriores à gravação elétrica – que, aliás, coube a ele inaugurar em 1927 –, guiou-se pela escola do bel-canto, mais afinada pelos padrões da ópera clássica do que por um cantar brasileiro ainda em formação: para que suas vozes fossem registradas pelo primitivo sistema mecânico de registro fonográfico, de microfones pouco sensíveis, tenores e barítonos valiam-se mais da potência do que de outros recursos. Numa palavra, “gritavam” mais que “cantavam”. Francisco Alves jamais se livraria de todo desse estilo semi-operístico, mas se tornaria mais natural a partir da gravação elétrica e, principalmente, de seus duetos em disco (24 ao todo) com Mário Reis, este, sim, um cantor já brasileiro, na emissão de voz, na naturalidade e na pronúncia. Essas diferenças entre Francisco Alves e Mário Reis, anotadas por vários estudiosos da música popular, já eram ressaltadas por Mário de Andrade no ensaio “A pronúncia cantada e o problema do nasal brasileiro através dos discos”, de 1938. Sendo assim, a que se deve a importância do chamado Rei da Voz? Qual o porquê de sua influência sobre seus pares? Primeiramente, à sua musicalidade, ao seu faro para descobrir canções destinadas ao sucesso. Entre elas, os sambas de compositores desconhecidos, pedras brutas dos morros cariocas (Ismael Silva, Cartola, Bide, Marçal, Brancura, Gradim), que o intérprete lapidou com sua voz. É verdade que resultou disso um produto híbrido, o samba espontâneo dos morros vestidos pelo artificialismo do cantor. Mas uma hibridez de grande agrado popular e que, entre outras coisas, tirou aqueles sambistas do anonimato. Em seguida, e até o fim da vida, o cantor seguiu perseguindo o sucesso (ou o sucesso a ele). Música de carnaval, sambas-canções de meio de ano, as exaltações de Ary Barroso, as incontáveis versões, de tudo um pouco, num repertório de mais quantidade que qualidade.

Em seu tempo, ninguém gravou tanto. Já o Francisco Alves compositor está a merecer um estudo mais atento. Se é verdade que comprava sambas daquelas pedras brutas,

tornando-se seu parceiro, não há como negar que, com sua musicalidade, ele próprio era capaz de compor lindas melodias, do que são exemplos as valsas serenatas com letras de Orestes Barbosa.

João Máximo

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