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Emilinha Borba

Emília Savana da Silva Borba
31/8/1923 Rio de Janeiro, RJ
3/10/2005 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Começou freqüentando programas de calouros, apesar da relutância de sua mãe. Ganhou seu primeiro prêmio, aos 14 anos, na "Hora Juvenil", da Rádio Cruzeiro do Sul. Cantou também no programa "Calouros de Ary Barroso", obtendo a nota máxima ao interpretar "O X do problema", de Noel Rosa. Logo depois, começou a fazer parte dos coros das gravações da Columbia. Formou, na mesma época, uma dupla, "As Moreninhas", com Bidú Reis (Edila Luísa Reis), com a qual se apresentou em várias rádios, durante cerca de um ano e meio. Logo depois, gravou para a "Discoteca Infantil" um disco em 78 rpm com "A História da Baratinha", em adaptação de João de Barro. Desfeita a dupla, foi logo contratada pela Rádio Mayrink Veiga, ocasião em que recebeu de César Ladeira o slogan "Garota nota dez". Gravou sua primeira participação em disco pela Columbia, em 1939, cantando a marchinha "Pirulito", em dupla com Nilton Paz, depois de um convite do compositor João de Barro, autor da música.

Gravou seu primeiro disco solo em março de 1939, pela Columbia, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto, com o samba-choro "Faça o mesmo", de Nássara e Frazão, e o samba "Ninguém escapa...", de Frazão. Na época, aparecia no selo do disco como Emília Borba. No mesmo ano, gravou com acompanhamento de Napoleão Tavares e seus soldados musicais, o choro-rumba "Vem cantar também", de Paulo Pinheiro e J. Ferreiro, o samba "Qual a razão?", de Antônio Almeida e Mário Lago, e a marcha "Faça de conta", de Custódio Mesquita e Mário Lago. Ainda em 1939, conseguiu ser apresentada, por intermédio de Carmen Miranda, de quem sua mãe Edith era camareira, ao empresário Joaquim Rolas, proprietário do Cassino da Urca, que a contratou como crooner. Na ocasião, Carmen Miranda emprestou-lhe um vestido e sapatos plataforma, para que ela, que era menor de idade, e que por isso, teve de alterar seu registro de nascimento, fizesse seu teste. Passou no teste, tornando-se uma das principais atrações do Cassino. Também no mesmo ano, atuou no filme "Banana da terra", de Alberto Bynton e Rui Costa.

Em 1940, gravou com acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra os sambas "O cachorro da lourinha" e "Meu mulato vai ao morro", da dupla Gomes Filho e Juraci Araújo. Nesse ano, apareceu nos filmes "Laranja da China", de Rui Costa e "Vamos cantar, de Leo Marten. No ano seguinte, assinou contrato com a Odeon, gravadora onde sua irmã, a cantora Nena Robledo, casada com o compositor Peterpan era contratada e lançou os sambas "Quem parte leva saudades", de Francisco Scarambone, e "Levanta José", de Haroldo Lobo e Valdemar de Abreu. Nesse disco já apareceu com o nome artístico que a consagrou. Gravou ainda um segundo disco na Odeon com o samba "O fim da festa", de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro, e a marcha "Eu tenho um cachorrinho", de Georges Moran e Osvaldo Santiago.

Em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Nesse ano participou das filmagens do filme inacabado "It's all true", de Orson Welles. Em setembro de 1943, retornou ao "cast" da mesma emissora, a PRE-8 e durante os 27 anos que lá permaneceu consagrou-se como sua "Estrela Maior". Na Rádio Nacional, tornou-se uma das cantoras mais queridas e populares do Brasil. Participou, efetivamente, de todos os programas musicais da PRE-8 e foi a "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos, até quando durou a pesquisa naquela emissora. Sua popularidade muitas vezes esteve associada ao programa de César de Alencar, que era transmitido para todo o Brasil, aos sábados à tarde. Ainda em 1943, apareceu no filme "Astros em desfile", de José Carlos Burle, na Atlântida. Em 1944, estreou no selo Continental da gravadora Columbia com o choro "Infância", de J. Cravo Jr e Carlito Moreno, e logo depois, a marcha "Ganhei um elefante", de Peterpan e Russo do Pandeiro, e o samba "Se eu tivesse com que...", de Afonso Teixeira e Peterpan, com acompanhamento de Napoleão Tavares e seus soldados musicais. Nesse ano, apareceu nos filmes "Romance de um mordedor", de José Carlos Burle, e "Tristezas não pagam dívidas", de José Carlos Burle e Rui Costa, os dois na Atlântida.

No ano seguinte, gravou os sambas "Como eu sambei", de Peterpan e Afonso Teixeira, "Você e o samba", de Peterpan e Ari Monteiro, e "O outro palpite", de Grande Otelo e Garoto, e o choro "Divagando", de Nelson Miranda e Luiz Bittencourt. Nesse ano, atuou no filme "Não adianta chorar", da Atlântida, dirigido por Watson Macedo. Em 1946, gravou para o carnaval do ano seguinte o samba "Madureira", de Peterpan e Jorge de Castro. Atuou ainda no filme "Segura essa mulher", da Atlântida, com direção de Watson Macedo. Em 1947, fez sucesso com a rumba "Escandalosa", de Moacir Silva e Djalma Esteves. Gravou também a "Rumba de Jacarepaguá", de Haroldo Barbosa, o samba "Se queres saber", de Peterpan, "Já é de madrugada", de Peterpan e Antônio Almeida, e a marcha "Telefonista", de Peterpan, todas sucesso, especialmente as duas primeiras.

Para o carnaval de 1948, lançou as marchas "Barnabé", de Haroldo Barbosa e Antônio Almeida, e "Que carnaval", de Arlindo Marques Junior e Roberto Roberti. Nesse ano, lançou mais dois sambas de Peterpan, em parceria com René Bittencourt, "Quem quiser ver, vá lá" e "Meu branco". Participou também do filme de grande sucesso "Este mundo é um pandeiro", da Atlântida, dirigido por Watson Macedo. Com a orquestra de José Maria de Abreu gravou os sambas "Contraste" e "Esperar por quê?", de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro. Atuou também nos filmes "Folias cariocas", de Hélio Tys e "É com esse que eu vou", dirigido na Atlântida por José Carlos Burle.

Em 1949, lançou para o carnaval um de seus maiores sucessos, a marcha "Chiquita bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro. Fez-se presente nos filmes "Poeira de estrelas", da Fenelon Produções, dirigido por Moacir Fenelon e "Estou aí", da Cinédia, direção de José Cajado Filho. Ainda nesse ano, gravou a marcha "Boca negra", de Antônio Almeida e Alberto Ribeiro, e os sambas "Porta bandeira", de Nássara e Roberto Martins e "Tem marujo no samba", de João de Barro, este último em dueto com Nuno Roland com acompanhamento de Severino Araújo e sua orquestra Tabajara. Ainda no mesmo ano, fez sucesso com o samba "Eu sei estar na Bahia", de José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago, gravado em dueto com Blecaute.

Ainda em 1949, em concurso tradicional para elejer a "Rainha do Rádio" do ano, perdeu o título para a grande "rival" Marlene. Na época, os jornais davam destaque para a polêmica criada pelos fãs-clubes das duas estrelas. No ano seguinte, as cantoras surpreendem o público ao gravarem em dueto "Eu já vi tudo", de Peterpan, "Casca de arroz", de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti, e "A bandinha do Irajá", de Murilo Caldas. Atuou no filme "Todos por um", dirigido na Cinédia por José Cajado Filho em 1950, mesmo ano em que gravou os baiões "Paraíba" e "Baião de dois", da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que obtiveram grande sucesso, e os sambas "Boa", de Marília Batista e Henrique Batista e "Jurei", de Nássara e Valdemar de Abreu. Em 1951, lançou a marcha-baião "Bate o bombo", de Humberto Teixeira, e a marcha "Tomara que chova", de Paquito e Romeu Gentil, um de seus grandes sucessos carnavalescos, com acompanhamento de Guio de Moraes e Seus Parentes, e a marcha "Festa brava", de João de Barro, e o samba "Perdi meu lar", de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, com acompanhamento de Radamés Gnatalli e sua orquestra. Participou ainda de outro filme de sucesso, "Aviso aos navegantes", dirigido na Atlântida por Watson Macedo. Atuou também em "Aí vem o barão",também na Atlântida, e do mesmo diretor. Com Ivon Curi gravou a toada "Noite de luar", de José Maria de Abreu, Alberto Ribeiro e Ivon Curi.

Atuou em mais dois filmes em 1952, "É fogo na roupa", de Watson Macedo e "Barnabé tu és meu", da Atlântida, com direção de José Carlos Burle. Nesse ano, gravou o samba "Fora do samba", de Peterpan, Amadeu Veloso e Paulo Gesta, a marcha "Nem de vela acesa", de Paquito e Romeu Gentil, e com Jorge Goulart, o samba "Sua mulher vai ao baile comigo", de Caribé da Rocha e Evenor. No ano seguinte, participou dos filmes "O destino em apuros", da Multifilmes e "Aí vem o general", de Alberto Atillio. Nesse ano, gravou as marchas "Bananeira não dá laranja", de João de Barro, e "Catumbi encheu", de Rutinalo e Norival Reis, e os sambas "Você sabe muito bem", de Lourival Faissal, Bené Alexandre e Getúlio Macedo, e "Pelo amor de Deus", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Gravou na Todamérica com Albertinho Fortuna a marcha "Felipeta", de Antônio Almeida, e o samba "Olha a corda", de Antônio Almeida e João de Barro. Em 1953, foi eleita a Rainha do Rádio pela Associação Brasileira do Rádio apenas com o voto popular, sem patrocínio comercial obtendo praticamente o triplo dos votos da segunda colocada.

Atuou nos filmes "Caprichos do amor", de H. Rangel e "O petróleo é nosso", de Watson Macedo em 1954, ano em que gravou com o Trio Madrigal o bolero "Vaya com Dios", de Russel e Pepper, com versão de Joubert de Carvalho. Gravou também nessa época o samba "Parabéns São Paulo!", de Rutinaldo, a marcha "Aí vem a marinha", de Moacir Silva e Lourival Faissal, o samba-canção "Os meus olhos são teus", de Peterpan, e o bolero "Noite de chuva", de Peterpan e José Batista. Nesse ano, gravou na RCA Victor em dueto com o radialista César de Alencar a valsa "Noite nupcial", de Peterpan, e o samba "Os quindins de Iaiá", de Ary Barroso.

Em 1955, gravou a toada "Jerônimo", de Getúlio Macedo e Lourival, música tema da novela de aventuras "Jerônimo, o herói do sertão", de grande sucesso, apresentada na Rádio Nacional tornando-se assim, a primeira cantora a gravar, comercialmente, uma música tema de "trilha sonora" de novela radiofônica. Nesse ano, atuou em cinco filmes diferentes, "Eva no Brasil", de Pierre Caron; "Carnaval em Marte", de Watson Macedo; "O rei do movimento",de Vitor Lima; "Trabalhou bem Genival", de Luiz de Barros, e "Guerra ao samba", de Carlos Manga. Nesse período, gravou mais três composições de Peterpan: o cântico "Saudações aos peregrinos", o samba "Nova Canaã" e a "Toada do amor". Ainda em 1955, tornou-se a primeira cantora a cantar distante da orquestra quando estando em excursão ao Rio Grande do Sul cantou ao telefone nos estúdios da Rádio Gaúcha de Porto Alegre o bolero "Em nome de Deus" acompanhada pela orquestra do Maestro Ercolli Vareto que estava nos estúdios da Rádio Nacional no Rio de Janeiro. Nessa ocasião defendia o primeiro lugar desse bolero na "Parada dos maiorais - Pastilhas Valda" do Programa César de Alencar.

Gravou no ano seguinte, com acompanhamento de Radamés Gnatalli e sua orquestra, a valsa "Lembrando Paris", de Lourival Faissal e Jorge de Castro, e o samba "Insensato coração", de Antônio Maria e Paulo Soledade. Em dueto com Bill Farr gravou o fox-marcha "Bate o bife", de João de Barro, razoável sucesso naquele carnaval. Atuou também no filme "Vamos com calma", dirigido na Atlântida por Carlos Manga.

Em 1957, fez grande sucesso no carnaval com a maliciosa marcha "Vai com jeito", de

João de Barro, e que deu ensejo ao filme "Com jeito vai", dirigido na Herbert Richers por J. B. Tanko. Nesse ano, atuou também nos filmes "Garotas e samba", dirigido na Atlântida por Carlos Manga, e "De pernas pro ar", de Vitor Lima, lançado pela Herbert Richers e Sino-Cinedistri. Tornou-se nesse ano, a primeira cantora a gravar, comercialmente, um samba-enredo de escola de samba, "Brasil Fontes das Artes", de Djalma Costa, Eden Silva e Nilo Moreira, do GRES do Salgueiro, com acompanhamento da bateria dessa escola de samba. Atuou no filme "É de chuá", dirigido na Herbert Richers e Sino-Cinedistri, por Vitor Lima em 1958. Fez sucesso nesse ano com o bolero "Botões de laranjeira", de Getúlio Macedo e Lourival Faissal. Gravou também as marchas "Noites de junho", de João de Barro e Alberto Ribeiro, e "Primavera no Rio", de João de Barro. Em seu disco na Continental, o LP "Calendário musical", registrou sucessos como Botões de laranjeiras", de Lourival Faissal e Getúlio Macedo, e "Fevereiro", de João de Barro. Após 13 anos, deixou a Continental e ingressou na Columbia estreando com o samba-canção "Outra prece de amor", de René Bittencourt, e o cha-cha-cha "Cachito", de Velesquez e Bourget. Com esta música, tornou-se a primeira cantora a gravar através do sistema de colocar a voz sobre a parte inicialmente gravada pela orquestra. Esta música foi lançada simultaneamente em dezenas de estações de rádio em todo o país.

Gravou em 1959 a marcha-rancho "Meu Santo Antônio", de Irani de Oliveira, e o bolero "Em meus braços", de Irani de Oliveira e Almeida Rego, e os sambas "Amor de outrora", de Getúlio Macedo e Lourival Faissal, e "Renunciei", de Arsênio de Carvalho. Nesse ano, participou dos filmes "Mulheres à vista", "Entrei de gaiato", "Vai que é mole" e "Garota enxuta", dirigidos na Herbert Richers, por J. B. Tanko. Gravou no ano seguinte os sambas "Gelo", de J. Piedade e Orlando Gazzaneo, e "A danada da saudade", de Rutinaldo, as marchas "Pensar...professor", de José Costa e Fernandinho, "Qual é o pó", de João Roberto Kelly e G. Gonçalves, e "Marcha do pintinho", de Hilton Simões, Alventino Cavalcanti e Oldemar Magalhães, e o bolero "Alguém", de Getúlio Macedo e Lourival Faissal. Nesse ano, atuou no filme "Cala a boca Etelvina", de Eurides Ramos. Também nesse ano, lançou o LP "Emília no país dos sucessos", que tinha entre outras músicas, "Chiquita bacana", de Alberto Ribeiro e João de Barro, "Música divina", de Waldir Rocha, "Eu e o samba", de Nelson Castro, e "Dez anos", de Rafael Hernandes. Foi mais de 50 vezes capa da famosa Revista do Rádio e recordista em receber cartas de fãs. Possuiu as colunas "Diário da Emilinha", "Álbum da Emilinha", "Emilinha responde" e "Coluna da Emilinha" através das quais se comunicava com os fãs nas revistas "Revista do Rádio" e "Radiolândia" e no jornal "A Noite". Foi a estrela principal de inúmeros programas na Rádio Nacional. Foi a primeira artista brasileira a realizar uma excursão nacional com patrocínio exclusivo. Foi eleita por três anos consecutivos a melhor cantora do Rádio.

Gravou em 1961 as músicas "Milhões de carinhos"; "Juntinhos é melhor", de Fernando Costa, Rossini Pinto e Fernando Barreto; os sambas "Demorei", de João de Oliveira e Oldemar Magalhães, e "Chora que eu vou gargalhar", de Claudionor Santos e Ivo Santos, e as marchas "Papai e mamãe" e "Meu cavalo não manca", de Rutinaldo e Brasinha. Atuou também no filme "Férias no Arraial", da produtora Arabela. Também nesse ano foi eleita a "Rainha do Jubileu de Prata da Rádio nacional". Entre meados da década de 1950 e 1960 teve marcante atuação na televisão cantando e apresentando programas. Apresentou "Emilinha canta", com Blota Júnior na TV Record, de São Paulo; "Emilinha canta", com Levy Freire na TV Itacolomi de Belo Horizonte; "Big show peixe", com César de Alencar na TV Record de São Paulo; "O show é ODD", com Paulo Gracindo na TV Rio; "Minha querida Emilinha", na TV Rio; "Emilinha aos sábados", na TV Excelsior, do Rio de Janeiro; "A grande premiada", com Aerton Perlingeiro na TV Tupi, Rio de Janeiro; "Festival de músicas para o carnaval", com João Roberto Kelly na TV Tupi do Rio. Por diversas ocasiões substituiu o apresentador Chacrinha no programa "Discoteca do Chacrinha", nas Tvs Excelsior e Rio. Fez shows nos Estados Unidos, Israel e Inglaterra entre outros países.

Em 1962, gravou três canções da dupla Rossini Pinto e Fernando Costa, "Filhinho querido", "Benzinho" e "Quero outra vez sentir", e também "Castigo meu amor", de Fernando Barreto e Fernando Costa. Gravou também a primeira composição de sua autoria "É brasa", parceria com Fernando Costa e Rossini Pinto.

No ano seguinte, fez sucesso no carnaval com a marcha "Pó de mico", de Dora Lopes, Renato Araújo e Arildo Souza. Nesse ano, lançou o LP "Benzinho", música título da dupla Fernando Costa e Rossini Pinto, da qual gravou também "Vem comigo dançar" e "Quero outra vez sentir teu coração", além de "Porque foi que voltei", de João Roberto Kelly. Fez sucesso no carnaval de 1964 com a "Marcha do remador", de Antônio Almeida e Oldemar Magalhães. Em 1965, foi eleita "Rainha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro". Nesse ano, fez sucesso no carnaval com a marcha "Mulata iê-iê-iê", de João Roberto Kelly. Gravou 117 discos, entre 1939 e 1965, tornando-se uma das cantoras de maior expressão nacional de todos os tempos. Atuou em 1966 nos filmes "007 1/2 no Carnaval", da Copafilmes Copacabana, com direção de Vitor Lima, e "Virou bagunça", da Cinedistri, com direção de Watson Macedo. Também no mesmo ano, lançou o LP "Amor da minha vida", música título de Rossini Pinto que incluía ainda "Amor maior do mundo", de sua autoria e Fernando Costa, "Viver sem teu amor não é viver", de Peterpan, e "Minha renúncia", de Média Vuelta e Neusa da Costa. No ano seguinte, atuou em "Carnaval barra-limpa", na Herbert Richers, filme de J. B. Tanko.

Em 1968, completou treze anos consecutivos escolhida em primeiro lugar no concurso "Os mais queridos do Rádio e da televisão". Nesse ano, se afastou da vida artística por problemas de saúde. Teve edema nas cordas vocais e foi submetida a três cirurgias e a longo período de estudo para reeducar sua voz. Ainda assim, voltou a cantar. Seu retorno ocorreu em espetáculo realizado pelo Sistema Globo de Rádio, diretamente do campo de futebol do Clube de Regatas Vasco da Gama no Rio de Janeiro, exatamente no Dia dos Marinheiros, em 1972. No início de 1973, em transmissão direta feita pela TV Tupi do Rio de Janeiro, apresentou-se no Canecão, no Festival de músicas para o carnaval, iniciativa do MIS a partir de 1968, quando, com a marcha de João Roberto Kelly "Israel", venceu, mais uma vez, a "guerra" do carnaval. Em 1975, apareceu no filme "Assim era a Atlântida", de Carlos Manga.

Em 1981, participou, pela primeira vez, de espetáculos culturais sobre a memória da MPB, na Sala Sidney Miller da Funarte, estrelando os shows: "Oh! As marchinhas", com o cantor Jorge Goulart que seria convertido em LP com o mesmo nome e "Quero Kelly", com João Roberto Kelly, ambos criados e dirigidos por Ricardo Cravo Albin para a série "Carnavalesca". No LP "Oh! As marchinas", lançado pela Phonodisc e apresentado por R. C. Albin, interpretou clássicos carnavalescos como "Balzaqueana", de Wilson Batista e Nássara; "O teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e Irmãos Valença; "Pirata da perna de pau", de João de Barro; "Touradas em Madrid", de Alberto Ribeiro e João de Barro, e "As pastorinhas", de João de Barro e Noel Rosa. No mesmo ano, gravou de maneira independente o LP "Força positiva" no qual cantou "Meu amor não envelhece", de Arthur Moreira e Osmar Navarro, "O herói da noite", de Renato Barbosa e Míriam Batucada, "Eu vou até de manhã", de Lauro Maia, "O milagre da luz", de Esdras Silva e Klécius Caldas e "Ninguém fica pra semente", de Vovó Ziza e Noca da Portela. Em 1988, participou do LP duplo "Há sempre um nome de mulher", do Banco do Brasil/ LBA, criado por Ricardo Cravo Albin para a Campanha do Aleitamento Materno, ocasião em que gravou novamente o repertório carnavalesco de sempre, ao lado da rival Marlene.

Em 1991, recebeu o prêmio de "Cidadã benemérita da cidade do Rio de Janeiro". Em 1995, recebeu o prêmio de "Cidadã paulistana". No ano seguinte, foi laureada com o Troféu Imprensa. Durante boa parte da década de 1990 participou, quase anualmente, do baile de carnaval brasileiro realizado no Woldorf Astória Hotel em Nova York. Em 2003, lançou seu primeiro disco depois de 22 anos sem gravar, "Emilinha pinta e borda", que contou com as participações especiais de Ney Matogrosso na faixa "Não existe pecado ao sul do equador", de Chico Buarque e Ruy Guerra e do grupo Forroçacana mna faixa "ETC", de Nando Reis, Marisa Monte e Carlinhos Brown. Nesse ano, por ocasião dos seus 80 anos, concedeu longa entrevista ao Jornal do Brasil, conduzida por Ney Matogrosso, na qual falou sobre sua carreira. No carnaval de 2004, apresentou-se no concorrido baile popular da Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. No mesmo ano, gravações suas feitas entre 1939 e 1954 foram incluídas pelo selo Revivendo no CD "Se queres saber" entre as quais, "Rumba em Jacarepaguá", "Tico tico na rumba", "Escandalosa", "Dez anos" e "Vem cantar também". Ficou conhecida como "A favorita da marinha", além de ser vista também por seus fãs como a "Eterna Rainha do Rádio". Em setembo de 2008, pouco antes de se completarem 3 anos de sua morte, o Fã Clube Nacional Emilinha Borba realizou no Rio Scenarium na Lapa a exposição "Emilinha: um acervo à procura de um espaço". Na mesma época o Jornal do Brasil publicou reportagem sobre a dificuldade do Fã Clube da cantora encontrar um espaço para alojar o acervo da artista: "Quem diria: o legado da Favorita da Marinha está à procura de um porto seguro. Às vésperas do terceiro aniversário de morte de Emilinha Borba, lembrado em 3 de outubro, os objetos pessoais da cantora, que rivalizou com Marlene no auge da era do rádio, precisam encontrar alguém que cuide deles. São camisolas de cetim e algodão, o prato que Emilinha almoçou pela última vez, bijuterias, vestidos usados em shows, o estojo de maquiagem usado no dia em que morreu e ainda centenas de revistas, fotografias, discos, diplomas, prêmios e mais de 240 faixas dadas de presente à musa por fãs - itens típicos das décadas de 50 e 60". Em 2010, foi homenageada especial do show "Cantando a era de ouro do Rádio" apresentado no teatro Rival pela cantora e atriz, e sua fã assumida, Tânia Alves. Uma prova da vitalidade do culto à cantora é que seu fã clube, criado oficialmente em 1952, chegou a 2010, cinco anos após a morte da cantora contando com mais de dois mil fãs cadastrados.  Em 2017, voltou ao cartaz no Centro Cultural João Nogueira, no bairro carioca do Méier o musical "Emilinha" com a atriz Stella Maria Rodrigues cantando vários sucessos da Rainha do Rádio.

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